Psychosocial
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Matando a curiosidade de todo mundo então.
:p haha
Boa leitura
xx
Capítulo 14
Minhas mãos doíam, e meus dedos não faziam seus devidos movimentos normalmente. Finalmente aquela sessão exagerada e irritante de autográfos tinha acabado. John por apenas ficar olhando, tinha seus ânimos aos céus, comemorando até com deuses gregos sua mais nova fonte de dinheiro: Desasterpieces, de Emily Divisio. Com uma garrafa de Jack Deniels nas mãos, ele e seus amigos saíram cantalorando por aí, prontos para um porre daqueles de afetar até mesmo as células do dedão do pé. Na verdade, com seus quarenta e cinco anos de idade até que ele estava em boa forma.
Uma garoa fina já se instalava pelo asfalto iluminado das ruas do centro de Des Moines. Eram dez e meia, e como eu havia prometido pra mim mesma, iria tomar o caminho direto pra casa — para minha casa.
O elevador parecia chegar nunca ao meu andar, e o aquecedor só para facilitar minha impaciência não ajudava com sua temperatura desregulada — qual eu inutilmente tentara arrumar. O sobretudo que eu vestia foi apertado ainda mais contra meu corpo quando adentrei o corredor espesso, com várias portas distribuídas. E em particular a minha, se destacara em meus olhos por estar entreaberta. Eu já imaginava o que encontrar lá. Ou melhor, quem.
– Pensei que você ia me ver, Emi. — escutei sua voz rouca sair por suas cordas vocais muito bem abençoadas. Fechei a porta atrás de mim, deixando minha bolsa em qualquer canto da sala não muito grande. Como se fosse o mesmo efeito que eu sentia quando os vi pela primeira vez, aquele par de olhos azuis pararam sobre mim, pesados.
– Porque eu iria? — sentei no sofá a sua frente, procurando atrapalhadamente pelo maço de cigarros dentro dos bolsos de meu casaco.
– Por favor, não fuma agora. Vai estragar o clima. — pediu enquanto eu já colocava o cigarro em minha boca. O isqueiro já esquematizado em minhas mãos o fez bufar, impaciente. Brinquei com o fogo na ponta do cigarro por míseros segundos, mas resolvi ceder ao seu pedido.
– O que você quer? Pensei que depois de tudo teria fugido pro Alaska, ou quem sabe Texas...
– Texas? — soltou uma risada nasalada. — Apesar de ter levado um fora considerável, não quer dizer que eu tenha que me envergonhar tanto a ponto de me mudar pro Texas. — enfatizou o estado, debochado.
– Ok, agora responde a primeira pergunta.
Sua expressão antes ridiculamente debochada tomou uma mais séria, tensa. Sua testa ganhara texturas franzidas, assim como suas sobrancelhas se uniram, dando um ar estranho ao ser na minha frente. Com um pouco de dificuldade, Corey tirou de seu bolso uma caixinha de veludo preto, a abrindo gentilmente e a deixando pairar sobre a mesa de centro. Um diamante azul quase tão reluzente quanto seus olhos era o grande destaque da delicada argola de ouro branco.
– O que é isso Corey? — perguntei confusa, mas já sentenciando o que viria a seguir.
– O anel que eu ia te dar se você tivesse aceitado meu pedido de casamento.
– É, isso eu percebi. Mas reformule sua resposta, por favor.
– Ok, quer do jeito mais difícil, não é? Eu ainda não desisti de você. Quero me casar com você, Emily.
– E você já sabe a resposta enquanto a isso, Corey.
Sua perna esquerda foi pousada sobre a direita num habito cruzar de pernas masculino. Seus braços se elevaram para trás de sua nuca, onde estes se repousaram no encosto do meu sofá de couro preto. Um olhar nada normal tomara parte de seu personagem, e pra garantir que ele estava disposto a dar continuidade aquilo, retirou de dentro da sua blusa de moletom cinza um envelope de papel pardo, onde este foi colocado ao lado do anel.
– Olhe. — pediu, apontando para o mesmo.
Ainda me decidindo se faria aquilo ou não, deixei que a curiosidade vencesse. Com cautela, fui abrindo o envelope que revelava ter algumas folhas de sulfite dentro. As peguei delicadamente, com cuidado para não amassá-las. Mas antes tivesse simplesmente as rasgado, mesmo sabendo que em sua casa teria outras milhares de cópias muito bem guardadas. Os meus olhos vomitaram aquelas fotos mais nojetamente do que um bêbado vomitando seus litros de álcool ingeridos. Dois corpos jogados no meio de uma trilha, e a famosa escritora Emily Divisio cortanto o pescoço de um deles. Eu já não sabia se era raiva ou medo, talvez os dois juntos, dando uma mistura de sentimentos não muito prazerosos. Os olhos de Corey faiscavam satisfação, assim como seus lábios se curvavam num sorriso diabólico. No mesmo instante foi como se eu estivesse me vendo no espelho, um reflexo não muito adorável de se ver.
– Porque está fazendo isso Corey? — perguntei com a voz falha. Em apenas um movimento seu corpo desencostou do sofá, dando uma proximidade — antes bem vinda — ameaçadora.
– Está surpresa Emily? Você pode escolher essas folhas sujas, ou esse anel que apesar de caro, não fez a mínima diferença em meu bolso. Posso até te dar um dia para pensar, se me garantir que não irá fugir para o Texas! — riu debochado, fazendo meu estômago revirar. Apanhei desesperadamente o cigarro pousado sobre a mesa a minha frente, o acendendo na mesma velocidade.
– Emi, não terminamos ainda. Não estraga o clima final.
– Vai pro inferno, Corey! — respondi ríspida, me levantando e andando impaciente pela sala que parecia ter diminuído metros. — O que você quer de mim, hein?! Como pode querer alguém que sentirá repugnância só de deitar ao seu lado?
– Repugnância? Aow! Assim machuca, Emily...- se reencostou no estofado de trás, dando o seu mais novo característico sorriso sarcástico, acrescentado a irônia. — Você não me quer mais, esse é o problema! Me descartou como se eu fosse um pedaço de guardanapo usado, esse é o segundo problema! E quer saber o terceiro e principal problema, Emily? — ele se alterou se levantando do sofá, o que me fez dar passos largos pra trás. — O terceiro e principal problema Emily, é que eu não sei mais quem sou. Essa merda do seu cheiro impregnado na minha cama toda vez que vou me deitar... Nas minhas roupas toda vez que eu abro a porra da porta do meu guarda-roupa! Seu gosto, seu cheiro, seu suor... Que eram tão meus.
– Você está obcecado por mim, Corey?
– Agora entende?
– Muito vagamente...- dessa vez dando-me vez para sorrir sarcástica, me assustei ao ver a mesa de centro sendo jogada longe, como se fosse uma pluma. Corey veio tão rápido a mim, que nem tempo de fuga meu cérebro teve para criar. Suas mãos seguraram fimes meus pulsos, me fazendo gemer de dor.
– Vai quebrar, Corey.
– E como é a sensação de ser quebrado? Não muito boa, não é? — ele soltou meus pulsos passando as mãos para meu pescoço, me preensando com força contra a parede.
– Corey, você está me machucando!
– Shi! Só me escuta, ok?
– Eu não vou te escutar, Corey. Você está descontrolado!
– Não me importa o que você acha, entendeu? O simples fato de eu quebrar o seu pescoço agora nem me faria cócegas! Então cala a boca e escuta o que eu tenho pra te dizer, Divisio. — deu uma tragada de ar, analisando minha feição, que naquele momento era igual de minha vítimas — a que eu nunca pagaria pra ver. Meus olhos pela primeira vez depois de muito tempo, eram marejados por lágrimas torturadas. — Faça a sua escolha. Nem preciso explicar o processo, não é mesmo? As fotos seram muito bem vindas numa mesa de delegacia, então, por favor, pense muito bem. Apesar de tudo não quero te ver dentro de uma penitenciária feminina do que a minha casa, que eu sei que você tanto gosta.
Finalmente pude sentir o ar passar livre por minha garganta quando suas mãos soltaram meu pescoço. Num gesto intintivo as minhas foram parar ali, sentindo os vergões vermelhos que já haviam se formado.
– Eu passo aqui amanhã, à uma da tarde. Arrume suas coisas. Já que somos noivos, acho adequado que passe a morar comigo de agora em diante. — então saiu batendo a porta atrás de si.
Minhas pernas vacilaram, me deixando cair violentamente no chão. Meu pescoço e pulsos doíam pela força aplicada das grandes mãos de Corey. Sentindo que a qualquer momento os meus sentidos iriam me abandonar, corri até o banheiro, colocando pra fora tudo que tinha ingerido mais cedo. Vomitanto meu próprio veneno, aquele que eu estava experimentando.
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