A estranha no espelho me observava com ódio no olhar. Eu me pegava sussurrando desculpas para ela, pedindo-lhe que aceitasse que, como humana, erro. Eu almejava mais do que tudo seu perdão, por que era aquilo que mais me importava. Ela.

Revirou os olhos e sorriu. Um sorriso belo, repulsivo. Abaixei os olhos, sentida. Pude sentir sua mão afagar meus cabelos e depois puxá-los contra a superfície refletora, espatifando-a em milhares de pedaços respingados de um liquido escarlate.

Gritei.

E então eles entraram pela porta, homens com rostos demoníacos vestidos com seus mantos brancos e me amarrando em seus tecidos repletos de suas mais cruéis amarguras que deviam perturbar-lhes o tempo todo. Por que descontariam isso em alguém que não lhes fez nada?

Me debati entre seus braços fortes que arranhavam meus punhos, e pedi que tivessem piedade comigo. A garota os havia mandado talvez, aquela que me fazia sentir como um rato em seu mercado de raízes, roendo cada parte de suas perfeitas ginsengues. Fazendo com que tenha de me capturar com um balde, e trancar-me entre suas quatro paredes de madeira. Asfixiando-me aos poucos. Fazendo-me ficar roxa sem oxigênio no cérebro. Matando cada célula minha sem piedade.

Ela acabará de os mandar para trancafiar-me.

Então uma pontada me atinge no cachaço, e tudo se torna um borrão negro.

Notas finais
Acham que devo continuar? Postei pouco por que não sei se vale a pena, se ninguém for ler, eu não continuo.