Punishment Of Loki
30 Um encontro não exatamente fatal
Notas iniciais
*gostaria de apresentar a música do capítulo de hoje, pode ser útil no entendimento de uma piada malvada... apesar da música ser bonitinha.
https://www.youtube.com/watch?v=muMcWMKPEWQ
Grace acordou com o alarme do relógio. Não havia dormido bem daquele jeito há semanas. Ela espreguiçou-se inteira, como se estivesse num paraíso, mas passados alguns segundos, quando decidiu abrir os olhos, tomou um susto. Loki estava de pé, em frente a porta do quarto, como se fosse um fantasma. Arrumando o travesseiro para se sentar, Grace encarou-o com os olhos. Ele estava se comportando de maneira estranha ao seu ver:
_ Há quanto tempo está aí?
_ A noite inteira. — a resposta a fez arregalar os olhos. — Você nunca me disse que sente dores.
_ Eu consigo lidar com isso.
_ Perfeitamente... — Loki foi irônico. — A gravidez é dolorosa porque o bebê é provavelmente da minha espécie.
_ Por que você e o Thor insistem tanto que meu filho é um alienígena? Fiz todos os exames, e eu vi, eu sei que ele é normal.
_ Thor? Ah, isso já explica porque não quer falar comigo. Ele a fez se virar contra mim.
_ Ninguém fez nada, Loki! Se eu não quero me relacionar, é porque você merece! — Grace finalizou, antes de finalmente resolver se levantar e arrumar a cama.
Por mais séria que a discussão fosse, Loki gostava de escutá-la esbravejando seu nome. Ela pronunciava seu nome, pelo menos isso. Grace caminhou até o armário e abriu uma gaveta de cada vez, escolhendo cuidadosamente suas roupas. Eram peças bem folgadas, uma bata disfarçaria bem sua barriga. Loki saiu e fechou a porta no momento em que percebeu que ela se trocaria, mas não resistiu olhar por uma beiradinha, curioso quanto ao aspecto físico da professora. Os seios dela estavam maiores, e as curvas bonitas como sempre, só um pouquinho mais acentuadas. Aquilo fez Loki querer tocá-la outra vez, mas ele precisava se controlar. Já havia sido muito atrevido em quebrar a regra de não entrar no quarto. Ele não merecia o carinho de Grace.
Loki passou a manhã na sala de detenção, obrigando os pequenos rebeldes a escolherem um livro para ler enquanto ele estudava o material requerido pela diretora Munch. Os alunos lá presentes, em sua maioria, foram vítimas do feitiço que Loki usou da última vez, e nem se lembravam do acontecido. Foi mais que divertida observar aquela mesma reação nos rostos deles, apavorados com a rigidez do professor. Aproximadamente ás 11:00, aparece outro aluno para se juntar aos desordeiros. Ele era mais novo que quase todos, baixinho, e com sardas na pele. Gregory, do terceiro ano, estava cumprindo detenção. A primeira reação, ao ver Loki, foi ficar petrificado na entrada da sala. Parecia que tinha visto uma assombração, e o mesmo servia para Laufeyson. O menino queria correr para abraçá-lo, mas seria humilhado na frente dos outros. Quando perguntado o motivo de estar ali, ele respondeu prontamente que havia xingado o professor de ciências, e parecia deveras arrependido. Quando a sirene tocou, anunciando horário de almoço, Gregory e Loki esperaram a sala esvaziar para saírem logo depois, e poder conversar.
Assim que o local ficou completamente vazio, o menino surpreendeu o deus apertando-o num abraço:
_ Achei que nunca veria você, professor Laufeyson. — Loki não conseguiu dizer nada, mas afagou a cabeça do pequeno.
Ele acompanhou Gregory até a cantina onde serviam o almoço e juntou-se aos demais alunos da terceira série na longa mesa disponível. As crianças ficaram realmente felizes em vê-lo, e disseram não estar felizes com o jeito que o atual professor de ciências explicava sobre os planetas e as estrelas. Loki quase se engasgou; quem melhor do que ele para saber os mistérios do universo, já que fora ensinado em Asgard e havia aprendido ainda mais em seu exílio, antes de atacar a Terra. A turma adorou a sugestão de aulas extras, e logo que possível faria um pedido à Edna Munch. Durante toda a refeição, apesar de Laufeyson estar se sentindo confortável ao lado das crianças, vasculhou o espaço com os olhos e percebeu que Grace não estava lá. Quando perguntou aos alunos como foi a aula de artes, a enérgica Rosa respondeu que seria na parte da tarde, mas foi cancelada. Professora Buckley tinha um compromisso importante e foi vista deixando a escola às pressas. Loki abandonou a mesa e saiu correndo, até topar com a diretora no caminho.
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Tony estava no meio de uma reunião com representantes de empresas de energia, apresentando seus projetos de sustentabilidade a partir da tecnologia Stark. Desde o evento que destruiu Nova York no ano passado, o Homem de Ferro passou a se dedicar ainda mais no desenvolvimento de matrizes energéticas renováveis e equipamentos modernos para a área de saúde. Não que ele tenha se transformado em uma pessoa humilde, Tony continuava ácido como de costume, mas depois de quase perder a vida desviando uma bomba atômica, passou a concentrar-se mais em quem ele mais se importava no mundo inteiro: Virginia 'Pepper' Potts. Depois do incidente os dois se casaram em segredo e tiraram vários meses de férias, até ela anunciar gravidez, o que os fez voltar á cidade quase que imediatamente. Preocupado e descrente quanto á precisão do acompanhamento médico e exames, Tony criou, em tempo recorde e com o auxílio de 'Jarvis' e Bruce Banner, equipamentos supermodernos de ultrasonografia. Após pantetear os aparelhos, ele passou a vendê-los para todos os hospitais do país. Suas criações foram direcionadas, originalmente, para o cuidado de Pepper, mas no final eram óbvios os benefícios para a área da saúde mundial.
Anthony entrou no carro e sentou-se ao lado de sua esposa, que mandou o motorista seguir para o destino informado anteriormente. Ela estava tentando parecer séria, mas não resistiu e sorriu. O herói bilionário riu de volta e tomou uma de suas mãos:
_ Sabia que por sua causa, as distribuidoras de energia de Dallas de Atlanta não vão negociar comigo a instalação de reatores elétricos?
_ Eu te avisei com uma semana de antecedência. — Pepper foi breve.
_ Mas isso era importante.
_ Nossa filha é mais importante.
_ Bem, eu acho que Dallas e Atlanta podem esperar. — respondeu Tony, adimitindo derrota, antes de esfregar a enorme barriga de Potts.
_ Chegamos na clínica, senhor Stark e senhora Potts. — avisou o motorista.
Tony estendeu a mão para ajudar sua mulher a sair do carro, que expirou aliviada quando conseguiu se equilibrar. Os dois deram as mãos e seguiram para o centro de saúde. Pepper foi atendida rapidamente na recepção, mostrando os pedidos de exame, e confirmando a hora marcada por seu médico. Sentaram-se na sala de espera logo depois que a atendente fez sinal positivo e pediu para aguardarem. Stark simplesmente não aguentava esperar; ele mexia as pernas freneticamente enquanto Potts parecia calma, mas na verdade morria de vergonha por dentro, ao observar o famoso Homem de Ferro reduzido a um cara impaciente e imaturo. Tentando distrair-se de alguma forma, ela notou não muito distante da fileira de assentos onde estava, uma mulher sozinha. Tinha cabelos bem curtos e por mais que parecesse que não, dava para saber que era gestante pela postura de esconder a barriga, como se quisesse que ninguém percebesse. Algo impossível nas análises de Pepper. A mulher sozinha não parecia feliz, o que deixou a esposa do bilionário ao menos intrigada:
_ Olhe, Tony... aquela moça. — ela cochichou.
_ Qual? Aquela que parece o David Bowie nos anos 70? — Tony fungou com o nariz, satisfeito com a piada.
_ Não seja tão maldoso. Eu tenho pena dela... parece estar tão solitária.
_ Tem uma pessoa dentro dela, Pepps, ela nunca estará a sós. — ele deu um pigarro, antes de levar um pequeno puxão de orelha. — Ao menos por alguns meses.
A especialidade de Tony quando estava entediado era justamente fazer piadas da aparência dos outros. A mulher comparada a Bowie em questão era bonita, mas seu visual peculiar era perfeito para brincadeiras. Pepper ainda o repreendia quando passou caminhando pelo hall de espera, e se juntou a moça solitária, um homem alto, branco, de cabelos negros longos e trajes sociais. Assim que se sentou ao lado, ela virou o rosto, como se queresse evitá-lo. Eles pareciam discutir, mas controladamente. Stark quase entrou em desespero quando olhou para frente. De olhos arregalados dentros dos óculos escuros, avisou sussurrando:
_ Pepps, temos que sair daqui agora.
_ O quê? Tony, essa é a última consulta antes de a nossa filha chegar.
_ Tem uma pessoa muito perigosa aqui, pode colocar a vida de todos em risco.
_ É aquele sujeito perto daquela mulher, não é? Quem é ele?
_ Vou precisar da minha armadura. — Tony preparava-se para contatar Jarvis.
_ Não! — Pepper impediu. — Se você fizer isso, aí sim colocará vidas em risco.
_ Aquele é o irmão da-pá-virada do Thor, Loki. E eu tenho quase certeza que está fazendo algo ruim com a cabeça da senhorita ali... Oh, não... ele nos viu.
Se não fosse pela diretora Munch, Loki nunca encontraria a localização de Grace. Ela estava se esforçando ao máximo para manter sua mente fechada e evitar que fosse rastreada, mas agora ele estava ali, perturbando mais uma vez sua vida. O deus da trapaça não se conformava com o fato de ser excluído do acompanhamento do desenvolvimento de seu herdeiro. Ele tinha sim o direito de saber essas coisas, ainda mais por causa de sua enorme curiosidade acerca da raça da criança. Grace faria uma ultrasonografia. Talvez tenha decidido não convidá-lo justamente por medo das afirmações de Thor e Loki. Da última vez que fizera este exame, nada anormal fora encontrado, mas o Dr. Daniels não conseguia explicar as dores. Ela precisava de uma resposta, uma resposta melhor.
_ Eu não sei como me encontrou, mas não quero você perto de mim.
_ Pare de agir assim, Grace! Esse bebê não é só seu. Cinquenta por cento veio da minha parte. — Loki tentou segurar o braço dela de leve, mas levou um tapa na mão.
_ Cinquenta por cento?! Não acredito que usou isso como argumento. — Grace percebeu que ele olhava fixadamente para frente. — O que foi agora? Loki?
_ Eu...eu vou ao toalete...e volto depois. — ele disse depois de uma longa pausa e se levantou.
_ Pepper, vá conversar com a moça ali. Verifique se ela fala coisas coerentes, e apresenta emoções. O desgraçado pode tê-la hipnotizado. Eu dar uma volta, não demoro. — Tony Stark ficou de pé e seguiu Loki até o toalete masculino no final de um dos corredores da clínica.
Potts saiu de sua cadeira poucos instantes depois que seu marido e Loki sumiram de vista, e surpreendeu Grace. As duas entreolharam-se por alguns segundos. Enquanto Pepper estava enorme e ansiosa para conhecer a carinha de sua filha, as expressões emocionais de Grace eram deprimentes, e ela parecia cansada já na metade da gestação. Cansada de estar passando por aquilo. Era de sentir pena.
_ Olá... — Pepper lançou seu melhor sorriso falso, escondendo sua preocupação.
Grace demorou-se observando a barriga da estranha. Ela tinha pavor de imaginar que dali alguns meses estaria exatamente daquele jeito. Os olhos cor turquesa dela não cintilavam:
_ Quem é você?
_ Virginia Potts, mas pode me chamar de Pepper. Não sei se percebeu, mas seu marido e o meu... eles foram "conversar" lá trás.
_ Aquele idiota não é meu marido. — Grace fez cara feia.
_ Fico feliz que esteja em sã consciência... — Pepper respirou aliviada. — Tony acha que sua mente está sendo controlada.
_ Tony Stark?
_ Sim, e por falar nisso... acho que estão demorando.
As futuras mães invadiram o banheiro masculino e depararam-se com Loki levantando Stark pela camisa, ameaçando-o se contasse algo do que viu para Nick Fury. Potts tapou a boca com as mãos para não gritar, e Grace, desapontada e nervosa, ordenou:
_ Ponha Stark no chão agora, seu monstro!
Loki o largou no mesmo momento, impressionado e decepcionado, com seu comportamento. Pepper segurou Tony que cambaleava, ainda sem ar. Mesmo assim, ele respondeu tossindo:
_ Finalmente, um adestrador chegou!
_ O senhor está bem? — Grace perguntou, pegando os óculos escuros que caíram no chão e devolvendo-os.
_ Grace, por que o está ajudando? — Loki, complementando a falta de raciocínio, sentiu ciúmes.
_ Por que você acha?! — ela se virou para o deus.
_ Eu não queria... Achei que ele revelaria você para a S.H.I.E.L.D.!
_ Odeio a S.H.I.E.L.D. e tudo que venha de lá. Isso inclui Nick Fury, que eu não sei como foi capaz de largar você aqui. — Tony dava tapas no terno, para limpá-lo. Pepper o abraçava.
_ Isso é uma longa história. — Loki olhava para o chão.
_ E ainda por cima, engravida essa moça.... Eu não consigo imaginar você, senhorita, deixando ele fazer... Argh!
_ Isso também é uma longa história. — Grace sentiu vergonha.
Salvadora da pátria, Pepper Potts, cansada de ver tanta discussão sem objetivo, sugeriu:
_ Eu acho melhor nós pararmos de brigar, de trocar ofensas... — ela colocou uma das mãos no ombro de Grace. — Que tal nos encontrarmos amanhã... como se fossemos casais civilizados, tomando um café juntos? Adoraríamos ajudá-los, não é Tony?
_ Primeiro eu quero saber tudo, depois decido o que fazer. Fechado? — o Homem de Ferro estendeu a mão.
_ Dispenso outro contato físico... mas a proposta nos parece boa. — Loki sabia que Grace estava de acordo pois não se manifestou.
_ O local é o restaurante árabe que serve o melhor schwarma da cidade. Você sabe onde é, ficou preso no porão até Thor te levar embora.
Notas finais
Obrigada David Bowie por ser a trilha sonora que me deu forças para terminar esse capítulo! TAMO NO TRINTÃO GENTE! xD
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