12h44min

“maria, socorro”

“eu não tô achando que vou terminar o plantão sem fazer merda”

Assim que entrou de volta na enfermaria Gabriela puxou o celular do bolso e começou a digitar freneticamente para a amiga enquanto fazia o caminho até a sala 5 para falar com Pamela Davis, a paciente afogada.

— Davis? Estou de volta. – Ela fala baixo ao entrar na sala e se aproximar da maca.

A paciente que estava em um sono leve abre os olhos lentamente.

— Peço desculpas pela demora. Tony respondeu. Ele está vindo. – Ela entrega o celular para Pamela, que o devolve logo em seguida.

— Vou poder ir embora com ele?

Gabriela checa o painel de sinais vitais da paciente.

— Você está estável, mas precisamos te observar por mais algumas horas, só para ter certeza, tudo bem? Se quiser, Tony pode ficar aqui com você. – Ela sorri, encorajando a mulher que balança a cabeça positivamente.

O celular vibra no bolso dela e ela o pega. Há uma nova mensagem de Maria:

“fofoca pela metade quase mata fofoqueira”

Gabriela reprime um riso.

— Posso ver a Tinky? – Pamela pede.

— Desculpe, quem? – Ela guarda o celular e se volta para a paciente.

— Tinkerbell. Minha cachorra.

— Que gracinha! Vou ver se consigo trazê-la. Posso fazer mais alguma coisa por você?

Davis nega e Gabriela se retira da sala para ir em busca de Tinkerbell, mas não sem antes parar em um canto para escrever para Maria.

“um áudio seria mais fácil, mas não posso correr o risco de me ouvirem”

“o cara da foto, o Langdon”

“a aliança parece estar ali temporariamente”

“ele está praticamente desimpedido”

“e eu estou começando a subir pelas paredes”

“você não tem noção de como é -”

— Alves, celular no plantão só para emergências. – Robby se aproxima.

Gabriela envia a mensagem e bloqueia a tela instintivamente.

É uma emergência.

— Me desculpe, dr. Robby, estava verificando se o acompanhante da minha paciente está chegando. – Ela mente.

— E por que você tem o contato dele no seu telefone pessoal? – O médico indaga, calmo.

— Ela perdeu o dela no rio e usou meu Instagram para falar com ele.

Robby balança a cabeça negativamente. Ele então retira algo do próprio bolso e a entrega.

O crachá dela.

Gabriela o pega e prende no scrub, finalmente.

O celular vibra repetidamente no bolso dela.

— A intenção foi boa, mas evite ao máximo deixar os pacientes terem acesso a itens pessoais seus. Temos um celular na enfermaria para essas ocasiões. Ok?

O jeito que Robby tem para corrigir é brando. Quase paternal.

— Entendi, não vai acontecer de novo. – Gabriela afirma. – Posso trazer a cachorra dela para o quarto? Ela pediu para vê-la.

— Pode. A dra. King está com ela na entrada de ambulâncias. – Robby diz por cima do ombro enquanto se afasta.

No caminho para encontrar Melissa, Gabriela pega o celular novamente e lê as mensagens de Maria pela barra de notificações.

“o queeeeeee”

“aconteceu algo?”

“eu quero TODOS os detalhes”

“praticamente desimpedido não significa desimpedido, sua piranha”

“é melhor ter certeza”

“depois aproveita”

“ele é um deus”

E vários emojis calorentos e gotas de água.

Ela se lembra que enquanto conversavam nos armários, Langdon não negou o divórcio, mas também não confirmou.

Por que tão misterioso?

Talvez porque só nos conhecemos seis horas atrás.

Gabriela nunca se sentiu tão feliz por um plantão de quinze horas.