Psycho-Pass 2: O reencontro
3 Fuga - parte 1
Notas iniciais
—Consegue...me ouvir Kougami-san?Vamos...aguente firme, vou tirar você daqui! — dizia confiante.
Tentou quebrar as algemas com a Dominator, já que as elas eram eletrônicas e nada que ela tinha no momento seria útil, exceto pela arma, que apesar de estar offline, e não exercer sua especialidade, serviria para quebrar o scanner delas. Começou a bater com a Dominator contra o meio das algemas onde ficava o scanner de autorização, e quanto mais batia mais desesperada ficava. De repente a arma escorregou de suas mãos e Akane acabou se apoiando no ombro de Kougami, cansada, suada e com dor em todo o braço. Ele estava gelado, como se estivesse morto, mas ela percebeu que ele reagiu ao toque, suas pálpebras se abriram, ficaram semicerradas e ele tentou focar os olhos em Akane não acreditando no que via.
—Akane??? O....que.....você....está....fazendo....aqui?? — perguntou entre várias respirações e expirações.
— KOUGAMI-SAN!! — Akane gritou de alívio.
Ela o abraçou num impulso de felicidade. Ele não estava entendendo nada, pensava estar tendo alucinações por causa da dor e do frio, por isso tentou se soltar do abraço de Akane e a encarou.
—Você não pode ser a Tsunemori Akane, ela não estaria em um lugar assim. — e começou a esboçar um sorriso. —Parece que estou começando a acreditar naquela teoria de que antes de morrer, vemos nas nossas alucinações as pessoas que gostaríamos de reencontrar ou que tínhamos coisas pendentes para dizer. — falou ele enquanto sorria como se estivesse no paraíso e Akane fosse o anjo.
—Pare com isso! Sou eu Kougami-san, você não está morrendo! — gritou ela o pegando pelos ombros e fazendo o a olhar nos olhos novamente.
Ele parou de sorrir e a encarou, por fim ela acabou desviando o olhar, e fingiu se concentrar na tarefa de quebrar as algemas e soltá-lo de lá. Porém só conseguiu soltar um lado, o outro o direito, ficou preso e Kougami ficou com uma algema presa, mas era seria o suficiente para tirá-lo daquele lugar.
—Pronto, está livre! — exclamou ela cansada.
—Vamos procurar um jeito de sair desse lugar. — disse tentando levantá-lo da cadeira.
Ela passou um braço por sua cintura e com muito esforço conseguiu erguê-lo da cadeira, ele estava tão gelado que Akane retirou sua blusa de inspetora e colocou por cima dos ombros dele, porém não adiantaria muito, já que ele era mais alto e tinha ombros mais largos, pensou Akane, enquanto o sustentava com seu corpo, e começaram a andar pelo lugar, em busca de uma saída.
Assim que iniciaram sua busca pela saída, Kougami começou a recuperar seu senso de calor. Ele sentia o calor que vinha de Akane, o braço dela passado em volta de sua cintura, aquele corpo franzino do seu lado, o sustentando. Kougami sentiu vontade de abraçá-la e não deixá-la se afastar nenhum centímetro, mas esses eram desejos estranhos para aquele momento, pensou ele, visto que estavam com sérios problemas e Akane estava no seu limite. Ele percebeu que ela havia passado por maus momentos, pois seus braços estavam esfolados, seu rosto tinha terra e um enorme hematoma, sem falar que sua blusa estava rasgada um pouco abaixo do ombro esquerdo mostrando à fina camada de pele com sangue e sujeira, era um arranhão bem grande. Ele sentiu vontade de rir, pois era muita ironia que até nesses momentos eles fossem tão parecidos.
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Ginoza estava correndo pelo corredor à algum tempo depois de fazer contato com a inspetora Shimotsuka. Quando estava chegando ao final do túnel que denominavam de nível B3, viu pequenos dispositivos implantados na altura dos joelhos na parede as uns 50 metros do lugar onde estava, feixes de uma espécie de laser vasculhavam a parede oposta. Ele correu em direção aos feixes quando pensou ter visto uma pessoa caída perto dos dispositivos. Ao chegar mais perto, conseguiu ver uma espécie de colete na vítima, este que estava equipado com algo que ele descobriria assim que conseguisse passar pelos dispositivos. Porém foi parado por Shion.
— GINOZA-SAN, PARE AÍ MESMO! — gritou Shion.
— O que houve?? — perguntou confuso.
— É uma bomba!!! — anunciou em alto e bom tom. —Não se aproxime dos dispositivos, eles são sensores de calor e movimento, e irão ativar o temporizador das nossas amigas explosivas se você se aproximar!! – explicou ela desesperada.
—Como assim bombas??Quer dizer que existe mais de uma e estão conectadas remotamente?? Mas e as vítimas? Como faremos para retirá-las desse lugar sem ativar as bombas?? – perguntou Ginoza confuso e exaltado.
—Mantenha a compostura Ginoza-kun!! São muitas perguntas de uma vez! – ordenou Shion.
Ginoza suspirou. E Shion prosseguiu com sua explicação.
— As bombas estão conectadas remotamente como você supôs, porém hà uma boa notícia! – fez uma pausa. — Os reféns são Holos, então não precisamos salvá-los. Eles podem explodir à vontade!! – explicou com uma voz sarcástica e feliz.
—Holos?? Como assim??? — perguntou, agora mais confuso ainda.
— Sho-kun disse que três das pessoas espalhadas pelos túneis são Holos, pessoas que usam hologramas de roupas e aparência física, ou seja não são de verdade, são apenas corpos com holográficos programados para parecerem reais, eles não possuem bio-assinatura . Lembra-se da refém que Kitazawa libertou naquele dia, depois descobrimos que era o Kamui que estava usando um Holo, são a mesma coisa só que estes são cadáveres. – explicou enquanto acendia um cigarro.
—Quando descobriram essas informações?? – perguntou Ginoza mais calmo.
— Descobrimos isso quando Yayoi e Sho-kun estavam usando os scanners de bio-assinatura do esgoto, em busca da Akane-chan. Parece que era uma armadilha. – terminou a frase liberando fumaça.
—Armadilha?? Pra quem?? — perguntou enquanto olhava em volta preocupado.
— Na ver-ver-dade não sabemos pra-a quem e o-o que-e espera-a-vam ganhar co-om is-so — gaguejou Sho-kun.
—Não se anime temos uma má notícia também?? – falou Shion interrompendo os pensamentos positivos de Ginoza.
—Que má notícia?? — perguntou desanimado.
—A má notícia é que Sho-kun também descobriu uma quarta pessoa, no túnel onde perdemos a Akane-chan, porém essa era real – despejou a notícia como um balde de água gelada.
— Porque não nos avisaram antes?? – interrompeu Togane meio irritado.
—Sho-kun obteve a informação um pouco antes da explosão e levou um tempo para identificar os Holos, mas agora estamos com todas as informações, então saíam daí, vamos mandar os drones para procurarem a Akane-chan. – falou Shion enquanto digitava no computador.
—Espero um momento, e quanto a Akane? Porque não estamos conseguindo nos comunicar com ela?? – interrompeu Ginoza.
—Parece que existe um equipamento bloqueando o sinal na câmara principal!! Estamos tentando desligá-lo, mas há interferência em todo o complexo. – explicou Yayoi.
— Ok, façam o melhor.... — falou Ginoza com raiva de si mesmo por não poder fazer nada, e já iniciando a meia volta pelo túnel.
—Não se preocupe Akane-chan é forte e inteligente ela deve estar bem!! — falou Shion, tentando encorajá-lo.
—É....ela é.... — concordou ele pensativo.
—Ok, será que dá pra vocês pararem com essa coisa que estão fazendo? Além da senpai, nós também estamos encrencados lembram?? — interrompeu Mika-san.
— Desculpe é que nós gostamos muito da nossa colega de trabalho! Sem ela as coisas fogem do controle — provocou Shion.
— Ótimo então façam suas declarações a ela outra hora, neste momento temos que sair da área de risco, vocês não falaram que estava cheio de bombas?? — disparou Shimostsuki.
— A inspetora tem razão, temos que sair dos túneis agora. — interrompeu Togane mais uma vez.
—Porque executor Togane?? – perguntou Shimotsuka
—Acho que alguém acabou de ativá-las, o contador está marcando contagem regressiva de 5 minutos. — continuou ele com um tom de voz mais do que urgente.
—Certo, todo mundo tem que voltar o mais rápido, corram ou vocês serão esmagados pelo teto e as paredes quando as bombas detonarem!! Vamos mandar os drones da SIC e os Drones- Digger– avisou Yayoi, enquanto Sho e Shion iniciavam os alarmes do esgoto, e os processos para mandarem os drones.
E os três dispararam rumo a saída, enquanto os segundos passavam rapidamente. Mika xingava mentalmente enquanto corria, porque não avisaram antes, droga!. Ginoza tentava voltar pelo mesmo caminho, já que o lugar parecia um labirinto gigante, devo parabenizar o engenheiro deste lugar, ou espancá-lo até a morte, pensava enquanto seguia o mapa do esgoto no seu relógio-comunicador. Já Togane só conseguia imaginar o que estaria acontecendo com Akane, e ficava excitado só de pensar na cara de desespero dela e nos seus gritos de dor.
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Procurando pela saída, Akane e Kougami acabaram encontrando um corredor gigante, alarmes silenciosos e luzes de emergência piscavam por todos os lados. Eles seguiam em frente sem saber que o lugar estava prestes a explodir. Entraram em um corredor cheio de portas, e se depararam com um homem armado à alguns metros na frente deles, tinha olhos castanhos diabólicos, cabelo preto escorrido na testa, apontava a arma com um sorriso depravado.
—Então é aqui que vocês estão se escondendo!? – balbuciou o homem com a arma tremendo nas mãos.
Akane sentiu seu estômago dar um nó, suas mãos começaram a suar, estavam cansados e feridos, como lutariam com um homem armado?, esse pensamento povoou sua mente. Kougami percebeu o crescente nervosismo dela, e a apertou mais contra seu corpo, num impulso de protegê-la. Ela percebeu a aproximação, mas não conseguia pensar em mais nada além do panico, então tudo o que fez foi sussurrar às palavras.
—Kougami-san, foi ele que o trouxe para este lugar, não foi? – perguntou ela sem desviar os olhos da arma.
—Eu acho que sim. – respondeu e olhando para o homem perguntou.
—O que você queria com a inspetora mesmo? – riu.
O homem ficou com mais raiva ainda. Porque ele estava sorrindo? Eu vou matá-los aqui, mas ele parece estar se divertindo com à ideia?, pensava o homem enquanto sua raiva crescia exponencialmente. E Kougami continuava com a provocação.
— Ah sim, você disse que mataria à nós dois!! – exclamou Kougami em um tom de deboche.
—Bom acho que seu mestre não vai gostar de saber que seu plano não deu certo, porque você deixou o animalzinho aqui sozinho e ele acabou fugindo com a inspetora! – provocou Kougami com um olhar sarcástico apontando para si mesmo e depois para Akane.
O homem pareceu se transformar. Seu sorriso se abriu mais, e ele começou a gargalhar, não deixaria aqueles dois o fazerem de bobo. Não seguiria o plano de Kamui, mas mataria à todos, abriria caminho para o sonho de seu mestre se realizar. Respirou fundo e entre gargalhadas gritou:
—Cale a boca!! Desgraçado, vocês vão morrer aqui!! Eu posso não seguir os planos de Kamui, mas vou matar todos!!! A sociedade não precisa de gente como vocês, e o novo mundo que Kamui irá construir também não, vocês e Sibyl serão esmagados e construiremos a nova sociedade encima do seus cadáveres – gargalhou espumando pela boca como um cão raivoso, abrindo fogo contra os dois.
Kougami empurrou Akane na parede, e os tiros passaram a centímetros do ombro dele, no mesmo instante já iniciavam sua corrida, fugindo enquanto o homem atirava em todas as direções, gritando e os ameaçando. Ambos estavam exaustos e precisavam de um lugar para se esconder, e planejarem algo, não aguentariam correr por muito tempo, principalmente Kougami que estava sem se alimentar a pelo menos dois dias e seu ferimento na cabeça havia começado a sangrar novamente, sem falar que ele estava enjoado devido ao cheiro do lugar e dores no corpo pela surra que levou.
Eles não aguentaram correr mais e pararam, encostando na parede para recuperar o fôlego, e depois de alguns minutos ouviram os tiros se aproximarem e voltaram à correr novamente. Chegaram em um lugar muito amplo, que tecnicamente não deveria existir em um esgoto. Havia conteiners enormes e latões de material contaminado e lixo espalhados por todo o lugar, eles correram pela escada que descia até esses conteiners. E tiveram que parar, não conseguiriam fugir mais.
—Akane...saia daqui...eu vou lutar com ele. – disse Kougami tentando recuperar o fôlego.
—Não...eu...não...vou....sem...você.....e...você...não...vai..conseguir....lutar ...está todo....ferido. – recusou Akane .
—Preciso que faça isso.....ele vai nos.....encontrar e vamos morrer, mas se você sair daqui enquanto luto com ele vai sobreviver!! – tentou convencê-la.
—Não, eu me recuso a deixá-lo novamente, não serei fraca dessa vez, irei protegê-lo. — falou firme.
— Não seja negligente, eu quero que você se salve! Eu sou um criminoso, mas você tem uma vida, não a desperdice por pessoas como eu! — gritou e pegou Akane pelos ombros sacudindo a na tentativa de fazê-la mudar de ideia.
—Não eu me recuso. – respondeu firme abanando a cabeça em negação. —Você não é um criminoso!! Foi Sibyl que o tornou assim. Você é um detetive, e eu sou sua parceira, nada que você diga me fará mudar de ideia. — cruzou os braços e encarou Kougami.
—Ok. — suspirou Kougami vencido soltando ela e deixando o braços caírem em sinal de rendição.
—Então qual o plano?? – perguntou Akane contendo sua felicidade, pois pela primeira vez não iria ser protegida ou deixada de lado, mas faria parte de um plano e lutaria junto de Kougami.
—Não temos muitas opções, então você distrai ele até aqui e eu termino com o resto. — explicou ele enquanto pegava a Dominator da mão dela.
—Espere, não entendi?! Achei que fossemos trabalhar juntos?! — questionou Akane fazendo cara de brava.
—Desculpe, mas não vou conseguir correr com este ferimento. — falou enquanto acariciava o enorme hematoma perto de sua terceira costela.
—Esse ferimento esta me tirando o fôlego! — sorriu para Akane, tentando diminuir a tensão.
—Ok, mas só porque você está ferido. Além isso deve estar muito dolorido, para tirar seu fôlego. — concordou ela retribuindo a brincadeira.
— Então vamos começar, ele esta vindo! — disse Kougami se escondendo atrás do container. —Akane tome cuidado, não deixe nenhum daqueles tiros acertarem você.
—Eu tomarei, você também tome cuidado. — respondeu ela tentando mostrar um sorriso.
—Ho! — assentiu ele baixinho.
E Akane saiu correndo em direção a escada, feliz mesmo se morresse, pois ele havia confiado nela e estavam trabalhando juntos. Já Kougami estava sentado no chão esperando pela hora de atacar, mas certos pensamentos sobre os minutos de conversa que teve com Akane estavam distraindo sua concentração. Tenho que convidá-la para sair comigo, se sobrevivermos, pensava. Embora ele estivesse gostando muito de ver o amadurecimento de Akane, ela continuava com o mesmo olhar, franzina, e ainda queria impressioná-lo, mas ele sentia que ela finalmente tinha se tornado uma mulher forte e determinada. Agora não sentia mais aquela necessidade de protegê-la, mas sentia que podia confiar sua vida à ela. Ele sorriu...
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