Psycho Killer
56 Capítulo Cinquenta e Cinco
Notas iniciais
Capítulo Cinquenta
Charlotte abriu os olhos, acostumando-se a escuridão que tomava conta da casa. Agarrou o colar em seu pescoço, era grande e pesado demais para si, mas lhe dava uma sensação de confiança, de segurança. Dobrou o papel em suas mãos, o guardando no bolso, já tinha decorado as palavras escritas ali, ainda assim achava melhor guardar o bilhete para qualquer eventualidade.
A casa dos Cullen, fechada por tanto tempo, tinha cheiro de mofo. Charlotte observou a decoração, que por muito tempo esteve presente em sua mente apenas quando estava ali na visão de algum morador da casa, principalmente de Esme. A vampira tinha o lugar como um paraíso, o adorava e, adorava ter a família ali.
Era a primeira vez de Charlotte na casa da família de sua mãe, onde Renesmee morou por tanto tempo, até encontrar seu caminho junto a Alec. Charlotte deixou a sala, seguindo para o segundo andar, querendo desbravar o local melhor.
Sabia que estaria em segurança ali, seria óbvio demais que qualquer um fosse lhe procurar justamente na casa dos Cullen. Mesmo que ela fosse a garota Volturi, era uma Cullen também e, aquele podia ser seu lar, ao menos por uma noite.
Entrou nos quartos, na sala de Carlisle, observou a vista encantadora das janelas de vidro e sorriu. Era tudo calmo ali, no meio da floresta, sem humanos ou outros vampiros por perto.
Charlotte foi até o quarto de Edward, que passou a dividir com Bella depois desta ser transformada. Renesmee não tinha um quarto seu na mansão, ela preferia se manter no chalé e, Charlotte não queria sair da casa sozinha, não queria correr riscos.
Sentou-se na cama dos avós, encarando a janela diante de si, onde a chuva forte molhava o vidro, as árvores do lado de fora balançavam e faziam barulhos por conta da água. Charlotte deitou-se, ainda agarrada ao colar em seu pescoço.
Ela só teria de esperar agora, saber a hora certa de voltar para Volterra, onde seus pais estariam esperando por ela. Eles não morreriam, não podiam deixá-la.
Uma lágrima passeou por seu rosto, mas Charlotte não a secou. Apenas fechou os olhos, deixando o sono lhe vencer.
Não teve pesadelos. Apenas sonhou com seus pais, sorrindo para ela e dizendo que tudo estava bem.
***
Eleanor monitorava os bruxos e vampiros diante de si no grande salão, ela estava claramente ansiosa, era tudo ou nada aquela noite. Perder ou ganhar. Mas, não era apenas sobre a criança da profecia, também se dizia respeito a Violet, presa nas mãos imundas dos Volturi.
— Você precisa falar, Imperatriz — Aaron murmurou-lhe ao pé do ouvido. Ela assentiu, tocando no braço dele por um instante, como se pudesse sugar um pouco da força mental que o vampiro ainda dominava.
Ela se voltou para os vampiros e bruxos ali, aqueles que não tinham desertado do propósito que os colocou naquele lugar, a seguindo. Eleanor lembrou do pai, como ele ficaria orgulhoso de vê-la como uma líder, lutando pela revelação dos vampiros, pelo controle de outras espécies.
Seu pai era um homem forte, rígido, mas Eleanor o amou. Perdeu a mãe muito cedo, sequer lembrava-se dela mesmo quando era uma humana. Então, quando jovem, aos seus dezenove anos, o pai desapareceu.
Simplesmente sumiu, sem deixar rastros. Ela, sozinha no mundo, não sabia o que fazer. Por semanas continuou trancada na casa que dividia com o pai, o esperando aparecer, esperando que algum policial ao menos ligasse e dissesse que o homem tinha aparecido, vivo ou morto. Nunca acontecia e, um mês depois, ele apareceu, mas diferente do que Eleanor esperava.
Estava pálido, gelado, os olhos pintados em vermelhos. Surgiu no meio da noite, quando Eleanor dormia, ou tentava manter o sono, depois de tanto chorar pelo sumiço do pai. Até que ouviu seu nome ser sussurrado.
— Eleanor.
Abriu os olhos imediatamente, deparando-se com o pai ali.
— Papai, o senhor, eu... — Eleanor gaguejou, então pulou da cama, correndo até os braços do pai. Foi quando o sentiu gelado, tão gelado que ela teve de se afastar de frio. — Papai, o senhor está doente? Onde esteve? Sumiu e não me falou nada — Eleanor disse, lágrimas tomavam conta de seus olhos, então notou a pele pálida do pai, seguida por seus olhos vermelhos.
Ela gritou, afastando-se mais ainda dele, com as mãos no peito, onde o coração batia desesperadamente. Não sabia o que tinha acontecido com o pai, mas estava completamente diferente.
— Papai, os seus olhos.
— Eleanor, minha querida. — O pai foi até ela, segurando nas mãos tremulas da filha, ela estremeceu ao contato frio dele. — Sou um novo homem, como pode ver.
— O que está acontecendo?
— Eu fui encontrado por gente poderosa, Eleanor, eu me tornei alguém igualmente poderoso. — Eleanor franziu o cenho, sem entender nada daquilo. — Você também deve se tornar poderosa, minha filha — ele disse e, em um movimento rápido a mordeu no pulso.
Eleanor fechou as mãos ao se lembrar do tempo da transformação, com tanta dor que sentiu. Mas, a felicidade que lhe tomou conta, quando o pai lhe contou que ela era poderosa como ele, Eleanor sempre quis ser como o pai.
Poder, era o que os movia.
— Hoje — ela começou a discursar. — Meu reinado irá concretizar-se e, todos vocês que estão ao meu lado, irão estar junto a pessoa mais poderosa do mundo. Os Volturi irão cair, nós tomaremos o reino deles, nós o mataremos, o mostraremos como são fracos e tolos! — gritou a última parte, ocasionando vários gritos de apoios de seus seguidores.
Eleanor sorriu triunfantemente, ela ganharia, o poder seria seu. E, Violet voltaria para seus braços.
***
Bella e Edward estavam do lado de fora da biblioteca quando Alec e Nessie deixaram o local, foi preciso apenas um olhar trocado entre a mãe da híbrida e o Volturi para que ele entendesse que os Cullen queriam um tempo sozinhos com a filha. Alec beijou o rosto de Nessie, sussurrou que a encontraria no salão dos tronos, então a deixou a sós com os pais.
— Acredito que ainda tenhamos um pouco de tempo — Edward falou, afagando os cabelos de Renesmee, ela concordou com um aceno de cabeça, então tornou a entrar na biblioteca, mas daquela vez na companhia dos pais.
— Nós sabemos que Eleanor roubou seu colar — Bella começou a falar, tirando algo de seu bolso. — Então, mandamos fazer outro.
Renesmee arregalou os olhos ao ver um colar exatamente como o seu nas mãos da mãe, seu coração palpitou naquele momento de felicidade.
— Sei que não possui o valor afetivo que o outro possuía, mas...
— Eu amo você, mamãe! — Nessie a interrompeu, jogando-se nos braços de Bella. — A amo muito, mesmo. — Virou o rosto para Edward. — Amo você também, papai!
— Nós também te amamos, filha — Edward disse, Bella estava focada demais em mantê-la em seu colo para dizer qualquer coisa. — Deixe-me colocar isso em você. — Pegou o colar das mãos de Bella, o colocando no pescoço da filha.
— Onde está o dos Volturi? — Bella perguntou, notando a falta do mesmo ali.
— Com Charlotte — Renesmee respondeu, sentindo seu coração apertar ao falar da filha.
— Charlotte ficará bem, Nessie — Edward afirmou, abraçando a filha. — Ela é tão forte quanto você, meu amor. Nós estávamos errados, você não é frágil.
Nessie assentiu, deixando lágrimas mancharem a camiseta de Edward.
— Por favor — ela pediu, soltando-se do pai para segurar nas mãos de ambos. — Não cometam nenhuma estupidez essa noite, protejam-se, fiquem perto dos bruxos do coven aliado a gente. Não posso perdê-los, nenhum Cullen. Quando isso tudo acabar preciso da minha família viva, eu não suportarei a perda de ninguém.
— Não vai nos perder, Renesmee — Isabella prometeu. — Sempre estaremos com você. — Tocou no colar no pescoço da filha.
Renesmee se agarrou ao colar, era tão parecido com o outro que podia por um momento fingir que Eleanor nunca tinha roubado o verdadeiro.
— Eu sempre serei uma Cullen — Renesmee murmurou, pegando os pais de surpresa. — Posso ter lutado contra isso, mas sempre será parte de mim e, essa noite, mais do que nunca quero ser uma Cullen. Sou uma Volturi também, mas sei lidar com os dois lados agora. Eu amo o que sou, amo meu novo clã e nunca deixarei de amar o antigo.
Bella sorriu, então a abraçou mais uma vez.
— Você á mais do que uma Cullen, ou uma Volturi para a gente, é nossa filha. Isso sempre será mais importante.
Renesmee sentiu-se aliviada e, mais forte para aquela noite.
***
Alec e Jane estavam lado a lado, esperando o espetáculo da noite acontecer. Por séculos os dois tinham lutado juntos, mas sabiam que seria necessário estar separados aquela noite, para que seus poderes pudessem proteger mais gente. O Volturi segurou na mão da irmã, que nem mesmo piscou.
— Amo você, Jan — ele sussurrou tão baixo que apenas a vampira o ouviu dizer aquilo, o apelido que apenas ele atrevia a chamá-la.
Jane o encarou, os olhos vinho fixos nos do irmão. Ela apertou a mão dele, lembrando-se de quando quase tinha perdido quando eram humanos, depois em todas as vezes que Alec esteve em perigo quando vampiro. O amava, era o elo que não a tornou maluca depois da transformação, quando queria destruir a si mesma. Alec era a ligação mais forte que tinha com alguém, morreria no mesmo instante se perdesse o irmão.
— Sabe, você poderia retribuir o gesto — Alec brincou, Jane riu baixinho, então o abraçou.
— Amo você também, Alexander. — A voz dela, fina e cheia de medo chegou a ele, mas era o nome completo que o fez paralisar. — Não vamos morrer hoje, você me ouviu? — Ela se afastou dele, segurando no rosto do irmão. — Você e eu nunca iremos morrer — proclamou cheia de convicção. — Papai e mamãe lutaram pela gente, o que podemos fazer é lutar para honrar o que fizeram por nós.
Alec assentiu, entendendo muito bem o que ela queria dizer.
***
Renesmee olhou Alec por longos segundos quando se reuniram novamente aquela noite. Todos no salão, ou por todo castelo estavam apreensivos, nervosos, mas prontos para encararem a luta que enfrentariam aquela noite.
Então, o primeiro grupo chegou. Ficou obvio que estavam seguindo a mesma linha de raciocínio de Alec, pelo menos um bruxo protegendo vampiros, mas eles estavam em menor número e a tentativa de Eleanor de ir abrindo caminho aos poucos parecia fracassada, nem mesmo ela estava entre os primeiros ali.
— Ela vai perder. — Alec riu, debochado, enquanto feitiços de proteção em volta de Nessie. O grupo de vampiros e bruxos de Eleanor estavam lutando com um grupo Volturi e de bruxos do coven do lado extremo do salão.
— Não deveríamos estar com Violet nas masmorras? — Renesmee perguntou a ele.
— Não — Alec negou. — É justamente para lá que queremos que Eleanor vá.
— Alec, Violet não pode fugir, não antes de... — Renesmee se calou por um instante enquanto os vampiros de Eleanor eram queimados e, os Volturi bebiam o sangue dos bruxos do coven de Violet. — Ela não pode fugir, não antes de conseguirmos desfazer a ligação. — Renesmee terminou sua fala.
— Ela não vai, não se preocupe quanto a isso. — Alec piscou para ela, abrindo um enorme sorriso ao ver que todo o primeiro grupo enviado por Eleanor já tinha sido morto. — Ah, o doce cheiro de vitória. — Alec inspirou o cheiro de fumaça e Renesmee o achou maluco por estar tão calmo diante daquilo.
Ela tocou mais uma vez no colar em seu pescoço, pensando em Charlotte. Esperava que a filha tivesse encontrado um lugar realmente seguro para ficar.
— Charlotte está bem — Alec assegurou, Renesmee o encarou, tinha certeza de seus pensamentos estarem fechados para si mesma aquela noite, não tinha como ele saber o que se passava na mente dela. — Não preciso ler seus pensamentos, Cantante, já lhe conheço muito bem. Sei que está pensando em nossa filha, então, lhe garanto que ela está em perfeita segurança.
Renesmee sorriu para ele, sem precisar dizer nada.
Mais aliados de Eleanor e Violet apareceram, mas daquela vez em maior número e do lado de fora do salão. Jane estava lá e, foi a primeira vez desde o começo da luta que Alec ficou realmente ansioso. Depois de muito barulho, paredes rachando e tudo o mais, Jane surgiu ali, suja de sangue e enraivecida. Alec e Renesmee ouviram a resmungar para Lucy que um vampiro tinha arrancado alguns fios de cabelo dela e, os dois controlaram risadas para sua irritação.
— Está pronta para agir? — Alec perguntou a Nessie, que prontamente assentiu. — Ótimo, Eleanor vai começar a mandar mais gente, precisamos começar a lutar.
— Excelente, que ela apareça logo para que eu possa a matar.
— Não se eu fizer isso antes. — Alec segurou na mão dela e os dois se infiltraram no meio dos outros, até ali não tinham perdido ninguém.
O terceiro grupo de Eleanor chegou, sucedido imediatamente por um quarto e um quinto. Alec estava certo, os dois primeiros eram apenas para abrir caminho, o resto seria ataque pesado.
Renesmee e Alec, imediatamente começaram a lutar também. Ela conseguiu derrubar dois vampiros aliados a Eleanor de uma vez só, arrancando suas cabeças e as jogando sobre o fogo que outro bruxo aliado a si e a Alec, tinha conjurado. O Volturi entorpecia o maior número de bruxos que conseguia, deixando com que a híbrida, então, partisse para cima deles, os matando rapidamente, mas não de forma limpa.
A híbrida limpou o sangue em suas mãos nas roupas escuras que usava, pensando no longo banho que tomaria quando aquilo acabasse. Em um momento de distração, um vampiro a agarrou pelo pescoço, mas rapidamente Alec o tirou de cima dela.
Tomado pela raiva, o Volturi socou o rosto do mesmo tantas e tantas vezes, que sua cabeça foi arrancada apenas com aqueles movimentos. Assim que colocou fogo no corpo, voltou-se para Nessie.
— Está bem?
— Sim — ela confirmou, passando a mão pelo pescoço.
— Vamos para fora do salão — Alec disse, vendo que seus aliados estavam vencendo. Um bruxo tinha morrido e, um Volturi também, mas nenhum que Alec realmente se importasse.
Eles seguiram para lá, bem a tempo de ver Bella lutando e perdendo para dois vampiros. Renesmee não foi rápida o suficiente, mas Alec foi, os tirando de perto da Cullen.
— Nada contra vocês, garotos. — Ele segurava os dois pelos pescoços. — Mas essa é de certa forma minha sogra. — Então, ele fez os dois queimarem e gritarem alto enquanto viravam cinzas.
— Não precisava disso, eu saberia lidar com eles sozinha — Bella contestou.
— Mamãe...
— Pode agradecer ao seu querido genro, Bella. — Alec sorriu para ela, Bella bufou, mas acabou sorrindo para ele também.
— Você é convencido demais, agora entendo porque está com Nessie — falou. — Mesmo assim, muito obrigada por ter salvado minha vida, agora suma do meu caminho porque preciso encontrar meu marido. — Quando ela saiu, Jane apareceu, arrastando Alec e consecutivamente Renesmee, até a sala que usavam para preparar porções.
— Se estou enfraquecendo, você também está e, isso é inadmissível — Jane entregou uma porção para Alec, eles bateram os copos um no outro, com uma careta no rosto tomaram o liquido ali.
Renesmee tocou mais uma vez no seu pescoço, desejando que Violet não sentisse a mesma dor que ela. Que a ligação tivesse magicamente sumido, assim como apareceu. Mas, ela sabia que não funcionaria assim.
***
Lucy estava do lado de fora, sentindo o vento quente de verão. Harry estava atrás de si, assim como o bruxo que estava junto deles aquela noite, mas ela não ligava de fato para eles naquele momento. Esperava por Aaron, era o que mais lhe importava aquela noite.
Aaron. E, a raiva em seu peito. Tudo que mais queria era poder ficar frente a frente com ele mais uma vez e, por um fim ao que tanto lhe atormentava.
Alec, Jane e Renesmee estavam no interior lutando. Com o que já devia ser o sétimo e oitavo grupo enviado pelos inimigos, Lucy teria de fazer aquilo, era o que queria, para falar a verdade.
Ela sentiu o cheiro dele, lembrava-se da noite que tinha sido transformada, de que o cheiro de Aaron foi o primeiro de sua nova vida a sentir. E, aquilo lhe dava mais raiva ainda. Mas, quando foi ressuscitada, o primeiro cheiro que sentiu foi o de Charlotte, puro e doce, algo que a fez perceber que nem tudo sobre a terra era cruel.
— Não sabe a quanto tempo espero encontrá-la, Lucy — Aaron surgiu das árvores, um sorriso sombrio em seus lábios, o brilho da lua refletindo em seu cabelo loiro.
— Igualmente — a vampira andou até ele, percebendo que o mesmo estava sozinho. — O quê? Você veio sozinho até mim?
— Diferente de você, querida. — O olhar dele vagou entre Harry e o bruxo.
— Não serão eles quem cuidaram de você nessa noite quente, Aaron — Lucy afirmou, então virou-se para o bruxo. — Vá lá para dentro, ache outro Volturi ou Cullen para proteger.
O bruxo hesitou, mas acabou concordando e entrando no castelo as pressas.
— E o outro? — Aaron olhou para Harry.
— Harry irá assistir. — Lucy sorriu para o vampiro atrás de si, que não respirava e, mantinha uma expressão assombrosa em seu rosto pálido. Ela tinha contado tudo sobre seu passado a ele certa vez, Harry sabia o quanto Lucy queria Aaron morto, ele adoraria matá-lo, mas também sabia o quanto ela queria poder fazer aquilo por conta própria.
Aaron aproximou-se ainda mais de Lucy, seu rosto quase tocando o dela, o sorriso psicótico ainda no rosto dele.
— Senti sua falta, Lucy.
Harry rosnou, mas manteve-se parado.
— Ajoelhe-se — Lucy ordenou para Aaron, com um sorriso triunfante no rosto, ele nunca soube o poder dela, até aquele momento.
Confuso, mas sem ter como tomar suas próprias decisões, Aaron ajoelhou-se diante dela.
— Grite! — Lucy agachou-se diante dele. — Grite tão alto quanto eu gritava enquanto você me torturava, seu verme.
Aaron gritou e gritou, se fosse um humano teria arranhado todas suas cordas vocais. Ele parecia realmente estar sentindo dor.
Lucy riu, deliciando-se com o som.
— Agora, role! — mandou, vendo o vampiro como um cachorrinho rolar na grama. — Oh, isso é melhor. — Ela segurou no rosto dele, enquanto o mesmo ainda rolava. — Arranque sua perna esquerda.
Aaron arrancou, gritando.
— Agora a direita. — Lucy sorriu para ele. Mais gritos, então a outra perna foi arrancada. — Os dois braços dessa vez e, tem que ser no mesmo momento, querido. — Piscou para ele, que mesmo contrariado fez o que lhe foi ordenado, restando apenas um tronco e uma cabeça.
Lucy olhou para Harry, que imediatamente entendeu que ele deveria acender uma fogueira, que foi o que fez, jogando os restos de Aaron ali.
— E, agora você morre! — Lucy respirou a brisa quente, arrancando a cabeça de Aaron, terminando de jogá-lo no fogo.
— Como se sente? — Harry perguntou a ela.
— Pra falar a verdade? Bom, com um pouco de tesão, então nós vamos para um quarto assim que essa guerra acabar.
— Nem precisa usar seu poder em mim para convencer-me disso.
***
Eles estavam vencendo, Lucy até mesmo tinha matado Aaron, Renesmee sentia-se esperançosa. Por Charlotte, Alec, Jane, sua família, mas não por si mesma. Violet continuava ligada a ela, não era algo que qualquer um pudesse desfazer.
Estava prestes a dizer a Alec que ela acabaria morrendo aquela noite, quando ele começou a falar primeiro.
— Eleanor chegou, está nas masmorras com Violet, vamos até lá.
— Espera — ela pediu, quando ele a conduzia até lá. — Apenas nós dois? Devemos levar alguém com a gente.
— Não. — Alec tocou gentilmente no rosto dela. — Nós dois, só nós dois, devemos cuidar disso, Cantante.
Ela suspirou, concordando, seguindo com ele até lá.
Uma Eleanor, desesperada, tentava abrir as grades para chegar até Violet. Que, acordada e com forças recuperadas, começava a fazer feitiços para sair dali, conseguindo por fim.
Pulou no colo de Eleanor, lhe dando um beijo cheio de paixão.
Foi quando Alec e Renesmee chegaram ali. Violet jogou um feitiço neles, irritada, fazendo com que os dois fossem jogados contra a parede. Eleanor, rapidamente correu e prendeu Renesmee em seus braços.
— Você não pode machucá-la, Eleanor — Alec disse, afastando-se lentamente da vampira e de Renesmee, seus olhos fixos nos da híbrida. — Se machucá-la, machucará Violet também.
— Mas eu posso matá-lo, Renegado! — Violet gritou, tentando atingi-lo, porém Alec foi mais rápido, a prendendo em seus braços, o mais cuidadoso possível para não feri-la.
— Conte-me onde esconderam a criança — Eleanor exigiu. — Quando contarem a localização exata dela, quando Violet for até lá, então a trazê-la até aqui, ela irá romper a ligação.
— Alec, não! — Renesmee gritou. — Não!
Mesmo que eles não soubessem onde Charlotte estava, ela não queria que ele cedesse as chantagens de Eleanor e Violet para que a ligação fosse rompida.
— Não sabemos onde Charlotte está — Alec afirmou, desviando do olhar de Renesmee para o de Eleanor. — Infelizmente seu trato não vale muito para mim.
— Não ligue para ele, Eleanor — Violet guinchou, ainda presa. Ela não estava tão forte quanto pensou, ainda não conseguia soltar-se de Alec. — Com um pouco de sangue da mestiça eu posso rastrear o sangue da criança.
Renesmee prendeu a respiração, pensando em Charlotte sendo encontrada pelas duas. Ela olhou em desespero para Alec, que compartilhou o mesmo olhar, os dois não contavam com aquela hipótese.
— Ouviu Renegado. — Eleanor sorriu para ele. — Você quer a sua híbrida ferida, ou prefere me contar de uma vez por todas onde a maldita criança está? Nós sabemos muito bem que isso acabará com ela morrendo de qualquer forma.
— Alec, não, você sabe o que fazer — Renesmee disse chorando. — Se você matar Violet irá impedi-la de rastrear Charlotte, Eleanor não suportará e cairá no instante seguinte.
— Cale-se, Mestiça! — Eleanor gritou com ela.
Alec, Charlotte não pode morrer. Eu sei que quer me proteger também, mas não podemos deixá-la morrer. Arranque o coração de Violet, faça com que nós duas morramos aqui, mate Eleanor, então ache nossa filha e cuide dela.
Alec parecia em desespero ao ouvir a mente de Renesmee em sua cabeça.
Eu te amo, Alec, por isso prefiro que seja você me matando.
Renesmee engoliu em seco, vendo o rosto dele atormentado.
— Também te amo — Alec sussurrou, Renesmee sorriu para ele, fechando seus olhos, esperando a dor, mas ela não veio.
A híbrida abriu os olhos, bem a tempo de ver Alec arrancando o coração de Violet, que cuspia sangue e contorcia-se no chão. Renesmee tremeu, caindo quando Eleanor a largou, gritando e caindo também ao ver o estado de Violet, morrendo diante de si.
— A questão, Eleanor — Alec começou a falar, jogando o coração de Violet, já morta, no chão. — É que, diferente de você, eu nunca deixaria Renesmee em uma batalha que ela pudesse se ferir, ou até mesmo morrer, como você deixou que Violet fizesse quando ela veio nos atacar.
Eleanor chorava no chão, em puro sofrimento.
Renesmee, ainda sem entender nada daquilo, levantou-se com dificuldade, os olhos focados no rosto de Alec.
— Nós ganhamos, Eleanor, você nunca tocará em minha filha — Alec pontuou, voltando a sorrir. — Renesmee? — A olhou. — Cantante, você prefere acabar com ela, ou quer que eu faça isso?
A híbrida pareceu despertar do transe que estava encarando o rosto dele, então se virou para Eleanor, que sussurrava o nome de Violet sem parar.
— Não se preocupe. — A híbrida fez com que a vampira se levantasse, Eleanor era uma péssima inimiga naquele momento, sem preocupar-se em lutar. Tinha perdido o pai, boa parte de seus seguidores e Violet, não lhe restava nada, voltou a ser a garota assustada na noite que foi transformada, poder não era mais nada perto do vazio dentro de si. — Suas cinzas e de Violet se misturarão até o inferno.
Renesmee arrancou a cabeça dela, com um sorriso vitorioso brincando em seus lábios. Alec colocou fogo no corpo de Violet, deixando Renesmee jogar o de Eleanor ali.
Eles se olharam, sorrindo um para o outro e, no instante seguinte, estavam um nos braços do outro, trocando um beijo intenso. Até Renesmee começar a socá-lo.
— Calma, Cantante, sou seu aliado — brincou, detendo as mãos dela.
— A ligação — Renesmee sussurrou, passando a mão pelos cabelos já soltos e bagunçados. — Como? Quando? O que aconteceu?
— Mais cedo, quando bebi seu sangue, quando na verdade toquei nele. Foi assim que Violet fez a ligação, em contato com seu sangue, era assim que devia ser desfeito. E, ela me deu uma bela dica quando falou que nada era forte o suficiente no mundo para quebrá-la. Há algo, o que sentimos um pelo outro, extremamente piegas e clichê, mas a verdade. Foi fácil quando liguei as pontas soltas em minha cabeça. Usei um feitiço criado por mim mesmo, um gênio, eu sei. — Finalizou, abrindo um enorme sorriso.
— E você me deixou esse tempo todo pensando que iria morrer? — Renesmee gritou, voltando a socá-lo, fazendo com que ele gargalhasse. — Foi bem convincente, sabe?
— Cantante, eu sou um assassino, não um simples rei. Fui treinado para matar, para ser frio e dissimulado quando necessário. Você não poderia saber que a ligação tinha sido desfeita, Eleanor e Violet precisavam acreditar nisso tanto quanto você. Só fui um grande ator.
Renesmee o socou no rosto. Então gargalhou, sentindo-se leve.
— Amo você, amo você! — Pulou no colo dele, entrelaçando suas pernas ao redor da cintura dele.
Alec assentiu, beijando os lábios dela com vontade, a colocando contra a parede, suas mãos indo até os seios dela. Ela levou uma de suas mãos aos lábios dele, fazendo Alec os entreabrir, assim como seus olhos vermelhos vivos.
— Vou mantê-lo preso na minha cama pelo resto da eternidade — ela jurou, Alec a colocou no chão, colocando uma mão no pescoço da híbrida.
— Sim, faça isso, eu lhe imploro.
— Morda-me — ordenou. — Ou eu te mordo — provocou.
Alec cravou os dentes no pescoço dela, sentido-se mais forte, mais cheio de vida.
***
Jane tinha ido buscar Renesmee e Alec, não animando-se nada com a cena diante de si. Quando queria fazer aquilo iria para um quarto com Demetri, não nas masmorras, perto de uma fogueira recém apagada onde suas inimigas tinham sido queimadas.
— Qual o saldo final? — Alec perguntou a irmã, enquanto ele e Renesmee a seguiam para longe das masmorras. A híbrida prendia o cabelo novamente em um rabo de cavalo, terminando de ajeitar suas roupas.
— Vinte bruxos do nosso antigo coven — Jane parecia confusa. — Ou seria atual? Enfim, vinte deles morreram e sete dos nossos vampiros. Ninguém da sua família — disse rapidamente para Renesmee, antes que a híbrida surtasse.
— Perdemos muitos bruxos — Alec resmungou. — Eram os primeiros a serem atacados, quando os de Violet perceberam que só poderiam chegar aos vampiros os matando.
— Eles se reproduzem rápido. — Jane deu de ombros, abrindo a porta do salão, que era limpo por membros da guarda, Demetri os comandava na missão ali. Quando viu Jane, o vampiro foi até ela, ignorando Alec, Renesmee e qualquer outro ali, a dando um beijo rápido, mas cheio de paixão. — Demetri!
— Nós quase morremos, hoje, vou beijá-la o quanto quiser — Demetri proferiu, a abraçando de lado. — Olá cunhado! — Sorriu para Alec, Renesmee riu.
— Não me chame assim — Alec ordenou. — Ainda sou seu rei. Onde está Lucy? Ela e Harry estão bem?
— Em um quarto, fazendo o que impedi de você fazer com Renesmee.
— Adorável, talvez devesse ir fazer isso com Demetri. — Renesmee piscou para ela. — Nós. — Virou-se para Alec. — Precisamos ir atrás de Charlotte.
— Vamos procurar por David, ele deve saber fazer o feitiço rastreador que Violet mencionou.
— David perdeu a esposa — Jane falou, tirando a mão de Demetri de cima de si. — Ele foi até fora da cidade, onde as crianças do coven ficaram com alguns bruxos, para dar a noticia a sua filha. O resto do coven foi com ele, mas nós dois podemos procurar o feitiço no livro, certamente está lá.
Alec concordou e, eles três foram até a biblioteca, Demetri continuou por ali supervisionando tudo. Os Cullen estavam na biblioteca, parecendo comemorar a vitoria em família, ela os abraçou rapidamente, checando e concluindo que nenhum estava ferido.
— Aqui. — Jane encontrou o feitiço. — Claro, precisamos de lua, vamos, híbrida — a chamou e, mais uma vez, os três se deslocaram no castelo, indo até o lado de fora, para os jardins traseiros.
Renesmee estendeu sua mão para Alec, que com uma rápida mordida conseguiu tirar sangue do dedo dela. Ele a deixou pingar sobre sua própria mão e a de Jane, então os dois as uniram, fecharam os olhos e começaram a entoar o feitiço. Repetiram por pelo menos três vezes, até Renesmee ficar impaciente e preocupada por eles não estarem conseguindo localizar sua filha.
Agarrou-se ao seu novo colar, fechando os olhos e pensou em Lô.
Filha, está na hora de você retornar para casa, meu amor. Todos estão bem, precisamos de você aqui agora.
Ela abriu os olhos, vendo Alec e Jane resmungarem mais uma vez por não conseguirem. Sentiu-se aflita com medo de não conseguir também, até que ouviu passos, seguidos do cheiro doce de Charlotte.
Jane e Alec separaram-se, vendo assim como Renesmee, Charlotte surgir entre as árvores que cercavam o castelo. A garota parecia ter acabado de acordar, mas sustentava um grande sorriso no rosto, correu até sua família, sendo carregada imediatamente pela mãe.
— Como você soube que era a hora certa de voltar? — Jane perguntou deslumbrada. Renesmee beijava o rosto da filha, Alec sentia-se aliviado.
— Mamãe me chamou — Charlotte respondeu, apoiando a cabeça no ombro de Renesmee. — A mente dela é absurdamente clara para mim.
— Finalmente você está de volta, princesa! — Foi a vez de Alec a pegar no colo. — Onde esteve?
— Forks — Charlotte respondeu, virou-se para a mãe e falou. — Alguém precisa limpar aquela casa, mas ela é linda!
— Melhor do que o castelo? — Nessie perguntou hesitante, Charlotte parou para pensar, mas respondeu:
— Não, talvez se você e papai estivessem lá, mas sem vocês não é legal. — Alec beijou a cabeça dela. — Mãe, isso é seu. — Charlotte começou a tirar o colar de seu pescoço, mas Renesmee a impediu.
— Não, é seu. Você é uma Volturi, o merece.
— Então, a profecia — Charlotte murmurou, Jane tinha saído dali sem ser notada.
— Ela ainda existe — Alec afirmou.
— Mas ninguém irá finalizá-la — Renesmee completou, tirando Charlotte do chão, a colocando em pé. — Você é uma garota especial Charlotte Volturi, entende isso?
— Sim. — Assentiu.
— Então, não se esqueça, essa profecia não define quem você é, nunca irá definir. Ela não será seu destino. — Renesmee olhou para Alec. — Você pode fazer alterações em sua vida que nem mesmo o destino irá conseguir impedir. Há algo mais poderoso e forte por ai do que magia, do que sangue e poder.
Charlotte abraçou a mãe, então Alec as abraçou. A garotinha sabia muito bem ao que a mãe se referia, era ao sentimento em seu peito, aquele escrito em quatro palavras. Que ligava ela aos seus pais e, eles um ao outro.
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