Purgatory
3 Brigas.
Notas iniciais
Estamos aqui nessa quarta-feira desgraçada que vou ter de sair em breve pra ir pra droga da minha aula de inglês, sofrendo com esse calor, com mais um capítulo o/
Tiiiipo, tudo bem que ele já tava pronto aqui já faz umas semanas, mas eu estava esperando algumas senhoritas cumprirem suas promessas e deixarem seus reviews - sem falar que eu tinha de deixar um pouquiiinho de suspense, né?
Bom, já vou dar um aviso importante aos navegantes: Eu não tenho tempo de postagem definido. Pode levar um mês, um dia, uma semana pra eu atualizar. Não tenho um padrão, nem com esta fanfic nem com minha outra fanfic de DRRR, Think Twice. Por isso, se eu demorar demais, por favor não se desesperem, porque eu sempre volto!
Eu costumo recomendar uma música pra ler junto, mas, sinceramente, não tenho como recomendar uma.
De qualquer jeito, espero que aproveitem a leitura )o)
Acho que não deu dois dias de tudo isso acontecer e todos já haviam esquecido completamente do assassinato do nosso professor. Já estava tudo de volta à rotina.
E com rotina, não quis apenas dizer que voltaram as aulas ao normal. Voltou absolutamente tudo, o que inclui a quantidade de brigas e discussões. Nesse exato momento estou sendo o único a não prestar atenção no quebra-pau que está dando lá embaixo.
Sabe, tudo aqui dentro é tenso, então não é pra menos. As pessoas daqui são estupidamente agitadas. Sempre fazendo alguma coisa, com o metabolismo à mil, falando até não poder mais várias coisas que talvez não deveriam. Como o Izaya diz: “As pessoas daqui são divertidas de se mexer com a mente e de ficar observando enquanto se matam”. Não sinto remorso ou culpa alguma em dizer que concordo.
A ingenuidade desse pessoal me fascina, ainda mais porque estamos no meio de um reformatório. Algumas pessoas e grupos são engraçados. Comicamente previsíveis e influenciáveis, além de bastante temperamentais. Óbvio que tem aqueles que são ainda mais temperamentais, mas todo mundo acaba meio maluco de ficar aqui dentro, então, pra falar a verdade, alguns são engraçados por serem completamente paranoicos.
Qualquer coisinha pode ser motivo para uma briga feita, tanto entre meninos quanto entre meninas. Não é preciso nem dizer que isso resulta das várias personalidades fortes e caráteres duvidosos presentes aqui. Mas, dadas as circunstâncias, é importante lembrar de que as coisas aqui já passaram das brigas com punhos. Acho que de 7 a cada 10 pessoas possuem algum tipo de arma e outras duas transformam seus objetos comuns, como canetas, em armas, e cravam uns nos outros. Claro que ainda existem os poucos que se mantém tentando “lutar limpo”.
Nem sempre foi assim, mas um pertencente à esta exceção é o Shizuo, um dos meus amigos mais próximos. Alto, forte. É alto que nem um adulto, mas tem o espírito de uma criança – pouco corrompido pelos males daqui. Quietão, mas amigo. Não é o cara mais inteligente de todos, mas tem lá suas morais e valores. Um cara assim não deveria se meter em confusão, certo? Errado.
Para se ter uma noção, para que as pessoas não o confundissem e parassem de tentar enfrenta-lo, teve de deixar seu cabelo loiro. Chegou aqui por ter agredido gravemente um grupo de garotos de gangue na rua que estavam irritando-o, e desde então seu mau temperamento o tem metido em todo tipo de briga – pois se torna violento quando enraivecido. Mas se não houvessem babacas que o provocassem, estaria vivendo muito bem.
Afinal, não é como se ele gostasse de brigar. O que ele mais odeia e faz questão de nos lembrar é que ele odeia a violência e ficar violento. Talvez seja por isso que se manteve quase intacto à loucura daqui. Uma pena que não é capaz de mudar a si próprio. Mas de uns tempos pra cá, depois de um certo acontecimento que será explicado depois, nunca mais brigou.
Mas o fato é que todo dia tem uma briga, umas mais feias que as outras. E,além de terem brigas, sempre tem uma grande plateia pra fazer apostas e por mais lenha na fogueira. Alguns alunos gostam tanto disso que parecem aquelas velhinhas noveleiras, que não tem mais nada a fazer da vida. Eu tenho vontade de mandar todos ao inferno, mas não o faço porque senão eu acabaria numa briga, e eu sou mais do tipo que prefere ficar na paz.
Ah, ingênuo eu passado. Achava que esse pessoal prestava atenção nas brigas por causa do instinto, pois, quando eu olhava o pessoal se socando, sempre me pegava pensando “Vixi, será que vai sobrar pra mim?”. Mas eu até que entendo agora.
Eles verdadeiramente gostam da encrenca. O desejo de agredir aos outros vem da tensão acumulada dentro de cada um, que descontam nos outros. Começo a pensar que é mais fácil ver os outros se agredindo do que ir lá bater por conta própria. Todos tem um desejo de ter um inimigo a quem direcionar a raiva. Isso é tão grande que se tornou a principal forma de diversão.
Afinal, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.
E a desgraça alheia quase sempre é legal.
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