Purity and Malice
5 Festival
Foram três dias torturantes até a chegada do festival Hanabi Taikai, que por sorte, naquele ano caiu em um domingo com uma bela noite de tempo firme e quente. Inojin apertou o nó da sua yukata azul-marinho e prendeu os longos fios no costumeiro rabo.
Saiu de seu apartamento com passos apressados, levando consigo apenas uma bolsa de couro, na qual havia guardado um pequeno arranjo com tulipas vermelhas para Himawari.
Em poucos minutos, já havia chegado ao parque central que estava devidamente preparado para recepção dos apreciadores da festividade. As mais diversas tendas com comidas típicas tinham sido montadas, lanternas artesanais com labaredas de fogo contornavam as trilhas de pedras e o grande lago tinha velas coloridas decorativas.
Famílias e casais disputavam os espaços vazios para estender as toalhas de mesa xadrez ou lonas para assistir os fogos de artifícios.
Inojin parou em uma barraca defronte ao portal de entrada, olhava atentamente ao redor em busca da azulada, mas logo percebeu que havia sido o primeiro a chegar ao ponto marcado. Talvez a pressa tivesse feito ele se adiantar demais. Fitou o celular na expectativa de encontrar alguma mensagem, porém o contato da garota se mostrava offline.
À medida que o tempo passava, rostos conhecidos cruzaram o caminho do loiro como a antiga equipe cinco (formada por Denki, Ywabee e Metal), sua ex-companheira de time Chocho com Mitsuki a tiracolo e o casal mais famoso de Konoha BoruSumi. Inojin até pensou em questionar o Boruto sobre a localização de Himawari, porém logo ponderou que não seria adequado atiçar o ciúme e a curiosidade do filho do Hokage.
Pacientemente, Inojin viu os segundos se tornarem minutos e os minutos quase virarem horas. Aos poucos se conformou pelo bolo levado e entrou mais afundo no parque.
Caminhou pesarosamente até as partes mais silenciosas do parque, o som das famílias felizes e os múrmuros dos casais apaixonados embrulhavam o seu estomago.
Pegou um pequeno atalho, conhecidos por poucos, que dava acesso a ponte norte que circundava o lago artificial. Por sorte, o difícil acesso pela longa trilha de pedregulhos e madeira gasta, que sempre rangia, afastava os civis, tornado o local sossegado em meio de tanto frenesi. Além disso, era ponto alto e estratégico no qual se avistava todo o restante do parque.
Chegou à ponte, achando que seria um excelente lugar para passar a noite só, mas logo viu que não fora o único a ter aquela. Uma morena, bem conhecida por ele, vestida com uma yukata vermelha estava sentada na grade da ponte jogando pequenas pedras na água.
As lentes que ela usava destacavam as perolas negras brilhantes e maquiagem leve parecia uma pintura. Com toda certeza, ela havia herdado o famoso charme dos Uchihas, por conta disso estranhou o fato da morena está sozinha. Certamente o caráter tempestuoso afastou qualquer companhia.
Inojin apoiou os braços na grade ao lado dela, fitou a morena que bufou irritada e rodou os olhos com a sua chegada. Ela pegou uma pequena garrafa e deu um grande gole.
— É soda, antes que você insinue alguma asneira... — o tom de voz era profundamente aborrecido.
O loiro ergueu a sobrancelha, não esperava tamanha irritação guardada por conta de uma conversa jogada fora.
— Sarada... — iniciou meio incerto— Sinceramente me desculpe, em nenhum momento quis ofender-la.
— Humpf.
Os traços sérios da morena se suavizaram e Inojin apreciou o perfume suave e marcante que ela exalava. Ambos caíram em um confortável silencio quebrado apenas pelo som de grilos, o loiro fitou novamente tela luminosa que marcava quarenta e cinco minutos para o lançamento dos fogos.
— Pelo visto, passaremos o festival sem companhia.... — o loiro iniciou, porém fora bruscamente cortado.
— Fale por você, eu tenho companhia para esta noite — a morena falou seriamente e um tanto ofendida.
Inojin sorriu com escárnio.
— Um companheiro invisível? — caçoou.
Sarada bufou irritada fazendo uma pequena mecha de fios negros voarem.
— Ele teve uma reunião importante, mas logo aparecerá.
Inojin a mirou ainda descrente das palavras da morena.
— E você não deveria está atrás da princesinha Uzumaki? — questionou Sarada desviando o assunto e destilando veneno.
Inojin olhou o horizonte, duvidoso em contar para Uchiha. Mas ele sabia que apesar da língua afiada, ela era uma boa ouvinte.
— Ela me convidou, mas até agora não apareceu e nem deu sinal de vida— falava decepcionado.
Sarada riu secamente, Inojin torceu o nariz com tamanha desconsideração.
— Baka, ela só está atrasada— falou com convicção— Ela provavelmente parou no meio do caminho para ajudar alguma senhora ou algum gato preso...
Inojin a mirou duvidoso.
— Caso, você realmente queira insistir na Hima, é melhor ser tolerante com atrasos e infantilidades... — Sarada concluiu risonha
O loiro ia responder para morena, quando avistou duas figuras caminhavam na margem do lago e os encaravam intensamente. Um rapaz com longos fios negros rebeldemente soltos andava com ar sonolento, mas acenou animadamente ao avistar Inojin, já o outro rapaz com madeixas castanhas mantinha a fachada séria. Pelo visto, pouca coisa havia mudado em Shikadai e Shinki.
— Bem, meus companheiros invisíveis chegaram— a morena alfinetou— Boa sorte com a princesinha.
Sarada saltou da ponte e controlando o chacra na água caminhou calmamente até a dupla.
Inojin torceu o nariz, não sabia o que era mais bizarro, Shinki andando abraçado com a Uchiha ou Shikadai sendo vela do casal.
— Inojin!
A voz doce que gritava no extremo da ponte tirou-o dos questionamentos. Finalmente, o loiro conseguiu lançar um sorriso sincero naquela noite.
—x-x-x-x-x-x
A azulada estava afobada, com o rosto fortemente rubro e a respiração entrecortada, pela corrida. Estava trajando um quimono branco com girassóis, suas mãos arrastavam cansada uma grande cesta de piquenique.
— Inojin, uma senhorapediu ajuda, depois meucelular descarregou e depois ogato...— Himawari com os olhos azuis lacrimejantes, atropelava as palavras na tentativa de se justificar.
— Calma Hima, o importante é que você chegou.
Inojin sorriu amavelmente, recolhendo a grande cesta das mãos da garota, ela prendada tinha tomado o cuidado de preparar os quitutes para os dois. O loiro amavelmente guiou a azulada até os montes próximos.
Apesar da tardança, conseguiram um bom ponto para assistir os fogos. E ele estendeu a toalha xadrez, achando engraçada a preocupação da azulada. Novamente os dedos estavam entrelaçados no tique nervoso.
O loiro retirou o bolo e os talheres da cesta, dirigiu a pequena xícara com chá-verde para Himawari, que reluzia um pouco mais tranquila e se sentou no lado dela. O rapaz deslizou as pontas dos dedos nas costas da garota, carinhosamente. O silencio estava se tornando incomodo.
— Minha mãe comentou que você está trabalhando no hospital, como é lá? — Inojin tentou puxar conversa.
Os olhos azuis iluminaram alegres.
— Sim, no setor de pediatria— falava entusiasmada— não é algo glamoroso, mas adoro as crianças.
Inojin sorriu, era fácil se contagiar pelas emoções que a azulada emitia.
— E as sua missões, como são as outras vilas?— questionou a Himawari, com ar curioso.
— Bem— ponderou fitando o horizonte— Há vilas maiores e menores, mais ricas e mais pobres, mas nenhuma se compara à Konoha.
Himawari formou um sorriso nos lábios com a resposta e timidamente apanhou a mão livre do loiro. Inojin aproveitou para circundar o braço ao redor da azulada.
O loiro respirou fundo sentindo o cheiro de mirtilo emitido nos longos fios azulados.
— E as garotas das outras vilas, como são?— a garota questionou com o rosto levemente rubro.
— Nenhuma se compara com a garota mais bonita daqui. — respondeu simplório.
A azulada o fitou diretamente, o sorriso havia morrido nos lábios.
— Qual garota?
Inojin segurou o riso, deslumbrado com a pequena nota de ciúmes da garota.
— Você Hima.
O rosto da garota enrubesceu até as olheiras, as safiras mostraram choque com a resposta. Inojin aproveitou o momento para pegar a bolsa de couro.
— Hima, eu tenho uma coisa para você— retirou o arranjo, depositando nas mãos pequenas.
— Tulipas vermelhas...
Inojin confirmou com um aceno.
— Você sabe o que significa?— o loiro questionou.
— Sim... — Himawari apertou as flores contra si, o mirou diretamente com orbes brilhantes— amor eterno— sussurrou no fio da voz.
Inojin estendeu a mão direita até o pequeno rosto, desenhando uma caricia nos traços finos na bochecha.
— É o que sinto por você, Hima— murmurou.
A boca da azulada formou um O surpreso.
Inojin sorriu marotamente e levou ambas as mãos segurando o rosto da garota. O coração de Himawari batia descompassado, não havia mais tempo para fugas, respostas ou reclamações, o loiro selou a pequena boca com os lábios dele.
O beijo começou casto, aos poucos a azulada cedeu à passagem para Inojin, tornando o ato mais apaixonado. As línguas se uniram em uma dança doce e suave, sem pressa. As desajeitadas mãos de Himawari se rodeavam em torno do loiro. O rapaz, segurando os longos fios azuis, apertou ainda mais a garota contra si aprofundando o beijo.
Perto deles diversos fogos, com flamejantes luzes douradas, vermelhas e pratas cortavam o véu da noite
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