Punklove

7 Revelações


Notas iniciais
Esse é o último capítulo desse ano, pessoal! Eu vou ter festas e viagens e volto pra casa a partir do dia 5 de janeiro, e eu não vou levar nada comigo. Um beijo pra vocês e Feliz Natal e Ano Novo.

Acho que eu nunca me senti tão envergonhado do meu próprio lobo antes em minha vida. A sensação de não ter como se proteger, estando nu na frente de outra pessoa, alguém que não era desconhecido, mas também não era da família, fazia eu me sentir todo estranho e acuado.

Graças aos deuses o Xerife entrou logo em casa e Stiles veio no lugar dele. Bom, não que fosse assim diferente, já que eu estaria na frente dele sem nenhuma roupa também. No entanto, junto de Stiles eu não me sentia tão acuado, ele me deixava mais relaxado.

Claro, tudo culpa do maldito imprinting.

O homem riu de mim ao ver as bochechas avermelhadas em meu rosto, mas não esperou muito para me guiar para dentro de casa. A manta que o Xerife tinha jogado para eu me cobrir pelo menos não me deixava completamente nu, mas a situação toda ainda se fazia complicada — e eu, mais do que tudo, queria só ir pra casa me esconder.

Ainda bem que Stiles não conseguia sentir o cheiro dos meus ‘sentimentos’, pois iria ser um mix de vergonha e excitação — sim, acredite se quiser, meu lobo estava todo excitado ao ser levado para o quarto de Stiles, todo nu. Ele estava achando que nós iríamos…

Prefiro não ir até lá. Prefiro não pensar em mim nu no quarto de Stiles e meu lobo necessitado e…

Chega!

Quando eu já tinha passado pela casa, guiado por Stiles, e chegado ao seu quarto, minha respiração estava ofegante. Tentei respirar fundo, sozinho lá dentro. Stiles tinha apontado para umas roupas em cima da cama dele, antes de sair do quarto dizendo que teria café pronto para mim na mesa da cozinha deles, e que eu deveria me vestir e depois fazer companhia para pai e filho.

A calça que ele me deu era uma de um moletom preto, por nisso não me apertava, mas a camiseta, que era preta com umas caveiras randômicas espalhadas, ficava bem apertada em mim. Meu cabelo era uma bagunça só, e eu não tinha nada para prender ele direito na minha cabeça, por isso ele foi todo desarrumado.

Pelo menos eu estava vestido.

Estranhamento, eu ainda me sentia nu.

–--

Derek desceu as escadas com calma, testando cada um de seus passos no carpete. Os pés descalços iam se acostumando a andar pelo chão enquanto ele se dirigia para a cozinha, seguindo o cheiro do café e dos ovos fritos com bacon.

Ele quase não entrou naquele cômodo, sentindo estar invadindo algo familiar. No final das contas, Stiles apareceu na frente dele e impediu qualquer tentativa de escapar.

“Eu imaginei que você estivesse aqui perdido pelo meio do caminho.” Falou o homem ao sorrir. “Não se preocupe com a gente, pois a gente não morde. Não somos lobos, afinal.” Ele riu, tentando fazer Derek se sentir mais à vontade.

Não adiantou muito, mas o garoto pelo menos conseguiu relaxar um pouco.

Ao entrar na cozinha ele viu o Xerife sentado na cadeira, lendo o jornal e concentrado nas suas coisas, enquanto Stiles andava até o balcão perto da pia para buscar um prato para Derek.

Era interessante poder ver pai e filho juntos ao mesmo tempo. John era um homem já vivido. Simples, ele usava apenas seu uniforme de policial, provavelmente se preparando para ir trabalhar cedo no domingo. Por outro lado, Stiles vestia uma bermuda jeans um pouco rasgada e uma camiseta preta que ficava enorme nele, quase escapando pelos ombros e deixando as tatuagens coloridas dele à mostra.

A visão era, sinceramente, quase irresistível e Derek agradeceu aos deuses lupinos por Stiles não poder sentir o cheiro de excitação no ar. E também agradeceu aos deuses das calças de moletom por poderem esconder o movimento que estava acontecendo em um lugar que deveria estar parado àquela hora da manhã, em devida situação.

“Você pode se servir de ovos e bacon no fogão. E tem café esperando na mesa, okay?” Stiles falou, oferecendo o prato para Derek. O garoto apenas assentiu, não falando nada.

Seus passos até o fogão foram calmos, enquanto ele tomava noção do lugar em volta dele. Stiles tinha voltado a sentar à mesa, e Derek aproveitou aquele momento para tentar apenas se servir e prestar atenção no momento, claro, tentando ignorar as calças dele e o cheiro de Stiles que estava cada vez mais impregnando o seu nariz.

Não que fosse uma coisa ruim. O lobo dentro de Derek estava adorando cada segundo daquilo. E o contato direto com o mundo de Stiles e o cheiro dele ajudava Derek a se assentar em sua própria pele.

E também produzir um monte de material para a masturbação da semana.

Ele tinha tentado se controlar quando a vontade de se tocar aparecia, geralmente pensando em um dos garotos do time de futebol, ou quem sabe um cantor famoso que era sexy. Tudo aquilo que ele tentava colocar na cabeça era para não pensar em Stiles. E até agora tinha dado certo. Ou quase, já que em alguns momentos as fantasias na cabeça dele viravam homens tatuados, cheios de marcas de nascença ou tinham seu cabelo bagunçado, piercings pelo corpo — imagens que só apareciam quando Stiles estava na mente dele.

Enfim, Derek sacudiu a cabeça, tentando tirar as aquelas imagens de seu cérebro, já que ali não era a hora nem o lugar certo para ele pensar naquilo.

Quando ele tinha se servido, Derek procurou um lugar na mesa, se sentando ao lado de Stiles e à frente de John. Ele começou a comer calmamente, não se importando com o silêncio entre os três. Derek quase conseguiu comer toda a comida, que era bem boa por sinal, antes de John fechar o jornal e olhar para ele.

“Stiles me falou o que está acontecendo com você.” O homem disse. Stiles suspirou do lado de Derek.

“Pai, não...” Ele começou a falar, mas foi interrompido pelo Xerife.

“Eu sei exatamente o que eu estou fazendo, Stiles. Você me pediu uma ajuda e eu estou ajudando.” O homem falou, vendo o filho bufar mais uma vez antes de sacudir a cabeça e o deixar falar.

John se virou para Derek com seus olhos, enquanto o garoto estava com a comida a meio caminho da boca, travado no momento.

“Eu sei o que é ter que lidar com um imprinting.” John disse. Derek ficou parado por um momento ainda, não sabendo o que fazer, antes de abaixar o garfo ao prato dele. “Não vou dizer que é a coisa mais simples que acontece, mas vai passar.”

O tom de voz do pai de Stiles era calmo, o que ajudava a acalmar Derek também. Ele ainda não falou nada, mesmo assim.

“Quando eu tinha dezessete anos, uma moça imprintou em mim. E não era a sua mãe, Stiles.” John falou, se virando por um momento para o filho. Derek pode ver que Stiles demonstrou um pouco de surpresa com aquela informação, provavelmente sendo uma novidade para ele também.

Stiles não comentou nada, apenas deixou seu pai falar.

“Eu estava namorando Cláudia e terminando o Ensino Médio quando uma garota lobisomem me viu numa noite de lua cheia, durante uma festa. Ela havia deixado um pingente de uma de suas pulseiras cair ao chão e quando eu fui pegar para alcançar a ela de volta, a lua bateu no meu rosto e a moça me viu — e a mágica aconteceu. Por um mês eu tive que lidar com uma namorada e uma garota que ganhei de presente. A maior parte dos garotos da escola iria matar pela atenção que eu recebi.” John riu de si mesmo.

“Quer dizer que você já sabia sobre lobisomens ainda antes do Scott ser mordido?” Stiles perguntou, introduzindo um assunto completamente diferente na conversa.

John sorriu para o filho.

“Eu soube desde a minha adolescência, quando conheci a sua mãe. A melhor amiga dela naquela época era um lobisomem.” Ele falou. “E foi essa mesma amiga que imprintou em mim.”

“Uhh…” Stiles fez um som de surpresa e preocupação. “Aquilo não deve ter acabado muito bem.”

Derek deu um pequeno sorriso. O Xerife sorriu para ele também.

“Eu não diria que terminou mal. Como eu falei, todos os garotos da escola ficaram com ciúmes porque eu tinha duas garotas comigo por todo o tempo desse mês, e Cláudia sabia exatamente o que estava acontecendo. As duas trataram então de achar a melhor maneira de organizar esse mês e nós fizemos um monte de atividades juntos e tudo mais, deixando a escola em polvorosa ao ver o nosso relacionamento, não que nós fôssemos mais do que amigos, mas eles não sabiam.”

“Quem é essa amiga, pai?” Stiles perguntou, curioso. Ele cortou a linha de pensamento do Xerife. O homem suspirou uma vez.

“Paige Krasikeva. Ela era um ômega, sem nenhum outro lobisomem na família ou um bando para ela ficar junto. Foi com ela que Cláudia reconheceu os seus poderes, assim como os seus, Stiles. Elas duas ficaram amigas até Cláudia morrer. Depois de um tempo Paige também se foi, pega por caçadores.”

“O corpo cortado em três partes na floresta, não? Eu me lembro disso de quando eu era bem pequeno ainda.” Derek falou, abrindo a boca pela primeira vez naquela manhã.

O Xerife apenas assentiu.

“Nós sempre soubemos que havia a possibilidade de algum caçador encontrar ela. Eu fiquei estarrecido, mas não pude fazer nada, já que lobos sem uma ajuda e sozinhos não duram muito tempo. E foi isso também que me incentivou a continuar na polícia e tentar achar um meio de criar um lugar onde os lobisomens pudessem morar. Sua mãe entrou em contato comigo durante o acontecido e nós estabelecemos alianças para que houvesse uma forma de vocês poderem confiar em mim e vice-versa. Então, alguns anos depois o Scott foi mordido e tudo mais aconteceu.”

Stiles apenas assentiu.

Derek ficou ponderando por uns segundos antes de perguntar.

“Eu sinto muito, por tudo que aconteceu.” Ele falou. O Xerife sorriu amargamente para Derek e Stiles tomou aquele momento para esfregar seus dedos nos de Derek, rapidamente.

“Obrigado, mas não foi culpa sua. Aqueles anos entre a morte de Cláudia, a morte de Paige e tudo mais foram difíceis para todos. E nós estamos trabalhando agora para fazer um lugar melhor.” O homem falou antes de suspirar e sacudir a cabeça. “Mas vamos voltar ao imprinting? Coisas mais importantes do momento?” O Xerife falou, lançando um sorriso para Derek,

O garoto quase grunhiu em desconforto e John riu dele.

“Derek, não precisa se preocupar com isso, okay? Paige me disse várias vezes que as coisas pareciam muito estranhas enquanto tudo acontecia e por muito tempo ela vivia pedindo desculpas pra mim, mesmo que eu sempre tivesse dito a ela que tudo estava perfeito. O imprinting todo desaparece depois de um mês e você não vai se lembrar do sentimento em nenhuma forma. Claro que você vai lembrar tudo. Mas eu confesso que isso ofereceu um bom material para rir por um bom tempo.”

Derek suspirou.

“Isso não me anima muito…” O garoto disse.

“Não se preocupe, eu vou te ajudar, okay?” Stiles falou, pegando na mão dele e apertando uma vez. Derek se virou para ele e sorriu. “Sem falar que esse é o seu último ano de Ensino Médio, então no ano que vem você pode ir pra faculdade e tentar esquecer tudo isso, se alguma coisa der muito errada.” Stiles falou e riu do grunhido que Derek soltou.

Até o Xerife riu.

“Não seja malvado, Stiles. Tudo fica bem, no final das contas.” O homem falou, antes de levantar da mesa. “Se vocês me derem licença, então, eu tenho que ir trabalhar.” Os dois assentiram para o homem.

Enquanto o Xerife saía da mesa, Stiles se virou para o Derek.

“Eu sei que meu pai não lhe disse muito de diferente do que eu venho te dizendo, mas eu acho que tudo vai ficar bem, okay?” Stiles falou. Derek apenas assentiu. “Tenta entrar em contato com o seu lobo, tenta sentir o que ele quer. Ao invés de você aparecer nu por aqui mais uma vez, você pode ligar pra mim, a gente pode fazer alguma coisa juntos. Eu sei que você precisa de proximidade comigo. E o colar não vai adiantar sozinho, mesmo que ele tenha o meu cheiro.” Stiles falou, pegando o pingente em suas mãos. O olhar de Derek se fixou nos dedos de Stiles por alguns segundos, antes de ele levantar a cabeça e ficar de frente ao outro homem, bem perto.

Assim a essa pouca distância, as tatuagens de Stiles pareciam mais vibrantes e bonitas, o cheiro dele era mais sedutor e Derek ainda conseguia ouvir a respiração de Stiles e ouvir os batimentos do coração dele.

Os lábios de Stiles estavam a centímetros do de Derek.

Alguém pigarreou da porta da cozinha, chamando a atenção deles. Eles viraram a cabeça para ver o Xerife olhando para os dois

“Eu sei que a proximidade é importante e os sentimentos vão ficar confusos por um tempo. Só tentem tratar de tudo com a cabeça limpa pra não se arrependerem de nada depois.” John falou e Derek conseguiu sentir o cheiro da culpa vinda de Stiles, antes do Xerife falar de novo e ele não poder fazer coisa alguma. “Esse é o colar?”

Stiles olhou para seus dedos enrolados no pingente no pescoço de Derek antes de olhar para o pai de novo.

“Ah, sim. Eu dei pra ele ter alguma coisa minha, pai.” Stiles disse, meio perturbado com tudo.

O Xerife assentiu.

“Boa ideia, Stiles. Só lembre de pensar bem no que você vai fazer.” Ele falou, olhando atentamente para o filho. “E tenha um bom dia, Derek.” O homem disse antes de sair pela porta da frente.

Stiles suspirou e Derek conseguia sentir o cheiro forte de culpa vindo do homem à sua frente.

“Eu preciso me controlar perto de você também. Acho que o imprinting tá até influenciando a mim. Mas meu pai tá certo, a gente tem que pensar com a cabeça limpa, certo?” Stiles falou, antes de dar um beijo rápido na bochecha de Derek e sorrir. Ele se levantou da mesa, deixando o garoto sentado sem saber o que fazer.

Derek quase tinha vontade de tocar na bochecha dele.

“Pode terminar o seu café que depois eu te levo pra casa. A sua mãe sabe que você está aqui, mas acho que ela vai querer sua companhia logo.” Stiles disse antes de ir para dentro de casa.

Derek ficou minutos apenas olhando para a própria mão, tentando controlar ela para não tocar no local onde os lábios de Stiles haviam se encostado.