Psycho Killer
29 Capítulo Vinte e Oito
Notas iniciais
Vinte e Oito
Foi Renesmee quem cuidou de tudo, as ligações para uma equipe médica no continente, dizendo que o namorado tinha morrido por uma parada cardíaca — que foi o resultado do veneno de vampiro em seu corpo —, ela quem avisou para Edward sobre Jacob e quem ligou para o pai dele contando sobre a morte do próprio filho. A Cullen fez tudo aquilo sozinha, ainda que sua família estivesse ali querendo a ajudar.
Renesmee não queria ajuda alguma, estava crescida o suficiente para saber tratar de assuntos sérios sem precisar recorrer a ninguém. No começo do dia seguinte, uma agência funerária já estava na ilha, cuidando do corpo de Jacob que seria transportado até os Estados Unidos para que pudesse ser enterrado em La Push, onde era seu devido lugar.
As longas horas de viagem até Seattle, por volta de dezessete mais o acréscimo de uma escala, se deram com a híbrida quieta, falando apenas quando era muito necessário. Saber que o corpo de Jacob estava em um caixão naquele mesmo avião não lhe fazia nada bem. Parecia que todo resquício de felicidade tinha sido arrancado de seu corpo junto com a morte do namorado.
— Filha! — Edward a abraçou quando a Cullen surgiu no portão de desembarque, ele — assim como Alice e Jasper — tinham vindo de Volterra para o velório de Jacob.
— Não, eu não quero isso agora. — Renesmee esquivou-se do abraço do pai, indo falar com o responsável pela locomoção do caixão do avião.
— O que deu nela? — Alice perguntou ansiosa.
— Ela está quebrada — foi tudo que Edward disse, estava lendo a mente da filha e sabia como ela estava irada e revoltada com tudo aquilo, sim estava triste, mas a raiva que sentia por ter pedido Jacob era muito maior.
— Vamos, temos de resolver isso logo! — Renesmee exclamou ao voltar para perto da família, dizendo impacientemente.
— Querida, não quer ir para casa descansar um pouco? — Rosalie indagou preocupada.
— Você descansaria se Emmett tivesse sido morto, Rosalie? — Renesmee indagou, fazendo Rosalie ficar abismada com seu tom de voz. — Não, não é mesmo? Então não me peça para descansar! — Dito isso ela saiu pisando firme em seus saltos altos em direção a saída do aeroporto.
— Ela está usando um colar Volturi? — Alice perguntou murmurando, era a primeira vez desde que tinha ganhado o colar de Alec que Renesmee não fez questão de o esconder por dentro da blusa para que sua família não o visse, antes apenas Jacob tinha a visto com ele. O colar estava magistralmente estampado por cima do casaco, brilhando e chamando atenção, marcando sua presença.
— Vamos logo — Edward disse, suspirando, seguindo a filha para fora do aeroporto.
Renesmee chegou a La Push logo depois da agência funerária que transportou o corpo de Jacob até lá, Sue e Seth eram quem estavam o recebendo e ela podia ver pesadas lágrimas tomando conta dos olhos da namorada do avô. Pensar em Charlie lhe deixou mais brava ainda, como explicaria a ele o sumiço da mãe no velório e enterro do melhor amigo.
— Vocês tem de ir embora! — Sam apareceu quando Renesmee e os demais Cullen estavam saindo de seus carros.
— O quê? — Renesmee perguntou em um tom de voz baixo, mas seu olhar era tão ameaçador que até mesmo Emmett sentiu-se intimidado. — Você não pode me expulsar, Sam — ela disse. — Sou o imprinting de Jacob e vim até aqui enterrá-lo, é o que farei.
— Era o imprinting dele. — Sam cruzou os braços, devolvendo o olhar ameaçador. — Ele está morto, uma morte que foi sua culpa por conta daquela vampira psicopata que está te caçando.
Renesmee riu, esperou até ouvir os pneus do carro da agencia funerária estarem bem longe para agir. Então, em um único golpe, fez Sam cair no chão, o pegando de surpresa. Não foi preciso de muito mais para que o resto da matilha aparecesse e ela logo reconheceu que os lobos que seguiam Jacob agora estavam seguindo Sam.
— Acham mesmo que terei medo de vocês? — Ela cruzou caminho entre os lobos. — Eu tive minha mãe sequestrada, matei vários humanos, fui atacada por uma vampira que quer que eu lhe dê muita coisa e perdi meu namorado. Nada mais me assusta. — Renesmee se virou para Sam. — E quanto a você, lobinho, não pense que pode dar ordens a mim ou a minha família.
Sem parar para ouvir protesto algum ela seguiu até a casa dos Black, para onde o corpo de Jacob tinha sido levado. Assim que entrou lá se deparou com as irmãs de Jacob e os sobrinhos do mesmo, Billy estava mais ao fundo na sala junto ao caixão, com Charlie próximo a ele.
Respirando fundo Renesmee seguiu até Billy, sobre o olhar severo das irmãs de Jacob que assim como todos naquela tribo sabiam sobre a verdade da morte do irmão. Ela tocou no ombro do pai do namorado, que a olhou de forma triste, mas não cheia de carinho.
— Sinto muito Billy, eu queria ter podido evitar.
— Foi um infarto Renesmee, você não teria como — Charlie se pronunciou e Renesmee lançou um olhar angustiado para o avô, sentia tanto a falta dele.
— Não foi sua culpa, só deixe-me dizer adeus ao meu filho — Billy pediu, voltando ao caixão.
— Podemos conversar? — ela perguntou para Charlie, que prontamente concordou a levando até a cozinha que ainda estava vazia.
Charlie sentou-se em uma cadeira, parecendo bem menos resistente do que anos atrás. Era de se esperar de que um humano não pudesse ser tão forte por tanto tempo, Renesmee sentou diante dele, na mesma hora que Edward apareceu na cozinha, ficando entre eles.
— Onde está a Bella? — Charlie perguntou confuso olhando do genro para a neta. — Vocês estão viajando há tanto tempo, desde o Halloween, sem dar noticias. Isabella não me ligou uma vez, nem mandou mensagens. Aprecio suas mensagens Edward, mas são evasivas e não são da minha filha. E agora Jacob morre, por um enfarto, ele era novo demais para isso, o que está acontecendo? — Charlie tinha lágrimas nos olhos. — Renesmee sua mãe está bem, não está?
— Sim! — Renesmee sorriu docemente para o avô, tocando em sua mão. — Ela está bem vovô — garantiu e se Edward não soubesse de toda a história acreditaria muito bem na mentira da filha. — Mas não conseguiu lidar com a morte de Jacob. — Renesmee fungou e até mesmo ali Edward sabia que não era um choro de verdade, ela estava sim sofrendo a morte de Jacob, mas estava atuando para que tudo ficasse sobre controle. — Estávamos passando uma temporada na Europa e voltaremos para lá depois de que tudo aqui esteja resolvido, mas mamãe não teve condições de vir e...Jacob era o melhor amigo dela. — Suspirou.
— E ela está sozinha? — Charlie indagou.
— Ah não, temos amigos na Europa, ela está com Eleanor e com Jane — Renesmee afagou a mão de Charlie, concentrando-se em não reagir mal ao nome de Eleanor. — Elas estão cuidando de mamãe e não nos demoraremos aqui, mas tente entender que o choque de perder Jacob foi demais para minha mãe. Além do mais. — O olhar de Renesmee se cruzou com o do pai. — Nossa viagem só aconteceu por um motivo. — Os lábios dela se comprimiram e mais lágrimas escorreram por seu rosto. — Quasei um pequeno tumulto, desrespeitei mamãe, nós brigamos. Eu meio que fugi de casa e fui para Londres...
— Você...
— Deixe-me terminar — Renesmee pediu. — Está tudo bem agora, mas foi muita coisa ao mesmo tempo para mamãe entende? — Charlie assentiu. — Vamos voltar para Europa e ela, papai e eu faremos uma viagem mais demorada dessa vez, estávamos pensando em ir até a Índia, Tailândia...Só precisamos estar juntos depois de todo esse caos.
E Renesmee passou a chorar mais profundamente, o que fez as perguntas de Charlie cessarem para que ele pudesse abraçar a neta.
— Obrigada vovô, é bom lhe ter por perto! — Renesmee agradeceu. — Será que podia me deixar um pouco a sós com papai? Eu preciso conversar com ele.
— Claro. — Charlie concordou, os deixando sozinhos na cozinha, então Renesmee parou de chorar sem dificuldades.
— Sua mãe é uma péssima atriz, onde aprendeu isso tão bem? — Edward perguntou abismado.
— Quando fugi, eu precisava ser a garota legal, não a que queria meter os dentes na garganta de todo mundo. — Renesmee deu de ombros. — Isso seria assustador demais.
— Você não vai voltar a Volterra comigo — Edward disse, encarando a filha nos olhos.
— Eu vou papai. — Ela tocou no rosto dele, sem deixar seus pensamentos chegarem até ele. — E você sabe que não conseguirá me impedir, não é mesmo?
— Renesmee, é perigoso.
— É o que quero — afirmou. — Eleanor raptou minha mãe, matou Jacob e quer dominar o mundo, eu irei destruí-la.
— E por acaso não quer reencontrar Alec? — Edward a confrontou.
— Ainda tem duvidas quanto a isso? — Renesmee colocou-se de pé. — Você amou minha mãe quando ela era humana, a colocou em perigos e tudo o mais. Não aja hipocritamente Edward Cullen, compre minha passagem para a Itália, ou eu chegarei lá por conta própria. — Então saiu da cozinha, deixando Edward sozinho lá dentro.
Renesmee permaneceu quieta e afastada durante todo o velório de Jacob, era obvio que com exceção de Seth, Sue e Charlie ninguém mais queria ela ou qualquer Cullen ali. Quando por fim chegou a hora do enterro, ela pegou uma única rosa branca, espetou seu dedo em um dos espinhos e deixou algumas gotas de sangue mancharem as petalas.
Ignorou todos que não a queriam ali e foi até a cova, sussurrando:
— Eu juro pelo meu sangue que irei vingá-lo, Jacob. — Soltou a rosa, deixando-a cair sobre o caixão. — E juro que serei feliz. — Afastou-se, encarando o próprio dedo sujo de sangue, ela sabia que ainda se machucaria, mas também machucaria outras pessoas muito mais.
Ela se vingaria de tudo, nem que morresse por conta disso.
***
No dia seguinte os Cullen já embarcavam para a Itália, Renesmee estava sentada ao lado do pai, comprovando para o próprio que ela conseguiria chegar lá de uma forma ou de outra. Ela entendia as preocupações do mesmo, mas também entendia que não podia o deixar controlar tudo, não mais.
— O que é isso, Renesmee? — Edward perguntou assustado ao ver o desenho que a filha fazia ainda no avião. Era Eleanor ali, com a cabeça separada do corpo e o colar de Renesmee, o que ela tinha ganhado da mãe em seu primeiro natal, em suas mãos.
— Se chama: A morte de Eleanor. — Renesmee sorriu para o pai. — Clichê, eu sei, mas o importante é a mensagem que ele trás.
— Que seria? — Edward indagou.
— Eleanor morta, por mim, papai — Renesmee sussurrou.
— Renesmee, isto está fugindo do controle, você vai se ferir. — Edward tocou na mão da filha, tirando o lápis de lá.
— Papai? — Renesmee o chamou. — Sabe que mamãe não está sendo tratada como uma rainha nas mãos de Eleanor? Que ela está sofrendo e que isso está a machucando?
Edward assentiu, deixando um lampejo de ódio tomar conta de seus olhos dourados.
— Eleanor matou Jacob, Eleanor está com mamãe há muito tempo. Ela vai se livrar disso tão facilmente? — Renesmee instigou uma resposta de Edward.
— Não, mas isso não quer dizer que será a responsável por matá-la — Edward continuou a falar em um tom de voz baixo, sem querer chamar atenção para si.
— Não preciso fazer sozinha. — Renesmee guardou o desenho em uma pasta. — Eu adoraria matá-la com sua ajuda, só peço que me deixe chutar a cabeça dela até a vala mais perto. — O sorriso no rosto de Renesmee tornou-se sombrio. — Sei que enfrentou muito para estar com minha mãe, James, Victoria, os Volturi. É o que estou fazendo aqui, enfrentando tudo pelas pessoas que amo, minha mãe, vocês, Jacob, Charlie que é um humano e será exposto a tudo isso se ela vencer.
Edward analisou a filha, sabia que tinha alguém faltando em sua lista, mas também sabia que tudo que ela tinha dito era verdade.
— Você está fazendo isso errado — Edward comentou, apertando os cintos sobre o comando do piloto. — Se vai matar Eleanor faça isso bem feito, a torture antes e a faça pagar pelo que tem feito. — O mesmo sorriso sombrio que dominava o rosto de Renesmee antes, espelhou-se no dele e ela soube ali que era mais parecida com o pai do que podia imaginar.
***
Renesmee estava na frente de toda a família quando os portões do castelo de Volterra abriram-se para eles, reconheceu alguns rostos, mas outros eram novos. Mas, não tinha como não perceber Aro e Caius, esperando por eles logo ali no hall de entrada, não na sala dos tronos como seria de se esperar.
— É muito bom ter todos vocês de volta, meus caros! — Aro exclamou animado, quando claramente estava era satisfeito de ter Alice e Edward novamente sobre seu teto.
— Guarde sua falsa empolgação para si mesmo, Aro. — Renesmee jogou seu casaco sobre os braços dele, ignorando as expressões chocadas de todos e subindo a escadaria. Sabia exatamente para onde ir e não perderia tempo.
Não se preocupou em bater, afinal de alguma forma aquele era seu quarto no castelo. E como era de se esperar ele estava ali, esperando por ela, sentado a uma mesa, encarando a porta.
— Olá! — Alec disse sério.
— Tenho algo que lhe pertence — Renesmee tirou o colar de seu pescoço, estendendo a Alec. — E acho que me deve algo, Volturi.
Alec aproximou-se dela, recolocando o colar no pescoço da híbrida, o que a surpreendeu.
— Ele fica com você, é minha forma de saber que estará segura.
— Ainda está me devendo algo — Renesmee exigiu.
— Não era minha intenção atrasar o pagamento. — Alec sorriu, tocando no rosto de Renesmee. — Obrigado por ter ficado viva.
Renesmee chutou a porta atrás de si, fazendo com que ela se fechasse.
— Eu não queria perder meu beijo.
Alec a beijou por fim e os dois sabiam que estavam selando um destino perigoso, mas inevitável.
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