Psycho Killer
9 Capítulo Oito
Notas iniciais
Capítulo Oito
Quando a híbrida despertou, de um sono cheio de pesadelos, precisou de alguns segundos para assimilar tudo. Estava no quarto designado para si no castelo dos Volturi, o lugar majestoso, mas que ainda podia muito bem servir de cenário para um perfeito filme de terror.
A grossa cortina vermelha tapava as janelas, impedindo que ela soubesse que horas eram. Sentia o corpo renovado após o tempo que dormiu, mesmo que sua cabeça estivesse estourando com o todo resto.
Seu descontrole, que resultou na morte de vários humanos inocentes, o envolvimento com Alec e o sumiço da mãe. Isso sem falar no fato de que ela e a família poderiam acabar pelo resto da eternidade presos a Aro Volturi, o que certamente era pior do que morrer.
A porta do quarto se abriu, Lucy entrou carregando uma bandeja recheada de alimentos humanos. Ela sorriu e encarou Renesmee, usando seu poder para desfazer a expressão raivosa no rosto da híbrida.
— Dormiu bem? — A vampira questionou, colocando a bandeja sobre uma mesa que compunha o quarto imenso.
— Que horas são? — Renesmee indagou, afastando os lençóis de si, tinha dormido com as mesmas roupas que estava quando chegou ali, de tão cansada.
— Pouco mais de nove da noite, você realmente estava exausta, não é? — Lucy abriu as cortinas, revelando o céu noturno do outro lado das janelas. — Dormiu bem? — voltou a perguntar.
— Sim — Renesmee respondeu por fim, evitando falar sobre os pesadelos.
— Acho que vai gostar de saber que seus avós já estão aqui.
A fala de Lucy fez com que Renesmee corresse até a porta, mas antes que chegasse no meio do caminho a outra vampira já estava lá, impedindo sua passagem. A híbrida bufou, mesmo sento metade vampira, sua agilidade não era tão alta quanto aqueles que eram cem por cento vampiros.
— Renesmee, já não falamos sobre fuga? — Lucy indagou irritada. — Sério, estou sendo simpática com você, não me faça perder a paciência, ou vai querer que além de Alec e Jane eu também queira te matar?
Os ombros de Renesmee caíram, se vendo totalmente sem saída. Não queria mais um vampiro lhe querendo morta, a lista era grande demais, estava na hora de tentar criar aliados, não mais inimigos.
— Tudo bem, me desculpe Lucy — Renesmee pediu, esticando a mão para a vampira loira a sua frente, que usava calça jeans e uma blusa branca, ainda que vestida tão simplesmente parecia ser a garota mais bonita do mundo. Talvez mais bonita que Rosalie, não que Renesmee quisesse que a tia soubesse disso.
— Vai deixar com que eu aperte sua mão? E seus pensamentos, é seguro dividi-los comigo? — Lucy admirou-se, olhando para a mão esticada de Renesmee.
— Aro sabe todos os meus pensamentos, acredito que eu posso dividi-los com você em segurança.
Lucy assentiu, apertando a mão de Renesmee. Entretanto nenhum pensamento da Cullen penetrou sua mente, o que foi totalmente o oposto do que esperava.
— O quê?
A híbrida deu um risinho baixo.
— Eu consigo controlar meu poder — explicou. — Prefiro que meus pensamentos sejam só meus, ainda que papai e Aro possam entrar na minha cabeça a todo tempo, pelo menos os outros ficam de fora.
— Bom, é inteligente da sua parte — Lucy constatou. — Agora seja mais inteligente ainda e vá comer o que eu trouxe.
— Quando vou poder ver meus avós?
— Depois que se alimentar e trocar de roupas, você está com um cheiro deplorável de suor.
— Obrigada pela gentileza — Renesmee fez uma careta, indo se sentar a mesa onde a comida estava.
Ela obviamente preferia sangue, qualquer um, mas sabia que sua parte humana precisava ser alimentada igualmente. Então se rendeu, comendo um pouco de tudo que Lucy tinha lhe levado, pelo menos os vampiros sabiam arranjar comida decente.
A vampira Volturi, após arrumar a cama bagunçada, se pôs sentada no sofá que tinha ali. Encarando o nada com uma expressão tediosa, talvez ela passasse muito tempo próxima a Marcus e tinha absorvido aquilo.
Ainda assim, Renesmee não pode deixar de notar que ela não parecia tão encaixada em seu papel de vampira, era como se ainda tivesse muito de suas características humanas em si. Sabia que Lucy não esteve em Forks quando os Volturi foram até lá para conhecê-la, então ela deveria ter sido uma recente aquisição para os italianos.
— Há quanto tempo é vampira? — Renesmee perguntou para Lucy, atraindo o olhar vermelho da outra para si, foi inevitável não se levantar e dar alguns passos até ela.
— Oh não Renesmee, volte para a mesa e termine de comer — Lucy disse, fazendo com que a hibrida lhe obedecesse. — Desculpe, às vezes eu me esqueço do poder e simplesmente saio encarando as pessoas sem tomar cuidado algum. E bom, respondendo sua pergunta, sou vampira há cinco anos.
— E quantos anos tinha quando foi transformada?
A expressão de Lucy saiu de puro tédio para uma que beirava o desespero.
— Vinte.
Foi sua única resposta.
— Como foi transformada?
Renesmee era curiosa, disso todos podiam saber, ela sempre acabava perguntando demais. E mesmo com seu amadurecimento não reduziu sua cota de curiosidade, parecia ter apenas aumentado.
— Isso não é da sua conta! — Lucy praticamente gritou, os olhos vermelhos pareciam pegar fogo, o que fez Renesmee se retrair. — Apenas fique quieta e termine de comer.
Não houve como discordar da ordem, então a híbrida voltou a comer, se alimentando até mais do que achava necessário. Quando acabou o olhar de Lucy sobre ela tinha suavizado, quase como se a vampira estivesse arrependida do momento anterior.
— Lucy, eu não queria ser indelicada — Renesmee murmurou. — Mas eu conheci poucos vampiros durante minha vida, e tirando minha família, nunca soube como eles foram transformados. Na verdade eu sei bem pouco até mesmo sobre a transformação de todos os Cullen, provavelmente a da mamãe é a única que sei por completo, afinal foi...
— Tudo bem, você pode parar de falar agora — Lucy exigiu, mexendo no cabelo e se pondo de pé. — Acredite Renesmee, as transformações de todos os outros vampiros envolvem sangue, dor e muito sofrimento. Você tem sorte de não saber tanto assim, garota.
Sorriu para Renesmee, de modo amigável.
— Se algum dia você quiser ouvir uma história de terror, bom eu lhe conto como fui transformada. Mas levando em conta que você teve muitos pesadelos, é melhor não te apavorar mais ainda.
— Como sabe que eu tive pesadelos? — Renesmee perguntou confusa.
— Porque eu já fui uma garota como você, Renesmee — Lucy disse em tom de confissão. — Pode ter feito algumas coisas erradas, Cullen, mas entre nós duas você vai direto para o céu e eu para o inferno.
A híbrida não disse mais nada, apenas assentiu com a cabeça, dando o assunto por encerrado.
— Aquela porta ali é do banheiro, e a outra do closeth. — Lucy indicou para cada uma. — Há roupas lá que certamente servirão em você, pode ter uns minutinhos a sós, mas não tente fugir, só pioraria tudo.
Um banho, era tudo que queria, então assim que Lucy deixou o quarto, correu para o banheiro. Queria poder se afundar na banheira que tinha ali, passar o resto da noite submersa e quem sabe deixar a água levar os pensamentos ruins. Porém, tinha de ser rápida para poder se reunir com a família, ainda que os tios ainda não tivessem ali e a mãe continuava desaparecida.
Saindo do banheiro, após demorar mais do que o imaginado para secar o cabelo, ela seguiu para o closeth. Tinham tantas roupas ali que até se surpreendeu, Alice adoraria experimentar cada uma, mas Renesmee pegou o primeiro vestido que viu.
Um preto, que acabava sendo muito parecido com os que Jane usava. Ela se perguntou como ficaria se usasse uma capa dos Volturi, mas afastou aquela ideia terrível de sua mente.
Estava fechando o vestido, quando uma batida na porta lhe interrompeu. E antes que ela pudesse responder, o vampiro já tinha entrado no quarto.
— Saía, Alec! — exclamou ao vê-lo ali.
— Acalme-se cantante, eu ainda não vim para matá-la. — Caminhou em uma lentidão irritante até ela, parando atrás da ruiva. — Problemas com o vestido?
— Não, eu posso muito bem...
Ela foi interrompida pelas mãos de Alec em seu corpo, o que por um momento a fez estremecer, então ele fechou o vestido para ela. Ainda assim, ele continuou com as mãos na cintura dela, para então sussurrar no ouvido dela.
— Seu cheiro está me enlouquecendo, mas preciso ser honesto que estar com você em um quarto é bem mais tentador.
— Eu e você. — Renesmee se virou de frente para ele, gesticulando entre os dois. — Isso nunca vai acontecer, entendeu? O que houve em Londres ficou em Londres!
Alec deu um sorriso de canto, segurando em ambos os braços dela.
— Não, eu não entendi, sobre o que está se referindo? A isso? — Tocou a pele do pescoço dela com os lábios, o que arrancou um gemido de Renesmee. — Ou disso? — As mãos dele voltaram para a cintura da híbrida, trazendo o corpo da garota para perto do seu. — Ou será que se referia a isso?
Por fim ele a beijou, fazendo com que ela retribuísse imediatamente. Ela agarrou os cabelos do Volturi, mordiscando o lábio inferior do mesmo, o que acabou por fazer ele gemer e puxar uma das pernas dela para cima, resultando na lateral do vestido rasgado.
— Renesmee! — A voz de Edward Cullen se fez presente, Alec a soltou, mesmo que a contragosto.
Enquanto isso a hibrida tentava assimilar como chegou tão longe com o Volturi, sendo que estava planejando justamente ficar bem longe dele.
— Não demorem, o banquete logo será servido. — Alec lançou um sorriso debochado para Edward, deixando o quarto.
— Você tem algo que queira me contar, Renesmee? — ele perguntou para a filha.
— Sim papai — ela confirmou. — Eu provavelmente irei para o inferno.
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