Pura Provocação
6 Nunca
Notas iniciais
Fiquei isolado na minha crise existencial por tempo demais. Já tinha perdido o almoço e uma aula da parte da tarde. Quem diria... Teddy Lupin matando aula por livre e espontânea vontade. As coisas mudam. Eu mudo. Meus pensamentos e minha visão de mundo mudam. Tudo muda. Menos meu desejo e meu amor por aquela loira. Ah, isso com certeza permanece.
Eu era o príncipe encantado dela. Pena ter demorado tanto tempo para perceber isso. Mas é o que dizem... Você só da o devido valor, depois que perde. Precisava ir atrás daquela loira.
Eu estava parado, encostado num dos corredores do terceiro andar. Vic provavelmente estaria nas estufas tendo aula de herbologia. Pensei nas possibilidades. Iria falar com ela agora. Faria algo tão surpreendente que ela não poderia se recusar a me escutar.
Nunca havia descumprido nenhuma regra grave de Hogwarts, mas se descobrirem o que estou prestes a fazer, com certeza serei expulso. Desci as escadas e passei pelas portas do castelo. Andei nos jardins até a sala de aula do professor Longbotton.
Ser metamorfomago tem algumas vantagens. Transformei minhas cordas vocais e uma de minhas mãos. Envelheci a pele, afinei os dedos, realcei algumas veias mais superficiais e respirei fundo. Coragem. Tio George ficaria orgulhoso.
— Essas são plantas extremamente perigosas, então, por favor, tomem cuidado. Abram seus livros na página 267. – Escutei a voz simpática do Nervil.
Bati na porta.
— Pode abrir! – O professor respondeu indiferente.
Abri uma pequena fresta para que ele visse somente minhas mãos segurando a maçaneta.
— Com licença – tentei imitar ao máximo a voz da Minerva. – Eu preciso falar com a senhorita Weasley, você pode cedê-la para mim por alguns momentos?
— Claro, diretora McGonagall. Sem problemas! – Como aquele professor conseguia manter tão bom humor o tempo todo, era um mistério.
— Obrigada. – Terminei de falar e me afastei para que não vissem nada quando a Vic passasse pelas portas.
Escutei-a guardando seus materiais na mochila e em menos de um minuto eu já tinha visão do seu belo corpo.
— Diretora, aconteceu alguma coisa? – Ela falou com a cabeça baixa. Percebi que seu rosto estava inchado. Nunca me perdoaria por fazê-la chorar.
Voltei minhas mãos e cordas vocais ao normal.
— Me desculpa! – Foi a única coisa decente que consegui pensar para começar um diálogo. Não me julguem, estava nervoso.
— O que... – Ela levantou a cabeça finalmente, e quando me fitou, se calou por algum tempo. — ... Não quero falar com você.
E foi exatamente nesse momento que eu não fazia ideia do que dizer para ela. Meu plano só ia até a arte de tirá-la de dentro da sala de aula.
— Eu finalmente percebi que sou um idiota. Por favor, me escuta. – falei e ela continuou calada.
Já estava ficando desesperado. Não estava acostumado com o fato de ela ser indiferente à mim. Seu silêncio pesava uma tonelada sobre minha consciência. Tentei pegar sua mão e leva-la para um lugar onde pudéssemos conversar, mas ela se afastou antes que eu a tocasse.
— Olha, eu sei que estava errado tudo bem, só... Cinco minutos. Por favor.
Não obtive respostas. Ela simplesmente passou por mim e caminhou até o lago negro. Acompanhei-a logo depois, alguns passos atrás, até chegarmos à margem. Ela se virou para mim e continuou me encarando sem dizer uma palavra
É... Seria realmente muito bom me declarar na frente da lula gigante...
— Olha Torie, eu...
— Agora é Torie então? Porque até ontem, era Weasley para você.
— Eu sempre gostei de você, só... Não conseguia acreditar que um mísero metamorfo, morto de vergonha e pouco simpático fosse o suficiente para te fazer feliz.
Ela continuava com aquela mascara de indiferença sobre o rosto. Nenhuma lágrima, nenhum sorriso. Tinha imaginado mil reações que ela poderia ter. Me xingar, me beijar, me atirar no lago, se jogar comigo... Tudo, menos... isso.
— Olha, eu não imaginava que você poderia gostar tanto assim de mim a ponto de eu poder te machucar. Eu pensava que tudo era só mais uma brincadeira para a brilhante Victoire Weasley. Conquistar o único menino que não caia aos seus pés mas, surpresa! Eu sempre estive aos seus pés. Só não demonstrava isso. E bom... Meu cabelo com certeza está rosa chiclete nesse momento, de que prova mais você precisa para acreditar que eu quero você?
E depois de dizer tudo isso num folego só, ela simplesmente se virou e começou a se afastar. Sem mais nenhuma palavra. Nada.
A raiva me invadiu completamente. Como eu poderia estar aqui abrindo meu coração por essa garota e ela simplesmente me ignora? E foi aí que eu percebi que foi isso o que acontecia todas as vezes em que ela me provocava. Ela mostrava que gostava de mim, porque não usava o charme pra me conquistar. E eu sempre ignorava, ou respondia de maneira brutal. Como eu fui idiota!
Corri até ela, que já estava a uma distância considerável e puxei sua mão. Um choque percorreu meus corpo nesse momento. Nossos corpos se encontraram. As respirações já se misturavam. Passei a mão delicadamente por seu cabelo, colocando alguns fios rebeldes atrás de sua orelha. Olhei-a nos olhos e ali pude ver que ela ainda era minha.
— O que quer que eu diga? – ela sussurrou – que sempre esperei por esse momento? É verdade, sempre esperei, mas você demorou Tedie. Demorou demais. Agora já é tar...
— Não, não, não. Agora é o momento perfeito. – Sussurrei de volta e finalmente selei nossos lábios. Para a minha completa surpresa, ela correspondeu. Suas mãos se perderam nos meus cabelos rosa e as minhas foram de encontro à sua cintura fina. Ela arranhou meu pescoço como gostava de fazer e eu a apertei ainda mais contra meu corpo.
Nos separamos depois de um tempo. Eu sorri contra seu pescoço e dessa vez foi ela quem se arrepiou.
— Eu tinha feito uma promessa Tedie.
— E qual foi a essa promessa? – me separei dela somente o suficiente para fitar seus olhos.
— De que nunca ficaria com você. – ela deu uma risadinha – acho que você não me deu muita escolha...
— Promessas são feitas para serem quebradas, Vic – respondi sério — Só videntes podem fazer promessas. Porque eles têm certeza de que em nenhuma circunstancia futura você quebraria esse acordo.
Ela sorriu pra mim e me puxou para sentarmos na grama. Se apoiou contra meu peito e se aninhou ali. Seu perfume doce invadia minhas narinas e eu queria congelar esse momento e guardar numa caixinha para poder reviver aquilo eternamente.
— Vic, me responde uma coisa? – perguntei entrelaçando nossos dedos
— O que você quiser. – respondeu convicta.
— Se eu não tivesse te puxado aquela hora, você realmente teria ido embora e jogado sua felicidade pela janela por uma simples promessa? Ou estava querendo se vingar por todas as vezes em que eu te tratei mal?
Demorou alguns segundos até ela finalmente responder.
— Eu só estava me fazendo de difícil para você, pela primeira vez na minha vida. – Ela virou seu rosto para mim e pude perceber que aquela era uma meia verdade.
— E como foi a experiência? – Perguntei mantendo sua linha de raciocínio.
— Nem um pouco proveitosa. – Respondeu risonha e colou nossos lábios novamente. – Se eu não tivesse certeza de que você não iria atrás de mim eu poderia ter te perdido.
Agora sim a verdade. Ela sábia que eu não desistiria tão fácil. E estava certa. Depois que percebi que eu poderia ter Victoire Weasley eu nunca a deixaria ir embora.
Nunca.
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