Psychosocial
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Me desculpem pela demora, ok? x.x
E ai me contem como foram de feriado... pularam bastante carnaval? haha - Eu particularmente não gosto x.x
Mas enfim..
Eu tenho novidades, uma boa e outra ruim. Mas como manda a tradição começarei pela ruim:
- Psychosocial já está na reta final, pois é, sentirei falta dos comentários de vocês. :/
Mas isso será por um tempo, porque a noticia boa é que eu já estou com outra fic do Slip, e a postarei com o apoio de vocês, ok?
Enfim, é isso aê!
Vamos de 17°, façam uma boa leitura!
xx
Capítulo 17
A água quente do chuveiro abafava o vento gélido que entrava pela janela esquecida aberta por mim. Minha cabeça latejava, no entanto. Mas o motivo não era pelo choque térmico entre a fumaça da água fervente e a brisa que vinha de fora grudando pelas paredes, e sim pelo som suave que vinha da sala oval. Corey havia se trancado lá desde a nossa noite passada — turbulenta — dedilhando as teclas do piano que eu não tinha sabedoria que o mesmo sabia tocar. Talvez, apesar de tudo, eu ainda não tivesse absoluto conhecimento de quem realmente fosse Corey Taylor. Ou ele seja uma caixinha de surpresas, qual eu não gostava nem um pouco.
Como se o som viesse de metros distantes, desliguei o chuveiro. Me enrolei rapidamente na toalha, procurando pela minha bolsa num canto qualquer dali.
– John? — atendi assim que vi seu nome no visor.
– Olá Emily. Tenho uma ótimo notícia pra mim, mas acho que não tão boa pra você... Mas vamos ver, não é? Do jeito que você é imprevisível...
– Fala logo John!
– Marquei sua presença na livraria Marc Jacobs em New York. É muito importante comparecer em...
– Que droga John! — o cortei — Odeio quando você faz essas coisas sem me comunicar antes. Sou eu quem tem que decidir as coisas, não você. Nem é a merda do meu empresário!
– Calma Emi. Não deve reclamar, você só fez uma coletiva até agora e olha que já foi há um mês! Você precisa se dedicar nessas partes mais burocráticas também, sabe disso.
– Não começa John. New York é muito longe, e eu fiquei satisfeita com apenas aquela coletiva. Odeio ter que responder perguntas sobre a minha vida.
– Enquanto a isso, pode ficar tranqüila. Conhecendo um pouco de você, imaginei que sua principal desculpa seria esta, por tanto, consegui os convencer a fazer perguntas apenas sobre o livro, ok? N-A-D-A de vida pessoal, o quê me diz?
– Eu tenho alternativas?
– Você sabe que tem, mas que não tem ao mesmo tempo...
– Como é?
– Ah, Emily! Deixa de ser ranzinza, você só tem trinte e dois anos.
– Tudo bem, tudo bem, John. Quando vai ser?
– Amanhã.
– O quê!?
– Já comprei sua passagem. A gente sai daqui às oito da manhã e chegamos lá por volta das quatro da tarde. Nos hospedamos num hotel e temos duas horas até a coletiva.
– Okay. Nos escontramos no aeroporto.
Desliguei o telefone ainda bufando.
Me deitei na cama, ainda enrolada na toalha. Não era exagero, eu realmente não gostava de atitudes como aquela.
– Vai viajar? — me assustei com a voz súbita de Corey encostado no batente da porta.
– Vou, tenho uma coletiva.
– Muito longe?
– Acho que você escutou o suficiente da minha conversa, Corey. — respondi seca.
– Precisa de alguma coisa? Posso te dar a chave do meu apartamento lá.
– Não... Vou ficar num hotel.
– Vai demorar muito pra chegar?
– Não sei... Olha porque está tão interessado em saber? Se está pensando que é uma desculpa pra fugir de você, por favor né, mas confiança a si próprio. — continuei ríspida, dessa vez arrancando-o um sorriso torto.
– Amanhã eu te levo até o aeroporto, se quiser.
– Não precisa, o John vai me mandar um táxi. — respondi por fim, tentando cortar o assunto. Eu ainda não estava inteiramente disposta a conversar como se nada tivesse acontecido. Mas aparentemente ele não tinha o mesmo principio, com passos leves, veio até mim.
– Faça uma boa viagem então. — desejou, beijando minha testa e saindo do quarto logo em seguida.
°°°
Estávamos na fachada da livraria extremamente lotada, pra variar. Uma mesa apenas pra mim se encontrava num canto, acompanhada de um torre do meu recente livro lançado.
Abaixei os óculos escuros sobre meus olhos, num gesto quase inútil de protegê-los daqueles flashes que já eram disparados assim que dei meu primeiro passo adentro do estabelecimento. Com um sorriso forçado no rosto, continuei até meu lugar, acenando para aqueles que me cumprimentavam.
A coletiva se estendeu boa parte da noite. As perguntas, porém — como havia sido prometido por John — não eram a repeito de minha vida pessoal. Apesar do motivo de eu estar ali ser completamente relacionada a ela, eu me mantinha segura a inventar qualquer coisa, que no mínimo eram bem engolidas por todos eles.
Ao finalmente deixar a livraria com os meus dedos doendo e a cabeça latejando como sempre, acendi um cigarro numa calçada qualquer longe daquela aglomeração de gente.
– Senhorita Divisio? — escutei.
– Sim? — respondi, me deparando com um sorriso galanteador de dentes brancos. O rapaz alto de cabelos castanhos e olhos verdes estendeu sua mão pra mim.
– Sou Michael. Desculpe-me, eu sei que isto está parecendo muito estranho, mas te vi aqui sozinha e não pude perder a oportunidade.
– Tudo bem, Michael. Estava na livraria?
– Na verdade não... Cheguei atrasado demais. Mas parece que o dia hoje está ao meu favor! — completou rindo.
– Gosta de histórias sobre psicopatas, então?
– Um pouco, devo confessar. Mas seus livros são incríveis, Emily!
– Muito obrigado, Michael. — respondi, elevando meu cigarro mais uma vez a boca, vendo-o para seu olhar sutil sobre a aliança.
– Não me diga que está noiva daquele Corey Taylor?
– Posso ser sua escritora favorita, mas eu realmente não tenho que responder esses tipos de perguntas.
– Me desculpe, mas eu pensei que teria a chance de chamá-la para ir jantar comigo.
– Mesmo se eu não estivesse usando esse anel, não significaria que eu iria querer.
– É mesmo uma pena que esteja noiva, Emily. — continuou sem pudor algum.
– Senhor Michael, se me da licença, eu acabei de escrever meu nome em dezenas de capas de livros. Estou cansada demais para receber cantadas de baixo nível como está sendo as suas. Fico muito contente em saber que é um admirador de minhas histórias, por tanto, da próxima vez seja profissional e não tente dormir com a escritora.
Já irritada com os assédios daquele rapaz, apertei meus passos mais além procurando por um táxi — qual não demorou muito se aproximar. E como um inferno aquele homem não estava disposto a me deixar livre de seus incômodos naquela noite.
– O quê pensa que está fazendo? — perguntei assim que o vi adentrar o mesmo carro que eu.
– Estou tentanto te convencer a ir jantar comigo.
– Desse jeito o máximo que irá ter é a minha admiração de sua persistência.
– Eu prometo não tomar muito do seu tempo. Apenas um jantar, Emily, nada a mais.
– Não seja tolo. Quando anos você tem? Vinte e quatro?
O rapaz riu fraco, não se movendo nem um pouco daquele assento. Naquela altura eu já tinha dado as coordenadas do hotel onde estava hospedada, e o táxi já começara a andar pelas ruas movimentadas de NY. É claro que minha paciência já havia se esgotado desde o momento que ele decedira querer saber da minha vida, ainda naquela calçada. E agora que tivera a ousadia de me seguir, aquilo já estava beirando a raiva.
Depois de alguns minutos intacta dentro daquele carro, ele parou em frente ao hotel finalmente, me fazendo sair de dentro dali rápido, sem me importar com o valor que eu tinha que pagar. Me dirigi diretamente ao segurança que se encontrava perto da porta giratória dourada.
– Por favor, eu acho que estou sendo seguida por aquele homem. — apontei para o mesmo que entregava algumas notas ao taxista — Não o deixe entrar. — sussurrei, e o profissionalismo daquele mulato alto fez com que a tentativa daquele homem de continuar a me seguir fosse no mínimo frustrada. Ele não se aproximou do prédio do hotel de luxo e conseqüentemente de mim também, por meu conforto.
O que na verdade não demorou por muito tempo. Eu não fazia a mínima ideia de como havia conseguido, mas o incômodo de ter a certeza que havia o feito era incompreendível.
Fui até o restaurante jantar quando vi aquela mesma figura adentrar o local, olhando para os lados a minha procura, provavelmente. Bufei, tentanto achar um jeito de sair dali sem que fosse vista, mas como uma maldição, ele já estava sentando a minha frente. Não falei nada, apenas fiquei a o observar, e creio que com um olhar bastante intimidador.
– Emily, eu...
– Vamos dar uma volta? — perguntei, o interrompendo. Seu sorriso maroto foi de imediato, assim como se levantou e me seguiu.
– Pra onde quer ir? Conhecer meu apartamento, talvez? — perguntou malicioso. Ele tinha sérios problemas, mas eu ia ceder aquele gosto. Quer dizer, eu ia fazer parecer.
– Ótima idéia. — concordei sorrindo do mesmo modo.
Andamos normalmente pelas ruas gélidas de NY, eu com um cigarro na boca e ele me fazendo ouvir qualquer coisa banal — só o que conseguia falar o tempo inteiro. Chegamos enfim a um prédio com a tintura nova, o que me sentir alíviada por não ser uma pocilga -embora também não fosse digno a uma sofisticação.
Adentramos a recepção normalmente, estava tudo quieto, seguindo adiante até o elevador. O vi apertar o botão do décimo andar, e depois de alguns minutos já estavamos dentro de seu apartamento. Era bem arrumado, aliás. Arrumado demais para um jovem solteiro.
Tirei meu casaco o pendurando na guarda do sofá. Ignorando seus dizeres fiquei a observar melhor o lugar. As paredes eram de um amarelo chamativo, beirado a dourado. Alguns retratos abstratos eram pendurados por ali, dando uma decoração simples, porém bem bonita. Mas algo me chamou a atenção particularmente. Algumas máquinas fotográficas profissionais estavam num canto dali, e o pensamento conclusivo de tudo aquilo veio de imediato em minha mente: Ele era um paparazzi. Enfim, não deixei que isso me abalasse muito, eu só queria fazer uma coisa.
– Gosta de vinho, Emily, ou prefere cerveja?
– Cerveja na garrafa, por favor, não é pra ser nada romântico. — falei firme, me virando para encará-lo. Ele sorriu fraco e logo após adentrou sua mini cozinha de novo, trazendo-me uma garrafa.
– Eu sabia que você queria me conhecer melhor...- disse, tentando se aproximar. Não recuei, no entanto. Ele passou suas mãos em minha cintura, deixando a garrafa de lado e tirando a que eu tinha posse de minha mão. Não o incentivei a nada, mas também não o impedi.
Senti minutos depois seu lábios tocarem os meus, afobado. Dei-lhe a passagem que queria, embora tivesse sentindo repulsa daquele momento. Então, resolvi não deixar que acontecesse por muito tempo, eu não queria me ceder por inteira pra ele. Era bonitinho, mas não o suficiente.
– Porque você não vai indo para o quarto... Vou te fazer uma surpresa. — falei maliciosa, vendo seu sorriso tanto quanto se esquivar de orelha a orelha. Ele então me obedeceu, indo rapidamenbte para o cômodo.
Olhei ao meu redor, as coisas não estavam muito ao meu favor. Eu não tinha tempo para bolar um plano decente, mas apesar disso eu tinha que fazer alguma coisa. Ele havia passado dos limites ao ter ido atrás de mim naquele restaurante, e algo em mim tinha certeza de que ele continuaria se o deixasse.
Fui até a cozinha e apesar da faca ser o meio mais eficaz pra tal, eu não podia usá-la desta vez. Caso contrário minhas digitais iriam ficar por toda parte daquele lugar.
Já entrando em desespero por nada razoável vir em minha cabeça, encarei meus pés e conseqüentemente aquele cinto grosso de couro que estava usando para combinar com minhas botas. Ele serviria.
Voltei para o quarto, o vendo deitado na cama a minha espera.
– Então, cadê a minha surpresa?
– Calminha, querido... Pode ter certeza que você vai gostar, ela é de matar.
Marota, comecei a arrancar minha blusa, deixando a mostra meu sutiã de renda preta. O rapaz apenas me observando com aquele típico olhar tenso de malicia, modeu os lábios. Então passei para o cinto, comecei o tirar lentamente. Segurando-o em minhas mãos me aproximei da cama, subindo e parando ajoelhada sobre ela. O rapaz veio até mim no mesmo minuto, atacando meus lábios mais uma vez num beijo que não era nem um pouco agradável. Cortanto o beijo e sem deixar que tudo parecesse estranho, passei para trás dele, massageando suas costas já nuas.
O deixando emerge aos meus feitos, vi que já estava distraído e aquela seria a minha hora. Peguei o cinto novamente e o enrolei em seu pescoço ligeiramente, aplicando todas as forças que eu tinha para mantê-lo ali. O rapaz apesar de ter o físico maior que o meu, por minha sorte era magro.
Depois de alguns minutos se debatendo e tentando gritar em sua defesa, o ar finalmente lhe faltou no cérebro e seu corpo então se amoleceu ali, me contando que havia morrido. Sem tocá-lo, no entanto, me levantei da cama vestindo minha blusa e recolocando meu cinto.
Procurei pela garrafa que eu havia tomado alguns goles de cerveja anteriormente, e esvaziando-a por completo dentro daquela pia pequena, a enfiei dentro da bolsa. Olhando para trás e vendo que tudo estava dentro dos conceitos de que ninguém havia estado ali, sai daquele lugar com o máximo de cuidado para não parecer sobre atenções alheias. E por minha sorte, pelo horário já tarde da noite e pelo estabelecimento não ser lá dos mais sofisticados, passei despercebida pela recepção, por conta do vigia estar no meio de um cochilo.
Andei normalmente de volta ao meu hotel. Naquele momento um misto de sentimentos que já estava me esquecendo de como era, havia me tomado fazendo-me me sentir finalmente confortável.
Eu estava me sentindo aquela mulher que eu sempre fora, e aquilo era estonteante pra mim. Era como se eu nunca tivesse feito escolhas erradas na minha vida, como se eu sempre tivesse mantido o controle.
Eu estava sentindo falta daquele meu eu original.
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