Psychosocial
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Agradecendo como sempre os comentários que me empolgam tanto *-*
Queria agradecer em especial a Hanna, que fez uma recomendação supeeer pra fic. Obrigado, linda.
E PRA QUEM NÃO LÊ, EU RECOMENDO A FIC DELA TAMBÉM "ON THE ROAD". É SIMPLESMENTE EMPOLGANTE AQUELA HISTÓRIA. NÃO VÃO SE ARREPENDER DE LER, EU JURO. *o*
Enfim, surgiram tantos leitores fantasmas essas semana!
Mas hoje eu não vou xingar não... vou agradecer também por estarem acompanhando... e espero que estejam gostando :B
- Bom, capítulo dedicado a nossa querida EMily Divisio.
( quer dizer não tão querida depois de ter rejeitado o gostosão do Taylor kkk :X)
xx
Capítulo 12
A fumaça saía da minha boca em conseqüencia do inverno que havia chegado naquela manhã, disposto a congelar tudo que lhe fosse visível. Minhas mãos estavam enterradas dentro do bolso da minha jaqueta de couro preto, esperando o tão desejado aquecimento. O cigarro era a única coisa que realmente me aquecia, no entanto. Abri a porta do meu apartamento, ainda do mesmo modo que eu havia deixado. Os móveis já estavam empoeirados, abandonados. As persianas claras haviam ganhado um tom amarelado, e o cheiro de mofo que exalava era inconfundivelmente hossível.
Joguei minha mala a escanteio, sentando no sofá ansiosa para abrir o pacote que eu havia recebido do correio. Depois de alguns minutos combatendo com aquele papel pardo e com as fitas que o prendiam adequadamente no objeto duro e retangular, consegui ver o que me aguardava debaixo daquela folha. A capa reluzia diante de meus olhos tão bem quanto às luzes acesas ao meu redor. Meu nome estava em destaque sobre aquela capa escurecida, com uma cabana — um tanto diferente da verdadeira — no fundo. Desasterpieces tinha sido publicado, e mais uma vez pude desfrutar da sensação de ter mais um livro meu impresso em folhas médias, impecáveis, cheirando a novo.
Lembro-me perfeitamente das minhas primeiras linhas escritas, e aquela necessidade desconhecida que tinha me tomado para escrever, apenas escrever. Eu tinha que escrever sobre as minhas proezas; Eu tinha que desabafar o meu interior conseqüentemente pelas minhas atitudes impulsivas que haviam se tornado mais freqüentes. Então, a caneta e o papel tinham me servido de passatempo no início, mas em meu interior havia despertado algo grandioso. Eu não queria apenas escrever para folhas que depois seriam esquecidas dentro de qualquer caixa; Eu não queria aquele emprego irritante na corretora. Eu podia fazer algo maior, só bastava ter certeza de que era realmente boa naquilo. E a resposta veio mais rápida que eu esperava. A ideia de meu primeiro assassinato veio como uma luz no começo, então. Minhas mão haviam perdido o controle, e minha mente tagalerava frases o tempo inteiro. E assim, eu consegui escrever meu primeiro livro em apenas um mês.
Left Behind então foi entregue a John Kellerman, e em menos tempo que eu imaginava, as livrarias estavam com as prateleiras cheias dele. Eu nunca pensei que as pessoas se interessariam por histórias sobre assassinos, mas elas aparentavam gostar bastante, porque, aliás, em um tempo não muito significativo, a primeira edição já estava esgotada. Então, eu havia descoberto em meus vinte e cinco anos de idade mais um coisa sobre mim mesma.
Conforme o tempo ia passando,e a minha doença ia pedindo pelo seu vício, mais manuscritos eram empilhados sobre minha mesa. E assim, eu me tornei um escritora bem sucedida. Eu havia transformado a minha necessidade doentia em hostórias empolgantes. Eu não era só mais uma psicopata no mundo; Eu era uma psicopata escritora de livros que as pessoas apreciavam. E o melhor de tudo: ninguém sabia quem eu realmente era.
Eu sabia fazer muito bem isso, me esconder do universo. Era um feito que havia se tornado uma necessidade pra mim desde o momento que descobri que era uma ameaça a sociedade. No entanto, meus aprorimamentos em esconder o quê era, havia sido realizados quando finalmente fui adotada por Elizabeth Campbell.
FLASHBACK on
O sobrado era amarelo, com um portão de grade bem trabalhada. A sutil caída do telhado dava ênfase à casa da rica Elizabeth Campbell. Aquela mulher de cabelos ruivos naturais, e olhos de esmeraldas verdes era bondosa, carinhosa, e sonhava em ter uma filha. Eu com os meus recém feitos quinze anos havia sido escolhida para realizá-lo.
Minha pequena mala era carregada por ela, que em nenhum momento teve vontade de cede-la a mim. Os mínimos detalhes no interior daquela residência me deixavam deslumbrada, surpresa. Tudo tão diferente daquele cinza mórbido, daqueles crucifixos espalhados pelos corredores do orfanato. Involuntariamente imagens da minha antiga casa veio em minha mente, despertando de minha memória o quanto essas duas eram semelhantes. Pelo contrário dos habitantes, é claro, pela primeira vez eu teria uma mãe, ao invés de um pai que me culpava todos os dias pela morte da esposa.
– Emily, querida, esse é seu quarto. — apontou para uma porta lilás no fim do corredor. Uma plaquinha com os dizeres de boas vindas era apenas um detalhe diante daquele deslumbrante tom de roxo. Em passos apressados, abri a porta deparando com o interior do cômodo que eu sempre quis pra mim. Os móveis eram brancos, inclusive a penteadeira — esta que era repleta por cósmeticos ideias para uma menina que nunca teve a chance de ser realmente uma adolescente.
– Você gostou, querida? Espero que sim. Dei duro para achar uma cor que combinasse com você.
– Ele é lindo. — respondi ainda atenciosa a cada detalhe que não passava despercebido por meus olhos.
Então os dias foram passando, e aquele quarto finalmente havia me acostumado com um novo habitat. Este saúdavel que eu não conhecia, e que às vezes pensava que era impossível ter sem que alguma coisa de ruim acontecesse. E foram essas negatividades que ganharam vida...
Peguei um saco que estava jogado naquele quintal enorme. Os latidos do cão ainda me irritavam a ponto de me deixar cega de raiva. O prendi ali dentro sem pensar duas vezes. Eu tinha que dar um jeito naquilo, antes que minha cabeça explodisse com mais um latido sonoro daquele animal. Amarrei o saco com uma corda, e o deixei se debater ali até que achasse algo que realmente o fizesse calar a boca. As tochas expostas pelo quintal de Elizabeth faziam uma bela decoração, mas elas serviriam para algo mais útil pra mim naquele momento. Com um pouco de dificuldade, consegui desfincar um dos objetos inflamáveis dali, e o acender. O cachorro ainda se debatia dentro daquele saco, com certeza pela falta de ar. Não deixei que as vozes repreensivas se superassem dentro de minha cabeça, e dando lugar apenas para o ódio — que era tão superior por todos os meus ligamentos — joguei a tocha sobre o saco que não demorou muito para se incendiar. Os latidos irritantes do cachorro haviam se transformado em gritos torturados de dor.
– Emily o quê você está fazendo?! — Elizabeth perguntou, correndo até mim assim que sentiu o cheiro horrível se espalhar pelo ar. — AI MEU DEUS, O QUÊ VOCÊ FEZ!? — gritou escandalosamente ao ver seu cachorro morto em minha frente. Eu ainda estava ajoelhada, não conseguia me mexer, ainda estava digirindo o que eu mesma tinha acabado de fazer. Tinha sido tão impulsiva, uma raiva havia surgido borbulhante e jamais conhecida dentro de mim.
Seus olhos pararam aterrorizados sobre mim, suas mãos de pianista chacoalhavam-me pelos ombros, como se quisesse me despertar daquele transe sobrenatural. Meus olhos estavam petrificados diante daquele saco, que já havia sido desmanchado pelo fogo, assim como o cachorro que eu havia matado tão fria e cruelmente.
– PORQUE VOCÊ FEZ ISSO, EMILY? — ela ainda gritava, mas sua voz parecia vim de outra dimensão, tão distante. Então senti sua mão acertar-me com um tapa fervente no rosto, e só assim eu pude acordar daquele devaneio perigoso, e me ligar na realidade — aquela que eu sofreria conseqüencias mais tarde, com certeza.
– Ele não parava de latir... — tive a tentativa frustrada de explicar, mas nada era plausível, nem diante do meu próprio conceito. Eu havia sido impulsiva a ponto de matar um animal por estar latindo. Eu não era normal... E ninguém podia saber disso.
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