Pulsação

12 Give me love


Notas iniciais
To com essa mania de deixar vocês na espera, mas esse capítulo valeu a espera, eu acho.
Temos aqui mais um capítulo de Arnold e Helga *-* lindos.
Meu deus como sofri pra achar músicas. A música Give me love que inspirou o nome do capítulo, mas eu não consegui achar nenhuma outra música que desse certo! Je sus.

Ed Sheeran - Give me love ACOUSTIC http://www. youtube.com /watch?v=tHlsbvzE-cU

Depois da aula Helga caminhou com Phoebe até a casa dela e seguiu sozinha para sua própria casa. Em casa tinha um resto de pizza para comer, não aguentava mais pizza, ficou sem comer e foi para o quarto. A bagunça do quarto era desanimadora, roupas por todos os cantos, vários tênis jogados e as cobertas no chão. Jogou as roupas no closet, se jogou na cama e puxou a coberta pra cima dela. Helga estava no modo automático, não sentia fome, nem sono, apenas queria que o tempo passasse. Esticou-se e pegou na bolsa um livro e o celular, leu alguns capítulos e tirou um cochilo. Acordou com o celular tocando.

-Alô? – atendeu com a voz rouca

-O que está fazendo?

-Arnold?

-Sim

-Nada. Fiquei olhando o teto e dormi.

-Somos dois.

Mantiveram-se alguns segundos em silêncio.

-Eu andei pensando em você Helga – Ela corou

-E-e-em mim? – gaguejou

-Sim. Me preocupo com você Helga, não sei o que está acontecendo comigo, talvez eu esteja enlouquecendo. Eu tento entender, faz poucos dias que cheguei e já me liguei em você.

-Acho que você precisa de alguém pra se fixar, pra não se sentir tão deslocado...

-Talvez Helga

-Você também é solitário – Helga tentou

-Nem sempre fui, mas agora estou meio perdido

-Eu estou aqui

-Podemos nos ver Helga?

-Posso passar aí.

-Estou te esperando.

Ela desligou o telefone, tomou um banho rápido e vestiu-se da maneira habitual. Pegou a bolsa da escola, adicionou uma garrafa de bebida nela e saiu pela janela em direção à casa de Arnold, com o coração na mão.

-Oi vovô Phill – disse Helga quando o velhinho esquálido abriu a porta

-Olá garotinha, Arnold está no quarto, pode subir. – Helga passou por ele e seguiu em direção ao quarto. – Arnold! Sua namorada está subindo!

A garota deu uma risadinha, a palavra “namorada” soava de maneira estranha.

O quarto de Arnold permanecia o mesmo com algumas roupas jogadas e livros pelo chão, cama desarrumada. Arnold veio andando rápido na direção dela, com seu habitual jeans e camisa xadrez aberta, mas sem a camiseta branca por baixo. Helga não conseguia se acostumar a ver o peito desnudo de Arnold. Respirou fundo, clareou a mente e falou:

-Hey, pensei em estudarmos alguma coisa, você prefere matemát – ela não conseguiu terminar a fala. Foi surpreendida por um beijo intenso de Arnold. Largou a bolsa no chão e o agarrou, permitindo-se saborear o beijo.

-Desculpe Helga! – Arnold falou sem fôlego após parar o beijo de forma brusca. Ela não conseguiu responder, se distanciou dele, as bochechas queimando e a respiração pesada. – Helga?

-Sim...?

-Desculpe

-Não se desculpe

-Eu precisava fazer isso Helga, precisava fazer isso sóbrio. Sente-se. – Assim ela fez – Desde aquele dia eu penso no seu beijo e penso em repeti-lo, precisava saber se era bom assim mesmo ou se era a bebida.

-Hmmm – Helga ainda estava chocada. Arnold sentou ao lado dela no sofá e ela ficou ainda mais nervosa e tensa.

-Fale comigo Helga – Ele pediu preocupado

-Eu só... – respirou fundo. – Só fiquei assustada.

-Novamente, desculpe

-Foi um susto muito bom – Falou com as bochechas novamente vermelhas

-Você estava falando em estudar? Você realmente veio aqui para estudar? – “Oh meu deus, ele mudou de assunto, ele não gostou do meu beijo!”. Helga estava ainda mais nervosa.

-Estava – falou com a voz trêmula. – Apenas uma sugestão.

-Sério Helga? – Ele perguntou incrédulo

-Não – Respondeu tentando manter sua postura. Sorriu maliciosamente e tirou a garrafa de gin de dentro da bolsa. – A minha sugestão seria essa

-Helga, Helga... – Ele falou num tom preocupado

-Eu sei que você não concorda, mas ás vezes...

-Ás vezes é bom Helga. – Ele sorriu, tirou a garrafa da mão dela e assim que abriu bebeu um longo gole.

-Porque você não está saindo com os meninos?

-Eles estão divididos em vários grupos. O único que eu ainda falo é o Gerald, mas ele anda muito ocupado treinando.

-Entendo... – Ela tirou a garrafa da mão dele

-Ainda estou deslocado. E os seus amigos? Sid? – Foi a vez de Helga beber um longo gole, sentiu a bebida queimando em sua garganta.

-Ah Arnold! Sid e Kate ficam se comendo, Leo e Jake estão sempre sumidos, além do fato de que não quero acabar esbarrando com Torvald. Aquele imbecil, não me ligou, não me procurou, babaca. – falou irritada

-Não acredito que ainda não falou com ele. – a repreendeu e roubou novamente a garrafa

-Não comece cabeça de bigorna! – estava ficando irritada com cobranças todos os dias, mas talvez o apelido pejorativo tivesse passado dos limites. Ele ficou alguns segundos imóvel e ela preocupou-se. – Desculpe, desculpe Arnold! Sou muito irrita e grossa e – ele a interrompeu novamente

-Eu sei quem você é Helga. Pode parecer que não, mas eu te conheço, estava esperando sua hostilidade aparecer. Você não é você sendo mansa e chorona. – Ela não pode evitar de soltar uma risadinha, ele riu abertamente e bebeu um pouco mais.

-Devo admitir que não te conheço assim tão bem Arnold. Passei anos obcecada por você e ainda assim não te conheço. Jamais imaginaria você bebendo nem me conhecendo tanto, muito menos me ajudando tanto. – Pegou a garrafa rapidamente da mão dele, como numa brincadeira e bebeu, assim que terminou o gole ele já estava tirando a garrafa da mão dela.

-Eu não sabia que te conhecia tanto até hoje – bebeu

-Porque hoje?

-Depois de passar a madrugada pensando na Joy e sofrendo com isso, te ver hoje cedo foi um alívio. Durante a tarde eu só conseguia pensar em você e fiquei me perguntando como você estava, queria estar com você. Isso é estranho Helga.

Ela tomou outro gole, sentiu seu coração acelerado, isso era tudo o que ela sempre desejara, tanto na infância quanto hoje em dia. Terminou o gole mais cedo do que o esperado, pois sua respiração a traiu. Respirou fundo de olhos fechados e assim que abriu os olhos encontrou os olhos dele, preocupados, fitando-a.

-Você está bem?

-Como você consegue Arnold? Ser sempre tão calmo, tão racional, tão educado? – Ele riu

-Não sei Helga, é natural. Assim como pra você é natural ser mandona, impulsiva explosiva. – Ambos riram

Alguns goles em silêncio, ele pegou o controle remoto e ligou a música. (Give me Love) Helga começou a relaxar, bebia um gole e passava a garrafa para Arnold. Conversaram aleatoriedades sobre escola, professores e lembranças antigas, a garota ainda estava tensa a respeito do beijo que tinha ocorrido, mas deixou a questão de lado, teria muita vergonha de perguntar a respeito disso para Arnold.

A garrafa de gin acabou, ela estava tonta e um pouco mole, ele estava risonho. Helga não se concentrava em mais nada que não fosse em Arnold e suas perfeições. Ele pediu que ela esperasse em seu quarto e foi assaltar o armário de bebidas da pensão, a garota estava mais relaxada, sentia seu coração irregular. Ele voltou com um vinho barato e a levou para o terraço. O céu estava estrelado, sem nuvens e a lua estava minguante, quase nova, portanto estava escuro. Ela tropeçou em algo e quase caiu, Arnold tentou segurá-la e não conseguiu. Eles caíram no chão rindo e brincando, ela por baixo dele, tudo o que Helga enxergava era o rosto perfeito dele numa moldura escura e estrelada. Eles se beijaram, Arnold se apoiando com uma mão no chão e com a outra segurando a garrafa. Ela com uma mão nos cabelos dele e outra segurando-o pelo colarinho da camisa xadrez, puxou-o para mais perto dela. Escutaram a garrafa rolando até encostar-se a uma parede, ele rolou para o lado e a puxou para cima dele, segurando forte a garota pela cintura e a beijando calorosamente. Ofegantes se afastaram, levantaram e foram até a garrafa de vinho e lá sentaram. Beberam mais um pouco, beijaram bastante, riram, brincaram, beberam, beijaram mais até que Helga adormeceu no colo de Arnold.

A garota acordou e olhou em volta, estava no quarto de Arnold, estava escuro. Ela estava deitada na cama dele, mas ele estava no sofá, quase caindo no chão. Ela levantou, cambaleando, e foi até ele.

-Hey Arnold! Arnold!

-Hmmm – Ele mal se moveu

-Acho que já vou indo, preciso estar em casa quando Big Bob acordar – A garota estava agachada, falando próxima do rosto dele

-Não Helga...- Ele falou arrastado, começando a se mexer

-Sim Arnold. – Ela lhe deu um beijo na bochecha, ele a puxou pelo braço para deitar em cima dele no sofá. – Arnold... – Helga falava baixo

-Não vá Helga, não me deixe! – Ele pediu, ela tentou se levantar, ele a segurou, se embolaram na coberta e já estavam novamente no chão, ele por cima dela.

-Preciso mesmo ir. – Ela tentou levantar, mas ele a segurou no chão. O coração de Helga batia forte, a respiração rápida. Apesar do escuro do quarto a garota conseguia ver o rosto dele, era tudo o que ela mais desejava, será que não poderia ficar mais um pouco? No dia seguinte as coisas poderiam ser diferentes, ela deveria aproveitar ao máximo este momento.

-Você vai de manhã cedo – O garoto continuava tentando.

-Tudo bem, eu fico mais um pouco. – Ela falou suspirando.

Eles levantaram, ambos cambaleantes, segurando-se um no outro. Arnold estava sem camisa e Helga não conseguiu controlar o impulso de passar os dedos por seu corpo. Ele sorriu maroto, puxou a garota para mais perto, segurando pela cintura e pela nuca. Helga sentiu um arrepio percorrer o corpo todo quando ele beijou seu pescoço. A medida que ele a beijava e passava as mãos por seu corpo ela suspirava, o corpo todo em arrepios e tremores. Ele os conduziu até a cama, deitaram juntos, um de frente para o outro, o espaço era pouco na mínima cama de solteiro. Ela tirou o casaco e os tênis, ficou com o corpo colado no dele. Ele a chamou, ela murmurou em resposta, o rosto escondido no meio de seu longo cabelo loiro. Ele afastou os fios do rosto dela, ela permaneceu de olhos fechados.

-Helga, me desculpe, estou bêbado, mas tem uma coisa que preciso te dizer. – A garota não se moveu, ele não tinha certeza se ela ainda estava acordada ou não. Continuou fitando a beleza de Helga e por fim disse o que queria. – Não foi só a bebida Helga, não hoje. Da primeira vez que te beijei hoje eu entendi porque me preocupo tanto com você Helga. Largue Torvald, fique comigo. – Ele pediu e ficou acariciando o rosto dela com as pontas dos dedos.

Helga acordou assustada com as primeiras luzes do dia, Arnold ao seu lado. Um sorriso brotou no rosto da garota, “Oh Arnold”, sua pulsação estava irregular, olhar para aquele rosto angelical a acalmava e ao mesmo tempo fazia seu corpo todo arrepiar. Levantou de fininho da cama, calçou os sapatos, vestiu o casaco e saiu do quarto, sem olhar para trás. Caminhou pelo corredor da pensão rezando para não esbarrar em ninguém. Tudo ia bem até o vovô aparecer de surpresa na porta da cozinha, olhou-a com cara feia, abriu a porta da frente para ela sair e nenhuma palavra foi dita. A garota estava tão preocupada em chegar a sua casa antes que seu pai acordasse que nem deu muita trela para as caretas do velhinho. As pessoas na rua a olhavam com olhares de reprovação, ela deveria estar muito descabelada e com a maquiagem muito borrada. Procurou pelo celular nos bolsos, não encontrou, estava na bolsa, que ela tinha esquecido na casa de Arnold. Correu para casa, agradeceu pela existência da escada de incêndio e por sua janela não ter nenhuma tranca. Quando sentou-se na cama ouviu o despertador de Big Bob tocando. Soltou um logo suspiro de alívio, pegou uma nova muda de roupas e correu para tomar banho.

Depois do banho ainda tinha algum tempo de sobra, entrou na internet procurando alguma mensagem de T., mas nada foi encontrado. Helga estava num misto de felicidade e dor. Era bom que ele não a tivesse procurado, assim não sentia culpa por ter ficado com Arnold, mas ao mesmo tempo era T. Aquele quem sempre esteve ao seu lado. Desligou tudo, clareou a mente e saiu de casa rapidamente para não esbarrar com Big Bob. Foi caminhando calmamente em direção ao colégio.

Arnold chegou ao colégio pouco tempo depois que ela, vestia óculos escuros e trazia a bolsa de Helga. Trocaram um sorriso cúmplice ao se verem, não se beijaram, não se abraçaram, apenas sorriram um para o outro. Assim que Helga pegou sua bolsa de volta sentiu uma mão segurando seu ombro, era T. ela tinha certeza. Sentiu um arrepio, uma coisa estranha.

-Podemos conversar Helga? – Ela olhou para Arnold com o canto de olho, Torvald iria se irritar ainda mais por vê-los juntos logo depois da foto aparecer, o arrepio permanecia.

-Claro. – Falou com sua voz durona e virou para encará-lo. – Nos vemos depois Arnold. – Ele saiu sem nenhuma palavra e deixou H. e T. se encarando na porta da escola.

Notas finais
O que acharam? Comentem caras!