Psycho Killer
3 Capítulo Dois
Notas iniciais
Capítulo Dois
Renesmee estava desesperada, as mãos sujas de sangue e o rosto tomado por medo, não sabia o que deveria fazer ali. Tinha ido contra os próprios princípios da família que carregava o nome, matou um humano.
Ninguém da sua família, nem mesmo Rosalie, entenderia o que tinha acontecido, iriam julgá-la. Iria ser vista como um monstro, como poderia encarar a mãe que nunca tinha matado um humano?
— Desculpe-me — ela sussurrou para o corpo da garotinha, correndo para longe dali.
Sabia que o pai estava em Seatlle, para comprar algumas coisas e a mãe e Esme não deixariam a casa principal até que ela voltasse, então seguiu para o chalé. Não chorava, mas estava bem perto disso.
Quando entrou ali não conseguiu se sentir em casa como sempre, era estranho, parecia que não pertencia aquele lugar mais. O celular tocou, era o pai, precisava atender, ou ele estaria no mesmo segundo de volta a Forks.
— Ness o que prefere, uma mesa digitalizadora ou aquela coleção de livros que queria? Ah esqueça, quem estou querendo enganar, vou levar os dois para você. Está merecendo por ser uma garota tão incrível, princesa.
— Eu te amo, papai! — Renesmee falou, deixando algumas lágrimas rolarem por seu rosto.
— Também te amo filha.
Renesmee não conseguiria se manter ali, não depois do estrago que tinha feito. Precisava ir embora, para bem longe da família e de toda a repercussão terrível que seu ato causaria.
Como também não poderia deixar o sangue humano de lado após prová-lo novamente, ao menos não por hora. Queria mais, precisava sentir seu corpo mais forte e sua mente mais rápida.
Era como uma droga.
— Não se esqueça papai, eu te amo — ela reforçou sua fala, era sua despedida.
— Tudo bem já me conquistou, vou te levar um notebook novo também. Vejo você mais tarde.
— Até mais papai. — Ela controlou o choro ao dizer aquilo.
Nunca mais o veria, nunca mais veria nenhum deles.
Foi para seu quarto, colocando roupas em uma pequena mochila, pegando todo o dinheiro que tinha guardado ali e que contabilizava bastante. Não poderia usar seus cartões de credito, facilitaria muito para que sua família a encontrasse.
Assaltou também o cofre dos pais, tentando não se achar mais desprezível por aquilo. Pegou também todos os documentos falsos que tinham ali destinados a ela, todos feitos caso uma emergência ocorresse.
Quebrou seu celular, evitando qualquer meio de comunicação entre ela e a família. Tirou as roupas sujas de sangue da garotinha, as jogando na lareira acessa, lavou o sangue de seu corpo e vestiu roupas de Bella, para seu cheiro se confundir com o da mãe.
Precisava de um plano mais inteligente, não poderia simplesmente ir embora. Seria muito fácil para que todos a achassem, tinha que fingir estar tudo bem, então partir para o mais longe possível.
Pensou em deixar um bilhete, mas desaparecer do nada, sem dicas parecia melhor. Então engoliu a vontade de deixar uma carta de despedida, pegou sua mochila e partiu para a casa principal, diria que ia passar a noite na casa de Charlie, ninguém desconfiaria de nada e só a procurariam no dia seguinte, teria tempo.
— Aonde vai? — Bella perguntou ao ver a filha carregando uma mochila.
— Para a casa de vovô, Charlie? Tudo bem por você? — Renesmee perguntou, tentando soar animada, mas por dentro estava em desespero que a mãe percebesse a verdade.
Mal conseguia olhar para Bella.
— Não querida, pode ir. Vou aproveitar e ir caçar com Esme e seu pai, talvez seja melhor você passar o resto do final de semana lá, vamos cobrir áreas mais longes. Buscamos você na segunda-feira, qualquer coisa nos ligue.
A hibrida quase suspirou agradecida pelo plano da mãe colaborar com o seu. Podia ouvir Esme andando de um lado para o outro no segundo andar, tudo tranquilo.
— Tudo bem, deixe-me ir agora! Beijos, eu te amo mãe!
Renesmee saiu rapidamente de casa, entrando em seu carro e desejando voltar a chorar, mas se conteve até estar bem longe. Aquela seria a última vez que veria a mãe, ainda era tudo tão desesperador. Não poderia ir para Seattle, pois o pai estava lá, então seguiu em direção ao Canadá.
Nunca dirigiu tão rápido e não se importava nenhum pouco com todas as multas que podia ter ganhado, só precisava fugir. Se tudo estivesse saindo como planejado ninguém ainda teria dado pela falta dela.
Chegou a Vancouver no Canadá no meio da noite, foi fácil passar pela migração usando os documentos onde era chamada de Violet Jackson, uma garota de vinte e um anos, estudante de direito na Universidade de Chicago.
Ela procurou por um lugar para abandonar o carro, mas achava que simplesmente deixá-lo em qualquer rua poderia ser perigoso demais. Então rodou atrás de um lugar que pudesse simplesmente desaparecer com o mesmo, encontrando em uma localidade afastada, sem casas, construções ou qualquer outra civilização próxima.
Só precisaria jogar o carro pelo penhasco, então fazer Renesmee Cullen desaparecer junto com ele. Então o fez, saindo sem nenhum arranhão no processo.
Involuntariamente um sorriso tomou conta de seu rosto, ela não era tão indefesa quanto a família imaginava. Porém, pensar neles fez tudo voltar a ser triste e agonizante.
Renesmee, sendo Violet Jackson, seguiu direto para o aeroporto, comprou apenas uma passagem de ida para a Inglaterra, de lá escolheria um destino, então passaria o resto de sua vida fugindo da própria família. Era aterrorizante pensar naquilo, mas Renesmee sabia que era necessário.
A cada humano que se aproximava demais a ruiva ficava desesperada para poder beber de seu sangue, por muito pouco não atacou a vendedora das passagens. Ou o carinha loiro que sorriu para ela na fila de embarque, que coincidentemente sentou ao seu lado no avião.
— Olá, meu nome é Dylan Park e o seu? — ele perguntou empolgado para a garota.
— Violet Jackson — Renesmee respondeu, soando tão verdadeira que ela mesma quase acreditou que aquele era seu nome.
— Então, o que vai fazer na Inglaterra? — Dylan manteve a conversa, enquanto o voo se iniciava.
— O que você vai fazer lá? — Renesmee desconversou.
— Intercâmbio, estou bastante empolgado.
Renesmee se manteve conversando com Dylan por toda a viagem até a conexão que fariam em Toronto, mas ela não dava a mínima para o que ele dizia. Era a veia no pescoço dele e seu coração bombeando sangue por todo o corpo, que realmente lhe interessava.
Queria cravar seus dentes na pele do loiro, mas ele era tão bonitinho que ela também podia se imaginar o beijá-lo. Aquilo a remeteu a Jacob, o amor de sua vida, aquele que o destino, astros e sabe-se lá mais o que lhe colocaram como par ideal.
O amava, perdidamente, mas estar com ele tinha se transformado em brincar de ser uma princesa da Disney. Ele a tratava como qualquer uma delas que precisava de proteção, que pareciam ser intocáveis e estúpidas demais, quando na verdade Renesmee queria ser a Mulan, que foi para a guerra.
O voo faria uma conexão em Toronto, era pouco mais de oito da manhã quando o avião posou ali, ainda cinco da madrugada em Forks. Renesmee desceu do mesmo na companhia de Dylan, estava temerosa que sua família já tivesse descoberto sua fuga e ido até ela.
Só que ninguém estava lhe esperando na sala de desembarque, não tinha ninguém da sua família, nem a segurança nacional querendo lhe prender por ter matado a garotinha. Era ali Violet, não Renesmee a assassina.
Não demorou muito para que voltassem o avião, partindo direto para Londres. Em um voo de quase sete horas, chegaram na capital da Inglaterra.
— Então onde você vai se hospedar? — Dylan perguntou para Renesmee.
— Na casa da minha tia — Renesmee mentiu. — Por isso vim com apenas essa mochila, venho sempre passar essa época do ano em Londres — explicou, uma vez que Dylan já tinha achado estranho ela estar viajando apenas com aquilo.
— Entendo, por que não me dá seu número? Ai podemos nos encontrar enquanto você estiver aqui.
— Excelente ideia — Renesmee continuou mentindo.
A verdade era que ela estava morrendo de fome, nem parecia que no dia anterior tinha se alimentado da garotinha escoteira. E lá estava Dylan, flertando com ela, louco para algo mais. Ela poder beber o sangue dele, seria tão fácil que o garoto passasse despercebido entre as tantas mortes daquela cidade grande.
— Quer saber, venha comigo, Dylan! — Renesmee segurou na mão dele, o arrastando para longe do aeroporto, entrando no primeiro táxi que apareceu em sua frente. — Vamos fazer algo antes de você ir para a universidade do seu intercambio. — Lançou um sorriso conquistador para ele.
Renesmee pediu que o taxista parasse em uma rua residencial que aquele horário já se encontrava deserta, Dylan não entendeu o significado daquilo, mas se manteve com a híbrida. Aquele era todo o poder de sedução e atração que os vampiros possuíam, o que só confirmava o quanto a garota também era parte vampira.
— O que estamos fazendo aqui? — Dylan perguntou rindo quando Renesmee fez com que ele entrasse em um beco quase deserto, apenas habitados por ratos.
— Quietinho — Renesmee sussurrou, jogando sua mochila no chão, junto com as malas dele. — Posso brincar um pouquinho com você? — perguntou para o canadense, o jogando da forma mais leve que pode contra a parede.
— Claro — ele concordou, já sentindo os lábios de Renesmee se encontrarem com a pele de seu pescoço.
Distribuiu beijos por ali, para aliviar a tensão e tesão que o garoto estava sentindo. Aos poucos foi o sentindo relaxar em seus braços e quando percebeu que ele não teria como fugir, tapou a boca dele com a mão, então cravou seus dentes nele.
Dylan gritou, mas a mão de Renesmee em sua boca impedia que qualquer pessoa pudesse ouvi-lo. Ela foi rápida, bebendo o sangue dele em uma velocidade superior a que precisou para se alimentar da garotinha, estava sedenta por aquilo após horas presa ao lado dele em um avião.
Então quando acabou, deixou com que o corpo dele caísse no chão. Com os dedos ela limpou o resto de sangue que ficou em seus lábios, parando para sentir que tinha algo estranho ali.
— Dylan, você fumava maconha, não é? Que chato, drogas não são nada legais, sabia disso? — Ela se ajoelhou ao lado do corpo dele, considerando o que deveria fazer. — Você disse que é filho único e só tem sua mãe viva, então vamos cuidar para que ela não te procure.
Pegou o celular do garoto, morto, de seu bolso. Achou o número da mãe dele sem problema algum e digitou uma mensagem.
“Sinto muito mãe, mas eu precisava ir embora. Não me procure okay? Eu cheguei a Inglaterra, mas quando você tentar me achar já estarei bem longe.”
Então quebrou o celular dele, como tinha feito com o seu ao deixar sua casa. Pegou o corpo de Dylan e o jogou dentro de uma lata de lixo vazia, procurou na mochila dele um isqueiro e o encontrou rapidamente, tocando fogo no corpo dele em seguida.
Ficou ali até que o corpo dele tivesse sido reduzido a cinzas. Ninguém o reconheceria e ninguém o conhecia em Londres, Dylan não seria procurado e ela não seria encontrada.
— Agora eu posso procurar um lugar para ficar — Renesmee disse contente, indo pegar um táxi.
Naquele momento ela não conseguia pensar na família, ou no fato de ter matado mais um humano. Estava apenas cheia de adrenalina por ter feito aquilo, sentia-se grandiosa.
Evitou ir para um hotel, preferindo seguir para uma pousada pequena. Seria mais fácil de fugir de ser rastreada por qualquer uma das identidades falsas que usaria, trocou a Violet por Hanna, uma Nova Iorquina que trabalhava em uma loja de departamentos.
— Quer que eu prepare algo para você comer, querida? — A senhora dona da pousada, que estava tão velha quanto a dona, perguntou para Renesmee.
— Não obrigada, estou satisfeita.
Renesmee sorriu de volta para ela, prometendo para si mesma que não a mataria.
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