Pulso Elevado (Frank Langdon)
12 10h42min
10h42min
- Não se esqueça de pegar suas coisas aqui no final do plantão. – Langdon avisa, depositando sua xícara e a vasilha de Gabriela no secador ao lado da pia.
Ele seca as mãos em um pano de prato que está sobre a bancada e passa uma das mãos entre os cabelos, colocando os fios soltos para trás.
— Se eu esquecer fico sem em casa. – Gabriela brinca, os olhos dançando entre a aliança e o rosto dele. – Intercambista, você sabe...
Ele dá um breve sorriso, como se soubesse, de fato.
— De volta ao trabalho, então. – Ele olha em direção à porta.
— Acho que sim. – Ela concorda, ainda parada no centro da pequena sala.
Por alguns segundos nenhum deles se move. Langdon está ali, encostado na bancada. As mãos se apoiam ao lado do corpo e ele parece mais tranquilo do que minutos antes, como se tivesse todo o tempo do mundo, enquanto Gabriela sente exatamente o oposto, como se tudo tivesse acelerado em seu peito, os pensamentos embaralhados, o corpo alerta de uma maneira que ela sabe bem o porquê e se recusa a admitir.
Uma residente entra na copa. Ela parece mais nova do que todas as pessoas que Gabriela conheceu até então.
— Dr. J! – Langdon cumprimenta, desencostando-se da bancada finalmente.
A menina arregala os olhos um tanto desconfortável.
— Dr. Langdon...
— Essa é a Dr. J. -Ele aponta para a residente. – Se algum dia seus cílios grudarem, ela é a melhor pessoa para resolver isso.
— Victoria Javadi. – A menina fala para Gabriela. – Por favor, não ligue para o que ele está dizendo.
Langdon se diverte com o incomodo inofensivo de Javadi no caminho para sair dali e Gabriela acha graça.
— Gabriela Alves. – Ela se apresenta, observando a residente se servir de água.
Langdon lança um último olhar a ela antes de sumir pela porta e, de repente, ela não tem mais vontade de estar ali na copa.
— Seu celular. – Ela ouve a voz de Javadi assim que dá o primeiro passo em direção à saída.
O celular de Langdon está sobre a mesa que ele ocupava minutos antes. Inerte. Escuro. Gabriela abre a boca para dizer que não é dela, mas se impede.
— Obrigada! – É tudo o que diz em meio a um sorriso.
Sem pensar demais, ela pega o aparelho e o coloca no bolso da calça. Assim que vira o corredor depois da copa, Gabriela retira o celular de Langdon do bolso e encara a tela preta, o dedo pairando hesitante sobre o botão de ativação.
Ela aperta o botão e a tela se acende.
Antes que possa sequer reparar em qual papel de parede ele usa, seus olhos caem diretamente sobre uma notificação de mensagem:
Abby Langdon
“Não acho que está funcionando, Frank, não sei nem se quero mais isso, para ser sincera.”
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