Pulsação

5 Não brinque com você mesmo e não engane você mesmo


Notas iniciais
sei lá, digam o que acharam, e dêem dicas do que eu posso melhorar e... enfim, me ajudem XD

O relógio batia onze, Kyo lia o jornal com atenção. Aquela criatura pequena desceu as escadas e logo Kyo largou o jornal para abraça-la.

- Aoi... – ele disse o nome com a voz rouca, estava cansado. O corpo doía. Já seria daqui a seis dias seu aniversário de dezoito anos.

Um ano e cinco meses juntos. Nenhuma briga.

- Kyo... Eu vou viajar.

- Eh? Para onde?

- China... Vou com meus pais.

- Quem mais...?

- Só alguns outros parentes. Reunião de família.

- Ah... – Ele riu, largando-a e jogando-se no sofá. – Eu sabia.Ele vai, não é?

- Ah não, ciúmes, de novo?

- E o que me garante que nada irá mudar?

Saiu da sala e trancou-se no quarto.

- Querido... Não fale assim. – O loiro permaneceu calado, Yuki latia. – Isso não vai resolver nada...

Pegou Yuki no colo e foi para o outro quarto.

A manhã chegou sem que Kyo percebesse. Ele levou o corpo magro e tenso à cozinha logo após escovar os dentes, viu a comida sobre a mesa. “Parece ótimo...

- Bom dia, pequeno.

Ele saiu, levando consigo a tigela de cereal. Sentou-se na sala de jantar, onde ele nunca comia.

- Querido, eu não posso ficar. Foi um pedido dos meus pais, e como se já não bastasse os meus pais odiarem a minha escolha de viver com você, eles odeiam a ideia de que nós...

- Nós somos quase casados?

- Você sabe que não é assim. Sabe que eu permaneço contigo mesmo que todos queiram que a gente se separe... Eu me sinto mal por ir contra os meus pais, mas permaneço contigo. Você não pode deixar de falar comigo sempre que a gente brigar.

- Nós nunca brigamos. E eu sou ciumento demais... Mas não consigo conviver com a ideia de você me deixar... Além disso, vai me largar por aquele país horrível, e com ele por perto. Você sempre me deixa até pelo Yuki.

Aoi riu.

- Mas ele é tão fofo! – Saiu até a sala sem notar que estava sendo seguido por Kyo.

- Eu te amo. – Empurrou-a para o sofá, sentando-se com ela. Kyo beijou-a, acariciando os cachos loiros da menor. A porta abriu, os dois largaram-se num susto.

- Mãe?

Marie assustou-se.

- Oi!

- Ah não! A sua mãe não, Marie! – sussurrou.

- Mamãe? O que faz em Tokio?

- Vim pegar umas coisas para seu pai... Inclusive você. É? Está chovendo demais! Vou passar a noite aqui.

- Nem a pau... – continuou sussurrando.

- Kyo! Perdoe-me, mamãe. – Abraçou a velha – Ah, pode dormir no meu quarto...

- Sim, sim. Mas você dorme com a mamãe.

- Droga. – pensou – Então. Quando você vai embora?

- Kyo!

- Digo... Quanto tempo ficará entre nós?

- Até a viagem a China. Aoi contou, não é?

- Sim, sim.

- Ah... Que bom. Acordaram agora?

- Não, só ele. Mãe, não o provoque. Ele está de mal humor...

- Não provocarei o baixinho.

- Ah, sua...

- Mamãe, pare, por favor! Não fale assim, a senhora sabe o quanto ele odeia!

- Ok, ok. Desculpe. Estou indo tomar banho.

- Tomara que se afogue na banheira.

- Kyo, ela é minha mãe!

- Mesmo com isso ela me odeia!

- Você sabe que não é assim...

- Quando você vai falar para ela que você não vai a lugar nenhum?

- Ah... Já falamos sobre isso.

- Ok, ok... Tenho que ir para o ensaio...

Kyo saiu e Aoi sentiu que seria a última vez. Mas ela sabia que não era assim, porque estava se preocupando tanto?

xxx

No outro dia, Kyo não encontrou a presença de Aoi ou da sogra quanto menos as roupas das tais. Apenas estava lá Yuki e um bilhete sobre a mesa.

Sei que já é de manhã para você. Notei que você chegaria a essa hora quando você saiu dizendo que iria para o ensaio.

Bem, espero que não fique triste, mas eu já estou ou no aeroporto, se você realmente foi ao ensaio, ou posso estar na china já.

Bem, deixo abaixo o endereço e o telefone. Espero que me ligue, mande um e-mail ou uma carta.

Por via das dúvidas, me ligue. Ainda quero ouvir sua voz.

Se estiver com raiva, por favor, entenda que isso é a razão de eu não ligar. Só ligue se realmente quiser falar comigo.

Estarei esperando. Eu lhe amo... ♥

Aoi M.

Pegou o telefone, abaixou a cabeça, pensou. Discou o número de um restaurante e pediu uma pizza. Ainda não sabia se escreveria ou ligaria.

Caiu sobre o sofá, acariciando o pelo limpo de Yuki. Ele também sentia a falta de Aoi. O orgulho era grande demais para ligar.

Foi até o quarto, abandonando o cachorro. Trancou-se. Lágrimas, saudade...

- Eu sei que você não gostaria de me ver assim, mas eu não posso evitar...

Ficou assim por um tempo, mas não havia nada a fazer a respeito. Quando a cabeça dele fica dando voltas...

Eu queria saber se há alguma saída. Não quero me decepcionar, mas é melhor que seja assim, que eu me acostume... Nada é eterno.

A cada dia viu que não havia outro caminho, não havia volta. Ele não queria de jeito algum causar a ela algum tipo de dor, mas para isso era melhor que se distanciassem, para que ela pudesse voltar a estar bem com a família. Para que ela não tenha do que reclamar depois. Ele não tinha nada a dizer.

Sempre que ela chorasse, ele iria se sentir culpado, mas se existe verdade, não havia futuro para os dois. O próprio destino mostrou isso. Ela sempre estava se distanciando... Pois quando haveria de ser certo, haveria uma parte dela honestamente reservada para mim. E mesmo que ele procurasse para sempre, nunca encontraria ninguém que ele amasse mais.

Eu imagino se você vai voltar algum dia... Será?

Mas, mesmo que não volte, eu vou ter que aceitar suas escolhas.

Notas finais
booooooooom, tá aí. espero que tenham gostado. enfim, não tenho muito a dizer, é :~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.