Puncture
15 I've been freezing
Notas iniciais
No dia seguinte, Chris foi embora não muito depois do café da manhã. Falhamos em convencê-lo pra ficar pro almoço. Então eu e Louise voltamos a ficar sozinhas.
Era Natal e eu sentia falta da comida da minha mãe. De Londres toda, em geral. E por certas razões também sentia falta de Los Angeles...
Ainda não sabia o que ia fazer sobre isso e estava reunindo coragem para falar com Lou e pedir ajuda pra ela. Sempre tinha sido assim. Uma ajudava a outra.
E depois do Natal veio o Ano Novo, o qual Chris só não passou conosco porque foi visitar a família. Eu e Lou tivemos que nos contentar com ligações, já que ninguém conseguiu vir até NY e nós também não tínhamos como ir até Londres.
Porém tudo tem seu lado bom. É claro que quase morremos, mas fomos até a Times Square. Aquilo foi uma das coisas mais lindas que já vi! É simplesmente deslumbrante.
Com a chegada do ano novo, meu aniversário também chega perto. Era segunda feira dia 4, o que significava que faltavam 9 dias para ele. Estava animada com a ideia de passar o aniversário em Nova York. Não sabia exatamente o porquê, mas estava.
Depois de um bom tempo sem olhar notícias, porque tive uma bela folga na última semana, agora eu e Louise estávamos indo para a redação. Tirei tanta foto de fogos de artifício que estava morrendo pra tirar foto de qualquer outra coisa.
“Bom dia”, Chris nos cumprimentou quando entramos na redação e dissemos o mesmo. “Elizabeth, creio que não tenha estado muito ligada em notícias esse final de semana, não? Bom, eu tenho uma pra você que não sei se vai gostar.”
Franzi o cenho, mas o segui até seu computador. Fez sinal para eu ler.
Ai meu Deus.
“Josh Klinghoffer confirma que é o novo guitarrista dos Chili Peppers”
Como assim o Josh era o novo guitarrista do Red Hot Chili Peppers? Tá, eu sabia que o John tinha saído e que o Josh tinha substituído ele num show. Mas isso era completamente diferente! Ele estaria na mídia toda hora com isso. Eu realmente não sabia o que pensar ou o que sentir com isso. O que eu sentia era que precisava da minha câmera pra tirar isso da minha cabeça por enquanto e pensar nisso mais tarde, quando tivesse tempo.
E foi isso mesmo que eu fiz pelo resto do dia. Cheguei em casa tentei pensar. Não consegui. No dia seguinte foi exatamente a mesma coisa. E no outro e no outro.
Na sexta feira também foi assim, a única diferença é que eu arranjei coragem o suficiente para falar sobre Josh com Louise. Ela, que desde o primeiro sábado que estava aqui, com a história do telefonema, realmente queria que eu ajeitasse essas coisas (não que eu não quisesse também. Me odiava cada dia mais por estar “deixando ir”). Em palavras dela, “de preferência de um jeito que vocês fiquem juntos de novo e se casem e tenham filhos e morram juntos também.”
Eu teria rido mais ainda se tivesse uma solução concreta pra isso.
De qualquer jeito, quando vi já era quarta feira, meu aniversário, e estava no Central Park com Louise. Ela entrevistava pessoas sobre o que achavam do parque e eu, obviamente, fotografava. Como boa não nativa de Nova York, tive que tirar foto do “Imagine” que tinha lá. Sei que basicamente todos os fotógrafos no mundo já tiraram foto daquilo, mas eu precisava ter uma foto dessas tirada pela minha pessoa.
Estava apenas olhando a vista enquanto Lou terminava de entrevistar alguém quando o vi. Sim. Ele. Ele.
“Louise”, disse num sussurro urgente depois de me virar de costas para onde o vi, “Louise!”
“Que foi, mulher?”
“Louise, ele... Ele está aqui.”
“Quem?- Ah, não. Ele?! O que ele poderia estar fazendo aqui?!”
“Não sei, visitando parentes?”
“Ele tem parente aqui?!”
“Sim...”
“Por que você nunca me falou isso?! Mas ok... Quero testar uma coisa...”
“O que?”
“Não interessa, apenas faça o que eu mandar”, estreitei os olhos, mas concordei. Pelo menos ela sabia o que fazer, porque eu não tinha nem uma vaga ideia. “Vire pra lá de novo. Vou apontar para algum lugar aleatório e você pega sua câmera e começa a bater fotos daquele ponto, ou só finja. Certo?”, concordei com a cabeça e fizemos o que ela disse. Estava tão nervosa e tremendo que mal conseguia segurar a câmera direito.
Quando tirei a câmera dos olhos para ver o que estava acontecendo, Louise tinha me deixado e estava entrevistando mais alguém. Olhei para outra direção e...
Ele estava caminhando até mim. Até mim. Ele.
Nesse momento, devo ter me tornado uma lenda, porque parece que sobrevivi os próximos minutos sem o coração estar batendo.
“Elizabeth”, ele disse quando finalmente me alcançou onde estava. A mesma voz, o mesmo cabelo sem noção, as mesmas roupas enormes. O mesmo Josh.
“Olá”, foi tudo que meu cérebro conseguiu pensar pra dizer.
“Então... Como vão as coisas?”
“É, estão, uh, legais... E você? Soube que agora é guitarrista nos Chili Peppers”, tentei sorrir, mas não obtive muito sucesso.
“Sim, sim, agora eu sou”, ele estava bem animado com isso. Sorriu também. O mesmo sorriso...
Mas isso não estava certo. Respirei fundo.
“Certo, acho melhor pararmos de fingir que está tudo bem quando nós dois sabemos que não está”, pela primeira vez depois de tanto tempo olhei em seus olhos outra vez. Também eram os mesmos olhos, mas não tinham o brilho de antes.
“Sim”, ele disse. “Elizabeth...”, pensou por um instante, “Elizabeth, você pode me encontrar aqui amanhã às quatro horas?”
“Uh... Vou tentar...”
“Ok...”, soltou o ar pesadamente, “Você ainda tem meu número?”, acenei com a cabeça concordando, “Ok. Qualquer coisa me ligue. Por favor”, olhou para trás, provavelmente olhando para quem quer que seja que ele estava com. “Eu tenho que ir agora... Te vejo amanhã, certo?”
“Certo... Até, Josh.”
“Até”, ele já tinha começado a caminhar, e virou-se, deixando um sorriso de leve solto no ar.
Agarrei-me nesse sorriso até o dia seguinte, esperando que conseguisse um pouco mais, talvez.
Talvez...
Bom, feliz aniversário para mim.
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