Psychotic Girl
13 Capítulo XII - Vestiário.
Notas iniciais
Agradecimentos: Obrigada por comentarem Naty The Psychotic Killer, LilyCastairs, Oni Uchiha, Hufflepuff Pride, Srta Vengeance, Miki HA, Pekenáà e Potterhead e Otaku (Otaku).
Muito obrigada por favoritar a fic Hufflepuff Pride *U* Não te mencionei antes, né? Desculpe, não tinha visto ; ^ ; Ah e é claro, muito obrigada mesmo por sua recomendação Naty The Psychotic Killer *3* Muito kawaii também >w< Sinto-me honrada com essa segunda recomendação *---* Sophie descrita como uma yandere... Hmm... É, verdade, ninguém imagina que ela tenha esse "lado negro" - ninguém da história rs -, mas eu a descreveria como Kuudere¹.
Tá, já chega, escrevi demais aqui ò.ó Boa leitura!
Outro tedioso dia de aula. O tempo havia mudado, ficando ainda mais frio e em breve, nevaria. Alguns alunos apareceram doentes no colégio e mesmo assim, estando tão frio, os professores insistiam em deixar as janelas abertas e os ventiladores ligados. O zelador regava o gramado e o jardim do colégio, deixando um cheiro agradável de terra molhada.
E lá estava Sophie, como sempre, sentada em sua carteira, observava o céu acinzentado com a cabeça encostada na janela logo ao seu lado. Tão pouco prestava atenção na aula, religião, algo que realmente não interessava a garota. A professora, Dona Eliana, parou a aula e pigarreou.
- Ahn, Sophie... — chamou.
Por estar inerte em pensamentos reflexivos, a garota não a ouviu.
- Sophie! — gritou.
A garota despertou, voltando a realidade. Encarou a professora por um momento, não expressando emoção alguma e nem falta dela.
- Está prestando atenção na aula? — perguntou Eliana.
- Não. — Sophie a respondeu.
Eliana cruzou os braços e a encarou, todos os alunos se mantiveram em silêncio. A professora tinha a intenção de fuzilá-la apenas com seu olhar, porém, não obteve o resultado esperado. Sophie a encarou da mesma forma, o olhar da aluna era mais penetrante, intimidando-a. Eliana desviou o olhar para baixo, recuando alguns passos para trás também e apoiando-se de costas em sua mesa. O sinal tocou, anunciando o término da aula, a seguir viria o intervalo. Eliana virou-se para sua mesa e recolheu seus pertences, saindo de sala logo em seguida. Sophie fechou seu livro, com um longo e pesado suspiro de desânimo. A garota levantou-se, alongando seus membros e após isso, bocejou, sob seus olhos havia profundas e pesadas olheiras, parecia não dormir a meses.
- Vamos indo, Sophie? — chamou Louise, aproximando-se — Incrível, como consegue fazer isso? Uma aluna exemplar receber um sermão de uma professora por não estar prestando atenção, em frente aos seus colegas de classe e ainda se manter firme... Eu te admiro.
Sophie riu.
- Não sei porque, ser uma pessoa forte e vazia é algo muito sem graça. — respondeu — Imagino como deve ser sentir tantas emoções quanto você, deve ser uma aventura e tanto.
Desta vez, quem riu foi Louise.
- Certo, certo. — concordou — Vamos logo, "senhorita nada".
Louise agarrou a mão de Sophie e a levou para fora de sala, as duas seguiram pelo longo corredor no mesmo ritmo e nos mesmos passos, como se fosse algo sincronizado. Ao sair do prédio, Louise parou, Sophie a observou enquanto a garota olhava ao redor, procurando por algo, ou melhor, alguém.
- Bom dia, senhoritas. — soou uma voz masculina.
- Yuzuru! Oi! — cumprimentou Louise.
- Oi. — disse Sophie, mordendo o lábio superior e fitando o chão logo em seguida.
- Com licença, Sophie está muito ocupada? — perguntou.
As duas se entreolharam e sorriram maliciosamente. Sophie jogou o cabelo para trás num gesto esnobe e avançou um passo à frente.
- Sabe, tenho meus compromissos, afinal, sou uma pessoa muito ocupada. — a garota colocou as mãos na cintura, para dar um ar superior — Mas, posso tentar arranjar um tempo livre pra você.
Sophie olhou para Louise que estava logo atrás, as duas riram por um momento, enquanto Yuzuru apenas sorria timidamente e desviara os olhos para o chão, enfiando suas mãos nos bolsos da blusa de frio.
- É brincadeira. — disse Sophie — Vamos?
Yuzuru assentiu, estendendo-lhe o braço, Sophie o agarrou e os dois seguiram até o gramado atrás do prédio do colégio, o mesmo lugar de sempre. Todos os dias faziam isso, debochar do rapaz e em seguida acompanhá-lo havia se tornado uma rotina. Os dois sentaram-se sobre a grama, ajeitando o pano xadrez e o lanche no mesmo local.
- E aí, novidades? — perguntou Sophie.
- Ahn, acho que não... — respondeu — E você?
- Não. — respondeu — Depois preciso consultar Sabrina, ela que sempre sabe das coisas, acho que tem um evento programado para o fim do mês.
- Ata, mas ainda não foi anunciado nada. — o rapaz comentou.
- Não, mas Sabrina ficou sabendo através dos professores e me contou, até mesmo ela não sabe o que é. — justificou — Pelo que parece, todos estão muito empolgados.
- Entendo. — ele concordou — Pelo que sei, não há muitos trabalhos de campo nesse colégio.
- Não, o último foi há dois anos ao Jardim Botânico. — respondeu Sophie.
- O que tem feito ultimamente? — perguntou Yuzuru.
- Ah, nada de mais, nada de interessante... O de sempre. Tenho estudado bastante ultimamente. — mentiu — Semana que vem já são as provas.
- É mesmo, tinha me esquecido das provas. — comentou.
- Ah, vai participar da "Maratona do Saber"? — perguntou Sophie.
- Aquela prova de todas as matérias para avaliar nosso QI e ainda concorremos a prêmios? É, talvez, não pensei sobre isso ainda, ando muito ocupado. — respondeu — E você?
- Oh, gente, o senhor Yuzuru é muito ocupado, que dó, que dó! – debochou, apertando as bochechas do garoto.
Yuzuru sorriu, revirando os olhos.
- Tá, tá. – falou – Dona Mocinha!
- Ah, não! Não me chame de Dona Mocinha! – ela recuou – Odeio isso.
- Ah, que dó, que dó! – Yuzuru a provocou – A Dona Mocinha não gosta de ser chamada de Dona Mocinha, coitada da Dona Mocinha, gente.
Sophie revirou os olhos, cruzando seus braços.
- Você é um idiota. – xingou.
- Eu sei. – concordou – Mas não preciso de você esfregando isso na minha cara, cabeçuda.
- Como é que é?! – ela arregalou os olhos, mudando sua expressar séria para uma mais irônica – Eu não ouvi isso! – Sophie descruzou os braços – Vou ironizar porque matar ainda é crime.
- Você não teria medo de matar alguém. – falou.
Sophie espantou-se por um momento, ficando alterada.
- O que quer dizer com isso? – perguntou séria.
- Calma, calma. Era só brincadeira. – justificou – Por que ficou tão alterada?
- Desculpe, é que eu levo essas coisas muito a sério. – a garota forçou um sorriso, para desfazer toda sua tensão.
- Entendo, eu que peço desculpas. – falou – Então, você vai participar?
- Ahn? Ah, da maratona? Não sei, provavelmente não, não sou muito inteligente. – ela o respondeu.
- Ah, qual é Sophie! – debochou – Você é muito inteligente, não me venha com essa.
A garota revirou os olhos. Os dois começaram a comer. Sophie teve uma estranha sensação, não um pressentimento ruim, mas sim uma presença maligna que lhe era familiar e que não via há um tempo, ela olhou ao redor, tentando encontrar a fonte e então avistou um garoto encapuzado – Jeff. Por impulso, ela se inquietou por um momento, demonstrando sua alteração, tinha muito a esclarecer com ele. Yuzuru percebeu essa mudança, olhando diretamente para Jeff.
- Seu amigo? – perguntou.
- Ah, sim... – respondeu – Desculpe.
- Não, não, tudo bem. – falou – Quer ir falar com ele?
- Não posso te deixar aqui, isso seria rude. – explicou.
- Tudo bem, não tem problema, fique a vontade. – falou – Sério Sophie. Se for importante, então vá, outro dia nos encontramos.
Sophie sorriu.
- Desculpe mesmo...
- Tudo bem. – Yuzuru retribuiu seu sorriso.
Sophie levantou-se, um pouco hesitante, e correu até Jeff.
- Jeff? – chamou.
- Ah, oi. – respondeu.
- Por que você sumiu?! Meu Deus, Jeff... A Jane, ela já entrou em ação. – começou, já meio frenética – O que você andou fazendo esses dias?
- Calma! – pediu – Eu vou explicar tudo, apenas tenha paciência.
Sophie cruzou os braços, aguardando por sua explicação.
- Eu sei que Jane armou uma cilada para te atacar, mas não pude fazer nada. – falou – Tive de ficar imóvel todos esses dias porque ela estava me observando e se eu fizesse algum movimento, ela iria atrás da sua família. – explicou – E você não ia gostar disso, certo?
Sophie abaixou a cabeça, consentindo.
- Certo, obrigada por se importar. – falou.
Jeff ficou corado e desviou o olhar.
- Ah, eu não me importo... – gaguejou – Apenas não queria que ficasse deprimida, isso podia afetar seu desempenho na hora que fossemos matar alguém. Digo, você já é ruim, deprimida deve ficar pior.
Sophie revirou os olhos.
- Perdi alguma coisa? – perguntou.
- Escola. – respondeu – As provas começam semana que vem.
- Estou pouco me fodendo, não preciso dessa merda! – disse Jeff – E você também não. Enfim, estou falando de coisas realmente importantes. Você confrontou Jane, certo?
- Sim. – respondeu.
- Não consigo acreditar que uma simples humana conseguiu sobreviver num confronto contra Jane, ela é muito forte. – comentou.
- Tão forte quanto você, acredito. – disse Sophie – E como assim uma simples humana?
- Sophie... Sophie, Sophie. – Jeff sacudiu a cabeça negativamente – Tudo há seu tempo, um dia, tudo irá se explicar, não posso te contar nada por enquanto.
Sophie revirou os olhos, seguidos de um suspirou longo e pesado.
- E quem é “aquele cara”? – perguntou.
- Como assim? – perguntou Jeff, confuso.
- Ora, ele me ajudou. – disse Sophie – E afugentou Jane, ele parecia muito mais forte que ela.
- Como era? – perguntou.
- Alto, forte, calça e moletom pretos...
- Usava uma máscara? – interrompeu-a.
- Não, só um capuz. – respondeu.
- Então eu não o conheço. – falou – Ele te ajudou, é? Ah, que seja, fraca. – ironizou secamente, havia uma pontada de ciúmes no que Jeff dizia, mas Sophie não percebeu isso – Enfim, depois pesquiso sobre esse cara.
Sophie deu de ombros. O sinal toco, encerrando o intervalo.
- Tenho que ir. – disse Sophie – Até mais.
Jeff assentiu e virou-se de costas para a garota, seguindo em frente e desaparecendo pelo colégio. Sophie olhou por cima dos arbustos para verificar se Yuzuru ainda estava ali no gramado. Nada, o garoto já havia partido também. Sophie seguiu para o prédio do colégio, encontrando-se com suas três amigas no corredor, acompanhadas por Thomas. Ela se lembrou de que já fazia um tempo desde que falara pela última vez com o garoto. Seria naquele encontro? Sua memória falhara, mas isso não lhe era importante e Thomas não havia lhe feito falta alguma.
- Soube da última? – perguntou Sabrina.
- Nunca sei até perguntar a você. – respondeu.
- Claro. – Sabrina sorriu – A professora de matemática faltou e teve um problema com a eletricidade da escola, estão tentando usar o gerador. Sendo assim, irão mudar todas as aulas de matemática, apenas por hoje, para o mesmo horário e fazer uma única aula vaga.
- Interessante... – disse Sophie.
- Ah e tenho mais a contar. – disse Sabrina, olhando todos incluídos na roda – Uma surpresa, vamos para a sala que eu conto tudo. Thomas, você fica.
Thomas ficou tristonho e cabisbaixo, decepcionado por ser abandonado por suas amigas. Sabrina pegou os pulsos de Louise, Verona e Sophie e as puxou de volta para a sala de aula. Estava vazia, já que com a aula vaga os alunos ficariam perambulando pelo colégio.
- Então, se lembram do caso de 1996? – perguntou Sabrina.
As outras três se entreolharam, confusas.
- Não. – respondeu Sophie – Qual?
Sabrina manteve-se boquiaberta.
- Não acredito que não se lembra do assassinato de 1996... – debochou – Certo, certo. Irei contar o que aconteceu porque uma senhorita cabeçuda esqueceu. – falou – Bem... Em 1996, nesse mesmo colégio, estavam terminando a construção do terceiro prédio, que seria utilizado para crianças menores. Mas parte desse prédio já estava sendo utilizada, por exemplo, o vestiário. E então, uma garota estava procurando por suas amigas, até que as encontraram mortas no vestiário. – contou – Estavam todas as três garotas mutiladas, cheias de mordidas, seus órgãos internos espalhados pelo vestiário, seus membros foram arrancadas e seus olhos perfurados. O prédio foi interditado imediatamente, nossa entrada é proibida e até hoje não encontraram o assassino.
Verona estava agarrada ao braço esquerdo de Sophie e com seus ombros encolhidos, enquanto Louise estava impressionada e Sophie, como sempre, pouco se importava.
- Aonde quer chegar com isso? – perguntou Sophie, indiferente.
Sabrina sorriu maliciosamente.
- Enfim, dizem que após o assassinato dessas garotas, o prédio se tornou amaldiçoado, principalmente o vestiário. – respondeu – E que quando se passa por lá é possível ouvir passos, arrastar de correntes, risadas maléficas e gritos.
- Hum e deixe-me adivinhar, você quer ir até lá comprovar se é verdade ou não, certo? – perguntou Sophie presunçosa.
- Justamente. – Sabrina respondeu e seu sorriso apenas ia se alargando.
Sophie revirou os olhos, porém, não pode conter o sorriso que se formava em seus lábios, achava aquilo tão interessante quanto Sabrina. Apenas Verona e Louise não achavam que aquilo seria uma boa ideia, Verona por ser muito sensível e medrosa e Louise porque acreditava que o prédio estava imundo, num estado que chegaria até ser perigoso e também porque se elas fossem pegas poderiam ser suspensas.
- Certo, que tal acabarmos logo com isso? – disse Sophie – Afinal, sabendo que se trata de Sabrina, ela irá insistir até que aceitemos.
- Estou achando que você está desistindo rápido demais, Sophie. – disse Louise, desconfiada – Admita, você também quer ir ao vestiário.
- Sim, me parece algo interessante e além do mais, estou entediada. – respondeu.
- Mas é perigoso, corre risco de cair! – disse Louise – Deve estar uma podridão e também: se formos pegas, estamos ferradas.
- Vamos, por favor... – persuadiu Sabrina.
- Ah, certo, está bem. – Louise cedeu – Vamos, não é mesmo, Verona?
- Ahn? O que?! Eu?! – gritou – Vocês que vão sozinhas, eu fico por aqui.
- E como vai ficar tranquila sabendo que suas amigas estão se arriscando e se divertindo e você aí, sozinha, sem ninguém pra conversar? – perguntou Louise, num tom de ironia.
Verona suspirou, derrotada.
- Certo... Também vou. – cedeu.
As outras três deram de ombros, sorrindo. Pegaram as mãos umas das outras e seguiram pelo corredor, ignorando todos os olhares aleatórios. Saíram do prédio e seguiram por trás, passando pelo gramado pouco visitado. A uns cem metros estava o prédio, interditado por faixas, tábuas e correntes. Tinha um ar obscuro e sombrio, tanto que a fraca luz do som que iluminava o dia através das nuvens não o alcançava. Verona estremeceu, agarrando-se a Sophie.
- É esse, meninas. – disse Sabrina – Eu e Louise já olhamos a planta da escola, conhecemos cada canto desse prédio.
- Quando vai ser demolido? – perguntou Sophie.
- Não se sabe. – respondeu Louise – Por enquanto, é apenas um planejamento.
- Vamos entrar pela porta dos fundos, a da frente está lacrada e certamente perceberam algum movimento nosso. – disse Sabrina – Mas, passando por trás, teremos de atravessar a parte ainda não completada do prédio.
- Tanto faz. – Sophie deu de ombros.
As quatro respiraram fundo e seguiram até o prédio abandonado. Atravessaram o campo, passando pelo prédio e indo direto para a parte de trás. Havia um grande buraco e por ele era possível se ver a quantidade de entulho e o estado deplorável do local, mas apenas a parte próxima do buraco, o resto não era iluminado, por tanto, estava tudo escuro. Um pouco hesitantes, elas entraram naquele buraco. O chão estava húmido, se ouvia o som das goteiras e do andar de ratos. Mas o que mais incomodavam as meninas era o cheiro, era algo semelhante ao esgoto. Um rato passou próximo ao pé de Verona e a garota saltou, apertando mais ainda o braço de Sophie. Atravessaram o local, sendo cautelosas para não tropeçar nos materiais de construção. Acabaram se deparando com uma grande porta de aço, que estava lacrada por tábuas e correntes. Sabrina puxou as tábuas na intenção de quebra-las, porém, não era suficientemente forte para isso e estava com nojo de tocar qualquer coisa devido à podridão e fezes.
- Sophie, pode me ajudar aqui, por favor? – pediu.
Sophie suspirou, levando as mãos para a cintura. Caminhou em direção à porta, primeiramente, chutando as tábuas, fazendo com que elas imediatamente se partissem. E em seguida, agarrou as correntes, esforçando-se para puxá-las, até que partissem também. Sophie afastou-se da porta, se concentrando por um momento e depois, chutando-a com força, fazendo com que ela se abrisse. Após isso, as quatro empurraram a porta até que estivesse completamente aberta. Passando pela porta, encontraram a parte do prédio que já havia sido concluída; um longo corredor igual ao dos outros prédios, com armários, salas de aula e vestiários. Porém, estava num péssimo estado, uma aparência horrível, um fedor insuportável de carne putrefata, goteiras, insetos e roedores, canos expostos, musgos crescendo pelas paredes e um líquido preto desconhecido. Caminharam pelo corredor, sendo cautelosas a cada mero movimento e olhando ao redor constantemente.
- É aqui. – disse Sabrina, parando em frente a uma porta idêntica aquela que haviam encontrado anteriormente.
Assim como a outra porta de aço, estava lacrada por tábuas e correntes. Sophie fez o mesmo. Louise, Sabrina e Verona distanciaram-se da porta, dando espaço a Sophie. A garota chutou as tábuas com força, partindo-as e depois agarrou as correntes, puxando-as logo em seguida até que se arrebentassem. Sophie chutou a maçaneta, quebrando-a e depois se distanciou um pouco da porta, voltando a se aproximar dela, porém, com mais velocidade, se atirando contra a porta. A porta se abriu, mas não o suficiente para que elas passassem. Sophie a empurrou, causando um ranger assustadoramente alto e desgastante que ecoava por todo o prédio. Lentamente a porta se abriu, até que pudessem passar, uma por uma. Sophie entrou primeiro, chamando as outras três. O estado do vestiário também era deplorável, praticamente o mesmo cenário encontrado no corredor, porém, havia marcas de mãos – feitas, aparentemente, por sangue – nas paredes e no teto, arranhões tanto no chão quanto na parede, poças de sangue espalhadas pelo local, todos os ratos ali estavam mortos e o cheiro de podridão era mais forte. As meninas começaram a tossir e Verona, por ser a mais sensível, foi a primeira a vomitar. Após isso, todas tamparam o nariz para que não sentissem o cheiro desagradável, senão, vomitariam também.
- Que estranho... – murmurou Louise.
- O que? – perguntou Verona – Tudo aqui é estranho.
- Não é isso. – falou – Nas fotos do jornal de 1996 não mostravam esses arranhões e nem marcas de mãos, sem falar que as poças de sangue tinham sido limpas.
- O assassino nunca foi encontrado, certo? – perguntou Sabrina – Então, ele pode estar ativo e usando esse local como esconderijo.
- Ah, para gente! Cale a boca, eu estou com medo! – choramingou Verona, demonstrando todo seu pavor.
Elas ouviram um forte som que se assemelhava a uma pancada e por reflexo, todas olharam na mesma direção, onde viram o vulto de uma sombra. Ficaram por um momento daquele jeito, imóveis, apenas encarando. Até que o som ouvido novamente, porém, da direção oposta. Todas se viraram novamente, encarando a mesma direção. A atmosfera ficou mais densa e pesada quando um vento gelado soprou, fazendo com que todas as quatro se arrepiassem, um som de passos foi ouvido, seguido por um arrastar de correntes. Verona já estava chorando.
- Ah... – Verona gemeu – Eu disse que era uma péssima ideia! Estamos ferradas, vamos morrer...
- Cale a boca! Não vamos morrer, se acalme! – gritou Sabrina.
- Também não precisa gritar com ela, ela só está com medo. – intrometeu-se Louise.
Apenas Sophie continuou focada, sem baixar a guarda e nem se distrair, permanecia inerte e em silêncio. Sophie queria agir, se realmente tivesse alguém ali, mataria aquela pessoa apenas para sentir o sabor de seu sangue, o prazer em matar novamente. Porém, não poderia revelar essa lado bem diante de suas amigas, não mesmo, isso entregaria sua verdadeira identidade. Estava se esforçando para se controlar, mas era quase impossível. Até que, involuntariamente, suas pernas começaram a ser mover, ela estava caminhando. Tentava pará-las, mas não tinha mais o controle de seu próprio corpo. Andava dura, quase que forçadamente, já estava tremendo de tanto se esforçar para enrijecer seus músculos, mordeu uma ponta da língua por acidente. Sophie agarrou a porta de um dos armários do vestiário, arrancando-a e em seguida, voltou a caminhar em direção a porta. A adrenalina estava a alterando, o sangue de Sophie corria acelerado e fervendo em suas veias, assim como as batidas irregulares de seu coração, a garota começou a suar frio enquanto um sorriso maquiavélico passeava por seu lábios. Sophie puxou a porta com uma força e brutalidade desnecessária, fazendo com que ela se abrisse por completo. Atravessou a porta, passando para o corredor. Olhou para um lado e depois para o outro, apenas ouvindo o som dos passos pesados e lentos e da corrente. Um outro som se misturou, como se fosse de uma respiração ofegante, densa e pesada que ecoava por todo o prédio. Sophie sentia-se um pouco tonta, como se tudo ao seu redor estivesse girando. Houve uma risada maléfica que zuniu pelos ouvidos da garota, fazendo com que ela despertasse. Ela sentiu algo como se fosse uma presença logo atrás dela, seu sorriso se alargou e em seguida se desfez, num movimento veloz, Sophie virou-se para trás, atacando o sujeito com a porta do armário. Porém, seu ataque fora bloqueado e o sujeito agarrara seu pulso. Sophie o olhou, ficando aliviada por ser apenas Yuzuru. Ele a encarou, direto em seus olhos, os olhos do rapaz não pareciam mais os mesmo; não havia vida e nem brilho algum neles. Ele a encarava com seriedade.
- Yuzuru... Alguma coisa errada? – perguntou Sophie, não compreendendo sua expressão – O que você tá fazendo aqui?!
- Vim me certificar de que você estava bem. – respondeu – Pelo amor de Deus, Sophie... Tem noção do perigo em que se meteu? Aqui é um lugar perigoso e aquele assassino ainda está a solta, quem garante que ele não está aqui?!
- Isso... Isso não diz respeito a você! – gritou – Sua vinda foi desnecessária, eu sei me cuidar.
- Ah, claro. Olhe o seu estado! Nem consegue se manter de pé direito, está tonta e desidratando. – falou, Yuzuru a olhou da cabeça aos pés, avaliando-a – E... Você está ferida.
- O que? Não estou não. – mentiu – Como sabe?!
- Está sangrando. – falou.
Sophie olhou para o local que havia sido ferido por Jane, a blusa da garota já estava completamente manchada de sangue.
- Você está perdendo uma quantidade muito grande de sangue, eu vou te levar pra enfermaria. – disse Yuzuru.
- Não, eu estou bem. – disse Sophie, atropelando suas próprias palavras.
Sophie começou a tossir e antes que pudesse perceber, já estava tossindo sangue. Yuzuru arregalou os olhos, assustado. Os sons de passos e correntes foram ficando mais altos e a risada foi ouvida novamente, Yuzuru olhou pro lado, como se soubesse de onde estava vindo. Em seguida, o garoto a carregou nas costas e correu de volta ao ponto de origem: a porta de aço. Sophie nem teve forças para resistir, estava quase desmaiando. A porta, que antes havia sido completamente aberta por Sophie, se fechou subitamente assim que Yuzuru se aproximou. Sem soltar a garota, ele abriu a porta com grande facilidade e saiu. A porta se fechou novamente logo atrás dele e ignorando os entulhos, correu pelo local escuro até estar fora do prédio.
- Não! Minhas amigas estão lá dentro, tenho que ajuda-las... – resmungou, quase sem forças.
- Elas conseguem sair de lá. – Yuzuru deu de ombros.
Sophie usou o pouco de força que lhe restara para dar um soco na cabeça do garoto.
- Me solte! Me solte! – gritou – Tenho que ajuda-las!
- Sua segurança é minha prioridade e não deixarei que volte para lá. – contrariou.
Sophie abriu a boca, prestes argumentar contra ele, quando o garoto a interrompeu.
- “Não preciso de sua permissão”, era isso que iria dizer, certo? – falou presunçoso – Certo, certo. Então fique quietinha aí e eu irei busca-las.
Yuzuru deixou Sophie deitada sobre a grama. Gritos femininos desesperados foram ouvidos e o garoto correu de volta para o prédio. Sophie levou sua mão a testa, tentando se manter acordada, porém, parecia que suas pálpebras pesavam toneladas e sua última visão foi o sol que surgia entre as nuvens.
– — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -
Quando Sophie acordou, estava num quarto branco, deitado numa maca, internada, recebendo sangue e com um tubo passando por debaixo de seu nariz, auxiliando em sua respiração. Olhou ao seu redor, percebendo uma máquina que estava acompanhando seus batimentos cardíacos. Ainda um pouco tonta, suas pálpebras pesavam e sua cabeça latejava. Olhou ao seu redor novamente prestando mais atenção aos detalhes à medida que sua visão ia ficando mais nítida e encontrou Yuzuru, sentado numa poltrona branca do outro lado do quarto, a observando. Sophie abriu mais os olhos, para vê-lo melhor e o garoto sorriu.
- A... Aonde eu estou? – perguntou, mas sua voz era tão fraca que mais parecia um sussurro.
Yuzuru se levantou, aproximando-se de Sophie.
- Está no hospital. – respondeu – Você perdeu muito sangue, teve um surto de adrenalina e também desidratou, os médicos não conseguiram explicar isso direito, parece que houve uma anormalidade no seu corpo. – Sophie apertou os olhos.
- Merda... E as meninas, como estão? – perguntou Sophie.
- Bem, só um pouco assustadas, mas bem. – respondeu – Deveria ter tomado mais cuidado, poderia ter morrido Sophie.
A garota o olhou por um momento, os olhos de Yuzuru estavam repletos de dor e angústia, ele parecia estar sofrendo mais do que ela.
- Estou bem. – falou – Por que se importa tanto? Por que fez aquilo de me ajudar? Corria tanto risco quanto eu naquele lugar.
- Como eu já disse, eu te amo e apenas queria me tornar alguém indispensável pra você. – Yuzuru sorriu e Sophie desviou o olhar, ficando corada – Ah. – suspirou – Desculpe Sophie, só estava aqui esperando que acordasse, agora eu preciso ir embora, senão o meu velho fica preocupado.
- Tudo bem, não precisava se dar ao trabalho de me esperar. – falou – Hm... O-Obrigada, por se importar e por ter me ajudado.
O garoto alisou os cabelos de Sophie e em seguida se retirou do quarto. Sophie fechou os olhos novamente, pronta para dormir, quando ouviu sons pelo quarto. Pareciam passos, provavelmente de alguém que estivesse usando salto-alto. Sophie abriu os olhos novamente, observando uma mulher vestida de enfermeira virada de costas para ela. A enfermeira vira-se com uma seringa na mão que continha um líquido amarelo suspeito e então ela revelou sua identidade. Uma garota jovem, de cabelos negros, pele pálida e órbitas escurecidas – Jane. Sophie arregalou os olhos e então Jane lhe sussurrou:
- Olá Sophie, vá dormir...
Notas finais
Yuzuru: http://s1317.photobucket.com/user/NekoKillerLucyNyuKagamine/media/Yuzuru-PsychoticGirl_zpsd2c5a8bc.jpg.html (sim, da banda The GazettE =u= Eu ia usar um cosplay do Shin, mas não tinha nenhum muito másculo e_e Melhores sugestões mencionar nos comentários *3*)
Jeff: http://s1317.photobucket.com/user/NekoKillerLucyNyuKagamine/media/jeff_the_killer__cosplay_v_2__by_zledaren-d5rweqd_zps690cddf2.jpg.html?sort=3&o=7 (todo mundo sabe como é o Jeff, mesmo assim resolvi postar e_e)
Jane: http://s1317.photobucket.com/user/NekoKillerLucyNyuKagamine/media/Jane_the_Killer_zps1e05c663.jpg.html?sort=3&o=6 (todos sabem como é a Jane também e_e)
Sabrina: http://s1317.photobucket.com/user/NekoKillerLucyNyuKagamine/media/Sabrina-PsychoticGirl_zps82cff91c.jpg.html?sort=3&o=3 (achei num site de fotos fakes, como já disse, melhores sugestões mencionar nos comentários)
Sophie: http://s1317.photobucket.com/user/NekoKillerLucyNyuKagamine/media/Sophie-PsychoticGirl_zps9a73dd54.jpg.html?sort=3&o=4 (Achei no Google =u= Melhores sugestões mencionar nos comentários²)
Thomas: http://s1317.photobucket.com/user/NekoKillerLucyNyuKagamine/media/Thomas-PsychoticGirl_zps720d888a.jpg.html?sort=3&o=1 (Google -qq Melhores sugestões mencionar nos comentários³)
Verona: http://s1317.photobucket.com/user/NekoKillerLucyNyuKagamine/media/Verona-PsychoticGirl_zpsce49c18f.jpg.html?sort=3&o=2 (Site de fotos fakes =u= Melhores sugestões mencionar nos comentários)
Louise: http://s1317.photobucket.com/user/NekoKillerLucyNyuKagamine/media/Lousie-PsychoticGirl_zpsfd161e3c.jpeg.html?sort=3&o=5 (Fotos fake também =u= Melhores sugestões mencionar nos comentários.)
Capa atual?
Nova capa 1? http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/08/surrealismo2.JPG
Nova capa 2? http://imgs.abduzeedo.com/files/paul0v2/surreal-photomanipulation/surreal-16.jpg
VOTEM, POR FAVOR *^*
Obrigada por ter lido, espero que tenha gostado. Beijos! o/
P.S. Kuudere: Garotas frias que tentam ao máximo não expressar suas emoções, mas possuem momentos de fraqueza em que acabam sendo completamente moes e sempre que demonstram suas emoções acabam cativando as pessoas. Ex: Lucy (Elfen Lied)
Fale com o autor