Punishment
1 Capítulo Único
Notas iniciais
O fim da inquisição. Ou não. Com a queda de Corypheus e a fissura no céu fechada pela inquisidora, uma Dalishiana, o mundo pode respirar a tranquilidade e senti-la antes que algo de pior acontecesse como um Archdemon ser despertado e voltar a trazer o caos. Mas era só um mero detalhe, não?
Livros com historias perdidas poderiam ser refeitos com explorações, como o Poço do Sofrimento e os elfos que o protegeram, mostrando que o Império Tevinter não foi o responsável pela queda e desaparecimento desses. Uma boa história para ser contada pelo próprio Dorian. Ele teria que voltar para contar de seus feitos, encontrar novamente seu pai, mesmo que a presença dele perto de Dorian não fosse mais incomoda, afinal, Allana Lavellan mesmo com inúmeras responsabilidades tinha se importado o suficiente para ajuda-lo, sendo uma amiga inestimável que Dorian valorizava.
Os feitos que tinham conquistado os fizeram merecer a paz que pairava sobre toda Thedas, a Fortaleza do Céu era a base e abrigo de uma organização que trouxe mais do que segurança a Orlais e Ferelden, abrigava histórias descobertas, escondia segredos que a Rouxinol aka Leliana guardava entre muros e cabeças que poderiam se decapitadas, treinava um exercito que protegeria o povo, abrigava os mais valentes que batalharam ao lado da inquisidora elfa.
Dos vários corredores que se tinham na fortaleza, um dos quartos que costumava ser de Dorian Pavus estava mais como uma pequena biblioteca, o tevinteriano não brincara quando falou em reservar mais livros sobre sua terra natal e em ajudar no que fosse para construir no que viesse, mas com isso vinha um pequeno problema que até a Dalishiana achava engraçado que era a forma de ser contada, Dorian beirava a indecisão e sempre que pedia um conselho disfarça de pergunta, a Dalish lhe respondia a mesma frase.
“Faça correto, mas faça do seu jeito”
Isso o frustrava demais. Mas daquela vez não, poderia não ser como Varric, mas tinha classe no que fazia e o faria de forma correta, diferente do que seu povo fez no passado.
O desprezo pelos elfos, anões e qunari não orientou quanto a verdade. Sua melhor amiga era elfa, um escritor anão e ladrão habitava a fortaleza e tinha um mercenário qunari, claro que esse tinha seu pagamento e intrigava Dorian por seu porte bruto.
Mesmo tendo que ter viajado, durante seu tempo fora, conseguiu ficar mais intrigado com o qunari, descobrindo um pouco mais quando voltou, com as conversas discretas com Allana e ignorando o notório sorriso que ela mostrava.
“Você está interessado no Touro, Dorian?”
Aquela pergunta soava tão ridícula que Dorian negou com uma risada forçada, mas achando da mesma maneira engraçado com a forma absurda que aquilo parecia ser dito. Uma pergunta apenas e essa já atraia desconfiança, falava a inquisidora que sempre recebia visitas noturnas do comandante Cullen em seus aposentos.
Mas por que Touro de Ferro se tornou seu principal interesse? Talvez pelo fato de ter se aprofundo em livros e nas conversas em que Allana comentava de cada um que a acompanhava em viagens por toda Thedas, contava com carinho e ternura a evolução de Cole e se orgulhava bastante, como não conseguia concordar muito com Viviene e sobre o amor que ela nutria por Cullen, ser aceita por ele mesmo sendo elfa, uma Dalish.
Dorian não negava essas conversas, com os outros costumava provocar com zombarias, status que pairavam sobre quem eram.
“Uma vez perguntei a Touro como seria se os qunari controlassem Thedas”
Mais uma vez o assunto se tornava interessante. Não estavam na taberna ou na pequena biblioteca da fortaleza, afinal, ninguém se atreveria a entrar e mesmo que a Dalish não se importasse com tal detalhe, muitos ainda tinham respeito por ela.
“Muitos seriam mortos, alguns magos e o Chantria expurgado. E quando falou em magos, mencionou seu nome... Que além de ser um mago, sua arrogância seria sua ruina”
Uma novidade, pensou com ironia. Só por saber mais do que os outros, ter tido tudo a sua disposição e ser um dos homens mais bonitos da fortaleza não o tornava tão arrogante para tal ser sua ruina, Dorian era cauteloso demais para que algo o atingisse, mas saber daquilo o atingiu de forma leviana.
“Isso não é o que ele acha ou gostaria que acontecesse, apenas o que o povo dele faria.”
“Mas mesmo assim me chamou de arrogante”
“E você está decepcionado ao ouvir isso?”
“Não. Não vejo problema nenhum em ser como sou e palavras de outros não vão mudar em nada”
Poderia mudar sim em algo. Mas Dorian não se atreveria a ferir seu ego para admitir. Touro era viril e bruto, um mercenário qunari que estava totalmente contra os padrões de Dorian, mas suas preferencias pelo mesmo sexo falavam mais alto, podendo se pegar algumas vezes observar as marcas que a armadura do outro não cobria, talvez essas ligadas a sua antiga patente no exercito qun.
Mais um dos jogos de Varric, Josephine ganhando as apostas de todos historias sendo ouvidas, com a chatice de Sera, apenas Touro a aguentava e Dorian se perguntava até onde a paciência dele iria. Jogo finalizado, sorte de Cullen não ter participado, pois quem perdera para Josephine naquela vez foi Sera. Dorian preferia achar que as cantadas e piscadelas que a elfa lançava para a diplomata eram coisas da sua cabeça.
“Esteve ótimo nas apostas de hoje, kadan”
Um arrepio e virou-se para encarar o qunari, o sorriso de canto pouco malicioso.
“Posso até sido bom, mas o vi trapacear vez ou outra”
Claro que o mago deixaria aquilo escapar, um mecanismo de defesa e ali estava ele, frente a frente ao qunari da qual o chamou de arrogante, mesmo ambos estando lutando lado a lado da inquisidora, Touro mostrava ser desconhecido.
“Uma jogada de mestre, ninguém notaria”
“Ninguém, mas eu notei e digo, teria sido punido no jogo”
O encarava, deixando clara suas intenções. Touro não seria mais um desconhecido se notasse as entrelinhas. E esse notou, rindo e se aproximando de Dorian.
“Punido, kadan?”
A porta do quarto de Dorian foi aberta assim como um sorriso em seu rosto, Touro deixaria de ser um estranho para si.
Sim, Dorian o puniria por ter lhe chamado de arrogante, mas não significaria que o outro não fizesse o mesmo.
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