Pudor
1 Sob a luz das estrelas
Notas iniciais
Eu estava aproveitando um dos poucos momentos calmos do dia. Não havia nada para fazer, salvo sentar e relaxar tomando um bom chá. Há poucos minutos Yona veio e se sentou ao meu lado, ficando em um silêncio contemplativo.
Olhei seu perfil de soslaio algumas vezes, me encantando com a suavidade de sua tez e com a doçura de sua expressão, que parecia voar em outro mundo, quase como outrora.
— Hak, você acha que vou conseguir me tornar mais forte? — perguntou, a voz suave como um soprano.
Percebi que ela deveria estar refletindo sobre isso faz um tempo, provavelmente desde nossa última batalha.
Yona me olhou com um misto de esperança e cansaço. Eu deveria ter sabido que ela estava apenas fingindo que tudo estava sob controle.
— Claro que sim, princesa — respondi, fingindo ponderar. — Você não sabia nem fritar um peixe antes, e agora já consegue até acertar frutos mais altos.
—Essa comparação não tem lógica — retrucou, irritada, com um bufar pouco elegante. Ao que parece, ela estava passando tempo demais com aqueles desordeiros. — Você deveria dizer: E agora já faz um ensopado incrível ou algo do tipo, e só se eu tivesse perguntado sobre isso!
Era tão fácil irritá-la. Pelo menos isso continuava igual. E fazia com que sua áurea depressiva se dissipasse.
Sorri, já prevendo sua reação, ao responder:
— Não vamos exagerar tanto assim, princesa. Você não virou nenhuma chef, mas, pelo menos, não corre o risco de nos intoxicar.
— Nani? — exclamou, indignada. — Você não deveria me dar apoio?
— A verdade sempre prevalece. — Provoquei mais um pouco.
Chegava um ponto que suas bochechas ficavam tão rubras que eu jurava que seu sangue migrava todinho para parte superior do corpo. E ela, indignada, esbravejava para quem quisesse ouvir como eu era a única pessoa que tinha o poder de fazê-la enlouquecer com meia dúzia de palavras. Eu sempre me orgulhei do fato, nunca contestando, inclusive encorajava sua falação.
Ela se aborreceu ainda mais.
— Ahhh, você tava sendo tão bonzinho ultimamente que eu quase esqueci seu lado estúpido — ralhou, com azedume. — Mas, eu estava com saudades, sabe? Deixa as coisas um pouco mais normais.
Ela deitou na grama, olhando para o céu.
— Eu deveria me ofender? — questionei, colocando a mão no coração, simulando um gesto de dor. — Porque, bem, isso vindo de você é o mais alto grau de elogio.
Eu sempre adorei ser chamado de estúpido por Yona, essa era a verdade. Era a hora em que eu me sentia mais próximo e íntimo dela, quando acreditava que ocupava um espaço em seu coração.
“Yona não, Hak. Pra você é alteza ou, no máximo, princesa, como ela fez questão que você a chamasse”. Me auto corrigi, sentindo meu peito queimar com uma sensação desagradável e já conhecida.
— Acho que estúpido é uma ofensa em qualquer sentido, vindo de qualquer pessoa. Mas você não é muito normal, então... — Tentou dar de ombros.
Ela sempre foi meio lenta para certas coisas, principalmente as que envolviam romance. Não duvidaria se ela ainda acreditasse que são por beijos que os bebê nascem. Ela tem esse tipo de inocência, que faz um homem querer lhe mostrar tudo que se pode fazer entre dois corpos.
— Bem, eu certamente sou uma categoria bem diferente do que você imagina. — Dei-lhe um sorriso sugestivo, cheio de segundas intenções.
Ás vezes, eu a provocava com palavras maliciosas só para ter o prazer e vê-la se enrubescer no outro dia, depois de ter pesquisado o que significava. Outras vezes, porém, ela em mesmo notava.
Ela me analisava, como se decidisse se eu estava falando sério ou se estava tirando sarro de sua inexperiência.
— Ahgh! Você é tão irritante — reclamou.
Novamente, ela não entendeu o duplo sentido. Contive um suspiro, sem saber ao certo se era de dor ou de prazer.
Acho que nunca conheci alguém assim, tão inocente e pura.
— Eu sou estou compactuando com a verdade.
Ela me deu um sorriso doce e voltou o olhar para frente.
Nós ficamos em silêncio por alguns minutos. Comecei a observar a pequena campina em que estávamos e fiquei encantado.
Várias espécies de flores e árvores seguiam o trajeto meio circular, como se acompanhassem o fluxo do vento. Os girassóis tomavam uma boa parte da campina. As cerejeiras espalhavam um suave aroma pelo ar, deixando uma sensação paz e bem estar onde a brisa alcançava. Eu gostava de cerejeiras, mas as minhas flores favoritas eram açafrões, que são de uma beleza simplista e, ao mesmo tempo, etérea. E coisas etéreas combinavam bastante com o meu amor pela princesa: Irresistível e impossível.
Sabendo que minha reposta era muito importante para ela, respondi:
—Não se preocupe, princesa. Você já chegou tão longe. Lembra-se de quando fugimos? — Ela assentiu em concordância, me olhando atentamente. — Você nunca tinha nem pego em uma arma. E agora já é uma ótima arqueira, mais um pouco e poderá se igualar a mim.
— Eu não cheguei nem no rastro do seu dedo mindinho — murmurou, com os ombros cabisbaixos.
Eu odiava quando ela se auto menosprezava. Sabia que ela tinha uma visão bastante limitada sobre a perspectiva geral, mas talvez fosse impossível ela se igualar a nós, porque, bem, ela foi criada para interceder com diálogos e decisões a longo prazo, nós fomos criados como pequenas armas, que ficavam na linha de frente, sem o direito de saber se sairíamos vivos ou mortos.
— Não dá para comparar. — Minha voz saiu alta, causando uma espécie de eco, numa tentativa de anima-la. — Eu treino desde muito novo. Eu cresci empunhado uma espada. E eu tive um ótimo mestre. Só dê tempo ao tempo.
— Eu sempre achei essa frase engraçada — falou, risonha.
Confesso que suas mudanças de humor abruptas me assustavam e me deixavam desnorteado.
— Empunhando uma espada? — questionei.
— Não. “Dê tempo ao tempo.” É uma frase bem paradoxal, né? Antes eu não acreditava muito... — Sua voz voltou a ficar triste.
Sim, definitivamente me assustavam.
— A gente precisa deixa o vento levar toda magoa e a brisa trazer a mais plena felicidade — recitei a frase da minha mãe. Ela era muito boa com respostas complexas.
Yona me observou com diversão e com algo que eu não consegui identificar. Ela estava ficando muito boa em esconder o que pensava de mim, porque antes isso seria impossível, até mesmo impensável.
— Eu ainda me admiro com sua capacidade de recitar poemas com a mesma facilidade com a qual respira. É incrivelmente tocante para um cara com a sua personalidade.
— Eu só... — Parei, me dando conta de sua crítica. — hey, como assim “pra um cara com a sua personalidade”? — Eu fiquei um pouco ofendido, visto que tentei ser um cavalheiro a maior parte do tempo.
Eu fazia tudo por ela e ganhava em troca o título de canastrão? Eu fingia muito melhor que ela!
— Ah, sei lá. Eu sempre soube que você era forte, afinal, já tinha te visto lutar algumas vezes. Eu pensei que sabia sobre a sua capacidade de luta — Fez uma pausa, provavelmente tentando encontrar as palavras certas. —, mas quando te vi lutar para valer... fiquei um pouco perplexa, sabe? Você realmente parece um trovão, com todos aqueles movimentos e tals.
“Perplexa”? Interessante escolha de palavras...
— Então, eu decidi que um dia seria tão incrível quanto você — complementou.
Eu senti meu corpo se retesar por um momento.
Eu sempre soube que ela me via como alguém a se alcançar, mas se assemelhar e me admirar? Eu nunca achei que escutaria algo assim.
De repente, me senti muito alegre, mas contive o sorriso que ameaçava aparecer.
— Você ainda não respondeu minha pergunta — observei.
— Ahh, é que um cara tão ligado à luta não deveria ser tão bom com as palavras. — Mexia nos dedos, como todas as vezes que ficava nervosa.
— Eu sou simplesmente incrível. — Fiz uma pose arrogante. — Eu sou bom em tudo.
—Ninguém é bom em tudo. Eu pensei que você fosse o representante da verdade... — Deixou a frase no ar, e o riso chegava aos seus olhos.
Ah, se ela soubesse da verdade. Se ela soubesse que eu era, praticamente, um mestre em mentir e omitir, e que fazia isso com mais frequência quando estava em sua presença.
— Eu sou bom em tudo que importa — rebati em tom leve.
— Realmente, palavras e ação são coisas muito importantes — concordou, para minha surpresa.
— Mas eu sou bom em outras coisas também. Em muitas outras coisas — Falei, jocoso, outra vez insinuando algo.
Sim, minha maior diversão era lhe falar coisas sacanas. Mesmo querendo, desesperadamente, lhe ensinar cada sórdida palavra na prática.
Ela, enfim, percebeu.
— Você está fazendo aquilo de novo! — Gritou, cruzando os braços e parecendo emburrada.
— O quê? — Me fiz de inocente, batendo as pestanas, assim como ela fazia comigo.
— Falando de coisas que não entendo. Fazendo duplo sentido e nunca me explicando o motivo da graça. E, agora, eu não tenho mais como perguntar ou pesquisar. — Colocou o dedo perto do meu nariz, de maneira acusatória.
— Se você não sabe o que é e não entende o duplo sentido, como sabe que estou fazendo isso?
Ela parou e refletiu, parecendo confusa.
— Não tente me confundir. Eu conheço você, Son Hak! E outra, você me prometeu que só faria uma piada uma vez por semana. — Sorriu, vitoriosa.
— Se eu prometi que só faria uma vez por semana, então eu estou dentro da cota, né?
Ela balança a cabeça de um lado para o outro, desgostosa, com se estivesse ensinando uma criança birrenta. Abusada!
—Já é a quarta. — Fez quatro com a mão. — A quarta vez que você faz isso na semana. E olha que hoje ainda é terça-feira.
— A de domingo não vale, porque domingo é território neutro.
Ela revirou os olhos para meu argumento falho. Merda!
Esse acordo nem deveria ser válido, já que ela me fez concordar com ele quando eu estava bêbado demais para pensar em qualquer coisa.
— Mas, ainda assim, ficam três vezes, Hak. Então, você lembra que tem que fazer o que eu pedi quando extrapolar, certo? — Tripudiou, com uma expressão quase perversa.
— Hummm. — Ela me faria falar à noite inteira, até que minha voz estivesse rouca.
Contive um suspiro, sentindo meu corpo protestar com antecipação.
— Eu quero que você fale um daqueles poemas bonitos — cantarolou.
— De novo, Yona? Das últimas vezes você pediu a mesma coisa.
— Mas dessa vez eu quero um poema que você goste — esclareceu.
— Eu gosto de todos. — Tentei arrumar uma forma de fugir.
— Um que você adore. Um dos seus preferidos — insistiu, agarrando a grama de tamanha que era sua empolgação.
— Ahh, tudo bem. Vamos lá — resmunguei.
Eu era um banana. Quando chegaria o dia em que conseguiria lhe negar algo?
— Yuppp! Você é o melhor, Hak! — Ela se atirou em meus braços, me apertando com vontade.
Melhor. Sensação. Do. Mundo.
Bem, talvez pudesse ficar melhor. Com um beijo, quem sabe. Mas, provindo de um poema que já a ensinei: “Para um homem sedento, uma gota d’gua é como um lago.”, aquilo já me bastava.
— Só uma perguntinha: Com quem você aprendeu esse que você vai me contar agora? — perguntou, enquanto se remexia para ficar mais confortável.
Ela não tinha ideia de quais sensações conseguia despertar em mim.
Parei um pouco, lembrando-me das vezes em que escutei o poema. Eu era bem menor e bem mais manhoso, sempre me agarrando a minha mãe quando ela começava a conta-lo.
— Minha mãe me contava — respondi, meu tom saindo mais brando. Recorda minha mãe sempre fazia isso comigo.
— Deve ser bem especial, então — sussurrou.
— É sim, muito — concordei. — Mina mãe era uma cigana, sabia?
A mais bela cigana de todas. Com o tempo, fui me esquecendo de suas feições, mas nunca esqueceria o modo como dança ao redor da fogueira. Como a voz era clara, como o vestido voava livre.
Ela me encarou de olhos arregalados.
— Deve ser por isso que você é tão... — Se interrompeu.
— O que? — Virei à cabeça tão rápido que temi ter machucado meu pescoço.
Nossos olhares se encontraram, meu rosto tão próximo ao seu que só mais alguns centímetros e eu estaria com os lábios encostados na bochecha dela.
Ela corou e inclinou a cabeça no meu peito, desviando sua atenção de mim.
— Eu não consegui escutar a ultima parte. Você pode repetir? — perguntei.
— Depois eu falo. — Eu comecei protestar, mas ela me interrompeu. — Eu prometo que vou falar. Talvez não hoje, mas quem sabe amanhã?
Ela parecia extremamente desconcertada, e eu estou mais que curioso para saber, todavia, não quero chateá-la a ponto de fazer com que saísse dos meus braços.
— Depois eu vou cobrar — adverti-a.
— Tá. Agora começa, tá bom? E, Hak, depois me conta mais da sua mãe. Quando você estiver com vontade.
De algum jeito estranho, Yona sempre sabe quando eu conseguia ou não falar sobre algum assunto. E era por saber que o assunto seria pesado demais que ela não me pressionou.
Seria um prazer compartilhar as lembranças da minha mãe com uma das pessoas mais importante para mim na atualidade.
— Um dia eu te conto cada coisinha que ela me ensinou, mas, agora, vou te mostrar o meu poema favorito. Preste muita atenção nele. Mamãe dizia que ele foi feito para mim. Claro que isso não é tão verdade — completei, sabendo que minha mãe me tinha em uma estima muito mais elevada do eu merecia.
“Ele parece que foi feito pra você, princesa.” Pensei, me dando conta não poderia existir algo mais verdadeiro.
Seus olhos, tão lilases, tão belos, tão puros,
de vivo luzir,
estrelas incertas, que as águas dormentes
do mar vão ferir;
— Hummm...Hak — Me encarou, parecendo um pouco duvidosa sobre minha capacidade mental. — seus olhos são azuis e ela achava esse poema sua cara? Tipo, o que?
— A cor dos olhos não importa, princesa. — Mexi as mãos, como se estivesse desdenhando de sua interpretação. — Ela falava pra mim “seus olhos, tão azuis, tão belos”... E meu pai falava pra ela “Seus olhos, tão marrons, tão belos...” Entende? — Tentei explicar, mas sabendo que tinha mais atrapalhado do que ajudado.
— Ahhh, mas como é o original? — Me analisava, divertida.
“—” Seus olhos, tão pretos”. Mas minha mãe me dizia que certas coisas são tão especiais e certeiras que só nos resta adaptar e pensar que o poeta sabia que um dia alguém se encaixaria e gostaria de ter sua obra viva em alguém.
Ficamos cerca de um minuto calados.
— Isso é tocante. — Ela pareceu encantada com minhas palavras.
Ela era tão fácil de enganar. Poucas palavras e qualquer um era digno de sua atenção.
— Sim, mas presta atenção nas palavras em geral, princesa. — Balancei meu dedo indicador, dando um leve peteleco em seu nariz e ganhando uma gargalhada. — Se você me interromper de novo e não prestar atenção no poema, eu nunca mais te conto nenhum.
— Pare de me tratar como uma criança — resmungou, porém ficou séria quando viu que eu não brincava. — Vou ficar tão calada que você nem vai me notar aqui.
Rá! Como se isso fosse possível.
Seus olhos são lilases, tão belos, tão puros,
assim é que são;
às vezes luzindo, serenos, tranqüilos,
às vezes vulcão!
Yona, será que você se lembra de quando você teve que aprender a realidade do mundo? Eu acho que meu coração ainda sangrava ao lembrar-se de suas lágrimas e suplicas. Só que meu coração se orgulhava também. Orgulhava-se de sua força, de sua garra. Eu pensei que não teria como me apaixonar mais por você, outra vez me enganei.
Eu amo seus olhos tão lilases, tão puros,
de vivo fulgor;
seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
que falam de amores com tanta poesia,
com tanto pudor.
Será que você percebeu como frisei a parte pudor, Yona? Será que sabias que a primeira palavra que pensei quando te conheci foi essa? Será que você não sentia que todos os meus poemas preferidos eram aqueles que me lembravam de você? Que era meu primeiro e último pensamento do dia?
Seus olhos tão lilases, tão belos, tão puros,
assim é que são;
eu amo esses olhos que falam de amores
com tanta paixão.
Eu adoraria ser o amor que você falava com tanta paixão. Adoraria ser aquele que te mostraria o doce sabor da sedução. Eu veneraria seu corpo e sua alma. Faria você entrar no inferno e implorar por mais, até que te levasse para o mais puro paraíso. Pena que tudo nunca passaria de um desejo profundo.
— Wow! Seu pai gostava mesmo dela, né? — Sua voz não era mias que um sussurro no fim de tarde.
Fiquei surpreso ao constatar que já estava escurecendo.
— Sim, ele a adorava. Eu adoro esse poema porque ele me lembra das pessoas que mais amo.
Inclusive você.
— O poeta deveria amar muito alguém, não é?
— Acho que sim. Ele deveria amar alguém muito especial.
— Um dia eu quero ter um amor assim. — Seus olhos ficaram distantes.
Ela deveria estar pensando nele. Senti uma dor em meu coração, mas tentei não transparecer.
— Um dia você vai ter — afirmei com convicção.
— E você? Algum dia vai ter? — Seus olhos estavam arregalados, ansiosos pela minha resposta.
Estranhei seu estado afoito. Ela sempre rebatia minhas provocações falando que eu era solteiro porque ninguém me aguentaria, só que agora parecia que minha resposta erra questão de sobrevivência.
— Quem sabe? — Dei de ombros. — Talvez um dia.
— Se você recitar um poema para uma garota, eu tenho certeza que ela corre grande risco de se apaixonar — disse ela, olhando para os próprios pés.
Tive que empurra-la um pouco para ver sua cara.
— Então vou para de recita-los para você.
— Como? Por quê? — questionou, confusa.
— Ora, não quero que se apaixone por mim.
Ela ficou vermelha. Não sei se de raiva ou de vergonha.
— Calma, princesa. — Dei leves batidinhas num de seus ombros, simulando acalma-la. — Eu não vou usar minhas habilidades de sedução com você, não se preocupe. Até porque sua pessoa se assustaria com minha...pegada. — Ela ficou ainda mais vermelha com meu termo chulo. A vitória rugia em meu sangue por eu saber que era o único que poderia recitar seus vários tons de vermelho. — Eu posso ser demasiado impetuoso para alguém tão inexperiente.
Ela ficou quieta em meus braços, tão quieta que eu nem ao menos sentia sua respiração.
Pensei que ela fosse esbravejar e sair perto de mim, entretanto ela apenas desconversou com maestria, assim como foi ensinada a fazer.
— Agora são quatro vezes. Você me deve outro poema, mas — Bocejo, mas achei que era fingido. — vamos deixar para amanhã. O tempo passou tão rápido que não vi o céu escurecer.
Agora, estava tão escuro que eu não conseguia mais ver as sardas de seu rosto.
— Eu tenho esse efeito — zombei.
— Baka! — Revirou os olhos.
Ela se aconchegou mais em mim, fechando os olhos.
Achei melhor deixá-la quieta. Fiquei olhando as estrelas e me perguntando com ela não percebia minha paixão. Era tão claro que até o esquilo ~Ao ~ já tinha percebido e ela não. No fim, meio que era melhor assim. Talvez fosse até um pecado ter esses pensamentos. Recordei todos os anos em que passamos juntos, sempre me enganando que um dia isso fosse passar. Amaldiçoei o rumo que meus pensamentos estavam tomando e me dei conta que já tinha escurecido por completo.
Senti a respiração uniforme de Yona. Meus olhos também pesavam. Sob a luz das estrelas, puxei seu corpo, achando que não teria problema tirar um leve cochilo.
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