Punhos Queimados
1 Epílogo, Parte 1
Notas iniciais
??” Uma introdução
??” Personagens novos
??” Fogo (Sentido literal)
EPÍLOGO
Era uma noite estrelada, tochas iluminavam a pequena construção abandonada no meio do coração das florestas mediterrânicas, esta em específico se encontrava dentre as traiçoeiras colinas escarpadas do sul do reino de Akalam. Embora a ventania fizesse qualquer aventureiro que desejasse vagar por aqueles terrenos desistisse naquela noite duas pessoas se encontravam na cabana. E mesmo que a fria brisa tentasse se esgueirar para dentro da cabana, em uma tentativa de congelar seus ocupantes, as tochas brilhavam intensamente, mantendo uma luminosidade e um calor que poderia ser considerada implausível para aqueles que a observassem. Um viajante que passasse por ali perguntaria: “Como uma tocha estava próspera naquela noite hostil?” A resposta se encontrava nos ocupantes;
Consegue senti-lo Al’[1]? — Disse o mais novo da dupla. Entregando uma tigela de sopa para o outro viajante que estava presente, um senhor de idade. Dê-me tempo jovem — Respondeu. O rapaz teve que pegar o braço do idoso e direcionar ao pote. O senhor era cego, e necessitava de constante assistência. Mas neste momento o jovem implorava no silêncio da cabana que seu senhor lhe dissesse algo que desse uma pista. O único som que se ouvia era da forte brisa que uivava ao bater nas janelas e o das tochas que crepitavam no interior da cabana. O senhor segurou com força a tigela e fitou o velho fogão a lenha que fora acesso por seu pupilo; Sente-se Nasarei. — O tom era autoritário, embora tivesse uma pitada de cansaço — Perdemos muitos membros no decorrer de décadas, dedicaram sua inteligência, força, compaixão, e mais importante, suas vidas. A maioria deles em idade jovem, como a sua- Ele deu um gole da sopa, ainda fitando intensamente a chama, que agora estava mais ardente, — E mesmo assim alcancei a velhice, sabe.. muitos me chamaram de covarde por isso. Por não ter morrido em luta ou semelhante,sabe onde estes acusadores estão agora Nasarei?Nasarei, sentado em uma cadeira empoeirada fitou Ahadal, sabia que a situação em que se encontravam era crítica, e não conseguia entender onde esta conversa o levaria. O foco da situação, o motivo que tinham se exilado temporariamente naquela cabana: uma dica qualquer do paradeiro do membro, mal sabiam se ele estava vivo ou morto. Ele esfregou levemente as mão ossudas em seus olhos, pesados de sono, e disse em um tom indeciso;
Al’-Ahadal, estariam eles mortos? Sim, Todos morreram, o que chamavam de coragem era uma roupagem para tolice. Decapitados, Enforcados, Envenenados, eliminados de uma miríade de formas. Mas nunca queimados,- O velho deu um sorriso que logo sumiu — O que somos hoje é apenas um fagulha dos gloriosos tempos, mas, enfim, baboseiras de um velhote. — Deu outro Gole na sopa, agora profundo, limpou a boca com a manga da túnica, sem desviar os olhos leitosos das chamas, cujas labaredas erguiam-se como se tivessem vida própria. — Deixe-me concentrar agora, agradeço por sua ajuda. Descanse um pouco rapaz, a viagem até aqui foi cansativa para você.Nasarei não ousaria questionar a ordem de seu senhor, não por simple submissão, mas porque nutria grande respeito por Ahadal, tudo o que sabia e aprendera vira dele, e quando a cegueira finalmente o tomou o mínimo que poderia fazer era se oferecer para cuidar dele. Claro que era uma função difícil, mas gratificante, ficar ao lado de Ahdal, ouvindo lapsos de lembranças de épocas passadas, aprendendo diretamente com um dos maiores membro da ordem, não era algo que viria a um custo barato. Após terminar de refletir ele sentou na única cama da cabana, era de palha e a maior parte do estofado tinha se ido, e fitou se mestre. Se preocupava com ele, estava em idade senil e mais fragilizado a cada dia que se passava, a fuga que o levaram a cabana forçou ambos a gastar o que ainda tinham de energia. Esta cabana, esta chama, era realmente o que sobrou de esperança para ambos. Mas teria que dormir e deixar Ahadal por conta própria, aprendera a confiar nos desígnios dele. Deitou na cama e retirou um pedaço de pergaminho que trouxera com ele; um poema, “As estações”, escrito na língua franca da ordem, Val’hayam[2]. O trecho que trouxera soava irônico no momento, tratava do início do verão e de como ele criou toda a vida na terra, neste instante ele fitou Ahadal, que estava de costas para ele, encarando as chamas, mesmo que todo o carvão existente tivesse sido consumido o que mantinha a chama acesa era o poder de Ahadal. Talvez fosse isso que o manteve vivo, refletiu Nasarei enquanto lia o poema no pequeno pedaço de papel nas suas mãos, não covardice ou se esconder atrás de pilhas de livros (como já ouvira de outros membros meses atrás), era sua dedicação, nunca desistira, não importando as adversidades.
Após terminar de ler o trecho e guardá-lo de volta em sua túnica ele fitou sua tatuagem no antebraço direito, no formato de uma salamandra, que estava engolfada por chamas. Tocou levemente ela com a mão esquerda, quente, fervendo com o calor da vida. Ebulindo com a força de vontade que os manteve vivos da emboscada que Ahadal prevera, até chegarem a cabana desocupada. Deu um leve sorriso e disse a Ahadal antes de dormir
Acesa permanecerá a chama.[3] Acesa permanecerá a chama — Respondeu Ahadal.
Fale com o autor