Psycho Killer

27 Capítulo Vinte e Seis


Notas iniciais
Só digo uma coisa...Boa leitura!

Capítulo Vinte e Seis

A água a sua frente brilhava, o Sol era intenso aquele horário, principalmente no meio do oceano. A híbrida fechou os olhos, deixando o calor a aquecer, tocou no colar em seu pescoço, concentrando-se na quentura que o ouro branco provocava ao ser também aquecido pelo Sol.

Ela estava sendo observada, mas não ligou e continuou seu trabalho. Vinha tentando expandir seus poderes, mas os resultados não eram nada gratificantes. Na verdade não tinham resultados, pois não havia progresso algum, ela tinha voltado ao que era antes, com um poder que considerava desprezível.

Mas, não tirou a mão do colar, muito menos parou de pensar em Alec. Nos beijos dele, na mão firme do vampiro segurando na sua, na forma como ele a olhava. Emitiu um som de desespero, queria vê-lo, senti-lo, beijá-lo.

Renesmee abriu os olhos, voltando a encarar o oceano a sua frente. Jacob e ela estavam na lancha da família Cullen, passeando pelo mar que circundava a ilha que eles estavam, em pleno território australiano. Até ser levada para lá, depois do que podia ser considerada sua fuga do castelo Volturi, não sabia da existência daquela ilha. Não conseguia assimilar o fato da família ter tantos bens e bens tão caros como grandes pedaços de terra espalhados pelo mundo a fora.

— Já quer voltar? — Jacob perguntou, estava na cabine do piloto, ainda encarando as costas da namorada.

— Não, ainda está cedo — Renesmee sussurrou.

— Estamos aqui desde o nascer do Sol — Jacob queixou-se. — E não é seguro ficar tanto tempo longe da sua família.

— Não se preocupe Jacob, eles estarão aqui em segundos caso percebam algo e não estamos tão longe da ilha. — Renesmee levantou-se, tirando o vestido que usava por cima do biquíni. — Mas se quiser voltar pode ir, eu posso ir nadando depois.

— E te deixar sozinha? Quando tem uma vampira maluca querendo você para um ritual satânico? — Jacob resmungou, revirando os olhos.

Renesmee fez uma careta, nada contente com o que ele tinha dito.

— Sabe que não sou exatamente eu que Eleanor quer — falou. — É o que eu poderia dar a ela.

— Sim — Jacob disse em um tom debochado. — Uma criança, um filho com aquele Alec Volturi, outro vampiro psicopata maluco.

Tinha sido um inferno para Renesmee conversar com Jacob sobre tudo aquilo, profecia, seu envolvimento com Alec e até mesmo ela confessando ter sentimentos fortes pelo outro. Brigaram por um dia inteiro, Jacob não conseguia acreditar que aquela profecia era real, como também não parecia acreditar que a namorada tinha o traído — mais de uma vez —, muito menos que ela era apaixonada pelo o outro.

Afinal, os dois tinham uma ligação também. Um imprinting, algo que os deveria deixar juntos para o resto da eternidade. Mas, ainda que Renesmee também sentisse aquela ligação e soubesse que ela era realmente forte, não a considerava a única em sua vida.

— Pare de trazer Alec a tona em todas nossas conversas!

— Sério? Eu que sempre o trago a tona? — Jacob saiu da cabine da lancha, indo para perto de Renesmee. — Você já parou para prestar atenção em como tem agido nas últimas semanas, Renesmee? Dispersa, mal falando comigo e sempre com esse maldito colar no pescoço.

— Jacob...

— Você é uma Cullen, não é? — Ele a confrontou. — Então por que está usando um colar Volturi? Sabe a resposta tão bem quanto eu, porque não para de pensar naquele sujeito. É difícil assimilar tudo que me contou sobre vocês dois, mas a forma como você se agarra a esse colar, como fica ansiosa toda vez que o telefone toca.

— Meus pais e meus tios estão longe de mim, tenho motivos suficientes para estar ansiosa! — Renesmee gritou.

— Então vai me dizer que não espera noticias dele? Que não fica esperando até as ligações serem encerradas para ouvir algo sobre Alec Volturi.

— Chega Jacob! — Renesmee gritou mais uma vez. — Chega! — Ela pulou na água, nadando em direção a ilha.

Jacob a deixou ir a frente, sabendo que o motor da lancha não a ajudaria em um nado tão longe quanto aquele, mas continuava raivoso. Queria ficar com Renesmee que conhecia antes dela atacar a garotinha em Forks, não aquela que estava tão diferente.

Quando ele chegou a ilha, Renesmee já estava trancada em seu quarto na casa que os Cullen tinham ali. Esme lançou um pequeno sorriso para Jacob ao vê-lo chateado, mas não falou nada. Carlisle estava assistindo televisão no mudo, enquanto Emmett fazia uma ronda pela ilha com Rosalie.

Jacob seguiu para seu próprio quarto, deitou-se na cama e desmaiou, sonhando com Renesmee e Alec. Os dois juntos e felizes, então uma criança morta aos seus pés.

***

Renesmee penteava os cabelos com tanta agressividade que sentia que a qualquer momento ia arrancá-los, mas não se importava de fato. Não estava com raiva de Jacob, sabia que no fundo ele tinha razão por tudo que dizia a ela, estava com raiva do mundo inteiro que a colocou naquela situação.

Por um momento desejou ser uma simples humana, com problemas humanos. Baile de formatura, faculdade, amizades, romances. Mas não, seus problemas envolviam sua mãe sequestrada a um mês, parte de sua família aliada a um clã que certa vez quis a matar, uma vampira e uma bruxa querendo que ela tivesse um bebê que seria parte de um ritual.

Isso sem falar no fato de estar tão apaixonada por Alec que não conseguia ficar um dia sem pensar nele.

Suspirando colocou a escova sobre a penteadeira, passando a encarar o celular ao lado. Não tinha um número que pudesse ligar para falar com Alec, seu pai não o mencionava, muito menos Alice ou Jasper. Renesmee sentia-se confinada, como se estivesse em um péssimo reality show, enquanto a realidade corria lá fora.

Tinham se passado longas semanas desde que deixou Volterra com Jacob e alguns membros da família Cullen, longas semanas que deixou Alec para trás. Vinha tentando ser forte, convencer a si mesma que ficar longe dele e afastada da batalha era melhor, mas o sentimento que tinha por ele só fazia aumentar e a culpa de estar refugiada enquanto todos estavam em alerta e encarando riscos lhe fazia sentir péssima.

Mesmo com tanto tempo se passando desde o último ataque de Eleanor, nada tinha acontecido, nem mesmo um rastro dela ou de seus seguidores tinha sido localizado. As outras espécies estavam cuidadosas, os vampiros que não se aliaram a vampira francesa ou aos Volturi mais do que nunca lutavam para passar despercebidos entre os humanos. Parecia que um alerta vermelho estava sobre a cabeça de todos e Renesmee parecia ser a única a entender que ele só seria quebrado, liberando todo o caos de uma só vez, quando a profecia fosse concretizada e ela tivesse um filho de Alec.

O que não aconteceria, o que não poderia acontecer. Ela questionava o quanto Eleanor esperaria, até bolar um plano para tentar fazer a profecia ser realizada.

Tentando tirar tudo aquilo de sua cabeça, por pelo menos um segundo, ela foi se vestir para caçar. Emmett e Rosalie logo estariam de volta, iria ao continente com eles e com Carlisle e Esme, tinham de caçar para se manterem forte para mais um tempo afastados de sangue, uma vez que não podiam ficar circulando para não serem vistos por alguém que poderia dar o paradeiro de onde estavam para Eleanor.

Sabendo que Jacob estava dormindo, que demoraria para que ele acordasse e que até voltarem não seria rápido, Renesmee escreveu um bilhete para o mesmo. Colocou o papel ao lado da cama dele, sorrindo para o namorado e lhe dando um beijo na bochecha. Apesar de tudo Jacob continuava sendo extremamente importante para ela, seu melhor amigo, nunca deixaria de amá-lo.

***

As portas do castelo se abriram assim que ele apareceu diante delas, irritado arrancou o manto o jogando para cima de um dos novos membros da guarda. Os dois atrás de si falavam sem parar, discutindo novos caminhos que podiam seguir na nova excursão, Alec não queria saber, tinha certeza que nunca chegariam até Eleanor.

Ela tinha um coven praticante de magia negra ao seu lado, como eles poderiam combater com aquilo? Só com mais magia negra, mas nem todos os coven tinham coragem de praticá-la e na realidade todos os bruxos pareciam ter sumido do mapa para se protegerem de Eleanor.

— O que acha, Alec? — Demetri perguntou.

Alec o ignorou, estava no limite da irritação aquele dia, não queria mais discutir plano nenhum que obviamente não daria certo. Tinha passado os últimos quatro dias queimando no calor do Egito, sem sucesso algum na busca por Eleanor, tudo que queria era ficar sozinho, depois poder arrancar a cabeça de algum humano estúpido para matar e beber de seu sangue.

— Ei, onde vai irritadinho? — Lucy indagou quando o mesmo passou por ela como um trem bala.

— Você! — Alec praticamente gritou.

— Eu o que? — Lucy arqueou uma sobrancelha.

— Como ela está? — questionou.

— Alec, você ficou histérico da última vez que tentei lhe dar uma informação dela, não vou cometer esse erro de novo.

— Como ela está? — Alec repetiu, pouco se importando se tinha sido indelicado e se estava sendo novamente.

— Ela está bem — foi tudo que Lucy disse. — Está segura e longe de você, não é o que queria que acontecesse?

— Não. — Alec balançou a cabeça. — Eu a queria comigo! — Socou uma parede, abrindo um buraco na mesma. Então caiu de joelhos no chão. — Meus pais — murmurou. — Depois Jane e agora ela, por que eu tenho de perder todos? É por ser o maldito do renegado? É por ser o único bruxo que não se matou depois de ser transformado em vampiro?

— Jane também é — Lucy sussurrou, ajoelhando-se perto dele.

— Sou o filho mais velho, sou o que carrega toda a culpa — Alec murmurou, apoiando a cabeça na parede rachada a sua frente. — Foi por um erro meu que Jane e eu fomos parar naquela fogueira — confessou. — Uns garotos da aldeia começaram a correr atrás de mim, provocando, chamando-me de aberração. Perdi o controle, estávamos perto de uma plantação, tudo pegou fogo, Jane chegou logo depois e nós dois fomos capturados.

— Alec...— Lucy parecia confusa.

— É por isso que sou o Renegado, não só por ter virado um vampiro, mas porque coloquei a vida de humanos em risco. Por isso fizeram a profecia para mim, porque o que causei com aquele fogo matou uma criança.

— Não, isso é sério? — Lucy perguntou sem crer.

— Uma vida pela outra. — Alec assentiu. — Um bebê meu deveria morrer, servir de sacrifício para que minhas duas espécies, a que fui e a que me tornei pudessem reinar juntas. Não se trata de uma profecia boa, é uma maldição. Era uma maldição que eu deveria pagar por ter causado aquilo.

— E por que Renesmee? — Lucy quis saber.

Alec deu um mínimo sorriso doloroso.

— É uma híbrida, transita entre o mundo vampiro e o humano. Se trata de uma maldição para ela também, um humano que ao mesmo tempo bebe sangue, os bruxos não admitem isso, é errado, vai contra a natureza de proteção. E por eu ser apaixonado por ela, isso também deve ser levado em conta. Por isso ela deve ser punida, assim como eu.

— Perdendo o bebê de vocês. — Lucy acabou sentando-se no chão do corredor.

— Um bebê que não existe.

— Alec — Lucy voltou a falar. — Sabe que uma maldição como essa não parece que possa ser evitada, não sabe?

— Sei. — Alec fechou os olhos. — E tem fogo ardendo dentro de mim, Lucy. Eu sinto que a qualquer momento tudo vai queimar.

Lucy ficou de pé, encarando Alec com os olhos aflitos.

— Você devia fugir também, junto com Renesmee.

— Não vai adiantar, Eleanor irá nos encontrar. — Alec olhou para suas mãos. — Eu queria poder queimá-la como queimei aquela plantação, como ela pretende queimar a criança da profecia.

— Seu filho.

— Meu filho — entoou.

***

Renesmee entrou em casa sozinha, fazendo o mínimo de barulho para não despertar Jacob, que já estava dormindo a boas horas. Com cuidado ela logo entrou no quarto dele, o vendo ainda apagado na cama.

Deitou-se ao lado dele, segurando em uma de suas mãos, enquanto com um dedo brincava com o colar em seu próprio pescoço. Deu um beijo nos lábios quentes de Jacob, o que por fim o fez despertar.

Ainda zonzo de sono, o quileute abriu os olhos e sentou-se.

— Oi — ele murmurou, parecendo constrangido.

— Dormiu bem? — Renesmee perguntou, afagando o cabelo dele.

— Sim, mas ainda estou cansado — Jacob resmungou. — Acho que pegamos Sol demais.

— Deve ter sido — Renesmee concordou, sentando-se no colo dele, Jacob foi surpreendido pelo gesto dela, mas não a afastou. Sentia falta da namorada, como namorada de fato, não iria reaver a briga que tiveram mais cedo naquele momento.

— Onde estão os outros? — ele perguntou, sem ouvir barulho algum no resto da casa.

— Estão checando a ilha. — Renesmee beijou os lábios dele mais uma vez. — Querem ter certeza de que nenhum estranho esteve aqui na nossa ausência e enquanto você brincava de Bela Adormecida. — Ela sorriu, o que fez Jacob sorrir também.

— Engraçadinha! — Jacob depositou um beijo na base do pescoço dela, que fez com que Renesmee gemesse, passando as unhas pelos braços despidos do lobisomem.

— Eles irão demorar — Anunciou. — Podemos aproveitar até que eles voltem. — Renesmee deu um beijo mais aprofundado em Jacob.

Jacob concordou com um aceno de cabeça, queria tanto quanto ela e sabia que a namorada não era mais uma criança. Contente com o sinal vermelho, Renesmee o fez deitar novamente, enfiando-se entre as pernas do namorado.

Aproveitou que o mesmo estava sem camisa, para poder beijar desde sua barriga até seu pescoço. Demorou-se ali, dando beijos molhados, que faziam Jacob aumentar a pressão que exercia com suas mãos na cintura dela.

Renesmee sorriu ao sentir uma mão dele deslizar para o interior do short que ela usava, claramente cheio de desejo, sem conseguir aguentar mais um instante que fosse. Aproveitando aquilo, a Cullen cravou seus dentes no pescoço dele, o suficiente para conseguir o que queria.

Chocado com o ataque, Jacob a empurrou, fazendo com que ela caísse no meio do quarto, com sangue escorrendo por seus lábios que sustentavam um sorriso psicótico. Jacob colocou as mãos pressionadas no pescoço, sentindo o lugar queimar.

Gritou tão alto de dor, que chegou a fechar os olhos e aos reabrir não viu mais Renesmee, sim Eleanor. A vampira que tinha visto na mente da namorada, a verdadeira Renesmee, depois do ataque no castelo Volturi.

— O que você fez? — Jacob perguntou, sentindo o pescoço queimar cada vez mais.

Eleanor sorriu, limpando a boca com a ponta dos dedos.

— Só estou andando um aviso a Renesmee — ela respondeu, aproximando-se dele, que contorcia de dor na cama. — E te matando. — Gargalhou. — Nada contra, mas está atrapalhando meus planos.

— Eles vão matá-la. — Jacob arfou, cuspindo sangue.

— Não querido, vou matar todos primeiro. — Eleanor passou a mão pelo peito dele. — É um desperdício, isso não posso negar. Tenha uma morte tranquila, ou não.

Ela logo desapareceu, deixando Jacob queimando com o veneno de vampiro em seu organismo. Ao lado dele, na cama, o bilhete de Renesmee dizia:

Eu volto logo, vamos conversar depois, tudo bem?

Você é meu melhor amigo, Jake, não quero brigar. Sabe que te amo, sei que me ama...Eu estive pensando, temos eternidade a nossa frente, vamos selar isso de alguma forma?

Já me perguntou algumas vezes se queria casar com você, eu quero. Vamos fazer isso, eu preciso de você e não quero lhe perder.

Com amor, Renesmee.

Notas finais
Alguém querendo me matar pelo que aconteceu com o Jacob? Ou estão adorando a Eleanor por isso? Contem-me tudo nos comentários, gente! Beijos! Lola Royal. 25.03.16