Punklove

18 Ciúmes e lobos mortos


Eu não achei nada estranho o Peter não querer comentar sobre os lobos mortos na frente do meu pai, afinal eu também não gosto de meter o meu pai em encrenca. E eu sei que você deve até estar esperando o “mas” dessa frase, mas não tem um. Eu não quero colocar meu pai em perigo e se o Peter não quer isso também, eu acho que é uma boa ideia.

Nós fizemos o nosso jantar, depois eu subi pro meu quarto e coloquei os fones de ouvido, ligando uma música bem alta, afinal eu não estava nenhum pouco a fim de ouvir o que poderia estar acontecendo no outro quarto. Eu sei que nem eu estava esperando pelo meu pai aparecer com um homem pela casa, mas estou feliz por ele.

Isso não significa que eu queira ficar ouvindo o que possa estar acontecendo com eles dois sozinhos em um quarto.

Enfim, eu usei aquele tempo para poder utilizar meus dons de pesquisador e descobrir o que estava acontecendo de verdade por aqui. Lobos mortos na Califórnia era uma coisa que não acontecia regularmente — primeiro porque não havia lobos por aqui, além dos lobisomens é claro, e segundo porque havia uma política bastante severa para a proteção deles, tanto dos selvagens como dos seres meio-humano/meio-lobo. Então, dois deles aparecendo mortos por aqui era alguma coisa a se retificar.

Sem falar no fato de que foi mencionado no próprio telejornal que as balas utilizadas para matar eles eram artesanais, e quem mais iria sair por aí caçando lobos com balas artesanais se não os caçadores? Não fazia sentido qualquer outra pessoa sair por aí matando lobos, principalmente sem ter noção de quem eram.

A partir daí eu fui catar fotos deles. Encontrei algumas imagens dos lobos, uns shots mais próximos me ajudaram a descobrir o sexo de cada um — uma fêmea e um macho. O que poderia facilmente identificar um casal. Porém o macho parecia bem mais jovem que a fêmea, o que poderia significar uma mãe e seu filhote. E as fotos davam bem essa impressão. Mas e por que matar dois lobos, mãe e filho, e os deixar na natureza?

Talvez os caçadores não tivessem meios para tirar eles dali, quem sabe eles estavam escondidos? Ou os caçadores eram poucos, talvez apenas um, e ele não tinha força suficiente para transportar dois lobos. Eu sei perfeitamente como os lobos são pesados, afinal eu tive que carregar o Scott muitas vezes, mesmo que ele não pudesse se transformar em um lobo.

Ao lado desse acontecido, ainda havia o fato de Kate Argent estar na cidade. Eu nunca havia ouvido falar dela antes, mas sabia muito bem de que família ela vinha. Principalmente se tratando do fato de ela ser filha do Gerard, um homem que nunca foi boa pessoa. Chris, seu outro filho, foi o responsável pelo tratado que se fez aqui em Beacon Hills, claro, Allison teve parte importante. Os Argents clamaram essas terras como área de proteção deles e os lobisomens poderiam viver livres por aqui.

Adicionando ao fato de que os Hale sempre abriam as terras para lobos fugitivos de outros lugares, um fato que era bem conhecido pela nação lupina. Até em Chicago eu fiquei sabendo de histórias daqui da cidade, já que poucos lugares nos Estados Unidos podiam abrigar lobos. Havia apenas outra Reserva no Alasca e algumas perdidas no norte do Canadá, deixando as terras daqui como o lugar mais próximo para os lobos que precisavam de abrigo.

No entanto, há anos não se via casos de lobos precisando de abrigo. A sociedade já os tratava de uma forma mais aberta e não existiam tantos problemas assim. Mas os caçadores ainda tentavam fazer a hora do dia, especialmente aqueles que não seguiam código algum. Muitos apenas queriam matar lobos pelo prazer, porque acreditavam que era dever deles livrar a Terra de criaturas como aquelas.

Pra mim tudo aquilo era um carroça de besteiras, mas o que eu iria fazer?

Terminando a pesquisa, foi possível descobrir que uma mãe e um filho haviam fugido de algum lugar até Beacon Hills, procurando abrigo. Antes de chegar, porém, foram mortos na floresta por caçadores que não queriam, ou não se importavam em ajuntar os corpos.

Agora, qual era o motivo e quem seria o culpado?

Já era hora de dividir aqueles resultados com Peter.

Bom, pelo menos deixa eu conferir se não tem nenhum barulho estranho pela casa…

–--

Stiles saiu do quarto quando ouviu o carro-patrulha saindo da casa dele, anunciando que o Xerife deveria estar indo para a delegacia para mais um turno da noite. Ele foi até a cozinha e colocou a cafeteira para funcionar, apenas esperando por Peter mostrar a cara.

O homem apareceu vestindo um roupão, um sorriso no rosto e os cabelos molhados.

“Olá, Stiles.”

Ele tremeu quando viu a cara de Peter.

“Pode esfregar essa felicidade da cara, vamos trabalhar.” Stiles disse.

O homem apenas levantou os braços, provando inocência, e seguiu para pegar as xícaras. Logo os dois estavam frente a frente conversando por sobre a mesa. Stiles espalhou diversas folhas que ele havia imprimido.

“Aqui eu tenho as provas de que os dois lobos eram mãe e filho, provavelmente. Eu até dei uma olhada pra saber quais seriam os bandos possíveis de ter perdido um membro, mas não entrei em contato com nenhum pra saber a situação deles.” Stiles disse, apontando para as fotos.

Peter se aproximou delas e assentiu, tomando seu café.

“São mãe e filho sim.” Ele concordou. “Mas não sei se você vai ter muito sucesso em descobrir de onde eles vieram, acho que é melhor deixar pra mim. A maior parte dos bandos pode se comunicar entre eles, mas eles não vão se abrir pra alguém que não está dentro de um bando, e nesse momento você está sozinho, Stiles.”

Stiles assentiu.

“Eu sei, por isso eu vim sugerir isso pra você. Eu não posso contatar os bandos, mas posso juntar mais informações. Posso até ver com o meu pai se eu consigo uma das balas pra mandar pra Allison, saber se ela consegue analisar alguma coisa ou conversar com o pai dela sobre isso.”

Peter concordou com Stiles.

“Eu acho que é bom conseguir uma dessas balas sim, mas ainda acho melhor não deixar o Xerife ficar sabendo.” O homem falou.

“Eu posso invadir a delegacia.” Stiles falou. “Não foi muito difícil da última vez, não acho que vai ser difícil agora. Eu também não quero meter ele nisso.”

Os dois se olharam e concordaram sem falar nada.

“Depois que você conseguir o resultado com as balas e eu tiver falado com os bandos a gente pode conversar sobre isso de novo.” Peter disse. “Eu não quero alertar a Talia até que for a hora certa, não creio que tomar medidas drásticas seja necessário ainda. Eu acho que isso foi mais um descuido ou algo do momento do que qualquer outra coisa. Mas sinto que o caçador que fez isso queria colocar um pouco de medo nas pessoas.”

“Eu também acho que foi algo meio de última hora.” Stiles falou. “Eles não carregaram corpos nem ajuntaram as balas. Acho que deram a sorte de encontrar dois lobos fugidos e mataram eles. Por brincadeira… se é que faz sentido brincar com isso.” Enquanto Stiles completava a frase ele pode ver os olhos de Peter brilhando em azul por uns segundos, a raiva do homem aparecendo pela superfície. Logo ele se controlou.

“Nós vamos encontrar quem fez isso. Beacon Hills não é lugar para caçadores.” O homem falou.

Stiles assentiu de novo.

“Nesse meio tempo eu acho que seria bom eu manter um contato com Kate Argent, pra saber o motivo certo de ela estar aqui.” Stiles disse.

“Ela entrou pra escola por que motivo, afinal?” Peter pediu.

“Substituindo um outro professor.” Stiles respondeu. “Eu não sei direito, nunca gostei muito do Harris, mas ele está doente ou alguma coisa assim e ela veio substituir ele por algum tempo. Agora não me pergunte de onde ela veio e como ela foi escolhida.”

Peter ficou em silêncio por algum tempo antes de falar.

“Existe alguma política sobre a transferência ou a entrada de novos professores? Você também entrou esse ano, não? E o Harris deu aula por esse mês, mas só agora ele saiu.” Peter ponderou.

“Bom, se existe uma vaga a escola vai oferecer pra quem quiser e tiver as especializações necessárias, ou se a escola estiver realmente precisando a vaga vai pra quem estiver disponível. Eu consegui a vaga por que dei a sorte de o professor antigo ir embora e meu pai ter falado com a direção da escola. O Xerife tem uma boa fama na cidade, é óbvio que eu iria conseguir o emprego. Mas como a Kate entrou assim tão facilmente eu diria que escola precisava de uma professora urgentemente, e ela deveria estar aí dando sopa, ou ela foi indicada pelo Harris.”

Peter apenas fez um som de entendimento com a garganta.

“Em todo caso, eu vou ficar de olho nela.” Stiles disse.

Peter apenas assentiu.

“Eu vou dormir. As fotos você pode guardar pra você.” Stiles falou.

“Okay, Stiles.” Peter disse.

–--

Naquele dia na escola, e em todos os que se seguiram por quase duas semanas, Stiles ficou de olho em Kate. Ele participava mais ativamente das conversas dos professores, tentava puxar papo com eles para saber se eles tinham alguma opinião sobre a mulher e estava sempre sorrindo para ela, mostrando-se amigável para ela conversar com ele.

Não que Stiles tenha descoberto muito. Alguns professores não tinham ideia do que havia acontecido com o Harris, outros falavam que ele teve que fazer uma cirurgia urgente, o fato é que ninguém tinha certeza, nem a própria Kate, que foi perguntada por uma das professoras. A mulher parecia, aparentemente, uma professora normal. Stiles não conseguia ver nada de muito ruim nela.

Bom, ele não conseguia notar nada exceto uma coisa.

Não que ele ficasse olhando e procurando pelo Derek, okay? Ele era um adulto e não precisaria ficar apegado a um garoto novinho, mas Stiles não conseguia não ficar prestando atenção pelos corredores para saber se ele poderia ver o menino. Ultimamente, no entanto, uma coisa curiosa estava ocorrendo. Na maior parte do tempo em que Stiles via o Derek ele estava conversando com Kate. Não estava nem com seus amigos, o pequeno bando que sempre estivera com ele antes. O garoto parecia estar sempre sorrindo envergonhadamente para a mulher ou carregando os livros dela.

Tinha algo errado com um aluno ajudando uma professora? Não. Absolutamente não. Mas era estranho ver o garoto que estava apaixonado por ele há um tempo já correndo pelo rastro de outra pessoa, e o Stiles nem sabia se o Derek gostava da Kate ou não, mas era diferente o ver indo atrás da mulher.

E como essa professora que mal tinha chegado à escola já tinha conseguido ganhar a confiança do Derek? Ele não era gay? Será que o Derek gostava mesmo é de mulher e nem sabia direito? Stiles não tinha as respostas para aquelas perguntas. Ele não fazia ideia mesmo.

O que ele sabia é que o coração dele doía um pouco quando ele via o Derek tão feliz com a Kate, e não podia fazer nada. Não que ele quisesse fazer nada. Mentira, ele queria. Mas não deveria. Bom, o Stiles não sabia mais de nada.

Nos primeiros dias da Kate ali na Beacon Hills High ele ainda não notava essa aproximação dos dois, mas na segunda semana eles já andavam sempre juntos, o Derek carregando as coisas pra ela, sorrindo pra ela — e sim, o Stiles já tinha falado nisso, tinha repetido isso na cabeça dele várias vezes, mas ele não conseguia parar de pensar naquilo.

Ele estava com ciúmes, não tinha outra coisa.

Só que ele também não iria negar que estava preocupado com Derek. Kate era filha de caçadores, afinal. Será que o garoto sabia disso? E a chegada dela em Beacon Hills tinha coincidido com a morte de dois lobisomens, o que poderia ser só uma bobagem, mas poderia significar alguma coisa também. Stiles queria pensar no bem do Derek.

Mas ele também queria ver o garoto sozinho.

Ou melhor, queria ver ele com o Stiles e com mais ninguém.

Ah, meu deus do uivo à lua, eu tô todo apaixonado por ele? Eu não consigo parar de pensar nele e eu tô morrendo de ciúmes. Tanto trabalho pra não machucar o coração dele só pra eu machucar o meu...

Notas finais
Olá pessoal, tudo bem? Então, eu queria saber se existe um motivo pra um monte de vocês ter desistido de comentar? A história tá ruim, vocês não tão gostando do que tá acontecendo? Digam, me deem a opinião de vocês. Se ninguém fala nada eu não sei o que tá acontecendo, oras. E eu espero que vocês estejam gostando. Eu sempre respondi todos os comentários de vocês - e se algum dia eu esqueci de um, por favor passem por aqui pra me xingar, porque eu gosto de conversar com vocês! Era só isso. Não que eu goste de chorar por comentário, ainda que seja isso que eu tô fazendo. Se vocês ainda me dão um motivo pra parar de aparecer por aqui, sem problema. Mas se eu vejo que o mesmo número de leitores continua vindo pra cá, mas só dois comentam, eu fico pensando se alguma coisa de errada aconteceu...