Psycho Killer
16 Capítulo Quinze
Notas iniciais
Capítulo Quinze
Renesmee caminhava pelo castelo sozinha, tinha dormido um pouco aquela madrugada, mas antes mesmo das sete da manhã já estava acordada. Lucy tinha a deixado a sós, claramente confiando que a híbrida não tentaria fugir.
Estava certa, a última coisa que a Cullen queria era mostrar ser fraca diante os outros. Iria encarar toda aquela situação de frente, como deveria ser feito.
O castelo parecia deserto aquele horário, como se os moradores do mesmo estivessem dormindo ainda, o que obviamente não era possível. Ainda que o clima desértico naquele lugar pudesse ser um pouquinho aterrorizante, com tantas esculturas, pouca iluminação e pinturas realistas demais, a filha de Edward gostava de toda aquela calmaria.
Era bom, ou para ela maravilhoso, ter algum tempo sem estresses. Não lembrava a última vez que esteve de fato sozinha, sem algum Volturi, ou familiar e mesmo humanos a cercando.
Seguiu para a biblioteca, ainda era cedo, podia tirar algum tempo de leitura antes de toda a movimentação do dia se dar inicio. Porém, viu que seu sonho de paz se acabou ao entrar no local e ver Alec ali.
Parecia óbvio que alguém iria atrapalha-la e que seria o pior dos Volturi.
Ela pensou em dar meia volta, ir para seu quarto e talvez desenhar, mas não deixaria a presença dele lhe afetar. Entrou na biblioteca de cabeça erguida, pisando firme no chão com os saltos altos que tinha escolhido para o dia.
Mas sua entrada, que em sua concepção tinha sido triunfal, não pareceu ser notada por Alec. O vampiro continuava na mesma posição lendo, tão concentrado que nem mesmo respirava e a falta de atenção irritou levemente Renesmee.
Decidiu ignorá-lo de volta, caminhando entre as estantes a procura de algo para ler. Parecia que os Volturi só tinham títulos de caráter didático, história, geografia, línguas, nada de ficção. Ela queria um mundo à parte ao seu, para poder esquecer e fugir da realidade.
Quando por fim encontrou títulos ficcionais, sentiu-se aliviada. Distraiu-se entre eles, conhecia grande parte, mas alguns nunca tinha ouvido falar. Isso sem contar o fato de que todos os livros pareciam ser bem antigos, como se os Volturi os tivessem desde suas publicações, ainda que fossem bem cuidados.
Por fim, não sendo nem um pouco original, pegou para ler Orgulho e Preconceito. Sua mãe tinha lhe apresentado vários livros bons, e mesmo que Bella fosse fascinada por O Morro dos Ventos Uivantes, Renesmee ainda preferia a história de Elizabeth e Mr. Darcy.
Sentou-se algumas mesas de distância de Alec, de frente para ele, mas dizendo a si mesma que nem o notaria ali. Abriu o livro e as primeiras páginas tiveram toda sua atenção, mas conforme ia lendo e a história sendo reavivada em sua mente, mas ela ia perdendo a paciência com tudo ali.
Ficou folheando o livro, lendo um trecho ou outro. Até que chegou a uma cena de beijo e sua mente levou ela a pensar nos beijos que tinha trocado com Alec na noite passada, beijos que não deveriam ter acontecido.
Por cima do livro ela olhou para Alec, ainda na mesma posição e lendo avidamente. Parecia que o livro do vampiro, o qual não tinha nome na capa marrom e aveludada, estava o entretendo muito bem.
Renesmee conteve a vontade de bufar, aproveitando seu mal feito esconderijo, ela continuou o observando. Cabelo castanho escuro, quase preto, despenteado, lábios avermelhados e carnudos. Nariz afinado, sobrancelhas bem marcadas.
Não parecia um anjo, nem mesmo como um modelo. Ele tinha uma beleza diferente, que não era imediatamente atrativa, mas que se tornava com o tempo comum.
Percebendo o que estava fazendo, Renesmee parou de olhá-lo. Porém, não antes de gritar mentalmente para si mesma.
Parabéns Renesmee, você é uma idiota!
— Por que exatamente você seria uma idiota? — Alec perguntou, sem tirar os olhos do livro, Renesmee voltou a olhá-lo, confusa.
— O que disse?
— Você acabou de dizer que era uma idiota, por que acha isso? Quebrou alguma Barbie sua? Ou desobedeceu ao papai? — ele debochou, virando mais uma página do livro que lia.
— Eu não falei nada — Renesmee murmurou, ainda confusa com tudo aquilo.
Alec por fim fechou o livro, para olhá-la.
— Não sou surdo, Cullen, acabei de te escutar falar que era uma idiota — falou sério. — Não tente me tratar como um idiota, se você é, eu não sou.
— Alec, eu não disse isso, eu pensei — ela afirmou, sentindo as mãos tremerem por algum motivo.
No mesmo segundo Alec estava sentado diante dela na mesa, com uma expressão quase perturbada no rosto.
— Você pensou? E eu ouvi, isso quer dizer que...
— Que eu consegui fazer com que você ouvisse meus pensamentos a distância — ela completou.
Alec sorriu, parecendo maravilhado com o que tinha acabado de ouvir. Parecia ser a maior descoberta da humanidade.
— Isso é fantástico, seu poder está evoluindo, como fez isso?
— Eu não fiz nada, não estava com a intenção que você escutasse meus pensamentos — ela voltou a murmurar, constrangida. — Não está os escutando agora, não é?
— Não, mas quero, então faça o que fez antes — exigiu Alec.
— Já disse que não fiz nada — Renesmee sussurrou.
— Vamos Cantante, você consegue! — Por um momento ela até acreditou nas palavras de incentivo dele, mas sabia que não eram tão verdadeiras assim.
Renesmee fechou os olhos, respirando fundo e pensando em Forks. Tinha de ser algo não constrangedor caso o Volturi conseguisse ouvir seus pensamentos novamente, mas pelo barulho de frustração que o mesmo emitiu, ficou claro que não tinha conseguido.
— Eu falei que não sei como isso aconteceu — disse ao abrir os olhos. — Não sei controlar meu poder como pensava que conseguia, isso tudo é inútil. — Ela encarava a capa de Orgulho e Preconceito, querendo evitar o olhar frio e irritante de Alec.
— No que estava pensando exatamente antes? Quando eu consegui te ouvir. — A voz dele era tranquila, como se não estivesse com raiva dela.
Renesmee permitiu olhar para ele, deveria ter sido algo rápido, mas encontrou Alec com um olhar caloroso e até mesmo animado. Não entendia porque a extensão do poder dela era tão importante assim para ele, não era como se fosse conseguir salvar o mundo projetando seus pensamentos a distancia.
— Em nada especifico — respondeu a pergunta dele, implorando ao seu corpo que não a deixasse corar graças à mentira.
Seria terrível se ele soubesse que ela estava o avaliando antes.
— Tudo bem, só se concentre, Renesmee. — Ele tomou as mãos dela, em um ato que para ele não pareceu importar, mas que a deixou levemente assustada. — Abra sua mente, permita com que eu entre nela, não sou seu inimigo e...
— Tecnicamente sou sua cantante e você quer beber cada gota do meu sangue, então sim, você é meu inimigo — o interrompeu.
— Não sou seu inimigo neste momento — ele se corrigiu, dando um sorriso malicioso. — Acha que em um quarto, numa cama grande consegue fazer isso melhor?
Ela apenas rolou os olhos, antes de fechá-los mais uma vez e voltar a se concentrar, tirando suas mãos das dele. Desistiu de pensar em Forks, então lembrou-se de quando esteve viajando com os pais para New York. Tinha sido uma maravilhosa viagem e ela adorou cada momento.
Pensou nas luzes, em plena época de Natal, na neve caindo. Nos sons, nos cheiros. Podia lembrar com precisão de como era sentir o vento frio em seu rosto, do chão enquanto caminhava pela cidade, deslumbrada com tudo.
Então abriu os olhos, há tempo suficiente de ver Alec ainda de olhos fechados. Parecendo até ser um simples humano adolescente vulnerável.
— Eu adoro New York — ele comentou, os olhos vermelhos se encontrando com os dela.
Renesmee prendeu a respiração, sem acreditar que tinha conseguido expandir seu poder. Era surreal e não entendia como tinha feito isso, mas mesmo desacreditada, acabou sorrindo vitoriosamente.
— Bom trabalho, Cantante. — Alec depositou um beijo na mão dela, falando de forma galanteadora.
Antes que qualquer coisa pudesse ser dita ou feita, a pesada porta da biblioteca foi aberta e uma Lucy em estado de pânico entrou. Não tinha lágrimas no rosto, pois era uma vampira e não podia lagrimar, mas claramente estava chorando.
— Aaron, ele está do lado de Eleanor — ela falou para Alec, a loira tremia, parecendo ao ponto de explodir com tanta tensão.
— Quem é Aaron? — Renesmee indagou.
— O noivo dela — Alec respondeu.
Lucy soluçou, então disse:
— Meu noivo que tentou me matar e me transformou em uma vampira!
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