Pura Provocação
2 Vitória
Notas iniciais
Olhos azuis. Cabelos claros. Sorriso perfeito. Ela. Vinha de encontro a mim. Não sabia especificamente onde eu estava, uma névoa encobria tudo. Mas era ela. Vestida com um vestido preto, saltos altos, cabelos soltos. Linda. Parou na minha frente. Virou-se de costas para que eu abrisse o zíper do vestido. Meus batimentos cardíacos aumentavam gradativamente. Ela prendeu os cabelos e eu beijei seu pescoço demoradamente antes de descer o vestido até sua cintura. Ela ia se virando para mim devagar. Me torturando.
Abri os olhos. Era sonho. Estava ensopado de suor. Merlin! Olha o que ela fazia comigo... mesmo em sonho!
Preparei-me psicologicamente para mais um dia sendo atormentado por aquela loira. Fala sério, Victoire Weasley sabia ser insistente quando queria. E pelo visto, ela me queria.
Desde os 10 anos, me acostumei a cobrir os cabelos quando sabia que ela estaria por perto. Era incontrolável. Meus olhos encontravam os dela e eu virava um “cup cake” com cobertura rosa neon. Maravilhoso. No entanto, aquela criatura insistia todos os dias para que eu tirasse a touca. Ela definitivamente não sabia levar um “não”.
Tinha minhas dúvidas sobre o porquê de ela querer tanto ver meu cabelo. Ou era pura e simples curiosidade, ou ela se lembrava do episódio de anos atrás quando nos conhecemos. E queria ver se ela ainda tinha aquela reação sobre mim. Claro que tinha.
Não queria que descobrisse que sou apaixonado por ela. Victoire Weasley é tão perfeita que merece algo melhor que eu. Alguém que conseguisse controlar os sentimentos, ao menos. Alguém que tivesse uma família bruxa e estável, não... Eu. Por isso, fiz do meu objetivo de vida afastar aquela loira. Mas não estou tendo êxito. É difícil magoar propositalmente a pessoa que você ama.
Na maioria das vezes só a encontro no salão comunal. Por ser dois anos mais nova, graças a Merlin, eu não tinha aulas com ela. Mesmo assim, aquele projeto de marota me dava trabalho.
Levantei-me rapidamente, percebendo que estava atrasado... Pra variar... Corri para o banheiro, tomando um banho rápido (gelado, importante ressaltar). Escovei os dentes, sequei o cabelo, agora azul, com a varinha. Coloquei a maldita touca e saí em disparada ao salão comunal para pegar ao menos uma tortinha de abóbora antes da comida desaparecer.
Sem sorte. Já deveria saber. Assim que pisei no salão, os elfos levaram a comida de volta para a cozinha. Ótimo. Agora teria que esperar até o almoço para comer.
— Está com uma carinha de triste Tedie, vai ficar com fome? – Ela... Sempre ela.
— Pelo visto sim, não é, Weasley?
— Já disse que pode me chamar de Vic – Ela respondeu com uma falsa voz manhosa. Seu eu pegasse essa menina... Balancei a cabeça para me livrar desses pensamentos impuros.
— Já disse sim, mas isso não significa que vou acatar tudo o que você fala pirralha. Vai lá correr atrás do Bone com suas amiguinhas do quinto ano, vai!
Bom, de pirralha ela não tinha nada. Os seios fartos, a perna delineada e as curvas no lugar certo claramente me diziam isso. Mas... afastá-la. Meu objetivo de vida. Isso mesmo. Foco.
— Bom, sendo assim, não vou te dar essas tortinhas que guardei especialmente pra você. Vou lá oferecer ao Bone, que com certeza seria educado ao ponto de agradecer– Falou mostrando um guardanapo bem dobrado na mão esquerda.
— Weasley, você não seria tão má.
— Tem certeza, Lupin?
Não, eu não tinha certeza. Na verdade nada me passava na mente naquele instante. Tentei manter o rosto firme e imparcial. Frio como gelo. Bone era um Lufano, filho de trouxas, que por acaso, era o cara mais cobiçado dessa escola. E o pior, estava sempre de olho na Vic. Não era atoa que eu o odiava.
Meu estômago fez um barulho extremamente alto e forte quando ela descobriu as tortinhas e aquele cheiro maravilhoso me acertou. Ela escutou.
—Bom... Acho que seu estômago e seu orgulho não se dão muito bem, não é? – Ela sabia me provocar. Maldita Victoire.
— Acho que não. Mas, meu orgulho fala mais alto. – Falei com um princípio de rispidez. Virei as costas e saí. Sem olhar para trás. Mas ainda consegui escutar as risadas dela. Sabia como ser má. Com certeza sabia.
As duas aulas seguidas de história da magia estavam me matando. De fome. De tédio. De preguiça. De ansiedade. Não via a hora de chegar o almoço. Cada minuto demorava duas horas para passar. Até que recebi um bilhete suspeito de Raphael Goldestein. Era um corvinal que geralmente não conversava muito com as pessoas. Quanto mais trocava bilhetes em meio a uma aula.
Cara, a Vic pediu pra você abrir o segudo bolço da sua mochila. Não me pergunte o porquê. Ela me cercou vindo para a sala de aula e disse que era muito importante.
Com certeza ela tinha usado o charme. Ele não faria isso de livre e espontânea vontade. E digamos que Victorie Weasley sabe usar as armas que tem a seu favor. Virei-me para o Raphael e agradeci com um aceno de cabeça simples.
Abri o segundo bolço da mochila com um pouco de resseio. Nunca se sabe o que aquela loira pode aprontar. Vi o guardanapo com as tortinhas de hoje mais cedo. Ela deve ter colocado lá enquanto eu saia.
Desembrulhei aquelas delícias e devorei cada uma em uma única mordida, escondendo do preofessor Binns. Acho que fantasmas não sentem cheiro. Ou simplesmente não se importam com alunos comendo em suas aulas. Deveria me lembrar de agradecer a Vic mais tarde. Ops... Vic não, Wesley. Claramente Weasley. Não posso cometer o erro de dar liberdade pra ela. Ela é de mais pra mim. Mesmo que a própria não saiba disso.
Assim que acabei de comer e voltei às boas com meu estômago, que estava se contorcendo por ter sido mal tratado pela manhã, vi algo escrito no guardanapo.
Espero que tenha gostado da surpresa. Não se acostume. Não estou acostumada a perder. Muito menos a ajudar o ‘inimigo’.
Você não perdeu Weasley. Você está ganhando esse jogo. E com muita vantagem. Mesmo que não saiba. Nascida em 2 de maio, essa loira não se chama Victoire por um mero acaso. Ela nasceu exatamente um ano após o fim da batalha de Hogwarts. Vitória. Com certeza ela não está acostumada a perder.
Fale com o autor