Punklove

11 Distrações


Notas iniciais
Obrigado a todo mundo que aparece pra comentar e conversar comigo. E um beijo especial a todo mundo que favoritou e recomendou a história, vocês recebem as minhas mensagens, mas eu queria dizer que todos vocês tem um lugar especial no meu coração! =D

Eu não fazia ideia dos motivos para o Tio Peter ficar olhando para a nossa direção durante o jantar todo. Era possível sentir uma excitação se espalhando pela sala a partir do corpo dele, e eu tenho certeza que todos os lobos estavam sentindo aquilo também, combinado com o fato de ele ficar com seus olhos atentos na nossa direção — mas ao mesmo tempo eu também não conseguia me sentir ameaçado, sabe?

Meu lobo iria defender o Stiles de tudo, mas aqueles olhares do Tio Peter pareciam outra coisa, que claro, eu não fazia ideia do que era.

Ainda assim era estranho.

Mas enfim o jantar passou. O Xerife desejou a todos uma boa noite antes de sair e partiu com o carro da polícia em direção a sua casa. Eu sei que naquele momento não tinha nada de muito importante acontecendo, afinal o Stiles só iria ficar lá em casa por alguns dias, mas o meu lobo estava todo emocionado. A sensação de ter o Stiles só para si, ter a autorização do pai dele, mesmo que o Stiles já não fosse mais uma criança, e aquela comoção toda em poder ter o objeto de suas afeições por perto, fazia o animal ficar maluquinho.

Ainda bem que eu conseguia me controlar e fazer com que o lobo não aparecesse demais, senão vá saber o que ele iria fazer. Eu não tinha nem ideia, talvez ele fosse querer fazer xixi numa das pernas do Stiles ou pular em cima dele — ou melhor, o lobo iria me obrigar a fazer uma daquelas coisas e nós todos sabemos como é uma coisa normal sair por aí mijando na perna alheia...

Aos poucos nós todos nos ajustamos dentro da casa para dormir, explicando como eram os costumes de cada um e como tudo mais funcionava dentro da nossa casa. Enquanto minha mãe ia apresentando alguns cômodos da casa para o Stiles, eu ia atrás junto deles. O homem comentou sobre como a casa parecia ser divertida, com os instrumentos musicais e discos pelas paredes, cartazes de shows antigos e bandas quase desconhecidas, sem falar no fato de todo mundo ter tatuagens e piercings pelo corpo — a não ser Laura que era advogada, então ela costumava esconder as marcas no corpo dela.

E eu nunca quis saber exatamente onde ela tinha piercings, pra falar bem a verdade.

Em todo o caso, eu nunca tinha notado nada de diferente com a nossa casa, afinal foi daquele jeito que nós todos crescemos. Devo confessar, no entanto, que era possível perceber uma mudança entre a minha casa e a casa do Stiles, que eu vim a conhecer durante o imprinting, pelos motivos que vocês já sabem.

A nossa vida punk era completamente normal pra mim. Todos tinham suas roupas escuras e listradas, nada de muito colorido além do preto, vermelho e branco — e do ocasional verde ou azul. A maior parte dos membros da nossa família tinha alguma parte do corpo modificada e todos nós estávamos acostumados à música alta em casa, especialmente porque a maior parte de nós era lobos, então era fácil de escutar sons por baixo da música alta.

E a gente morava no meio da floresta mesmo, o que não ia causar nada para os vizinhos virem encher o nosso saco.

Enfim, quando o passeio pela casa terminou e a mamãe mostrou o quarto do Stiles, ela nos deixou ali um na frente do outro, sem dizer nada. Ela só deu uma olhada para mim, soltando um daqueles sorrisinhos que poderia ter uns trinta e sete significados.

“Então acho que isso?” Stiles falou, sorrindo para mim. E aquele sorriso, bom, aquele sorriso eu adorava.

“Uhum.” Eu falei, não sabendo muito como responder. Por alguns instantes a gente ficou ali apenas se olhando, o Stiles segurando a mochila dele com roupas e eu ali segurando as minhas mãos sem saber o que fazer com elas. O meu lobo queria mais do que tudo entrar no quarto e dividir a cama com o Stiles. Quem sabe até dividir outras coisas…

“Acho que a gente se fala mais amanhã, então.” O homem falou pra mim antes de sinalizar que iria se recolher. Eu apenas assenti, vendo-o entrar no quarto e fechar a porta, ainda sorrindo para mim. Tenho certeza que eu fiquei ali parado pela porta, ouvindo o som de Stiles abrindo a mochila dele e separando as suas coisas. Nem sei o que deu em mim, mas me senti praticamente colado ao chão.

Quando eu comecei a ouvir os risos de Cora e Erica no fundo do corredor, olhando para mim enquanto eu parecia uma estátua boboca, no entanto, eu tive que sair daquele transe e ir para o meu quarto — e claro, eu senti as minhas orelhas pegando fogo.

Naquela noite eu dormi sem problema algum, sentindo meu lobo bastante satisfeito com a presença do Stiles logo ali a poucos metros de distância. E graças aos deuses lupinos a nossa casa foi construída com paredes bem grossas, praticamente bloqueando os sons entre um cômodo e outro, aí ninguém pode ouvir o tanto de coisas que eu fiz naquela noite.

Pelo menos eu me lembrei de abrir uma janela pra deixar o quarto retornar ao seu cheiro habitual.

Ainda assim eu tinha a certeza que todo mundo iria saber o que eu fiz.

–--

Quando Derek acordou no outro dia ele se sentiu uma outra pessoa. Ou melhor, não exatamente outra pessoa, mas era como se ele estivesse em paz consigo mesmo, como se ele sentisse o mundo de volta ao seu lugar certo — tanto certo que ele até entrou na cozinha animado, dando passos com um swing especial e assoviando, logo antes de tomar seu café.

Ele não contava em achar a cozinha já cheira com os outros tomando café também, por isso o assovio dele morreu na garganta e ele quase tropeçou nos próprios pés ao entrar pela porta.

“E essa felicidade toda?” Pediu sua mãe. Todos os olhos estavam voltados a ele, excetuando Stiles que não estava nem ali. E naquele segundo ele já sentiu uma pontada no coração por não ter a presença do homem ao seu lado, mas tentou disfarçar e seguir caminhando até a mesa mesmo assim.

Alguns risos e cochichos se espalharam antes de os familiares voltarem a suas conversas.

A mãe de Derek ofereceu a ele uma xícara e se sentou ao lado do filho.

“Stiles saiu mais cedo, dizendo que tinha que ir para a escola antes.” Ela sussurrou no ouvido de Derek. Claro que aquilo não garantia privacidade em uma casa cheia de lobisomens, mas pelo menos era um sinal para que cada um continuasse com suas vidas.

Derek apenas assentiu e começou a tomar seu café para logo em seguida pegar umas bolachas que estavam na mesa. Ele comeu em silêncio por alguns instantes, apenas sentindo o odor confortante da sua família, com um leve toque de Stiles no fundo, o que fez Derek sorrir um pouco.

“Eu vejo que você está feliz hoje.” A mãe dele disse, falando mais baixo de novo. “Acho que o plano funcionou, então?”

Ele apenas pensou por alguns instantes antes de assentir.

“Eu me sinto mais em paz hoje. É um sentimento bom.” Derek falou. A mãe apenas concordou com a cabeça antes de falar.

“Que bom, filho. Fico bem mais aliviada em poder te ver melhor.” Ela sorriu.

Derek sorriu de volta.

–--

A aula da terça-feira não foi muito diferente do habitual, com ele passando pelas matérias boas e ruins e já quase decorando o seu calendário do ano. Os almoços agora não eram mais com Stiles, no entanto, o que colocou Derek de volta à mesa dos punks no intervalo. A conversa ia soando normal como sempre entre eles quatro, mas Derek ainda se sentia meio perdido do mundo enquanto não estava com Stiles. Pelo menos o imprinting só iria durar um pouco mais do que uma semana ainda, aí ele poderia voltar à vida normal que tinha.

Outra mudança importante também era o fato de que agora ele iria voltar para casa e o Stiles iria estar lá. Ou melhor, ele iria chegar em casa antes do homem, já que todos os professores da Beacon Hills High tinham que ficar até mais tarde na escola. Mas para todos os efeitos, Stiles iria voltar para a casa dos Hale para passar a noite junto com Derek.

Bom, não exatamente junto com Derek, afinal passar a noite junto com alguém iria implicar algum tipo de sentimento, e não é que não havia sentimento, mas para o Derek dormir com alguém ele precisava de sentimento de verdade e não aquela bagunça do imprinting. Não que ele fosse dizer não para o Stiles se o homem quisesse dormir com ele, mas não era muito certo que aquilo sequer poderia acontecer.

Enfim, além de todos os dramas na vida de Derek ele ainda tinha uma cabeça bastante produtiva e bagunçada, o que deixava ele nervoso e relaxado e triste e feliz ao mesmo tempo. Uma loucura.

Os lobos estavam no pátio dos fundos, conectado com a floresta, quando Derek conseguiu ouvir o Jipe de Stiles se aproximando da casa deles. Ele prontamente virou seu rosto para ouvir o barulho melhor, tentando captar o humor e o cheiro de Stiles ao mesmo tempo. E também para levar uma bolada na cabeça ao se descuidar do jogo de beisebol que ele estava participando.

“Derek!” Isaac gritou para ele.

“É o amoooooor.” Cora disse, apertando os punhos conta o queixo e sorrindo. Erica e Boyd apenas riram.

Derek bufou, sem saber muito o que fazer. Ele apenas atirou a bola para Isaac outra vez, esperando o garoto recomeçar o jogo.

A partir daquele momento ele foi aos poucos se acostumando com as jogadas e entrando no espírito outra vez, tentando tirar Stiles da cabeça. Derek foi deixando o animal vir à superfície para se divertir com o jogo também, afinal os lobos gostavam de esportes em que poderiam correr, e o beisebol sempre ajudava naquilo. Ao longo da partida o lobo de Derek foi aparecendo mais e mais e o garoto foi deixando o animal tomar conta dele.

Numa das bolas rebatidas por Boyd, enquanto Derek estava pronto para pegar ela, o garoto correu pelo campo largo, sentindo seus olhos apenas na bola e esquecendo-se do mundo. Ele deu o melhor de si para capturar ela na luva.

Apenas quando ele estava com a bola entre seus dedos, no entanto, foi que ele percebeu os gritos de uma torcida, composta por seus pais e por Stiles, as caras feias dos amigos olhando para ele de longe e o fato de que ele havia subido em um pinheiro para capturar uma bola.

O sorriso de Stiles e o olhar do homem conectado com o de Derek fazia com que o lobo dele pirasse por dentro — e provavelmente era por causa do lobo querendo se mostrar para Stiles que Derek tinha subido em uma árvore para pegar uma bola, já que aquilo não era uma coisa comum para eles.

Era óbvio que o lobo de Derek estava quase no controle e só queria aparecer — e tinha conseguido.

Enquanto Derek ia descendo da árvore ele pode ver que os bastões e luvas já haviam sido jogados no chão, mostrando o final do jogo. No entanto, o lobo dele não estava se importando muito com aquilo, louco apenas para chegar perto de Stiles, que estava caminhando em direção a árvore.

“Essa pegada foi bastante sensacional.” Disse o homem, mãos nos bolsos e sorriso no rosto.

Derek esfregou a testa com os dedos e sorriu envergonhado, ainda que o lobo estivesse bem orgulhoso.

“Foi meio que… uma coisa de instinto.” Derek falou, sentindo as bochechas ficarem vermelhas.

“Foi massa, mesmo assim.” Stiles disse.

Derek não respondeu nada, apenas deixando a luz do sorriso do homem iluminar a vida dele. Por alguns instantes eles apenas ficaram se olhando, como sempre. Parecia uma coisa entre eles, algo especial. Aqueles segundos que eles ficavam sem se falar, apenas um na frente do outro, olhos conectados, faziam Derek se sentir diferente, ainda mais diferente do que ele se sentia com o imprinting.

Ele pigarreou, no entanto, tentando sair daquele transe.

“Eu acho que preciso ir tomar banho.” Derek falou. Stiles apenas assentiu, sorrindo para ele mais uma vez antes de se virar e sair caminhando.

Derek demorou um pouco mais do que o habitual naquele banho. Dessa vez ele não abriu nenhuma janela, confiando apenas no cheiro do shampoo para mascarar o que havia acontecido embaixo da água.

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“Eu diria que não é bem assim. A força policial tem seus homens ruins no meio, mas tem os homens bons também. Acho que é um fato aplicável a qualquer parcela da sociedade. Pelo menos eu tenho plena confiança no meu pai para ser um policial honesto, longe da corrupção.” Disse Stiles em meio a uma conversa acalorada com Laura e Willian. Derek e seus lobos discutiam outros assuntos do outro lado da mesa, enquanto Talia e Peter falavam sobre negócios.

Peter se distraía da sua conversa olhava para Stiles de vez em quando, no entanto, assim como na outra noite. Derek não conseguia entender o motivo daquilo estar acontecendo, já que não parecia que Peter estava interessado em Stiles, mas os olhares o deixavam um pouco nervoso.

E faziam ele perder o fio da meada nas conversas o tempo todo.

“Derek?” Isaac pediu. “Você não vai colocar alguma coisa nessa colher ao invés de ficar engolindo ar?” Todos os jovens riram, e alguns dos adultos também, enquanto Derek procurava um lugar para se esconder do mundo.

Pelo visto ele não perdia o fio da meada nas conversas apenas, mas na vida dele por completo.

Stiles já o deixava piradinho, e agora com aqueles olhares do Peter que não faziam sentido algum, combinado com as loucuras do lobo e o imprinting chegando ao fim, mas nunca terminando, faziam ele se perder todo.

Derek apena torcia pra conseguir lembrar de abrir uma janela no seu quarto à noite.