Punchline

3 Passado. Bogyfobia / Coulrofobia


Bogyfobia: aversão e/ou medo mórbido, irracional, desproporcional e persistente de duendes ou espantalhos.

O som da respiração entrecortada da jovem ecoou por todo o galpão mal iluminado, juntamente com o choro baixo repleto de agonia e, acima de tudo, e mais importante, medo. A garota de cabelos dourados mirou os aterrorizados olhos esverdeados na estranha figura a sua frente, sentindo quase que imediatamente um novo arrepio cruel e doloroso percorrer sua espinha de modo lento mais uma vez, fazendo assim todo seu corpo tremer em pavor e um soluço irromper por entre seus lábios machucados.

O algoz sorriu em satisfação por detrás da máscara assombrosa de espantalho que usava, aproximando-se lentamente da jovem amarrada a cadeira ao centro do local. Ela temia, e o deleite do antigo psiquiatra quanto a isso era indescritível. Ele saboreava cada gota de medo com prazer, como se aquele fosse seu único alimento. Sua ambição. E era.

Já fazia algum tempo que Jonathan Crane estava aprimorando sua toxina do medo, e aquela garota, Kelly Winwood, se não lhe falhava a memória, era a escolhida para testar a versão melhorada do veneno que criara com tanto afinco. E, para ele, ela deveria se sentir lisonjeada por isso. O medo lhe era belo, puro, o sentimento mais forte e verdadeiro que alguém poderia ter, uma vida sem medo não lhe fazia sentido.

Em seu âmago, Espantalho sentia como se lhe fizesse um favor.

— Diga-me — Ele se abaixou até ficar na altura de seus olhos, e a expressão de pavor no rosto da garota aumentou ainda mais — Qual é o seu maior medo?

Se ela pudesse gritar, ela gritaria. Porém o terror a consumia de tal maneira que a voz simplesmente não saía, deixando somente os lábios abertos em um grito mudo enquanto lágrimas grossas corriam por seu rosto incessantemente. Aquilo satisfez Jonathan Crane, que permitiu-se rir em visível excitação. Apenas uma pequena dose de sua toxina havia feito Kelly atingir um alto nível de pânico, e ele não poderia ficar mais animado para introduzir mais do líquido amarelado nas veias de sua cobaia.

Porém, mais do que o prazer em observar todas as nuances que o terror podia trazer, o Espantalho estava interessado em outra coisa, algo que tanto ele quanto o Morcego já tinham conhecimento. Medo é poder. E poder gera controle. E, para a sorte do antigo psiquiatra, ele tinha um estoque ilimitado de medo bem ao alcance de suas mãos.

Com calma, contrastando diretamente com o estado mental de Kelly Winwood, Doutor Crane tirou uma seringa do bolso da fantasia em trapos e lhe encheu com uma dose generosa da toxina do medo. Ele não era um grande fã de agulhas, mas o modo que aquilo deixava suas vítimas assustadas era mais do que o suficiente para que ele continuasse a usá-las. Entretanto, não deixou de pensar que preferia a versão aerossol do veneno.

— Gostaria de saber os truques que sua mente está lhe pregando agora, Senhorita Winwood — Comentou, aproximando a seringa do pescoço da jovem paralisada pelo terror — É uma pena que eu não possa ver o que você vê. Ajudaria nas pesquisas.

Contudo, antes que a agulha perfurasse a pele alva da garota, a porta do galpão foi escancara de modo ignorante, e por um instante a respiração de Jonathan Crane travou. Não por medo, mas sim por fúria. A ideia de ter alguém atrapalhando seu trabalho o irritava, especialmente se esse alguém for um certo roedor de asas. Porém, para seu alívio e surpresa, uma de suas subordinadas, Trinity Alguma-Coisa, foi jogada brutamente no chão úmido do local por um de seus capangas. Este, por sua vez, com uma raiva palpável.

— Desculpa a intromissão, Doutor Crane — O homem falou rapidamente, tentando evitar a ira de seu superior — Mas nós não aguentamos mais essa maluca!

O Espantalho respirou fundo e se afastou de sua cobaia, que ainda se mantinha estática devido ao medo. Apesar de ser um dos vilões de praxe do Homem Morcego, Jonathan Crane odiava perder o controle. Ele foi um psiquiatra prestigiado e era dono de um Q.I. inestimável, ele tinha classe e não a perderia por conta de algo tão... antiprofissional.

— O que aconteceu dessa vez? — Indagou, permitindo-se suspirar, contrariado.

— Quase fomos pegos pelo Batman por causa dela! — Em seu tom Jonathan foi capaz perceber pequenos resquícios de medo, e não pôde deixar de achar aquilo um tanto patético, apesar de fascinante — Ela quase estragou tudo! E tudo por causa daquele maldito palhaço! — O capanga levantou a voz, visivelmente frustrado.

Nesse mesmo momento o local foi infestado pela gargalhada histérica que partiu da garota jogada no chão, ecoando por todos os quatro cantos do galpão que caía aos pedaços. Contudo, o riso durou apenas alguns poucos segundos, e no instante seguinte a garota se levantou em um pulo ágil e voou para cima do homem que a insultara, impulsionando seu corpo de modo que fez com que ambos caíssem no chão. Os dedos finos da figura albina apertaram o pescoço do capanga, e ela assistiu maravilhada a vida lhe deixar gradativamente, enquanto o mesmo se debatia já sem forças.

— Você não tem direito de falar do Senhor C — Ela sussurrou em seu ouvido, completamente séria, porém dotada de uma fúria insana, deliciando-se com os grunhidos sufocados que vinham do homem abaixo de si. Aquilo a divertia visivelmente.

— Já chega, Trinity — O Espantalho tocou de leve seu ombro, fazendo com que a garota se desgarrasse do pescoço do capanga já inconsciente... ou morto.

Já faziam algumas semanas que a estranha figura trabalhava para Jonathan Crane, que se perguntava de hora em hora como ele ainda conseguia ter paciência para mantê-la como sua subordinada, ou, o que mais lhe intrigava, como ela ainda não havia sido morta. Especificamente, como ela ainda não havia sido morta pelo Coringa. Trinity era mais uma das mentes quebradas pelo excêntrico Príncipe Palhaço do Crime, e, para sua comodidade, também o tipo de mente sucessível aos seus próprios experimentos.

Porém, na realidade não era exatamente por essa razão que ele relevava todos os erros patéticos e irritantes que a garota insana cometia, o real motivo era extremamente desconfortável para Jonathan, e ele evitava até pensar sobre isso. Trinity simplesmente não sentia medo. Ela dançava com o temor e o usava para seu deleite, sem qualquer tipo de reação negativa inicialmente esperada pelo psiquiatra. E isso fazia a mente já insana do Espantalho se quebrar em uma mistura de irritação e intriga que ele não tinha a capacidade e nem vontade de ignorar. Aquele era um desafio. Um desafio que ele iria vencer.

Nem que para isso fosse necessário causar a morte da garota.

— Ele pediu por isso — Ela sorriu em uma mistura de insanidade e inocência.

Doutor Crane respirou fundo novamente, controlando-se.

— O que aconteceu lá fora, Trinity? — Perguntou, sério.

A garota sorriu para ele, levantando-se em um pulo animado. Os orbes azuis possuíam uma maldade nociva, como já era costumeiro de seu semblante, e miraram diretamente na parte visível dos olhos do Espantalho, que sustentou seu olhar. Desafiaram-se.

— Apenas acho que o Senhor C é mais importante do que fazer algumas pessoas dispensáveis ficarem com medo — Ela deu uns passos para mais perto dele, sorrindo ao imaginar a expressão desgostosa do chefe por detrás da máscara — Isso nem tem graça!

Jonathan quebrou o que restava da distância entre os dois, ficando a centímetros do rosto da garota, de modo que ela conseguisse ouvir a respiração do homem sendo abafada pela máscara que usava. A maneira que Trinity insultava suas pesquisas – ou, se pensar de modo mais lascivo, seu prazer – lhe irritava de um jeito que ele não conseguia colocar em palavras. Ela lhe era tão patética! Tão dispensável, tão estúpida, tão... controlou-se novamente para não bater na figura albina a sua frente.

— Eu não tolero falhas — Limitou-se a falar.

A garota riu baixinho, e o psiquiatra pôde perceber pontadas de felicidade em seu olhar.

— Ah! — Ela exclamou — Mas eu estava contando com isso, docinh-.

Subitamente, a frase foi interrompida pela metade, assim como sua respiração, quando a agulha penetrou a pele de seu pescoço calmamente, atingindo sua veia com uma precisão que apenas a prática poderia proporcionar. Em instantes a garota sentiu as forças que lhe restavam abandonarem seu corpo, fazendo com que suas pernas lhe traíssem e fraquejassem, e no segundo seguinte ela estava de joelhos no chão úmido e sujo do galpão, não conseguindo mais suportar o peso de seu próprio corpo.

Antes que pudesse forçar sua visão a se focar, uma sensação insuportável de queimação tomou conta de si conforme a toxina violava sua corrente sanguínea. Ela quase podia ver as labaredas lamberem sua pele, e, por um segundo, realmente acreditou que as chamas a envolviam de verdade. Um segundo que fez com que jogasse seu corpo para trás, de modo que deitasse completamente no cimento, e começasse a se contorcer, batendo em seus próprios membros com o intuito de extinguir o fogo, dominada pelo desespero. Mas apenas por um segundo, pois no instante seguinte tudo sumiu e ela estava sozinha novamente, sem nem mesmo a dor das chamas para lhe esquentarem.

Não é real.

Não é real.

Ela já sabia como aquilo funcionava. E por esse mesmo motivo que ela percebeu em poucos segundos que aquela toxina não era a mesma que ela estava acostumada a ingerir, e ela não pôde evitar o calafrio que percorreu sua espinha lentamente por conta disso, causando pequenas ondas elétricas que se convertiam em agonia ao percorrer seu corpo.

Fechou os olhos com força, tentando normalizar sua respiração e encontrar forças para se levantar. Não tinha acabado e ela sabia daquilo, assim como sabia exatamente o que estava por vir, apesar de certa incerteza causada pelo veneno nunca antes tão forte. Mas ela não ligava, e nunca pensaria em reclamar. Ela gostava daquilo, daqueles pequenos momentos, daqueles segundos preciosos que ela podia passar com ele: o dono de sua obsessão, seu martírio. Mesmo que doesse, mesmo que fosse uma mera obra de sua mente, causada pela toxina do medo do Espantalho. Ela não se importava.

Abriu os olhos lentamente, e, mesmo estando devidamente acostumada com aquilo, seu coração bateu mais rápido como se fosse a primeira vez. Ela estava novamente no Hospital, caída no chão sem forças para se levantar, e a única coisa que era capaz de fazer era observar o gás esverdeado contaminar o ar que respirava na mesma velocidade que os grunhidos dos morcegos ficavam cada vez mais altos em seus ouvidos... e isso, para seu infortúnio (ou para sua sorte), era rápido demais. E ela sabia o que vinha em seguida.

O barulho dos sapatos caros batendo contra o chão ecoou por todo o corredor onde estava, ficando cada vez mais alto conforme ele chegava mais perto, e logo ela pôde sentir a presença de alguém atrás dela, automaticamente fazendo com que seus olhos se enchessem de lágrimas e um nó se formasse em sua garganta. A garota albina se virou o mais rápido que conseguiu, ignorando os protestos de seus músculos contra a força bruta causada. Mas nada daquilo importava. Ele estava ali, na sua frente. Alcançável, inalcançável.

Não é real.

Cala a boca!

O Coringa sustentava o sorriso costumeiramente maldoso nos lábios rasgados pintados com o usual vermelho vivo, que aumentava um pouco a linhas laterais de sua boca, dando-lhe um aspecto assustadoramente agonizante. Seus olhos verdes brilhavam em perversão e divertimento, enquanto brincava com a pistola em sua mão, girando-a. Sua aparência estava suja e decrépita, suas roupas velhas e rasgadas, diferentes insetos percorriam toda a sua pele exposta, e a elegância e beleza incomum que outrora ele possuía pareciam ter-lhe abandonado, deixando apenas o rastro de insanidade que nunca sairia de seu semblante.

E para ela, ele estava lindo.

Rapidamente, ela tentou se levantar em uma súbita carga de adrenalina, sem se importar com as dores que sentia por todo seu corpo já exausto. Porém, foi imediatamente jogada contra o chão assim que conseguiu se pôr de joelhos, e dessa vez ela tinha a sola do sapato do Príncipe Palhaço contra seu peito, dificultando consideravelmente sua respiração. Mas ela não se importava. As lágrimas que agora percorriam seu rosto em um choro silencioso eram de emoção, e não de tristeza. Ele estava ali. Ele a notara. Ele estava ali.

— Senhor C... — Ela murmurou com o resto de ar que lhe sobrara, sorrindo em uma mistura de medo, felicidade e excitação, mesmo que a dor física e psicológica a dominassem naquele instante. Não importava. Nada importava. Ele importava. Só ele.

O sorriso do Coringa aumentou ainda mais, assim como a pressão no peito de Trinity, impedindo qualquer passagem de ar. Ele permanecia calado, apenas observando-a de modo inexpressivo, por mais que, se você prestasse mais atenção, pudesse ver pontadas de raiva se misturarem com o semblante insano. E ela percebeu isso.

Em poucos segundos, os pulmões da garota começaram a reclamar pela dor excessiva por conta da pressão e da falta de ar, e não demorou muito para que a garota começasse a ver pontos cintilantes manchando sua visão e alertando que poderia desmaiar a qualquer momento. O mundo começou a ficar mais distante, enquanto o grunhido dos morcegos ficava mais alto e a risada histérica do Palhaço preenchia sua mente, ecoando por todos os cantos, vinda de todos os lugares, de todas as direções.

E então o aperto em seu peito sumiu, e o ar chegou aos seus pulmões subitamente, machucando-os em todos os processos que a respiração possuía, fazendo então o ato de respirar ser excessivamente doloroso. Mas não tão doloroso quanto o brilho de escárnio nos olhos do Príncipe Palhaço, que a olhava de cima, superior como a realeza do crime deveria ser. E Trinity, sua eterna plebe, aceitou a inferioridade e a vestiu com honra.

Nem em suas ilusões você significa algo. Você nunca vai ser mais do que uma submissa.

CALA A BOCA!

— Aprenda a hora de falar, cupcake — O Coringa falou pela primeira vez, a voz carregada pelo sotaque que inspirava medo no coração de Gotham.

A garota albina engoliu em seco, tentando voltar a respirar normalmente. O que lhe era realmente difícil, levando em conta o misto de sentimentos que percorriam seu corpo, ou o coração que batia tão forte e tão acelerado, que ela ficou com medo do Palhaço ouvir.

— Me desculpe — Trinity abaixou a cabeça, evitando o contato visual.

A risada do Coringa ecoou por todo o corredor mais uma vez, e ela, para sua surpresa, o sentiu acariciar seu rosto de modo inesperadamente delicado, tocando de leve seu queixo e o forçando para cima, de modo que ela voltasse a olhar para ele. Automaticamente seus olhos se encheram de lágrimas, e ela não pôde evitar que algumas escapassem.

— Ah, cupcake! — Ele exclamou, oferecendo-lhe a mão, a qual ela aceitou de modo tímido e um pouco descrente — Quando você vai entender?

Ele a ajudou a se levantar, puxando-a para perto de si assim que ela ficou de pé. O coração de Trinity parou naquele segundo, tão hipnotizada por ele que não percebeu a arma ser engatilhada e o aço frio ser posicionado com firmeza em sua barriga. Mas ele estava tão perto que ela podia perceber cada pequeno detalhe na imensidão insana de seus olhos verdes, e nada mais importava senão ele.

A não ser aquilo.

— Quando você vai entender que você é irritante?

Os olhos de Trinity se arregalaram e um grito desesperado escapou por entre seus lábios. Não pela dor ou pela surpresa do tiro que recebeu, mas sim por conta do batarang que perfurou com brutalidade o rosto do Príncipe Palhaço, que caiu sem vida no chão no segundo seguinte. A garota perdeu as forças de suas pernas no mesmo instante, caindo de joelhos ao lado do corpo ainda quente do seu único e conturbado amor.

Ela ergueu a cabeça por um momento, fitando desacreditada os olhos do vigilante camuflado nas sombras, sem forças ao menos para chorar. Mas não importava. O Batman não importava, o tiro que recebera não importava. Ele estava morto. Gritou novamente, dominada pela tristeza, pelo ódio, pela insanidade, pelo medo. Em poucos segundos, o barulho de morcegos se tornou insuportável, assim como as risadas que ouvia, as vozes em sua cabeça ou a dor que sentia. Em poucos segundos, ela estava em pânico.

O Espantalho sorriu em satisfação, observando com um nível lascivo de prazer a garota gritar para o nada, chorando e tremendo por conta de algo que nunca aconteceu. Ele estava certo novamente, ninguém estava livre do medo. Ele havia ganhado.

Mas ele ainda tinha trabalho para fazer.

Jonathan virou-se em direção à Kelly Winwood, que estava tão horrorizada quanto Trinity, o que apenas aumentou a excitação que o algoz sentia. Lentamente, ele caminhou até ela, saboreando cada grito como se fosse uma bela sinfonia, atento a cada lágrima como se fosse uma pintura. Aproximou-se do rosto da garota de cabelos dourados de modo igualmente vagaroso, deliciando-se com o terror em sua forma mais pura.

— Sua vez.

Coulrofobia: aversão e/ou medo mórbido, irracional, desproporcional e persistente de palhaços.

Notas finais
CAPÍTULO POSTADO! Por favor, comemorem comigo! Porque vocês não têm noção do perrengue que eu passei pra escrever isso, sério. Eu tenho um bloqueio imenso quando se trata do Joker, e escrever cenas com ele é uma tortura pra mim. Joker é um personagem muitíssimo importante pra mim por diversos motivos pessoais que não valem a pena serem citados aqui, e eu nunca acho que o que eu escrevo é digno do Príncipe Palhaço do Crime. Vocês não tem ideia de quantas vezes eu reescrevi algumas partes desse capítulo, e mesmo assim ainda não acho que a parte do Joker ficou boa o suficiente. MAS EU TERMINEI! Quase chorei de emoção quando concluí o capítulo. apsojafjisadkpas E muito, muito obrigada a todas as pessoas que estão acompanhando a fiction, mesmo que não comentem. Ver aqueles números crescendo nas estatísticas me fez continuar a escrever, e isso nunca seria possível sem vocês. E, principalmente, muito obrigada a todo mundo que comentou! Vocês são incríveis e eu quero abraçar vocês até vocês explodirem! Desculpem qualquer erro, tudo bem? Com amor, Hell. PS: O que podemos perceber sobre a Trinity nesse capítulo, gafanhotos?