Pure Imagination

15 Conclusion: life is better when it is only an ilusion


Notas iniciais
Hey!! Olá, como vão vocês?? o/ -Eu sei que eu falei que terminaria com certeza o arco nesse capítulo e isso é verdade, mas algumas coisas serão completadas capítulo que vem haha -Eu tive alguns problemas familiares terríveis essa semana e estou tendo problemas para me concentrar nisso :(, posso tentar, mas será difícil e ainda tenho aula dia 14 (sábado) :( -Só consegui concentração para entrar e postar, nem revisei...de novo. -Algumas coisas devem estar confusas...mas é isso aí. -estou com um pouco de pressa, então...boa leitura! o/

O cheiro ficava cada vez mais forte.

Minhas pernas doíam até mesmo antes de começar a correr de verdade. Só esperava que não errasse a trilha e me perdesse (como era de meu costume).

Para falar a verdade, eu dei uma de controlador enquanto falava com Kanda, mas a verdade mais verdadeira é que eu estou quebrado. Por dentro e por fora, se for para fazer metáforas.

Eu não sei o que estou fazendo. Só sei que estou fazendo e estou ferrado.

Eba. Como é fácil essa vida... Quer dizer, de certa forma é mais fácil que a “outra” vida... aquela ainda me dói mais que minhas costelas...

O cheiro estava forte e doce o bastante para causar diabetes só por sentir. Felizmente, eu não comia tantos doces na “outra” vida e portanto creio que o efeito era menor . Mesmo assim, enjoava-me enquanto eu tentava apressar o passo e fazia minha cabeça doer ao ponto de me dar tontura.

Meu peito ainda retumbava , ecoando os movimentos apressados do meu coração.

Eu sabia que era AGORA. O fim de toda a missão. O conflito. O confronto. O clímax.

Quem vive nos livros sabe do que estou falando. E se sabe do que está falando, vai concordar comigo enquanto tenho aqui um leve ataque cardíaco.

Ultrapassando-o, eu vivia e todos os outros também. Falhando...bem...não é uma coisa boa para se falar. E muito menos para se pensar no momento em que estou.

Balancei a cabeça, tentando afastar o enjoo. Não funcionou tanto quanto era necessário, mas deu para o gasto.

Comecei a reconhecer o fim da floresta e da trilha. O alívio que me atingiu só não foi tão forte porque o cansaço das pernas ainda me inclinava na corrida. O ambiente foi clareando conforme eu chegava ao começo da trilha que eu e Kanda cavocamos na mata assassinando sem querer alguns galhos.

Parei quando não senti a presença de mais nenhum vegetal de grande porte ao redor, tentando recuperar o fôlego e me lembrar do que estava fazendo ali. O difícil era organizar minha “lista de tarefas importantes” mental.

Hã... não consigo decidir se “procurar por monstros que explodem pessoas” vem antes ou depois de “correr de desespero” ou “arrebentar tudo que há pela frente”. Talvez depois de “almoçar pela segunda vez”...eu estou com fome depois dessa caminhada e preciso de alguma coisa salgada que me faça esquecer esse horrível cheiro doce...

Quer saber? “salvar essa vila maldita e doidona” e “procurar a pedra mágica que brilha e só nos traz problemas” me parece bem mais suscetível ao primeiro lugar. Ótimo.

Sem esperar para recuperar totalmente o fôlego, corri pelo campo que separava a floresta da cidade. O terreno tinha pequenos buracos de erosão, talvez, e vez ou outra me via tropeçando nos desníveis pequenos. A cerca de arame que havia do outro lado para cercar essa parte da cidade me aguardava (longe demais para o meu gosto), balançando pequenos pedaços de pano colorido que se enroscavam nas pontas afiadas. Pareciam que estavam acenando como “Ei, amigo. Venha para cá e se exploda”. E eu, o idiota (não por opção), seguia o chamado correndo.

Foi na metade do caminho entre a floresta e o arame que eu percebi o vento parar de soprar no meu rosto. Os tecidos pararam de se mover e caíram mortos na cerca. E eu parei ao mesmo tempo para pensar.

Funguei fundo o ar.

Não havia cheiro. Não havia cheiro.

O vento soprava leve na minha direção, mas eu não sentia o cheiro.

Virei meus olhos para trás. Não havia manchas azuis nas árvores. Não nas árvores da fachada florestal.

Se eu forçasse a vista um pouquinho, podia ver sombras azuis brilhantes que seguiam pelo mesmo caminho que vim, mas estavam no lado de trás das árvores. Eu nunca veria enquanto andasse na trilha. Agora de longe conseguia vislumbrar outra trilha ao lado da nossa, marcada de azul fluorescente.

Por isso que o cheiro não estava fora da floresta. O rastro não saía dela, entrava nela.

Ele não estava indo para a vila. Estava saindo de lá.

Enfiei a mão rapidamente no bolso do sobretudo. O céu começava a nublar e o vento voltou apenas para fazer os fios de cabelo atrapalharem minha vista e prenderem na minha boca.

Cuspindo cabelo, tirei meu golem dado por Komui antes de sair da Ordem. Atrapalhei-me para manter o objeto inanimado entre os dedos. Era uma pequena esfera preta com asas finas e com ele eu podia falar com meu companheiro. O problema era...como funciona esse troço?

–Como funciona esse troço?- perguntei, tentando apertar toda a superfície negra com a ponta dos dedos.

Chacoalhei o golem, mas nada aconteceu. Bati-o na palma da mão repetidas vezes, mas nada aconteceu. Cutuquei-o mais algumas vezes na mancha branca que tinha na frente, mas nada aconteceu. Joguei-o para o ar e o peguei, mas nada aconteceu. Soprei em sua direção, mas nada aconteceu.

–Por que você não LIGA??- gritei para o maldito mecanismo, batendo-o várias vezes com força na palma da mão.

O golem abriu um olho mecânico, batendo as asas rapidamente como um beija flor buscando suas flores e escorregando da minha mão para o ar, onde ficou parado sem problemas.

Acionado por voz. Nada mais óbvio para me atrapalhar.

–Kanda Yuu. Kanda Yuu. Kanda Yuu- pedi. Eu não sabia como funcionava. Era automático, não era, era manual, não era... o que era essa coisa?

Ouvi um chiado e eu soube que estava em linha direta com Kanda.

–Kanda?Kanda? Você está aí? Oooi. Kanda. Kanda. Kanda. Kanda? Kanda? Está aí?

–...é óbvio que estou aqui. Tsc. Que foi agora?

Agora que o golem conseguia voar e me seguir, continuei a correr na direção da vila de novo. Apoiei os braços na madeira que fazia a cerca e pulei tentando evitar prender-me aos arames e deixar um tecido negro esvoaçante para acenar para a floresta junto dos outros.

–Kanda, o akuma não está na vila. Ele deve estar por aí. Tem rastro fluorescente nas árvores ao lado da nossa trilha, estava confundindo os meus sentidos.

Ouvia seus passos quebrando galhos no chão e sua voz robótica entrecortada por chiados saindo do golem.

Quer saber? Enquanto corria como um louco descabelado até a vila, aqueles barulhos me livravam do peso de estar sozinho.

...Só não contem isso para ele...

–Tsc– até seu estalo característico soou chiado- eu sei disso.

Encarei tanto para o golem como se visse meu companheiro que tropecei em uma pedra, mas não caí, só dei três pulos e voltei a correr. Estava no mínimo muito indignado.

–Como você sabe?? Eu só descobri agora que estou indo para a vila. Por que não me avisou antes que eu corresse SOZINHO para o lado contrário??

–...Eu vi o rastro na trilha do lado. Qualquer idiota com cérebro veria isso.Tsc. Eu tentei te avisar quando te puxei, mas você veio com um papo de “tenho que ir e salvar as pessoas” e blablabla e estava quase chorando. Então eu deixei você quebrar a cara sozinho. Melhor para mim que posso concluir aqui sem ter você em cima. Tsc.

–Aaah, muito obrigado... vejo que há um graaande trabalho em equipe aqui...- esfreguei a mão no rosto- mesmo assim, eu tenho outras coisas para ver aqui.

Ouvi um chiado do outro lado.

–O que você quer dizer?

Alcancei a primeira casa, finalmente, e diminuí a velocidade na rua de pedras enlameadas e mal dispostas.

–Você realmente acha que não há akumas aqui? Devem ter alguns que obedecem àquele feioso cinza na vila. Já que estou aqui...de qualquer jeito eu vou ficar por aqui, mesmo. Nem pensar que eu volto aquele caminho inteiro...

–E você não pode saber, porque como é falso moyashi seu olho não funciona.

Ele estava afirmando e não perguntando.

Automaticamente, cocei meu olho esquerdo, sentindo-o formigar.

–Eu não sou...falso...- respondi quase sussurrando.

Parecia que estava tentando convencer a mim mesmo, mas na verdade era apenas birra.

–Tsc– pelo tanto de estalos que ouvia, as árvores deveriam estar perdendo muitos braços pela sua espada- diga o que quiser....

Finalmente na vila. Aquela coisa pequena e suja que eu tanto odeio.

Não diria que a cidade estava pouco movimentada. Para falar a verdade, ela estava deserta.

Pensei estar tendo um deja vu cada vez que dava um passo a mais para dentro da pequena vila cheia de nada. Era exatamente como no primeiro dia: vazio, suspeito e perigoso. Mas dessa vez não tinha Kanda ao meu lado para me defender de machados ou coisas do tipo que podiam por um acaso saltar para cima da minha cabeça. O único barulho alheio que ouvia vinha do golem, os passos de Kanda a um quilômetro dali no meio da mata fechada.

Nós dois presos na isolação. Mas ele estava acostumado com isso.

Da última vez, eles saltaram com machados. Dessa vez, o que surge? Talvez alguém tente usar uma clava ou uma foice, só para experimentar novos estilos...

Meu olho estava coçando. Meu olho estava coçando muito.

Já passava da hora do almoço, as pessoas DEVERIAM estar andando pelas ruas estreitas. Sempre estavam.

Cocei os dedos nervosamente. Se não estavam ali, seria por medo? Por preguiça? Ou talvez... tinham tornado-se montes de pó e roupas sujas?

O ritmo frenético do meu coração tremulava no corpo inteiro e os passos estavam tortos enquanto eu tentava observar cada beco e canto estreito pelo qual passava. Apesar de estar observando tudo, mantinha sempre um pé atrás caso precisasse fugir o mais rápido possível.

O golem seguia na altura da minha cabeça, as asas batiam rapidamente e faziam um barulho estranho de zumbido. Mas era o único barulho e portanto era até confortável.

–Kanda, não tem ninguém na cidade. Você acha que talvez estejam escondidos?

–...

Engoli em seco, ouvindo o chiado básico e apenas ele. Não os passos e nem a voz.

–Kanda? Voc-

–Shh. Fica quieto.

Ele estava sussurrando. Por que o maldito estava sussurrando?

–Por que você, maldito, está sussurrando??

–SHHHH. Cala.Essa.Boca-ele rosnou-Estou tentando ouvir.

–Olha Kanda, não sei que tipo de batuque você deve estar escutando aí, mas não é legal parar para ouvir música suspeita no meio da floresta. Eu vi um filme de terror em que-

–Que batuque, idiota??- ele rosnou. Ele conseguia gritar sussurrando-Eu sinto que o akuma está por perto. Passos, não música retardada, seu idiota. Não está ouvindo, seu surdo?

Parei de andar e calei-me para juntar meus ouvidos aos dele. Conseguia perceber a falta de seus próprios passos fazendo barulho com o chiado. Havia apenas o zumbido de má conexão com aquele lado da floresta e as batidas de asa do golem ao lado do meu ouvido.

O vento que criava música passeando pelos buracos das casas quase mortas não me atrapalhou quando comecei a ouvir barulhos de passos que, eu tinha certeza, não eram do meu companheiro. Passos longínquos em pedras e terra enlameada.

–Kanda, eu estou ouvindo.

–Se está, então cala a boca.

Ouvi a lâmina ser desembainhada com cuidado. Eu sabia que ele estava cuidadosamente olhando cada canto ao redor e isso me dava um tremor estranho: aquele suspense todo, sons de pedras sendo prensadas por patas não humanas que com certeza o estavam rodeando e o som do silêncio terrível que me rodeava completavam o ciclo maldoso que tanto me deixava inquieto.

Eu precisava prosseguir.

Mas os passos ficavam maiores a cada momento.

–Ele deve estar se aproximando- disse-lhe aos sussurros- se prepare, Kanda.

Mais rápidos.

–Tsc. Eu sei disso...mugen, ativar.

Mais perto.

–Eu consigo ouvir, mas...

Mais altos.

–Estranho. Não tem nada se mexendo. Tsc.

Mais próximos.

Mais rápidos.

Pedras. Eram pedras sendo esmagadas no som. Não malditas folhas. Pedras esmagadas por passos rápidos.

Na floresta não havia pedras. Havia folhas. Folhas secas que faziam barulho quando pisávamos. E daqui eu não conseguiria distinguir, por causa da má conexão entre os golems.

Eu estava pisando em pedras enlameadas.

Apertei o punho esquerdo com força.

–Kanda- sussurrei- os passos não vêm daí...

Franzi o cenho para observar o meu redor com calma. Os passos pararam.

–Quê?

Meu olho ainda coçava muito.

–Falo com você depois. Parece que tenho um stalker nem um pouco legal por aqui. Fique atento.

O espaço entre duas casas que havia logo atrás de mim deu sombra a um homem que esmagava pequenas pedras enlameadas com os passos enquanto andava. Calmamente, agora.

–Kanda, nos vemos depois que essa confusão terminar.

Nem esperei alguma resposta.

Dei um passo para trás enquanto a figura humana saía do beco e vinha para a rua.

Um homem usando roupas normais como qualquer outro morador. Podia afirmar, na verdade, que era um. Tinha barba mal feita e expressão funda, mas mesmo assim parecia-me tão humano.

Apesar do rosto sereno, eu sabia o que se escondia atrás dos olhos desfocados. Matéria negra e dor. Por isso meu olho desfuncional latejava e doía só de olhá-lo.

–Hã...e aí? Tá tudo bem com você?

–Ex...or...cisss...ta...

Sorri nervoso, depois sentindo meu braço deformar-se em uma arma. Eu não era o único, seu corpo abria-se para revelar um gigante monstro repleto de canhões que saía de si, mas não sem antes contorcer-se macabramente na minha frente. Meu coração quase explodiu de tão nervoso. Eu só preciso acabar com isso. Terminar isso e voltar. Logo estarei de volta.

Arrumei a máscara carnavalesca em cima dos olhos um pouco atrapalhadamente.

–Não é a resposta que eu esperava, mas sim, eu sou um Exorcista.

–X-

Branco para todo lado, a capa de innocence que me cobria ajudou-me a quebrar a couraça do monstro. Uma pequena explosão selou a destruição de seu corpo e paz de sua alma, enquanto eu flexionava os dedos-garra da mão esquerda apenas para senti-los diferentes.

Não precisava ser um gênio para entender que com certeza havia mais. Muito mais.

Akumas de nível 1 nunca andam sozinhos. Não vale a pena se você é fraco demais.

Assim que a fumaça tóxica se dissipou (que de nada me afetava porque, eu lembrava, meu corpo tem uma innocence hospedada que rejeita qualquer intruso de matéria negra que se atreve a me infectar), eu tirei a máscara carnavalesca que cobria metade de meu rosto para olhar em volta.

–Ora, ora...- disse, recolocando a máscara- agora que a cidade está enchendo.

E estava. Dos becos e cantos saíam pessoas que eu conhecia de olhar. Mulheres que já vi segredando em grupos, homens que eu via espiando das varandas cada um de meus passos quando por um acaso passava ao alcance de seus olhares. Os pontos juntavam-se cada vez mais.

–Bem...-sussurrei- podem vir, então...

Enquanto a dezena cada vez maior de moradores torciam os corpos para revelar a aparência nada estilosa dos akumas que na verdade eram, o golem, que há pouco havia se perdido atrás enquanto eu explodia o primeiro monstro, voltava a voar próximo a minha cabeça com dificuldade em acompanhar os movimentos.

Pelo barulho que ouvia, Kanda também encontrava sua própria luta.

O akuma nível dois não estava aqui, então devia tê-lo encontrado entre os galhos. Babando e cuspindo.

Ora, que pena do akuma... Com certeza sofrerá dos mais cruéis ataques do estressadinho...

Bem, antes ele do que eu, certo?

Senti o ataque antes de ele me atingir. Agora que todos já estavam bem formados, não havia por que aguardar meus devaneios. O akuma (todos eram de nível um) lançou o primeiro míssil venenoso, do qual por um bom rolamento consegui escapar.

A capa branca não se sujava facilmente. Maleável como algodão, resistente como aço, protegia-me das pedras sobressalentes que havia no chão. Assim, consegui desviar rapidamente de vários projéteis seguidos que vinham de todos os lados.

Não vou mentir: aquela era uma tarefa árdua e amarga. Eram inimigos demais para Allen de menos.

Tentei apagar tudo da mente enquanto avançava com as garras em riste. Ao invés de usar um ataque em massa (o que eu sentia que conseguia fazer, porque Lavi uma vez havia mencionado), preferi que melhor arriscar um a um que tentar uma coisa que nunca usei. Era mais respeitoso e muito mais garantido.

O Sol começava a despedir-se e caminhar para trás das árvores.

Eu TINHA que terminar antes de ele desaparecer. Trabalhar no escuro não é lá uma coisa muito legal aqui.

–Pode deixar- disse, enquanto adiantava-me para um grupo de monstros- vocês não vão ver a noite chegar.

Os rostos tenebrosos gemeram quando apontaram os canhões em minha direção, mas pulei fincando e rasgando um a um o mais rápido que podia. Explosões seguidas espalharam algumas pedras, mas depois veio paz.

Mas não para mim, claro.

Levantei do chão vendo o resto se aproximar, projéteis prontos para me rasgar em pedaços. Cercavam-me por todos os lados, preparando-se.

Suspirei, cansado de tudo aquilo, mas mesmo assim já corri desviando-me de tiros precoces e mal calculados, usando sempre minha capa como escudo e as garras como desviador de projéteis relativamente fracos.

Como se não fosse o bastante para me cansar, via mais figuras humanas que chegavam aos poucos para completar a grande confusão. Pouco a pouco, iam deformando-se em grandes monstros, estalando sua carcaça de pele e liberando aqueles ovos marrons gigantes que chamamos de akumas.

Quer saber? Acho que Kanda pegou sorte grande ao ter sido abordado pelo nível 2 e apenas por ele. A essa hora ele já deve ter rasgado o “babão” em dois e deve estar a procura da innocence.

Ele sabe onde está. Ele tem um instinto animal terrível...terrivelmente bom.

Acotovelei um akuma ainda humano que estava para soltar a franga. Peguei impulso para fincar as garras em outro, enquanto chutava outro. Chegou a um ponto onde eu nem olhava, só usava a técnica marcial que chamo de “helicóptero-epiléptico-gira-gira-mata-tudo versão 2.0” e arrebentava todos que havia pela frente. Ora cortando com as garras coroadas, ora atingindo com a capa dura.

Uma um eles iam desaparecendo, mas parecia não ter fim.

Nem havia notado que tantos moradores existiam. Nem havia notado que havia tantos monstros dentro de nós. Mas isso é uma conversa para depois, quando me sentir bem o bastante para dar uma de filósofo poeta e fazer umas metáforas legais. Agora eu estou cuspindo sangue e não estou com cabeça para pensar em outra coisa que não em instinto.

De qualquer jeito, bate em um, tromba em outro, rasga um, leva de outro. Sentia cortes cobrirem meu rosto e pernas e minha costela não estava ainda inteira. O número começou a diminuir, não chegavam tantos, mas cada vez mais tentava aumentar o alcance dos meus golpes.

O Sol deixava apenas uma ponta alaranjada para colorir o céu. Como se vermelho- sangue na terra já não fosse o bastante.

Respirava pesadamente e carregava as garras pesadamente. O cansaço e a dor voltavam com tudo.

Tomara que Kanda estivesse voltando. Aposto que ele e aquela espada maldita podem ser de grande ajuda agora...

Rolei para desviar de um projétil e pisei torto. Agora as pernas começavam a falhar também.

Faltava uma dezena. Apenas uma dezena. Eu podia dar conta desse tanto.

Apertei as garras e limpei o rosto empapado de suor e sangue. Não sentia muito, mas sabia que mais tarde tudo estaria dolorido e seria penosa a hora de tomar banho.

Gritando, avancei para outro grupo que se aproximava para atirar. Arrebentei cada um deles como podia, sentindo o mal crescente que a luta causava no meu psicológico e físico.

Demorou-se mais uma centena de golpes cegos e cinco centenas de cortes doloridos para que enfim a final explosão de um akuma encerrasse a cena, deixando-me a ofegar em meio à fumaça tóxica e o chão cavocado. A batalha estava encerrada por ora e eu podia enfim sentar-me para descansar a perna.

Um pouco de sangue cobriu- me a visão, mas a pouca força me fez deslizar até encostar os joelhos no chão e fechar os olhos, concentrando-me em respirar e ignorar a dor.

–Exorcista!- escutei uma voz conhecida chamar atrás da cortina maléfica de veneno.

A Innocence desativou por cansaço enquanto a fumaça se dissipava pouco a pouco com o resto cadavérico. Revelou-se a pessoa que me chamava: o pai Morgan que desesperadamente caminhava em minha direção. Pessoas que saíram pela mesma porta que ele estava tentavam não observar os cadáveres monstruosos na rua. Acho que ver monstros na cidade não era algo muito normal para alguém...

–Hey...-gemi mais que falei, deixando que meu corpo descansasse pelo menos na fala- tome cuidado. Essas coisas soltam fumaça tóxica...

Tentei me levantar sem sucesso. Sr. Morgan adiantou-se a pegar-me pelos cotovelos e me colocar de pé para apoiar o braço em seu pescoço.

As pessoas saíam de casa, cautelosas e aos poucos, não vindo para a rua, mas apenas ficando nas varandas próprias de suas moradias.

–Pareceu uma luta árdua- ele me disse, enquanto me levava para um degrau para sentar e descansar- quer que pegue água e curativos?

–Obrigado, seria bom- sentei-me na madeira podre e tentei limpar o sangue da testa.

–Deve sentir-se cansado e quebrado.

–Não duvido que eu realmente esteja quebrado em algumas partes- ri roucamente, fazendo o corpo doer.

William Morgan acenou para um homem que passava por perto, observando, e pediu-lhe para buscar um pote de água potável e curativos com o prefeito. O homem balançou a cabeça e correu em alguma direção qualquer, enquanto eu tentava um melhor conforto tirando o sobretudo pesado e manchado do uniforme negro.

Joguei o tecido grosso para qualquer lugar, ajeitando a gola do meu suéter.

O homem voltou com os tratamentos necessários. Morgan ajoelhou-se para fazer os primeiros socorros improvisados e eu me concentrava em matar a sede e fadiga com o copo de água. Nem olhei seu trabalho, sabia que se visse que havia mais ferimentos do que eu havia contado mentalmente, começariam a doer e eu viria a temer muitos movimentos.

Só estava agradecido por ter passado dessa fase quando algo bateu em minha cabeça. William enfaixava a canela em carne-viva e assustou-se com o meu movimento brusco que eu fiz quando virei-me para ver o que me atingira.

–Mas o qu...?- perguntei, esfregando a parte atingida.

Era o golem negro, batendo as asas e acompanhando minha cabeça. Creio que ele estava perdido durante a luta e esperou até agora para se aproximar. EU quase havia me esquecido: Kanda!

Não queria atrapalhá-lo durante a sua própria batalha. Esgueirei o ouvido para mais perto enquanto o homem voltava a criar curativos nos meus arranhões.

Conseguia ouvir a voz dele xingando algo de alguma coisa, o choque de sua espada, rosnados, passos, tudo bagunçado como uma luta se representa. Soube que ele estava com o akuma nível dois na lâmina e esperava que estivesse bem no combate.

Ok, quem eu estou enganando? Ele é ótimo, com certeza ele está detonando o akuma feio.

–Boa sorte, Kanda- sussurrei, mesmo sabendo que ele estava ocupado demais para ouvir.

William cortou o curativo já arrumado e sentou ao meu lado. Verifiquei minha perna, o pano branco manchava-se de vermelho pouco a pouco, mas não ver a dilaceração na minha pele já era um bom ajudante.

Ele olhou para o golem e sorriu.

–Seu amigo está lutando agora, né?

–Sim. Já deve estar terminando por lá- e eu realmente achava, ouvia-se muito de sua espada.

Ele guardou o rolo de gaze no bolso da calça e bebeu um pouco de água.

–Bem-ele sorriu- creio que tudo isso esteja caminhando para um fim, então.

Nós dois observamos o caos que os moradores faziam, indo de um lado para outro para verificar destruições e amparar testemunhas dos monstros que nem elas sabiam que conviviam no dia a dia deles.

Sim, acho que era um fim.

Então eu poderia voltar para a Ordem, deitar na cama macia (não exatamente, mas melhor que a daqui), comer a comida do Jeryy, ler mais na biblioteca interminável, rever Lavi e Lenalee e falar com Komui. Sim, eu REALMENTE tenho que falar com Komui. Urgentemente.

–Nós precisamos...eu preciso, na verdade...- ele disse, coçando os dedos nervosamente. Parecia tão desconcertado e injetado quanto no primeiro dia que o vi- agradecer vocês pelo que fizeram aqui. Nós estávamos desesperados, desamparados e sem opções. Vocês destruiu todos esses monstros aqui na vila e agora seu amigo está cuidando do monstro cinza com a espada mágica dele, não é?- ele riu e eu acompanhei- A sua vinda, Moyashi, foi uma grande ajuda. Tenho que agradecer de todo meu coração.

–Ah- cocei a nuca, com certeza de que estava enrubescendo mais do que podia controlar. Agradecimentos não estavam entre as coisas que eu ouvia com frequência- não foi nada. É nosso trabalho. Com certeza foi uma experiência única e de certo foi algo em que eu gostaria de ajudar e...

Franzi o cenho. Isso não estava nem um pouco certo. Encarei aqueles olhos injetados de William, parando de coçar a nuca e começando a tirar as luvas dos meus dedos doloridos. Algo clareava-se na minha mente, mas só fazia nublar meu peito.

–Do que você me chamou?

Ele sorriu de um lado a outro.

–Moyashi. É o seu nome, né?

–Não- guardei as luvas no bolso, afastando-me pouco a pouco- Kanda me chama assim- forcei as sobrancelhas, finalmente entendendo- e como você sabe da arma dele e do akuma? Ele só a usou uma vez, na floresta e você não estava lá para ver...

A não ser que ele TENHA estado na floresta no exato momento em que ele a usava. A não ser que ele CONHEÇA o akuma e o que ele faz. E a não ser que o único nome que ele tenha ouvido ser usado tenha sido moyashi, por Kanda durante nossas conversas florestais.

A não ser que ele realmente esteja envolvido nisso.

A não ser que isso seja apenas uma casca.

–...Moyashi, encontrei a innocence embaixo de uma árvore que o akuma rondava. Vou pegá-la, então vá para o centro da vila que eu te encontro lá.

O barulho de chiado do golem veio acompanhado do escurecimento da minha visão. Foi repentino e assustador. O mundo tornou-se preto e branco e uma lente sobrenatural surgiu no meu olho esquerdo de repente, escurecendo a minha visão e mudando as cores parcialmente.

Meu olho tinha sido ativado. Tinha apitado, exatamente como Kanda falava que deveria acontecer.

O mundo preto e branco que o filtro me mostrava vinha da estranha cicatriz que cortava meu rosto. Ele não mais formigava, ele estava enfim satisfeito em poder cumprir sua função: mostrar o mal que me cercava.

Não era um filtro e não era mais um olho. Era um mapa rastreador.

Tudo estava negro. Mas claras estavam as criaturas que eu precisava destruir. Estava indicando os alvos, onde estavam, quantos, velocidade, tudo sobre cada um daqueles que eu tinha que subjugar.

Quatro. Não, seis alvos. Próximos. Dois à esquerda, carregando baldes de água. Três mais à frente, apoiados nas sacadas observando o movimento.

E um último, sentado à minha frente, guardando os objetos que usou para arrumar os curativos em minha pele, tranquilamente assoviando uma canção infantil.

William Morgan era um akuma. Se isso era verdade, então eu estava certíssimo no que diz respeito às causas de todos esses problemas. O clichê encaixava.

–Meu amigo já deve ter matado seu chefe e achado a innocence, Morgan- sussurrei, a respeito do súbito funcionamento de meu olho esquerdo. Ele parou de se mexer, mas não quis virar na minha direção-eu achava que era apenas um akuma nível dois, mas vocês estão em dois, não é?

Ele voltou seus olhos agora enegrecidos para mim. Seu sorriso era distorcido e grande, mas não causava nenhum tipo de felicidade. Senti que os seus companheiros percebiam o que estava prestes a acontecer. Soltou uma fumaça pela boca rasgada que escorregou pelo seu corpo de tanto abrir os lábios e os outros começavam a se aproximar com os mesmos gestos. Meus ferimentos arderam.

–Sinto muito por isso. Eu sinto muito mesmo- eu disse, me esforçando para levantar e ignorando a cena que seu corpo fazia ao se contorcer para libertar a forma de arma- Innocence, ativar.

Então, que a Crown Clown tinja de branco esse mundo escuro que construímos.

–X-

Tudo se conectou assim que o akuma Morgan me contou porque a dificuldade de um grupo tão grande para encontrar uma innocence existia.

O prefeito costumava buscar água em outra cidade longe dali. Ele mesmo havia dito.

As pessoas deviam querer muito que houvesse um lago grande, enorme, bonito por perto para beber e enfartar-se de diversão em família. Não havia nenhum lago por perto, por isso o prefeito tinha que aventurar-se por quilômetros para pegar água. Ele havia feito isso no dia em que seu filho desapareceu.

Mesmo assim, os Morgans disseram que a filha gostava de passear em um lago próximo sempre. Não havia lago. Mas eles queriam, todos queriam um lago.

Os pontos estranhos vinham aos montes.

Não havia registros infantis. Considerei friamente que, como em muitos lugares precários ainda acontece, não registrassem os filhos com medo de que logo viessem a morrer ou desaparecer. Mas não era só isso. Havia um nome escrito ali. Apenas um nome. Luke Morgan, que teria oito anos, mas também indicava, na mesma escritura, a sua morte.

Filho dos Morgans. E eles nem haviam mencionado.

Outro ponto. Eles sabiam demais sobre a Ordem. A organização religiosa negra já transmite informações minimamente mínimas para pessoas de fora, mas uma vila totalmente isolada conhece bastante sobre nossos serviços?

Roupas dobradas de finders na floresta. E outras roupas jovens jogadas por lá.

Não havia notícias sobre crianças fugitivas em cidades próximas.

E os grupos isolados que ficavam a sussurrar ou fugir de nós toda vez que nos aproximávamos por pura coincidência.

E a confusão que todos mencionaram quando avisavam as pessoas do desaparecimento de suas crianças. As pessoas não entendiam o que estavam anunciando. Nem nós entendemos o que aconteceu quando o prefeito disse que seu filho havia desaparecido.

E, para completar, meu olho não funcionava por mais que akumas aparecessem e dançassem tango de tutu amarrados em sinalizadores na minha frente.

Que tipo de fenômeno clichê é capaz de confundir e mudar tudo em tantas pessoas assim tão facilmente?

Agora vem a minha explicação. A que só se provou verdade total quando William mostrou-se inimigo e que estou para verificar agora, dentro de sua casa, em frente ao quarto trancado que ele tanto olhava. E Kanda estava aqui também. Com a innocence que encontrou escondida entre as árvores que o akuma guardava cheias de ácido guardada no bolso, akuma este, aliás, que já virou pó.

–Então é isso?- ele me perguntou assim que lhe contei o que imaginava que tivesse acontecido na cidade. Minhas costelas, minhas pernas, meu rosto, tudo doía, mas ele estava inteiríssimo e com sua espada enfiada na cintura como sempre.

Arrumei um dos curativos que tinha no rosto, observando a porta trancada à nossa frente com os olhos mais críticos que já tive. Concordei com sua pergunta, em silêncio e dei-lhe espaço.

–Tsc- resmungou, mas mesmo assim ergueu o cotovelo segurando seu pulso com a outra mão para pegar impulso.

Seu ombro e seu braço bateram com tudo na porta, rachando a madeira podre e quebrando o ferro enferrujado da trinca que a trancava. Ela rangeu enquanto abria lentamente.

Adiantei-me a olhar para dentro do cômodo. Era um quarto de criança.

Era o lugar mais bem arrumado da casa. De paredes pintadas de branco, uma cama pequena de lençóis azuis e quentes, um criado-mudo com um lampião novo e cuidado, um tapete felpudo cobrindo o chão frio, brinquedos de montar e carrinhos organizados em uma grande caixa no canto. Vazio. Um quarto vazio de um garoto.

–Ah- sorri, mas não havia nenhuma felicidade completa nesse gesto- então estava certo. Kanda, vá chamar os “finders”.

–Tsc. Não mande em mim- ele disse, mas mesmo assim saiu da casa carregando cinco uniformes brancos que havíamos encontrado daquela vez na floresta.

Há dois casos acontecendo na cidade.

As roupas jogadas na floresta são um.

As menções de desaparecimento infantil são outro.

“–Ordem Negra...uma organização um tanto estranha e rara. Tudo bem. Acompanhe-me. Os levarei à prefeitura para conversar sobre seus propósitos.”

“Todos nos reunimos para saber o que estava acontecendo quando a mulher, em prantos, nos contou que a filha havia desaparecido e não a encontrou em nenhum lugar de que se lembrava. Confesso que nenhum de nós parecia entender do que ela falava, estávamos confusos demais, até que compreendemos o que havia acontecido. Não demos muito atenção. De vez em quando, crianças desaparecem por algum tempo, indo para a floresta ou fazendo birra. “

“Sempre atentava aos olhares significantes do homem à porta.”

“Um pequeno jardim (minúsculo mesmo) de flores já esquecidas. Será que eles acabaram se esquecendo de cuidá-las depois de perderem a filha?”

“Nossa princesinha que adorava cuidar das flores do jardim da frente.”

“-Emily- ela disse- era o nome dela. Era o nome que nós sempre quisemos dar a nossa filha.”

“Ela disse que queria que fôssemos passear no lago como sempre fizemos, um lago grande e fresco aqui perto. “

Adolescentes fogem aos montes daqui, mas não há muitos que chegam às outras cidades. Porque o akuma espreitava no caminho, pronto para dar o bote e saciar a sede por morte. Isso é um dos casos, as roupas amassadas na floresta.

Quanto ao resto...não existe. Simplesmente.

O akuma deixava rastros ácidos por toda a parte, creio que estava também procurando a innocence.

Aquele cheiro enjoativo é capaz de fazer qualquer um esquecer seu rumo e cair na floresta. Mas esse nem é o grande detalhe.

O segundo caso não passa de uma ilusão. Uma imagem de vida criada pela influência doentia da innocence ativa que havia na floresta. O akuma não conseguia achá-la, do mesmo jeito que eu, com meu olho amaldiçoado, não podia ativá-lo de forma alguma. Da mesma forma que todos criaram na mente suas próprias crianças e quando acordavam e não notavam sua fantasia ao lado, logo criaram situações inusitadas de desaparecimentos em massa.

Por mais que procurássemos provas, elas não existiam. As casas não tinham quartos de criança e não tinham traço algum de que em algum momento algum garotinho ou garotinha tenha pisado por lá.

É. Eu tinha razão desde o princípio. Quarenta e poucos aparecimentos era um número enorme para uma vila assim. Mais que enorme, era surreal.

Eu não sabia que o prefeito tinha um filho, porque ele não o tinha. E Emily não visitaria o lago com os pais, porque não havia lago. Não havia Emily. E seus pais já estavam mortos, como akumas.

O jardim dos Morgans estava abandonado. A menina tinha desaparecido há um mês, mas aquele estrago no jardim teria anos de descuido. Se fosse para chutar quantos anos, chutaria desde que perderam um filho. O verdadeiro. Sempre quiseram dar o nome de Emily. Mas o que tinham era um filho, um menino.

Por isso a fantasia lhes deu uma menina, Emily. Que cuidaria do jardim que eles abandonaram depois que Luke morreu, que passearia com eles no lago imaginário e colheria amoras fora de época.

Uma ilusão bem criada. Uma que só percebi depois da derrota do último deles que encontrei , quando foi-me revelado por fala.

E os finders? Você me pergunta. Estavam aqui o tempo inteiro. Essa é uma vila de ilusões inteiras, todos vivem com olhos filtrados cor-de-rosa. Como eles sabiam tanto da Ordem desse jeito? Sendo akumas e finders infiltrados por acaso.

Perto da innocence, eles teriam sido afetados por ilusões, largado suas roupas e vestido-se roupas de moradores, o que eles teriam sido obrigados a fazer pela própria innocence ilusionista que afeta nossas memórias de forma a criar histórias que nunca existiram ( isso segundo o akuma que eu iria obrigar a falar, mas, como um vilão comum, ele revela os planos antes de explodir). Eles não sabiam que eram finders, mas mesmo assim reconheceram nossa profissão.

Mas agora eles sabiam e nos revelam os detalhes.

De fato, será uma grande arma , essa innocence de ilusões, para nosso lado quando encontrar seu sincronizador. Se encontrá-lo, isto é.

Para resumir tudo. Na precária condição desse lugar, isolado e perdendo cada vez mais sua juventude, é compreensível que o extremo desejo que partiu de cada um dos moradores veio à tona para tornar-se uma falsa realidade em disfarce. Criou-se um bando de crianças que nunca existiram, mas que fazem falta.

Macabro e assustador em sua própria maneira.

Agora que a innocence está calma no bolso de Kanda, eles deverão ser capazes de falar a verdade. Eu não sei se EU serei capaz de falar a verdade...

–Mas sinceramente, o que eu mais quero fazer...- eu andei cambaleando ao lado de Kanda, acho que devo ter mais coisas quebradas que inicialmente contei- é deitar e dormir para sempre...

Meia dúzia de homens antes moradores saiu da prefeitura vestindo os uniformes brancos da Ordem que havíamos a tempo encontrado na floresta e agora havíamos finalmente entregado para que vestissem e voltassem ao serviço. The finders were found. Por mais irônico que isso possa ser, encontramos nossos finders.

...Eles estarão em grande encrenca quando voltássemos à Ordem. É. Eles estarão.

Pouco a pouco íamos para o centro, onde os moradores restantes reuniam-se para contar suas verdades agora lembradas um para os outros e tentar repassar o acontecido com calma e esclarecimento. Mas para mim e Kanda aquilo já tinha nosso clima de despedida. Meus olhos quase se fechavam para sempre quando piscava, porém com clareza eu podia ver o desespero e confusão que brotava da reunião no centro da cidade.

–Ah- ele adiantou-se a minha frente, limpando com um pano a sujeira na lâmina de sua espada- eu posso com certeza ajudar com isso...

Notas finais
Próximo capítulo (fiz o comecinho-inho, então dá para passar umas "cenas do próximo capítulo" haha): "-Anotou aí a frase?- um finder sussurrou para o outro como se Kanda estivesse dando uma entrevista para uma revista adolescente. -Não, eu perdi, depois você me passa- sussurrou de volta apressadamente." "Sentava na pedra que havia ao lado dele, às vezes dando um cumprimento qualquer (afinal, estou invadindo um pouco de seu espaço)e lia ou jogava qualquer coisa que tivesse na bolsa." "-Então...- Kanda disse com a voz mais afiada que sua lâmina-quer dizer que cinco finders são mandados para uma missão, desaparecem, trocam de identidade, enganam nós dois, nos obrigam a sair da prontidão da Ordem para dar uma de babá?" Frases aleatórias :)) -Eu estou pensando em fazer um capítulo narrado pelo Kanda bem mais pra frente. Mais para frente. -Capítulo que vem o Kanda conta o que aconteceu na floresta e tals para eles...no jeito Kanda de falar com o Allen... -Bem, é isso aí. Qualquer coisa me avisem!! Até o próximo!!! o/