Psycho Killer

46 Capítulo Quarenta e Cinco


Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo Quarenta e Cinco

O vento frio chegou primeiro, logo depois a chuva. Renesmee puxou o capuz do manto Volturi para cima de sua cabeça, agradecendo pela primeira vez por possuí-lo. Agachou-se diante da terra batida, que aos poucos ficava lamacenta.

Era um lugar ridículo, indigno, mas era o único lugar onde podiam enterrar Lucy. Não teriam como transportar o corpo da vampira para Volterra, isso exigiria uma mão de obra que não podia ser usufruída naquele momento, levá-la para os Estados Unidos estava ainda mais fora de cogitação.

Quanto ao fogo, Jane e Harry tinham achado aquilo tão agressivo, tão injusto. Levar o corpo intacto de Lucy as chamas parecia que ela era uma inimiga que devia queimar. Ali ela permaneceria intacta, enterrada como se fosse uma humana, a humana que deveria ser se Aaron nunca tivesse tocado nela.

Renesmee, mesmo irada com tudo aquilo, gostava de imaginar uma Lucy humana, sem seus demônios do passado lhe assombrando. Ela teria tido uma vida feliz, até que um acidente lhe matasse. Poderia ser cruel, mas era muito melhor do que pensar na forma como ela tinha de fato sido morta.

— Eu sentirei sua falta, Lucy — Renesmee sussurrou, tocando na terra molhada diante de si. — Obrigada por ter protegido minha filha, serei grata por toda a eternidade e, se morrer, espero que aja uma vida para nós em algum outro lugar para que possa lhe agradecer por ter a protegido. Estava enganada, Lucy. — Os olhos de Renesmee encheram-se de lágrimas, mas não chegaram ao seu rosto. — Você não é um monstro, nunca foi. Era a pessoa mais altruísta que já conheci, você se dispôs a lutar por nós, morreu por Charlotte. Nunca nos esqueceremos de você, minha amiga.

— Sinto muito!

Renesmee deu um pulo e ficou de pé ao ouvir a voz de Sofia, odiava os bruxos e um dos grandes motivos era a forma como eles conseguiam se camuflar para que vampiros não os percebessem. Odiava aquilo, saber que eles poderiam chegar a qualquer instante sem anúncios.

— O que quer, Sofia? Não devia estar enterrando o corpo de sua mãe? — Renesmee perguntou, calculando quais seriam suas chances de lutar sozinha com Sofia se ela resolvesse lhe atacar. Não estava tão longe assim da casa onde Alec estava com Charlotte, Jane e Harry, que preparavam-se para partir.

— Eu a coloquei no lago — Sofia comentou. — Não posso enterrá-la, temos uma cerimônia quando enterramos membros de nosso coven para que eles possam seguir seu caminho, mas não existe um coven mais, eu não poderia fazer sozinha. E, queimar é para vampiros, bruxos acham fogueiras uma afronta aos espíritos de seus ancestrais. Já o lago, ele é puro, dizem que ele tira as imperfeições dos mortos.

— Sua mãe não irá para um paraíso — Renesmee acusou.

— Eu sei — Sofia assentiu, o cabelo encontrava-se todo desgrenhado, as roupas molhadas e havia uma aparência doentia em seu rosto. — Nenhum de nós terá um paraíso, dizem que bruxos são humanos abençoados, que receberam dons da natureza por serem especiais. Depois de tudo que vi, depois de minha mãe querer matar uma criança por um poder...Não posso acreditar que somos menos monstros que vampiros, lobisomens, qualquer outra espécie que pise sobre a Terra.

— Lucy não era um monstro.

— Era — Sofia descordou. — Admita que você também, assim como sua garotinha.

Renesmee não precisou ouvir mais nada para dar um tapa no rosto de Sofia, o suficiente para que sua mão ficasse marcada ali.

— Deveríamos realmente matá-la, Sofia. — Renesmee falou, abaixando o capuz. — Mas seria muito misericordioso. Você tem de ficar aqui, nessa terra desgraçada pela morte dos seus companheiros de coven, da própria mãe que apunhalou. Isso deve assombrá-la para o resto de sua vida.

***

Charlotte parecia envolvida demais com o desenho que passava na tela a sua frente para perceber o quão sérios seus pais estavam, Renesmee e os outros tinham deixado a aldeia logo, partido para Londres de carro e entrado no primeiro avião que iria para Volterra. Alec mantinha o braço envolta do corpo de sua Cantante, que mantinha a filha deles em seus braços.

Em uma poltrona na frente e outra atrás de onde eles estavam, Jane e Harry ocupavam seus lugares. E, todos os quatros estavam mergulhados em seus próprios pensamentos. Harry na verdade não falava mais do que sim ou não desde que tinha enterrado o corpo de Lucy.

— Olá, gostariam de alguma coisa? — a aeromoça perguntou para eles, sorrindo diretamente para Alec que usava óculos escuros para esconder seus olhos. Renesmee não podia culpá-la, também olharia se não o conhece.

— Você quer água, não é meu amorzinho? — Renesmee perguntou para Lô, que continuava concentrada. — Apenas água — pediu para a aeromoça, que assentiu afastando-se.

— Não quer comer nada? — Alec perguntou para Renesmee.

— Não — ela negou. — Se eu me alimentasse do que realmente quero nesse avião não seria nada prudente — disse em um tom de voz baixo. Alec assentiu, entendendo perfeitamente, ele também estava faminto.

— Vamos cuidar disso quando chegarmos a Volterra.

Renesmee o encarou.

— O que foi? — Alec lhe perguntou.

— Nada, somente percebi que Volterra é minha casa. Estive falando sobre isso com Lucy, poucos dias atrás, ao que parece não há escolha. — Renesmee deu um sorriso triste. — Precisamos estar juntos de Aro, não é?

— Sim — Alec confessou. — Mas para onde você deseja ir quando isso tudo acabar? — Renesmee olhou para Charlotte em seu colo, então respondeu para Alec em seus pensamentos.

Nunca vai acabar.

***

Pisar em Volterra foi ao mesmo tempo agradável e péssimo. Agradável por deixar aquela aldeia, péssimo por estar sem Lucy. Alec sentia a morte dela tanto quanto Renesmee, mas sabia que não podia fraquejar por conta disso.

Ajudou Lucy quando ela era uma recém criada assustada e sozinha no mundo, ficou ao lado dela sempre que a vampira descontrolava-se por ter matado a própria família. Alec entendia a dor dela, mesmo não tendo matado diretamente seus pais. Além do mais, Lucy foi a primeira pessoa para quem ele contou sobre a profecia de forma espontânea.

Aro descobriu roubando seus pensamentos, então dividiu a informação com Marcus, Caius e as esposas. Jane estava lá quando fizeram a profecia. Mas, Lucy, ele tinha contado para ela, porque quis, quando estavam voltando de uma missão na Grécia. Foi fácil compartilhar aquilo com ela, Lucy era sua amiga e, provou que era uma pessoa extremamente fiel quando ficou com Charlotte até o fim.

Ninguém em Volterra sabia que eles estavam de volta, então, foi uma surpresa geral quando apareceram ali. Principalmente por ser a primeira vez que Charlotte estava no castelo.

Foi a primeira vez que Alec viu Renesmee sorrir depois da batalha contra os bruxos, quando viu sua família e respirou aliviada. Ele sabia que para ela Volterra não era uma casa, mas ter os Cullen ali deixava tudo mais fácil.

— Ela é tão parecida com você! — Bella exclamou, parecendo emocionada ao ver a neta.

— Sério? Alec disse que ela tem a minha testa — Renesmee brincou, mas Alec podia sentir o quanto ainda doía para ela fingir que estava tudo bem. Não só pela morte de Lucy, mas por toda a jornada que tinha enfrentado até aquele momento, desde sua fuga de Forks, até ali, quando tinha de proteger a vida da filha, mesmo sabendo que aquilo poderia custar a sua e de todos que amava.

— Oh não, ela é maravilhosa! — Bella esticou os braços para Charlotte, que sem cerimônia nenhuma foi para a avó.

— Onde está Lucy? — Aro questionou de seu trono, seus olhos perdidos em Charlotte. — Jane, onde está Lucy? — ele perguntou a ela, que estava do outro lado do salão, sozinha recostada a parede.

— Lucy morreu.

Aro arregalou os olhos, enquanto um ou outro vampiro da guarda exclamavam que aquilo era impossível. Jane apenas caminhou até Aro, deixando que ele lesse seus pensamentos.

— Isso é tudo.

— Nessie, o que houve? — Bella perguntou alarmada para a filha, sem saber o que tinha acontecido.

— Margot os traiu, nos traiu, ela queria Charlotte — foi Aro quem respondeu. — E matou Lucy no processo. E Sofia matou a mãe. — Esme arfou com aquela declaração.

— Aro, nós conversamos depois, Charlotte e Renesmee precisam descansar, praticamente não dormiram nada depois dos ataques.

— Claro, claro, podem se recolher. Discutiremos tudo isso depois. — Aro concordou.

Bella passou Charlotte para Renesmee, mesmo que quisesse passar mais tempo com a garotinha. Renesmee sorriu para Edward, então seguiu com Alec para fora do salão, já estavam nas escadas quando Harry os abordou.

— Você vai ficar? — Renesmee perguntou a ele, tinha se afeiçoado a Harry, era um bom amigo. Outra pessoa que tinha sido leal a eles, talvez ela achasse melhor que ele realmente fosse embora.

— Não. — Harry sorriu para ela, um sorriso triste. — Eu não sou um Volturi, não pretendo me tornar. Além do mais, tenho assuntos para resolver longe daqui.

— Obrigada por toda sua ajuda, Harry — Renesmee agradeceu. — Espero que algum dia possamos nos rever e, por favor, não se meta em encrencas.

Harry afagou o rosto de Lô, que queria que ele o carregasse.

— Não é minha intenção.

— Harry? — Alec o chamou, apenas um olhar foi trocado entre eles, algo que pareceu ter bastante significado, mas que Nessie não compreendeu. — Não se mate no processo — Alec pediu, apertando a mão do amigo.

— Nos reveremos, espero que em breve, Renesmee — Harry falou. — Lembre-se de que eu tenho uma queda por seu amante.

Renesmee riu, então abraçou Harry.

— Até mais Harry.

— Até mais família Volturi. — Harry fez uma reverencia para eles, então deixou o castelo.

— O que Harry vai fazer, Alec? — Renesmee lhe questionou.

— Nos ajudar, de certa forma, enquanto estamos aqui lidando com outros problemas. — Alec pegou Charlotte nos braços. — Apenas torça para que realmente possamos vê-lo o mais breve possível.

— Sim, eu pretendo tirar uma licença na internet, para oficializar o casamento de vocês dois — Renesmee falou, já subindo a escadaria. Alec segurou no braço dela, fazendo com que ela parasse.

— Você quer se casar? — Renesmee inclinou-se para beijar Alec, demorando o máximo que pode.

— Já temos o mesmo sobrenome, Volturi.

— Esse não é meu sobrenome, Renesmee, muito menos o seu.

— Qual seu antigo sobrenome? — ela o perguntou.

— Morgan.

— Bom Alec, eu acho que temos de aceitar que você não é mais um Morgan, como eu não sou mais uma Cullen. Somos Volturi, Charlotte é uma. — Olhou para a filha.

— Você sempre será uma Cullen — ele afirmou. — Não se pode mudar certas coisas. Mas, talvez esteja certa, eu não sou mais um Morgan há pelo menos mil anos.

— Você é Alec Volturi — Renesmee disse com firmeza em sua voz. — Foi por você que me apaixonei, não por Alexander Morgan. Eu não quero que mude, Alec, não quero me tornar sua esposa e, tornar-me uma Morgan. Apenas quero que você mate quantos vampiros, bruxos, lobisomens ou mesmo humanos que ousarem a entrar em nosso caminho e, que fique vivo.

Notas finais
Só queria dizer que no próximo já teremos o poder da Lô revelado!!! Não esqueçam de comentar, digam o que acham que será o poder dela. Beijos! Lola Royal. 01.06.16