Puppet
1 Just a Puppet
Notas iniciais
Puppet
Aproximou-se incerta, sentia sua presença ao mesmo tempo que não a sentia. Era isso que ocorria dentro de si. Tudo uma mera ilusão que deixava a falsa impressão de estar preenchida quando na verdade era uma criatura oca e sem vida.
— Mukuro-sama... – O tom de voz infantil ainda era predominante na voz da jovem, por mais que já houvesse crescido. É claro que isso não podia se aplicar à altura da pequena de cabelos azulados e arrepiados, que apenas contrastavam ainda mais o tom alvo de sua pele branquinha.
Os dedos finos tentavam a todo custo alcançá-lo. Por um momento, desejou que pudesse ter certeza do que era ou não era ilusão. Que nada daquilo fizesse rarefeito para si. Mas parecia que já não sabia mais identificar o que era verdade ou mentira. Ilusão ou realidade, por mais que às vezes, ela seja um tanto assombrosa.
— Não tenha medo. – Sua voz parecia mais próxima e ao mesmo tempo mais distante. Virou o rosto, bruscamente e se deparou com o rosto de Mukuro próximo ao seu. Uma pontada de desespero a percorreu quando notou que, aos poucos, ele desaparecia. Deixou que uma lágrima solitária caísse, como há muito tempo não se permitia. Tentou tocá-lo, mas o mesmo lhe agarrou firme as mãos, juntando-as. Um olhar suplique.
— Não me deixe... Mukuro-sama... – A voz doce soou chorosa.
— Prometo voltar. – Um sorriso se esboçou pelo canto dos lábios finos. Um brilho incomum estava presente em seu olhar. Não havia certeza na sua voz, assim como na sua presença.
— Sei como se sente, pequena Chrome. Você não é um fantoche. É real. Para mim. – Seu sorriso se alargou. Não como aqueles debochados e cheios de malícia. Era um doce que, somente a ela, ele oferecia com sinceridade.
— Prometa voltar.
— Eu prometo. No segundo seguinte, a presença dele se esvaiu como névoa se dissipando e o que sobrou foi uma dor aguda e incessante e que lhe dava a sensação de um vazio assombroso. Ela esperaria. Mesmo que aquilo fizesse com que ela se tornasse apenas um fantoche.
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