Pulsação
2 Arnold está de volta?
Notas iniciais
Era o primeiro de aula do 11º ano e Helga estava trotando pelos corredores entre suas aulas quando viu um grupo de pessoas amontoado no meio do corredor. Um grupo que um dia ela fizera parte, mas que há anos não se reunia: Gerald, Stinky, Sid, Harold, Rhonda, Nadine, Eugene e Phoebe. Curiosa Helga se aproximou para ouvir, era ainda o primeiro dia de aula, não haveria motivo para estarem reunidos.
–Gerald! Conte pra eles o que tinha me dito — Stinky incentivava com seu sotaque caipira. Ele continuava o mais alto da turma, mas agora era popular e havia abandonado seus antigos amigos. Era armador do famoso time de basquete da escola que estava invicto há anos. Namorava uma cheerleader.
–Arnold voltou — Gerald falou em tom de tédio. Gerald estava a cara de seu irmão mais velho Jamie O. Esperava-se que fosse o armador do time de basquete, mas na verdade jogava beisebol. Saía com Alice do clube de teatro, uma menina que usava roupas coloridas e um black power.
–O quê?! — Rhonda perguntou escandalosa. Ainda era esnobe, a rainha do colégio e líder das cheerleaders. Namorada do capitão do time de futebol, um menino do 12º ano.
Todos ficaram esperando em silêncio que Gerald continuasse. Phoebe segurando seu notebook parecia vidrada em Gerald, Helga nunca entendeu porque a garota não se declarava logo. Phoebe mantinha o seu antigo jeito de se vestir e agir, sempre com livros por aí ou o notebook. Tinha se destacado por ter ficado mais curvilínea do que outras garotas.
–Sim, ele me ligou na noite passada. Não entrou em detalhes já que ele tinha acabado de chegar. Mas posso afirmar que ele voltou para ficar. – O queixo de Helga caiu e por um instante ela parou de sentir o chão abaixo de seus pés.
–Mas que maravilha pessoal! – Disse Eugene animado. Eugene era o mesmo de sempre. Assim como Harold, era como se eles só estivessem mais altos e desengonçados.
O falatório começou, estavam todos se perguntando onde ele estava e o que estava fazendo. Helga conseguia se imaginar correndo para se esconder em algum lugar enquanto pegava a foto de Arnold, foto que estava num relicário de prata comprado pouco tempo antes do sumiço de Arnold. Mas não o faria, o relicário estava sumido há muito tempo e ela já não se sentia daquela maneira. Não era mais aquela tola. Assim como todas as garotas suas curvas estavam acentuadas o que a deixava mais parecida com Olga. Os cabelos loiros continuavam compridos, mas agora ondulados e com sidecut que não era muito visível, pois usava sempre uma touca na cabeça. Calças jeans, camisetas pretas e jaqueta de couro eram indispensáveis também. Seus traços estavam mais femininos, a monocelha tinha sumido, mas a expressão eternamente irritada era a mesma. O grupo começou a dispersar, Nadine e Rhonda foram fofocar com as outras cheerleaders que estavam por perto. Nadine ainda era a fiel escudeira de Rhonda e também uma cheerleader. Os cabelos agora sofriam a força da gravidade e não ficavam mais espetados pra cima, mas sim compridos e ondulados. Estava saindo com Lorenzo, mas puramente por status. Secretamente dava uns amassos em Thaddeus no armário do zelador. Lorenzo estava sempre por perto e continuava o mesmo esnobe riquinho de sempre. Thaddeus passava sempre longe do grupo de Nadine. Thaddeus era mestre da informática, influente entre os geeks, favorito de qualquer professor e responsável pelo site da escola. Antigamente usava óculos e tinha um quê de esquisitão, hoje usava lentes de contato e de esquisito não tinha mais nenhum fio de cabelo. Tinha começado a malhar e estava extremamente atraente. Thaddeus, aquele que antigamente era conhecido como Curly, tinha surpreendido a todos com suas mudanças, mas ainda assim não era “bom” o suficiente para andar com Rhonda e Nadine. Eugene correu para falar contar a notícia a Sheena, Laila e Brainy. Brainy era exatamente a mesma coisa, surpreendia a Helga que alguém falasse com ele. Shenna tinha colocado dreads e parecia uma hippie de décadas atrás. Com o tempo a simpatia e delicadeza de Laila ficaram tediosas. Sua beleza foi se apagando, espinhas aparecendo e o aparelho foi necessário nos dentes. Ninguém mais se importava com ela. Tentou ser cheerleader, tentou entrar na turma do cálculo, no clube glee, no clube de música, no clube do xadrez, mas só conseguiu entrar no clube de política e o de teatro.
Helga caminhou até seu armário resmungando.
–Arnold! Aquele inútil! Como eu o odeio! – esbravejava, abrindo o armário. – Agora está todos eufóricos com a sua volta, aquele babaca! – Guardou um livro e pegou outros dois
–What’s up, Helga? – Torvald falou atrás dela e ela gritou. Ele era rebelde, o mesmo de sempre. Bandana na cabeça, blusas rasgadas, coturnos e atitude de bad boy. Mesmo com essa aparência ele estava no 12º ano, era muito inteligente e se importava com a escola. Bonito, musculoso e atraente.
–Nunca mais me assuste, seu imbecil! – bateu a porta do armário
–Adoro suas hostilidades pela manhã – ele falou sarcástico e ela saiu trotando pelos corredores, por onde ela passava os estudantes abriam espaço para sua passagem. Os que não abriam espaço eram arremessados para longe. Torvald seguiu Helga até a próxima aula dela e então seguiu seu rumo.
O relacionamento de Helga e Torvald era peculiar. Eles raramente se encostavam, só conversavam inutilidades da rotina. Quando Helga sentia vontade o chamava num canto atrás do colégio onde eles se “pegavam” às vezes. Como isso não era comum, T. ficava com várias meninas. Ninguém nunca os vira como casal. Era tudo por conveniência, era útil estarem juntos para permanecerem no topo da “cadeia alimentar” do colégio.
A notícia de que Arnold estava de volta deixava Helga incomodada, abalada e até ainda mais irritada. Mesmo sendo sua aula favorita, ela não conseguia prestar atenção. O que aconteceria quando colocasse seus olhos no cabeça de bigorna? Não poderia fraquejar. Mesmo após sua promessa de anos antes, ela não tinha deixado de pensar nele. Não por amá-lo, não! Depois que o maldito contou para Rhonda a desgraçada infernizava a vida de Helga. Aqueles patetas! Ele não podia ter ficado com o bico fechado. Agora ela o odiava! Ela precisa fazê-lo infeliz, da mesma maneira que ela era infeliz. A maneira como ele a tinha humilhado! E ainda assim... Lá no fundo, por baixo de todo o ressentimento, permanecia uma faísca, uma pequena lembrança daquele sentimento inocente e infantil. Helga por vezes se sentia mais patética do que Arnold, ele com certeza não se lembrava mais dela. Ela queria vingança! Por tempos pensou em descontar sua raiva em Laila, mas o tempo já tinha se encarregado disso por ela. Talvez Rhonda merecesse, mas Rhonda estava apenas sendo Rhonda. Helga precisava descobrir um ponto fraco de Arnold e destruí-lo.
Notas finais
O que acharam? Gostaram das mudanças?
Comentem, comentem!
Rawr.
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