Psybreaker
1 O Fragmento da Aurora
As nuvens cobriam o céu de forma opressora naquela noite.
O ar em Tóquio estava úmido, e a cidade parecia mergulhada numa névoa invisível.
Mas essa história não começou à noite. Começou horas antes…
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Escola – Aula da tarde
O relógio da sala marcava 15h12, e o som do giz riscando a lousa se misturava ao zunido do ar-condicionado.
Takeru estava sentado no canto, perto da janela, olhando para fora. O professor falava sobre equações quadráticas, mas sua mente estava longe.
O pátio lá embaixo estava quase vazio, exceto por uma única sacola plástica que o vento carregava em círculos. Ele fixou o olhar nela —até uma sacolinha plástica é mais interessante que essa aula de merda —Pensou takeru
e por um instante, viu uma sombra atravessando o pátio, sem que houvesse ninguém ali para produzi-la.
Ele piscou, e a sombra desapareceu.
— Narisawa! — a voz do professor o fez voltar à realidade. — Quer compartilhar a resposta com a turma ou vai continuar viajando?
Alguns alunos riram. Takeru coçou a nuca, olhou para a lousa e deu a resposta correta, quase sem pensar.
— 3 e -5.
O professor franziu a testa, mas seguiu a aula.
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Corredor – Conversa com Renji
No intervalo, Takeru encostou-se na parede do corredor, observando os outros conversarem sobre jogos e redes sociais.
— Cara… você tava com uma cara estranha na última aula — disse Renji, seu amigo desde o ensino fundamental. Ele tinha o cabelo bagunçado e um sorriso meio zombeteiro. — Viu um fantasma ou tava só entediado mesmo?
— Talvez os dois — respondeu Takeru, com um meio sorriso.
— Você ainda anda vendo… essas coisas? Tipo, vultos?
— Não é como se eu visse o tempo todo. Só… às vezes. É rápido. E ninguém mais repara.
— Bom… — Renji abriu um pacote de batata. — Você devia gravar. Ia ficar famoso na internet.
— Não é assim que funciona. Essas coisas não aparecem quando você quer.
— E seus pais , ainda tão viajando? —Perguntou Renji
— Sim, e meu irmão ainda tá na outra cidade , eles vão voltar em alguns meses — Disse takeru
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Entrada de Aki
Antes que Renji retrucasse, uma voz surgiu atrás deles:
— Ei, vocês vão pra aula ou vão ficar bloqueando o corredor?
Takeru se virou rápido. Era Aki — cabelos castanhos presos num rabo de cavalo, uniforme impecável e um sorriso que parecia iluminar até o sol do fim da tarde.
— Ah… oi, Aki — disse Takeru, tentando parecer casual.
Renji não perdeu a chance:
— Oi, Aki. Adivinha? O Takeru tava falando sobre visões misteriosas e sombras do além. Tá só esperando você se assustar e pular no colo dele.
— Renji! — Takeru resmungou, mas o amigo apenas riu.
Aki arqueou a sobrancelha, curiosa.
— Visões misteriosas? Vocês dois assistem muito filme de terror.
— É sério — disse Takeru, tentando não parecer nervoso. — Eu… às vezes vejo coisas estranhas.
Ela sorriu, mas não parecia levar muito a sério.
— Bom, se algum monstro aparecer, espero que você corra mais rápido que eu.
O sinal tocou, e os três seguiram pelo corredor. Renji, andando atrás, sussurrou para Takeru:
— Se você não aproveitar uma deixa dessas, nem as sombras querem te ajudar.
Takeru fingiu não ouvir, mas seu rosto denunciava um leve rubor.
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Fim do dia
Ao sair da escola, Takeru colocou as mãos no bolso, mochila jogada no ombro e os fones desligados. Ele não precisava de música — o que queria ouvir era o mundo.
Um mundo que, segundo ele, escondia muito mais do que as pessoas percebiam.
“Mais uma Zona Brumosa detectada no distrito oeste…” — dizia um youtuber ocultista em um dos vídeos que Takeru assistira no dia anterior. — “Câmeras de segurança mostraram sombras distorcidas e luzes anômalas por apenas três segundos…”
—Que idiotice — pensou Takeru
Takeru sempre riu desses vídeos. Mas, no fundo, acreditava. Desde pequeno, percebia coisas que outros ignoravam: vultos, breves distorções no ar, e um sentimento estranho ao passar por certos becos.
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Naquela noite, ao cortar caminho entre dois prédios abandonados, Takeru ouviu o som de algo colidindo contra uma parede. Estacou. Depois, um grito abafado.
—Que merda tá acontecendo?, será que eu vou lá ver? Ah que se dane vou lá —pensou Takeru
Curioso, se aproximou em silêncio. Ao espiar por trás de uma caçamba, seus olhos se arregalaram.
Dois homens estavam lutando.
O primeiro, envolto em correntes negras que flutuavam como serpentes vivas, avançava com violência. As correntes estalavam no ar, deixando rastros brilhantes no chão, como se o asfalto fosse queimado por luz.
O segundo, de cabelos roxos com mechas brancas, empunhava uma lâmina feita de pura energia cristalina, que mudava de cor a cada golpe — ora azul, ora dourada.
O ar vibrava com cada impacto. O som não era de metal contra metal, mas de trovão contra vidro.
— Você não vai levá-la… — disse o homem da lâmina, ofegante.
O das correntes riu, grave e distorcido:
— Você já está morto. Só não percebeu ainda.
Num golpe rápido, as correntes se enrolaram no braço do homem da lâmina e o arremessaram contra a parede. O concreto rachou. Ele cuspiu sangue, cambaleando.
Foi então que algo brilhou em sua mão — uma pérola âmbar, pulsando como um coração. Ele tentou segurá-la, mas seus dedos tremeram… e o objeto caiu, rolando pelo chão até parar bem nos pés de Takeru.
Instintivamente, Takeru a pegou. A pérola brilhou mais forte, emitindo um calor intenso que percorreu seu braço.
O homem das correntes o viu e avançou de imediato, o rosto se distorcendo num rugido. Uma das correntes veio como uma lança, mirando o peito de Takeru.
Mas, antes do impacto, a pérola liberou uma onda de luz dourada que o envolveu como um escudo. A corrente ricocheteou, lançando faíscas.
O inimigo recuou um passo, surpreso.
— Como…?!
O homem ferido ergueu a cabeça surpreso por causa da acao do objeto, encarando Takeru com intensidade.
— Proteja-a… — disse, com as últimas forças.
Então, cravou a mão no chão. Um rasgo de luz se abriu no ar, como um espelho quebrando. O portal se expandiu, puxando Takeru com força.
— O que…?! — ele gritou, antes de tudo se apagar em branco---
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🌌
O vento era frio. As árvores não tinham folhas. O céu parecia uma pintura rachada, com tons cinzentos e roxos que escorriam como tinta.
Takeru acordou no meio da terra úmida, com a visão embaçada e a mente em vertigem.
— Onde… onde eu tô...? — murmurou, sentando-se devagar.
Tudo era estranho. A natureza parecia distorcida, como se o mundo tivesse passado por um terremoto e uma pintura surreal ao mesmo tempo.
A única coisa que ainda tinha com ele... era a pérola âmbar, agora levemente pulsando em sua palma.
> "Proteja-a."
A lembrança da luta, do brilho, do portal... tudo voltava como um sonho confuso.
Takeru se levantou, ainda tonto, e começou a caminhar por um caminho de terra cercado de árvores torcidas.
Até que...
— Ei! Você! — uma voz feminina soou atrás dele. — O que tá fazendo aqui com essas roupas esquisitas?
Takeru virou-se rápido.
Uma garota de cabelos brancos curtos e olhos azul-claros como gelo o observava com desconfiança. Usava uma capa azul presa no ombro, roupas de couro reforçado e uma pequena lança nas costas.
— Que tecido estranho... — ela comentou. — Você fugiu de alguma colônia decadente?
— Eu...? Não, espera... eu nem sei onde tô. — Ele respirou fundo. — Eu sou do... meu mundo. Vi dois caras lutando com poderes. Um deles me deu isso aqui... — estendeu a pérola — e abriu um portal. Acordei aqui.
A garota se aproximou devagar, com os olhos fixos no objeto em sua mão.
Ao vê-lo de perto, seus olhos se arregalaram.
— Isso é um... Fragmento de Aurora...! — murmurou, quase em reverência. — Não é possível...
— Fragmento do quê?
— Uma das pedras mais raras do nosso mundo. Fragmentos de energia pura, formados em momentos críticos, quando a barreira entre mundos se rompe.
Ela olhou para ele, séria:
— Quem te deu isso?
— Um cara com cabelo preso, meio machucado, usando um casaco. Lutava contra outro homem com correntes escuras.
A garota pensou por um momento.
— Deve ter sido o Ryker... ele estava tentando conter uma brecha dimensional perto do limite entre os mundos. Se foi ele quem confiou esse fragmento a você... então ele viu algo especial.
Takeru olhou ao redor, tentando entender tudo.
— E onde... exatamente eu tô?
— No mundo de Zemlya no Reino de Elyria. O Primeiro Mundo. Este é um plano diferente do seu. Aqui, monstros, magia e fragmentos como esse são reais.
— Então... existem outros mundos?
— Elyria é só o começo. Existem vários planos de existência. Mundos em colapso, mundos vivos, mundos corrompidos.
— O Ryker agora está no Segundo Mundo, lutando contra o avanço da Queda Cinza.
Takeru levou a mão à cabeça.
— Isso é muita coisa... Mas... e como eu volto pra casa?
A garota o encarou com uma expressão mais séria.
— Voltar... não é fácil. É praticamente impossível.
Abrir portais entre mundos exige enorme poder Psy. Mesmo com fragmentos como esse, só usuários de Rank B ou superior têm chance de realizar algo assim.
— Rank B...? E o que é esse... Psy?
Ela sorriu pela primeira vez.
— Psy é a energia da alma. O espírito. Todos aqui em Elyria nascem com essa força.
Com ela, podemos lutar, criar, curar... sobreviver.
— Certo... — Takeru respirou. — Me mostra.
Ela estendeu a mão. O ar ao redor tremeu levemente.
Uma esfera de água flutuou, girando lentamente até se transformar em gelo puro, que se desfez em partículas azuis brilhantes.
— Isso... é magia?
— É Psy. E se quiser sobreviver nesse mundo... — ela se aproximou, olhando firme em seus olhos — vai precisar treinar muito. E aprender a usá-lo.
Ela estendeu a mão.
— Me chamo Lila. E você?
— Takeru... Takeru Narisawa.
Ela sorriu com um olhar determinado.
— Pois bem, Takeru Narisawa.
Bem-vindo a Elyria.
E que os ecos da sua alma sejam fortes o bastante para não se apagarem aqui.
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Takeru observava a garota diante dele com uma mistura de curiosidade e confusão.
— Lila... de onde você é? Quer dizer... você mora aqui nessa floresta maluca?
Ela sorriu, cruzando os braços com orgulho.
— Sou membro dos Guardiões da Noite. Um grupo de mercenários que trabalha para o Reino de Elyria.
A gente protege fragmentos como esse — apontou para a pérola que Takeru ainda segurava — de cair nas mãos erradas. É um trabalho perigoso... mas alguém precisa fazer.
— Tipo... caçadores?
— Algo assim. E falando nisso, não dá pra te levar até o reino com essas roupas horríveis.
Ela olhou para o uniforme escolar dele como se estivesse vendo um saco de lixo.
— Hã?! Isso aqui é o uniforme da minha escola!
— Pois então a moda no seu mundo é trágica. — Ela estalou os dedos. — Não sou boa com magia de tecido, mas posso tentar...
Lila fechou os olhos, murmurou algumas palavras e estendeu a mão. A pérola de Takeru brilhou levemente em resposta. Aos poucos, as roupas dele começaram a mudar. O tecido escolar se dissolveu em pequenas faíscas, sendo substituído por algo mais resistente: uma camisa escura de tecido mágico com detalhes em azul, um colete de couro reforçado, calças ajustadas com tiras laterais, luvas de couro leve e uma capa curta pendendo no ombro esquerdo.
— Uau... eu... tô parecendo um personagem de jogo.
— Não sei o que isso quer dizer, mas agora sim, tá decente.
Juntos, seguiram pela trilha até o Reino de Elyria.
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🏰 O Reino de Elyria
Ao passarem pelas grandes torres de pedra e muralhas cobertas por musgo, Takeru ficou boquiaberto.
Mercadores, soldados, magos, artesãos... todos se moviam em meio à arquitetura medieval viva e vibrante. Bandeiras tremulavam com o brasão do reino: um dragão azul cercado por espinhos prateados.
— Uaaaaau... — ele disse. — Parece um RPG ou um anime de fantasia.
— Um o quê? — Lila arqueou a sobrancelha.
— Coisas do meu mundo. Se um dia você conseguir ir pra lá, ia achar legal.
— Tá bom... se você diz.
Eles atravessaram algumas ruas até entrarem num grande salão de pedra circular, com teto alto e símbolos mágicos gravados nas paredes. Dentro, um grupo de figuras os esperava.
Os Guardiões da Noite.
Homens e mulheres armados, de idades e estilos variados, observavam Takeru como se ele fosse um gatinho perdido num campo de guerra.
Um deles, um homem alto com um rabo de cavalo e armadura, foi o primeiro a falar.
— Ora, ora, Lila... quem é esse jovem?
— Kael, esse é o Takeru Narisawa, do Segundo Mundo. Ryker entregou a ele um Fragmento da Aurora antes de desaparecer.
Todos no salão se entreolharam. Outro homem, de cabelo vermelho espetado e expressão debochada, se levantou do canto.
— Então esse pivete é do Segundo Mundo? — disse Zain, rindo. — Caramba, Ryker foi mesmo imprudente.
— Mas... bem, pelo menos deixou a pérola em segurança.
Ele estreitou os olhos.
— Mas vem cá... esse garoto tem mesmo algo de especial? Eu não sinto psy nenhum vindo dele.
Uma mulher de cabelos roxos longos, com um livro flutuando ao lado, falou de forma afiada.
— É claro, inteligência. Ele é do Segundo Mundo. Pessoas de lá não têm energia Psy. Ou melhor, quase todos não têm.
Takeru franziu a testa.
— Quase todos?
— São só boatos... — disse Aria, a mulher dos cabelos roxos folheando seu grimório. — Mas dizem que alguns raros nascidos no Segundo Mundo têm o potencial para despertar o Psy.
Takeru olhou ao redor.
— E como vocês sabem tudo isso sobre o meu mundo?
Uma voz suave e provocativa respondeu atrás dele.
— Ora, ora... — disse Niamh, uma arqueira de olhos dourados. — Muitas pessoas desse mundo já foram pro seu e voltaram. Alguns até trouxeram objetos estranhos de lá — olhou com desprezo para o celular que Takeru carregava no bolso.
— Ryker mesmo era um dos únicos capazes de ir até lá. Ele era o líder dos Guardiões da Noite, um dos mais fortes do Reino de Elyria...
Mas quando inimigos de outro reino começaram a caçar a pérola, ele foi até o Segundo Mundo pra escondê-la.
— A essa altura... — ela abaixou os olhos — ele pode até estar morto.
O silêncio pairou no salão.
Takeru respirou fundo.
— Então... é quase impossível eu voltar pro meu mundo, né?
— Sim — respondeu Lila, com um olhar gentil. — Mas... você pode encontrar um novo propósito aqui. E talvez... uma maneira de voltar , É meio inusitado ver um garoto do segundo mundo sabe? Tipo , a maioria das pessoas acha que o segundo mundo nãoexiste e são lendas , só guerreiros Reais como nois os Guardiões da noite sabemos que o Segundo Mundo realmente existe , e você é a prova.
Zain se aproximou com um sorriso sarcástico.
— Moleque, se quiser sobreviver nesse mundo, vai ter que treinar. E despertar seu Psy.
— Não pense que só com espadinhas e frases motivacionais vai durar muito tempo.
— Ei, Lila! Bota esse pirralho pra por a mão na massa! Ele tem que despertar o Psy em duas semanas, no máximo!
— Duas semanas?! — Lila rebateu. — Isso é quase impossível! Ele é de outro mundo, literalmente!
Takeru cerrou os punhos.
— Uma semana. Eu vou conseguir em uma semana! E vou mostrar pra vocês que eu sou capaz!
Zain gargalhou.
— Ah, é? Então segura essa espada.
Jogou uma espada curta para Takeru. Mas o garoto mal conseguiu levantar a lâmina — parecia ter o peso de um carro.
— Argh... que porra é essa?!
— É a mais leve que temos. Só pesa... quarenta quilos.
Takeru arregalou os olhos.
— QUARENTA?! Isso é leve onde?! Se essa é a mais leve, nem quero ver a mais pesada... ai, minhas costas...
Niamh riu alto.
— Esse aí vai dar trabalho... Primeira vez que vejo alguém tão fraco e tão teimoso.
— Tá me tirando?! Eu não sou fraco! — Takeru gritou, suando. — Eu vou levantar essa porra agora!
Com muito esforço e os braços tremendo, ele ergueu a espada alguns centímetros.
— Viu?! Consegui!
— Só cuidado — Zain disse, rindo — vai acabar descolando as costelas se continuar assim.
Kael se levantou, sério.
— Se Ryker confiou a pérola a ele... então há um motivo.
— Eu acredito. Takeru vai conseguir despertar o Psy em uma semana, como prometeu.
— Bem... pelo menos eu espero.
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E assim, com uma pérola mágica nas mãos, a força de vontade maior do que os músculos, e um grupo cético à sua volta, Takeru Narisawa dava início à sua jornada em Elyria.
Não como um herói.
Não como um escolhido.
Mas como alguém que, por acaso do destino, carregava uma fagulha de poder...
... e um fragmento da aurora
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