Pure Heart
4 Capítulo 4 - Festa
Os dias passaram depressa e, finalmente chegou o dia do aniversário de Haruhi. Era em um sábado, e ela pôde sair para comemorar com seu pai, assim como desejava. Os dois saíram, passearam, fizeram compras, comeram fora, e se divertiram muito juntos, porém, no final do dia, era impossível não lembrar dos seus aniversários anteriores, quando sua mãe ainda podia comemorar com ela. Sabia que não era culpa de ninguém, mas Haruhi realmente desejava poder ver sua mãe mais uma vez, pelo menos nessa data, como sempre acontecia quando era pequena. Quando criança, sua mãe sempre dava um jeitinho de sair mais cedo do trabalho, ou até faltar se fosse preciso, para poder comemorar com a filha. Mas agora não poderia mais fazer isso.
Haruhi forçou-se a não pensar mais nisso e, sacudindo a cabeça com força numa tentativa de espantar esses pensamentos tristes, tomou um banho quando chegou em casa, já de noite, colocou seu pijama e foi dormir. Assim que encostou a cabeça no travesseiro, lembrou também de seus companheiros de clube. Eles falaram que queriam celebrar seu aniversário com ela, mas nenhum deles havia sequer telefonado no final das contas. Bom, talvez isso já fosse esperado, afinal, ela os tratou tão mal quando descobriu sobre a festa, que talvez eles estivessem chateados com ela. Mas talvez fosse melhor assim, desse jeito ela poderia passar seu domingo em paz, ao invés de ser arrastada para aquele hospício de homens bonitos, já bastava o que ela tinha que aguentar todos os dias depois da aula.
Virou-se para o lado, encarando a parede, ainda cogitando se deveria ou não se desculpar com eles na segunda, enquanto o sono à dominava lentamente. E, antes que adormecesse por completo, um último pensamento passou pela sua cabeça. Tanto o que Honey-senpai quanto os gêmeos lhe falaram sobre Tamaki. Mitsukuni havia lhe dito que "principalmente o Tamaki gosta muito dela". Bom, isso não era novidade, já que todos no clube pareciam gostar dela afinal. Mas o problema era essa palavra "principalmente"... como assim "principalmente" o Tamaki gostava dela?! Não podia ser o que ela estava pensando, podia? Tamaki sempre a tratava como uma filha afinal, ainda que de um jeito meio estranho... e ainda tinha o que os gêmeos lhe contaram. Descobrir sobre o relacionamento deles a surpreendeu e assustou um pouco, e sinceramente era mais fácil fingir que não tinha visto nada pra não ter que falar sobre isso, mas eles tinham razão sobre uma coisa: Aquela definição sobre "estar apaixonado"... por que será que isso se parecia tanto com a descrição do modo como ela se sentia em relação à Tamaki?! Ainda com esses pensamentos confusos assolando sua mente, Haruhi adormeceu antes que pudesse chegar à uma conclusão.
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Haruhi acordou com os raios solares invadindo seu quarto pelas frestras da janela, batendo em seus olhos sonolentos. Porém, imediatamente, os raios do sol foram bloqueados por alguma coisa, como se uma nuvem os tivessem encoberto. Ou melhor, duas nuvens.
– Ohayou gozaimasu, Fujioka-sama — duas vozes femininas falaram ao mesmo tempo, obrigando Haruhi a arregalar seus olhos sonolentos. Piscou algumas vezes, e viu duas empregadas idênticas e um tanto familiares observando-a — Nós viemos prepará-la para a festa. Por favor nos acompanhe — as duas acrescentaram, obrigando a garota a se levantar.
Enquanto as duas à arrastava para fora de seu próprio quarto meio que à força, ela viu de relance uma sacola que uma delas segurava, contendo trajes de gala masculino, e uma caixa de maquiagem e jóias diversas em outra bolsa nas mãos da outra empregada.
– Ano... essas roupas não são de garoto? Por que trouxeram isso? Eu não sou...
– Isso não importa agora, Fujioka-sama — uma delas respondeu, interrompendo a garota recém-desperta
– Certo... então, se irei vestir roupas masculinas, por que trouxeram maquiagem, jóias, e... isso é um vestido??
– Rapazes também precisam ficar bonitos, Fujioka-sama — a outra empregada respondeu, deixando a garota ainda mais confusa.
– Etto... certo... mas aonde estão me levando afinal? Não posso sair assim, preciso avisar meu pai...
– Não se preocupe, nós já o avisamos, Fujioka-sama — as duas responderam em uníssono.
Infelizmente seu estado de sonolência à impediu de resistir, de modo que as empregadas cosneguiram levá-la para fora de casa sem muita dificuldade. Entraram em um carro (enorme, por sinal) assim que saíram de casa (o que era um alívio, já que Haruhi ainda estava de pijamas), e pssaram o dia inteiro em uma espécie de salão de beleza, ou spá, era difícil saber, e Haruhi fez de tudo lá, desde cuidar do cabelo e das unhas, até massagem, hidratação, e passar algo que ela supunha ser algum tipo de creme facial, parando apenas para comer e ir ao banheiro. Quando terminaram e Haruhi pôde sair, já era noite. Elas tornaram a entrar no carro exageradamente grande, que às levou até o Colégio particular Ouran. As duas empregadas escoltaram Haruhi até a sala do Host Club, provavelmente para garantir que Haruhi não fugiria, onde os gêmeos às esperavam.
– Aqui está a entrega que nos pediram, senhores — as duas empregadas falaram ao mesmo tempo, fazendo uma breve reverência
– Ah, obrigado, meninas! — Hikaru agradeceu
– Vocês fizeram um belo trabalho mesmo — Kaoru acrescentou, observando Haruhi mais de perto — Agora, esperem no local que combinamos
– Como desejarem — as duas empregadas fizeram uma última reverência e se retiraram
– Que simpáticas as suas empregadas — Haruhi comentou irônica, com uma gota na cabeça — E que história é essa de "entrega"? Eu não sou uma pizza que deve ser entregue em trinta minutos, ou terão seu dinheiro de volta não!
– Ahahahaha! Claro que não, você é muito melhor do que uma pizza, Haruhi! — Hikaru riu
– Agora chega de perder tempo aqui. Já que o convidado de honra chegou, podemos começar a festa! — Kaoru acrescentou, guiando a amiga para dentro da sala.
Os três adentraram a sala do clube, que estava bastante diferente agora: As costumeiras mesas haviam sido afastadas para os cantos, deixando o maio do salão livre. As paredes estavam decoradas com balões de festa coloridos, serpentinas, e uma faixa gigantesta escrita "Feliz Aniversário". À um canto, uma mesa comprida e estreita estava repleta de todo o tipo de comida, desde bolos e doces, até alguns pratos mais chiques que Haruhi nem sequer conhecia. Várias clientes familiares estavam lá, todas trajando belos vestidos de gala, e gritando e suspirando descontroladamente ao ver Haruhi. Graças á Renge, a festa acabou sendo aberta para as clientes também, e agora Haruhi compreendia o motivo de estar usando roupas masculinas. Uma bela roupa por sinal: Trajava uma calça branca, com um paletó também branco por cima de uma camisa cinza, com uma gravata-borboleta amarrada ao pescoço. Ela até admitia que a roupa era muito bonita, embora com certeza ficasse centenas de vezes melhor em um garoto de verdade. Porém, esse pensamento logo se perdeu ao avistar os demais rapazes do clube, esperando-a. Todos também usavam roupas de gala, e a encaravam sorridentes. Renge estava ao lado deles, também trajando um vestido de festa lilás com alguns detalhes brancos na saia e nas mangas. Avistou até Nekozawa-senpai, em um canto mais sombrio do salão, vestindo uma capa negra, nova, e tão brilhante que parecia ser feita de seda pura, o que ele provavelmente considerava ser uma roupa de festa.
Quando chegou perto o suficiente dos garotos para ouvi-los, eles falaram:
– Feliz aniversário, Haruhi!!
– Feliz aniversário, Fujioka Haruhi-kun! — as clientes repetiram em uníssono, com empolgação excessiva
– Não acredito que vocês fizeram mesmo a festa... eu falei que não precisava — ela murmurou embaraçada, sem encará-los
– Mas é claro que fizemos! Eu não te falei antes, Haru-chan? Todos nós gostamos de você, então é natural comemorar o aniversário dos nossos amigos junto com eles! Certo? — Mitsukuni exclamou, sorrindo mais do que o habitual
– Além do mais, depois que a notícia vazou e as clientes ficaram sabendo sobre a festa, não tinha mais como cancelar — Kyouya acrescentou, ajeitando seus óculos
– Minhas congratulações, Fujioka-kun — Haruhi ouviu uma voz sombria atrás dela e, quando se virou, confirmou suas suspeitas: Nekozawa-senpai tomara coragem e viera falar com ela — Como presente de aniversário eu lhe dou esse boneco amaldiçoado Beelzenef... como você parece gostar de gatos, aposto que vai adorar...
– Ahn... o-obrigado... eu acho — Haruhi pegou o boneco que o senpai lhe estendia, meio hesitante
– Haruhi, livre-se desse boneco medonho o quanto antes, ouviu bem?! — Tamaki cochicou, puxando-a mais para perto dele e afastando-a de Nekozawa. E, ainda mais perto dela do que o necessário, sussurrou baixinho em seu ouvido, de modo que só ela ouvisse — Depois que acabar a festa, não vá embora. Tem uma coisa... uma coisa muito importante que... eu quero falar com você mais tarde, entendeu?
– Vamos lá, Haruhi-kun! Suas admiradoras querem comemorar com você também, então não há tempo há perder! — Renge chamou, antes que ela pudesse responder Tamaki, e dirigiu-se com a gerente para perto de suas costumeiras clientes.
Ainda que precisasse atuar como um garoto durante a festa, Haruhi acabou se divertindo bastante. Algumas de suas clientes habituais acabaram se tornando verdadeiramente suas amigas, então ela passou a maior parte da noite conversando com as convidadas, ou dançando com elas, parando de vez em quando para falar com os rapazes do clube também. A comida também estava deliciosa, e as escolhas de Honey-senpai acabaram sendo uma boa escolha: Embora não fosse muito fã de doces, comer simples bolos e tortas era muito melhor do que se arriscar à comer as comidas complidas e chiques das quais ela nunca ouvira falar, escolhidas pelos outros garotos.A noite passou depressa e, ao contrário do que imaginara, Haruhi se divertiu de verdade naquela festa. E, por volta das dez da noite, os rapazes anunciaram que precisariam encerrar a festa para poderem arrumar tudo, já que todos teriam aula amanhã, e as garotas se despediram deles e se retiraram do salão. Depois que todas já estavam longe o suficiente, os gêmeos falaram:
– Bem, acho que já está na hora. Podem levá-la, meninas!
– Entendido, senhores — como se tivessem brotado do chão, as duas empregadas gêmeas da Família Hitachiin surgiram sabe-se lá daonde, e conduziram Haruhi até o provador na sala ao lado. Depois de alguns protestos e reclamações, elas conseguiram fazer com que a garota trocasse o elegante terno de gala por um belíssimo vestido de festa, rosa claro com algumas fitas em vermelho amarradas na cintura e no decote, adicioanram jóias para combinar e a maquiaram numa velociadade impressionante.
– Ela está pronta, senhores — as duas anunciaram juntas ao terminarem, empurrando Haruhi para fora do provador
– Ohhh! Sugoi! Está muito melhor do que antes! — Hikaru exclamou impressionado
– Excelente trabalho, meninas! — Kaoru acrescentou, e as duas fizeram uma última reverência, retirando-se em seguida
– Está linda mesmo, Haru-chan! Agora sim parece uma menina! — Honey-senpai exclamou boquiaberto
– Ela é uma menina, Mitsukuni — Morinozuka lembrou-lhe, dizendo o óbvio
– Bem, devo admitir que não ficou ruim — Kyouya comentou, ajeitando os óculos
– Ano... o que está acontecendo?? Pensei que a festa tinha acabado.. por que isso tudo agora? — ela perguntou confusa
– A festa com as clientes terminou. Agora, começa a festa interna do Host Club — Tamaki respondeu, sorrindo gentilemtne — Feliz aniversário, Haruhi
– Ah... o-obrigada — ela respondeu, sem entender porque sentia-se envergonahda. Não conseguira chegar à conclusão alguma no final das contas, já que fora "raptada" pelas empregadas gêmeas, e não conseguiu pensar uma vez sequer sobre a conversa que tivera com os gêmeos e com Honey-senpai o dia inteiro — Mas vocês não precisavam ter tido todo esse trabalho só por minha causa, sabe... quero dizer, é realmente trabalhoso organizar uma festa dessas... sem falar que vocês devem ter gasto uma fortuna preparando a comida, a decoração, e essas roupas. Você não vai... colocar isso na minha conta também.. vai, Kyouya-senpai?? — Haruhi perguntou, temendo a resposta
– Eu considerei seriamente em fazer isso, mas o Tamaki e os outros acharam melhor não. Além do mais, isso acabou se tornando um evento para as clientes do clube também, então não faria sentido em fazê-lo... sem falar que é seu aniversário afinal, então acho que, excepcionalmente hoje, posso te dar um desconto, aniversariante — ele deu um mínimo sorriso, o que, por algum motivo, assustou Haruhi ao invés de deixá-la aliviada
– Então, já que é seu aniversário, vamos comemorar, Haruhi! — Hikaru exclamou, dando um soco no ar
– Isso mesmo, vamos dançar! — Kaoru acrescentou.
Por incrível que pareça, ela se divertiu muito mais com os garotos do clube do que com as meninas. Dançaram, conversaram, e riram a noite toda. Algum tempo depois, ela reparou que a mesa de comida havia sido reposta, com alimentos menos chiques que dessa vez ela pelo menos conhecia. Mesmo depois de cantar parabéns e cortarem o bolo, eles continuaram festejando, recusando-se a encerrar a festa e irem pra casa. Em algum momento da festa, Honey-senpai, por algum motivo, resolveu roubar o último pedaço de bolo da festa e sair correndo com ele para fora da sala, com os gêmeos em seu encalço, brigando pela comida. Por algum motivo mais desconhecido ainda, Kyouya e Morinozuka desapareceram misteriosamente também. Só então Haruhi se deu conta de que estava à sós com Tamaki.
– Nee Haruhi... você gostou da festa? — ele perguntou, sentando-se ao lado dela
– Hai, claro que sim! É a primeira vez que tenho uma festa tão animada... e devo isso à todos vocês. Mas, acho que, principalmente à você, por ter tido essa idéia... obrigada, Tamaki-senpai — ela agradeceu, sorrindo sem jeito — Sabe, o motivo de eu ter dito que não queria uma festa antes é... além de não querer dar trabalho, nem ser um peso pra vocês, é porque, sempre que eu comemorava meu aniversário e fazia uma festa, minha mãe estava comigo. Mesmo quando ela tinha que trabalhar... ela sempre dava um jeito de sair mais cedo ou faltar ao trabalho só pra poder comemorar comigo. Desde que ela se foi, eu não fiz mais nenhuma festa de aniversário sequer. Passava essa data saindo com meu pai, fazendo compras, e comendo fora, ou coisa parecida... mas eu não tive mais uma festa sequer. Porque... achei que seria doloroso comemorar sem ela. Mas acabou... sendo surpreendentemente divertido... comemorar com meus amigos
– Sabe, Haruhi... mesmo que sua mãe não esteja aqui agora, tenho certeza de que ela estava te observando o tempo todo. Ela olha por você todos os dias, principalmente no seu aniversário, então... ainda que você não possa mais vê-la, tenho certeza de que ela estava olhando por você, comemorando com você. Afinal, ela é sua mãe, certo? — Tamaki respondeu, e Haruhi ficou surpresa por alguém como ele ser capaz de dizer palavras tão gentis — E, mesmo que sua mãe não esteja aqui agora, ainda assim há pessoas ao seu lado que gostam e se preocupam com você, e que te querem bem. Todos nós do Host Club nos preocupamos com você. Também a Renge-chan, e as clientes, elas gostam muito de você. Também o seu pai, ele te ama muito, e faz de tudo pra te proteger. E também... eu... t-também me preocupo com você. Mas não como... um colega de clube, ou como um segundo pai. Recentemente percebi que... eu estava errado em me considerar seu pai, já que, como você mesma diz, eu não contribui em nada para o seu nascimento afinal. O sentimento que eu tenho.. de querer proteger e cuidar de você, e querer que você seja feliz é verdadeiro... mas não é paterno, como eu pensava. Também não é... fraternal, nem o desejo de um amigo que quer ver sua amiga ser feliz. Isso é mais... como eu explico... — ele coçou a cabeça sem graça, sentindo o rosto esquentar. E, forçando-se a encará-la nos olhos, acrescentou — É como... o sentimnto de um garoto... um garoto que deseja... ver a garota de quem... g-go-gosta... ser feliz. Sabe como... quando eu me dizia ser seu pai, como eu sempre te falava que não deixaria que homem nenhum roubaria minha preciosa filha de mim? Então... acho que os papéis se nverteram dessa vez. Ranka-san é o seu verdadeiro e único pai afinal. E eu sou... esse homem que... se apaixonou pela filha dele. Eu realmente... demorei muito pra entender isso, mas... eu realmente.. te amo, Fujioka Haruhi. Não como uma filha, como uma irmã, ou uma amiga... mas sim como uma mulher. Eu... me apaixonei por você.
Haruhi arregalou os olhos, a boca entreaberta, sentindo o rosto esquentar rapidamente. Não havia conseguido nem definir quais eram seus verdadeiros sentimentos por Tamaki, receber uma declaração assim só a deixava ainda mais confusa, se é que isso era possível. Como se sabia que estava apaixonado mesmo? Segundo Kaoru, a pessoa sabia disso quando "Sentia o coração bater mais forte quando segurava a mão da pessoa ou a tocava, e sentia o rosto esquentar sempre que a pessoa em questão a olhava nos olhos. Esses são os 'sintomas' básicos de uma pessoa apaixonada". Bem, era uma bela definição e, se fosse verdade, Haruhi já sentia essas coisas todas, ainda que preferisse morrer à admitir uma coisa embaraçosa dessas. Mas havia mais do que isso. Segundo o ruivo, "estar apaixonado é bem mais do que isso. É você se preocupar com a pessoa amada o tempo todo, mesmo quando estão separados, pensar nela todos os dias, querer ajudá-la e protegê-la de tudo e de todos, amá-la incondicionalmente e desejar a felicidade dessa pessoa acima de tudo... mesmo que essa felicidade não seja estar ao seu lado". Isso descrevia perfeitamente tudo que ela sentia quando estava perto de Tamaki. Maldito gêmeo espertinho, esse garoto era um vidente ou o que?! Ele devia lançar um livro sobre isso ao invés de ficar fazendo previsões aleatórias por aí, isso sim! Mas Haruhi não tinha tempo para ficar amaldiçoando Kaoru agora, ela precisava dar uma resposta, e rápido.
– Sabe, eu... já recebi declarações de amor antes, algumas das quais eu provavelmente nem percebi que eram declarações. E mesmo assim, nunca me senti tão nervosa na hora de responder como agora — Haruhi falou, encarando o chão, o rosto irremediavelmente corado — Outro dia... eu conversei com Hikaru e Kaoru, e também com Honey-senpai, sobre um assunto parecido. Eles me contaram sobre os "sintomas" que as pessoas sentiam, quando geralmente estavam apaixonadas. Honey-senpai me contou... que você g-gostava muito de mim, muito mais do que eu imaginava, e muito mais do que você mesmo poderia imaginar. E Hikaru e Kaoru me falaram... que os "sintomas" de uma pessoa apaixonada eram "Sentir o coração bater mais forte quando segurar a mão da pessoa ou a tocar, e sentir o rosto esquentar sempre que a pessoa em questão a olhar nos olhos. Esses são os 'sintomas' básicos de uma pessoa apaixonada". Bom, pelo menos são os sintomas físicos. Os sintomas sentimentais, segundo eles, seriam "se preocupar com a pessoa amada o tempo todo, mesmo quando estão separados, pensar nela todos os dias, querer ajudá-la e protegê-la de tudo e de todos, amá-la incondicionalmente e desejar a felicidade dessa pessoa acima de tudo... mesmo que essa felicidade não seja estar ao seu lado". Quando eles me falaram isso, eu fiquei muito surpresa... porque isso descreve perfeitamente como eu me sinto em relação à você, Tamaki-senpai. Eu sinto... ainda que odeie admitir isso, sinto meu rosto esquentar sempre que estou perto de você, e fico nervosa quando você me abraça ou segura minha mão. Sinto meu coração bater mais forte e minhas pernas bambearem sempre que estou com você. E também... sinto que estou protegida ao seu lado. Sinto como se nada nem ninguém pudesse me fazer mal algum... porque estou com você. E ao mesmo tempo, tenho vontade de te proteger e cuidar de você também, porque não quero ser um peso pra você. Então eu acho... que é possível que... q-que eu também te ame... Suou Tamaki-senpai.
Ela forçou-se a encarar o loiro, sentindo-se tão nervosa como nunca se sentira em toda a vida. Esfregava as mãos uma na outra, numa tentativa de fazê-las parar de tremer, o rosto irremediavelmente corado. Tamaki a encarava boquiaberto, com aquele belo par de safiras que eram seus olhos voltados para ela, um tanto surpreso. Aparentemente não esperava por uma resposta tão positiva. Depois de alguns segundos em silêncio, ele disse:
– Ahh cara... aqueles gêmeos não têm jeito mesmo, aonde foi que eles aprenderam tudo isso, hein?! — ele coçou a cabeça sem graça — Bem, mas se essa conversa daqueles intrometidos serviram pra te fazer chegar à essa conclusão, eu... acho que, pela primeira vez na vida, devo agradecer à eles. E ao Honey-senpai também, é claro, ele me surpreendeu falando sobre um assunto desses com você! — ele riu sem jeito e, em um impulso, segurou a mão dela entre as suas e sussurrou em seu ouvido — Nee Haruhi... isso significa que você não é mais minha filha afinal. Também não é como uma irmã pra mim, nem uma amiga. Então você quer... quer ser... minha namorada?
– Hai... Tamaki-senpai.
Ela sorriu sem jeito e, quando ia virar-se para encará-lo, surpreendeu-se ao sentir ele tocando os lábios dela com os seus. Haruhi arregalou os olhos, um tanto chocada, mas não o rejeitou. Lentamente, moveu os braços até atirá-los ao redor do pescoço dele, envolvendo-o em um abraço, enquando sentia o garoto aprofundar o beijo. Tamaki deixou suas mãos escorrerem pelo corpo dela carinhosamente, envolvendo-a pela cintura e puxando a garota para mais perto dele, colando seus corpos. Era uma sensação maravilhosamente indescritível ter aquela garota entre seus braços. Ele a amava tanto, a desejou por tanto tempo que surpreendeu-se em perceber quanto tempo levara para perceber o simples fato de que estava apaixonado por ela. Como não notou uma coisa tão simples como essa antes?! Vai ver ele não tinha aptidão em lhe dar com assuntos amorosos afinal... ou talvez fosse mais fácil para pessoas de fora perceberem esse tipo de coisa mais facilmente. Seja lá o que fosse, Tamaki jurou à si mesmo que não cometeria um erro bobo desses de novo nunca mais.
Algum tempo depos, quando ambos começaram a sentir falta de ar, Tamaki finalmente à soltou.
– Você acabou de roubar o meu primeiro beijo... sabia disso? — Tamaki falou ao soltá-la, tocando os lábios com a ponta dos dedos
– Sério que foi o seu primeiro beijo?! — ela indagou meio descrente
– Claro que é sério!
– Bom... eu devo pedir desculpas por isso, senpai? — ela perguntou, sorrindo meio brincalhona
– Não, não deve — ele responeu — Mas, ao invés de pedir desculpas, quero que faça uma coisa: Quero que me chame apenas pelo meu nome daqui pra frente
– Ehhh?! M-Mas Tamaki-senpai, eu não...
– Eu já disse — ele a interrompeu — Pode tirar esse "senpai" no final. Não sou mais apenas seu senpai, sou seu namorado agora, não sou? Então, me chame plo meu nome, assim como eu faço com você!
– H-Hai... Ta... T-Tamaki
– Kyaaaa kawaiiii!!!!
Mitsukuni adentrou a sala aos pulos, seguido pelos outros. Ainda carregava o último pedaço de bolo pelo qual ele e os gêmeos andavam brigando mais cedo. Os gêmeos logo entraram no ritmo de comemoração, também, sorrindo de orelha à orelha. Kyouya e Morinozuka tentavam inutilmente manter uma expressão séria em seus rostos. Aparentemente todos andaram espiando.
– Ahh! Vocês!! — Tamaki apontou um dedo acusador na cara dos amigos — Seus fofoqueiros, não me digam que andaram nos espiando esse tempo todo?!
– Acertou, meu senhor! — os gêmeos exclamaram juntos
– Nhaaaa que bom que a Haru-chan finalmente entendeu o que sente, estou tão feliz!! — Mitsukuni exclamou, ainda aos pulos — Isso merece uma comemoração! Vamos dar outra festa weeeee!!
– Não podemos, não se esqueça de que amanhã temos aula, Honey-senpai — Kyouya lembrou, ajeitando os óculos — Mas, sério, também fico feliz que finalmente tenham se entendido. Não aguentava mais ter que aturar aquela enrolação de vocês, viu?!
– Obrigada... eu acho — Haruhi respondeu com uma gota na cabeça
– Ahh puxa, pena que temos aula amanhã, nós realmente queríamos comemorar noite ádentro! — Hikaru lamentou
– Pois é, isso é praticamente um acontecimento histórico! — acrescentou Kaoru
– Não precisam exagerar, seus abusados — Tamaki resmungou
– Bom, já que não podemos comemorar... ao menos vamos comer esse último pedaço de bolo! — Hikaru gritou
– Passa esse bolo pra cá, Honey-senpai! — Kaoru tentou tomar o bolo dele, mas o loirinho foi mais rápido, e correu até Morinozuka, se escondendo atrás dele
– Waaaaahh! Me ajuda, Takashiiii!! — Mitsukuni choramingou, e Morinozuka o levantou, colocando o loirinho sentado em seus ombros, fora do alcance dos gêmeos
– Ahh! isso não vale, Mori-senpai! — os dois ruivos gritaram em uníssono, tentando inutilmente pegar o bolo que Honey-senpai comia feliz da vida
– Como eles conseguem arranjar confusão numa hora dessas? — Haruhi perguntou, observando a luta pelo bolo com uma gota na cabeça
– Ah, deixa. Arranjar confusão é o jeito deles demonstrarem o quanto estão felizes — Tamaki respondeu sorrindo, segurando gentilmente a mão dela entre as suas. Haruhi entrelaçou seus dedos nos dele, sentindo que aquele fora o melhor aniversário de toda sua vida.
*** Próximo Capítulo: Surpresa ***
Notas finais
E aí o que acharam da festa? Gostaram? Odiaram? Amaram? Acham que faltou alguma coisa? Digam suas opiniões onegai, quero muito saber se ficou bom!!! *o*
E não sumam ainda não hein, pq a fic já está sim na reta final, mas o último capítulo é só semana que vem!
Leiam minhas outras fics também onegai!!!
Fic de Shugo Chara:
https://www.fanfiction.com.br/historia/212464/Shugo_Chara..._Ao_Contrario
Fic Tadashiko (de Shugo Chara também):
https://www.fanfiction.com.br/historia/223745/Kizuna
Oneshot de Minami-ke:
https://www.fanfiction.com.br/historia/220146/Armadilhas_De_Uma_Fantasia
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Kissus e até semana que vem ^__^
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