Notas iniciais
Olá amorzinhos, esse vai ser o penúltimo capítulo tudo bem? Aproveitem a leitura ♥

Foi um sonho. Tinha que ter sido um sonho. Não era. Aquele perfume adocicado ainda permanecia ali. Merda.

Peguei minhas vestes sobre o baú e fui me trocar. Dei uma rápida checada no relógio e percebi que não precisaria correr pela primeira vez em muito tempo. Cheguei ao salão comunal e vi uma cena que me tirou a fome. Victoire estava assentada na mesa da lufa-lufa com o Bone. Senti-me ficar vermelho de raiva com a cena. Ela era realmente infantil a ponto de usar uma pessoa que odeio para me atingir.

Tudo o que eu queria era socar a cara dele. Quebra-lo em pedacinhos bem pequenos para que nem a Madame Ponfrey conseguisse remenda-lo. Queria arrancar a mão dele, que repousava propositalmente em cima da perna esquerda dela. Queria ter feito diferente ontem à noite. Era para ser eu no lugar dele.

Assentei-me sozinho na mesa Grifinória, de frente para eles. Se eu gostava de sofrer? Com certeza não, mas precisava ter certeza de que ele não se aproveitaria dela. Peguei uma bomba de chocolate. Falam que chocolate acalma, mas não estava surgindo muito efeito.

— Qual é cara? – James chegou dando um tapinha nas minhas costas – Fiquei sabendo que vai sai com a Amanda gostosa Wood... Meu sonho de consumo se quer saber...

— Se enxerga pirralho – não aguentei segurar a risada – olha seu tamanho... Muita areia pro seu caminhãozinho, parceiro.

Nesse momento Dominique, que estava escutando a conversa, se afastou murmurando sobre não querer a companhia de idiotas machistas. Não pude deixar de ver que James a acompanhava com o olhar, e percebi que aquele comentário sobre a Wood foi apenas para causar ciúmes na loira. Seu avô ficaria orgulhoso.

Voltei a encarar a mesa da Lufa-lufa. A mão do Wood só subia, alcançando níveis inadmissíveis dentro dos padrões do pudor. Ela já estava passando dos limites agindo daquela forma.

— Ei, a taça de suco não tem nada a ver com o seu ciúme, pode parar de aperta-la dessa forma tá? – James tirou o recipiente das minhas mãos. Não tinha percebido que estava descontando a raiva numa taça, e muito menos que estava tão estampado em minha cara o ciúmes que sentia.

— Cala a boca pirralho... – disse por fim, saindo do local e rumando para a aula de defesa contra as artes das trevas.

Na hora do almoço Merlin decidiu me dar uma pequena vingança. Encontrei Victoire saindo da sala de história da magia e, coincidentemente, a Wood estava parada no corredor. Sozinha.

Aproximei-me dela e a vi sorrindo para mim. Seus cabelos castanhos estavam presos num perfeito rabo de cavalo os lábios destacados por um batom vermelho escarlate. Era uma bela cena, não poderia negar. Mas não me chamava tanta atenção quanto àquela loira caminhando devagar pouco mais a frente.

Respirei fundo. Flertar não era tão difícil assim, era?

— Oi lindinho. Pensei que você fizesse a linha “tímido” e que não iria querer falar comigo até sábado. – Ela se encostou na parede, claramente um convite.

— Sim, sou tímido. Mas isso não quer dizer que eu seja lerdo. – consegui manter a voz firme e me aproximei dela. No entanto, minha consciência não estava ali. Estava na reação que iria causar na Vic com essa burrada. Não gostava de vê-la triste. Sabia que estava fazendo merda. Que provavelmente nunca conseguiria reparar isso. Mas meu orgulho estava ferido. E eu queria afastá-la de mim de uma vez por todas.

Escorei uma das mãos acima da cabeça da Amanda e fitei seus olhos. Geralmente não ficaria com nenhuma menina sem conhece-la primeiro e com certeza nunca havia “usado” nenhuma para causar ciúmes ou para uma vingança boba. Todavia, lá estava eu. Cheguei mais perto de sua boca e ela já repousava as mãos no meu peito. Sem pensar muito, selei nossos lábios.

O corredor já estava quase vazio, mas conseguia sentir a presença da loira ali. Não foi um beijo ruim, nem nada do tipo. Separei-me da Wood, e ela me lançou um sorriso satisfeito.

— Gostou da cena Weasley? – Ela me afastou um pouco mais para poder olhar na cara da rival. Coloquei uma máscara de indiferença no rosto e me virei. Victoire estava com os olhos marejados, mas mantinha o semblante sério.

Metade de mim queria correr para abraça-la e nunca mais soltar. Mas a outra metade via repetidamente ela e o Bone juntos no café da manhã.

Metade de mim queria limpar aquelas lágrimas e dizer que tudo ficaria bem. Mas a outa metade me convenceu a ficar parado, sem reação. Ela ficaria melhor sem mim.

Metade de mim estava certa. A outra metade não.

Metade de mim a amava. A outra também.

— Só espero que o veneno dessa daí não te mate, Lupin – Victoire começou depois de alguns segundos – Se bem que se matar... Não é mais problema meu. Espero que apodreça. – Ela se virou para sair – E, por favor, limpe esse batom vermelho borrado na sua boca, está ridículo.

Ela saiu. A Wood sorriu e eu... Bem, eu sou um grande idiota.

Passei as costas da mão sobre a boca para tentar limpa-la, mas não tive muito sucesso. Amanda se aproximou novamente, tentando terminar o serviço. Seus dedos passavam devagar sobre meus lábios, como se quisesse me provocar. Não estava surtindo nenhum resultado.

Despedi-me polidamente dela e me afastei até o banheiro masculino naquele andar. Joguei água no rosto, para ver se clareava as minhas ideias. Encarei o espelho, e a vontade de soca-lo veio mais forte que qualquer outra coisa. Não fiz isso. Não valeira a pena.

Eu com certeza não era o bastante para Victoire, mas o Bone com certeza também não era. Ela merecia seu príncipe encantado, voando numa vassoura branca, cheio de amores para lhe dar. Então, se eu tinha consciência que tinha que afastá-la e, finalmente, consegui fazer isso, por que me sentia tão mau? Por que o ciúme me corroía? Por que eu tinha essa vontade estúpida de sair correndo atrás dela e pedir mil desculpas?

Encarei meus olhos e tirei a touca de meus cabelos. Estavam num tom de azul opaco, sem brilho, sem vida... Tristes. Não gostava deles assim. Senti saudades do rosa chiclete.

Eu também merecia ser feliz. E se não fosse o suficiente para Victoire nesse instante, eu me tornaria suficiente. Eu a conquistaria de volta. Eu a queria para mim. Precisava dela comigo.

Abandonei a touca no lixo do banheiro. Não me esconderia mais.

Notas finais
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