Psiquê

1 Psiquê


Notas iniciais
Pessoal, recomendo ler na horizontal, fica mais visualmente bonito

Psiquê

Psiquê, no Hades, riu quando a uma borboleta foi comparada.

Pobre poetas humanos que não sabem de nada.

Olhos mais azuis que o Egeu

Cabelos um pouco mais escuros que breu.

E isso era tudo que viam em Psiquê, uma beldade.

Um belo adorno para a casa de um pater cheio de vaidade.

Uma Galatéia humana enfeitando a janela em plena serenidade.

Psiquê odiava seus pretendentes, velhos coroados, reis de outros estados.

Psiquê odiava ter que lembrar bons modos consagrados

Psiquê odiava ser obrigada a manter a pele alva

Psiquê odiava ser trancada em casa.

Psiquê odiava.

E Afrodite odiava Psiquê.

Odiava uma legião de mortais idolatrando uma mortal. Pra quê?

"Escolha uma besta e por ela a deixe apaixonada"

A deusa nascida do mar mandou seu filho, Eros, amaldiçoá-la.

Que logo percebeu que a moça presa em uma ala não amava nada.

Suas flechas ricocheteavam, ele precisaria algo mais criativo para atormentá-la.

Não foi difícil fazer o Oráculo dizer que deviam a deixar em um rochedo.

Que o destino da humana era ser levada por um monstro horrendo

Deixaram a moça na beira do penhasco, com apenas um manto

Eros observou atônito ela dormindo sem mesmo um pranto

A morte era mais gentil que passar a vida trancada

Parindo crianças após a outra de um marido que desprezava.

Ela enfim acordou e não encarou a morte

Mas sim um palácio entre piscinas naturais de águas termais

Esperou uma serpente gigante emergir para acabar com sua aparente boa sorte

Nada aconteceu, nenhuma besta apareceu, aparentemente o castelo vazio era seu

Servos invisíveis serviram o banquete e havia ninguém para fiscalizar suas porções

O Palácio era enorme e havia ninguém para a proibir de explorar ou de sair

Ela podia ler, correr, nadar, não havia etiqueta para seguir

Enfim, ela estava livre de opiniões

Talvez tivesse morrido, de alguma forma, ido para os Elísios

Enquanto isso, Eros a observava com seus olhos vítrios

Ele apareceu para ela como uma voz invisível

Suave, sedutor e amigável, nunca foi uma luta justa.

Talvez o primeiro ser a falar com ela de verdade, era até risível

Que o monstro terrível a fazia sentir como se sua alma não fosse invisível

Aos poucos, Psiquê começou a duvidar que ele fosse um monstro.

Como um monstro poderia ser tão atencioso e interessado?

Como um monstro poderia ter lábios tão macios?

Como um monstro poderia a deixar livre?

Ela sempre foi ensinada pelas outras mulheres: seja cautelosa com os homens

Eles são monstros que te veem como a próxima refeição

Não demorou muito para ela esquecer tudo.

Ela até aceitou jurar que nunca iria tentar para ele olhar.

Ela nunca caiu de tão alto, derrubando todos os seus escudos.

Com o próprio Eros, Psiquê estava presa em um jogo que nunca poderia ganhar

Psiquê via o fim disso antes de tudo começar e mesmo assim continuou

A princesa desconfiava e temia o porquê ele não mostrava o rosto

Apesar de tudo, tinha pesadelos com um monstro decomposto

Ela teve mil oportunidade de fugir e mesmo asssim ficou

Mas mesmo na névoa da paixão, ela se sentia sozinha, cercada de seres invisíveis

Ela queria ver suas irmãs que por causa da profecia deviam estar tão sensíveis

Elas foram trazidas pelo vento Zéfiro

Ao ver a irmã, bem e viva, ficaram aliviadas

Ao ver o belo palácio e seus lagos, ficaram encantadas

Porém, ao ouvir as histórias de Psiquê sobre o marido, ficaram horrorizadas

Os poetas as marcaram como víboras invejosas e despeitadas pela eternidade.

Mas, você que lê, como você agiria se fosse sua irmã nessa situação?

Casada com um ser que o Oráculo dizia ser monstruoso

Presa apenas pelo próprio coração

"Pegue uma lâmpada e tente o ver quando ele dorme"

"Leve uma faca e mate se for um monstro enorme"

Psiquê hesitou, tentou se convencer a não fazer

Mas as sementes da dúvida não paravam de crescer

Afinal, humanos tem um mecanismo de defesa para não perecer

Ela pegou uma faca e uma vela, se necessário, estava preparada para correr

Então, enquanto o deus do amor dormia, ela se aproximou com a luz dourada

E lá não havia monstro, espantada, Psiquê abaixou a lâmina afiada

Olhos fechados, era apenas um lindo jovem relaxado

Com a peculiaridade de costas aladas

No futuro, os anjos seriam descritos pelos românticos como Eros, loiros e alados.

Uma gota de cera caiu, ele abriu os olhos verdes, nada angelicais, apenas irados

E revoltado, voou pela janela com as asas brancas

Antes de partir, gritou: "O amor não sobrevive sem confiança"

Tão firme que fez Psiquê esquecer que ele não confiou a própria imagem a ela

E no mesmo instante, o palácio se desfez, deixando Psique sozinha na terra dela

O pai dela, o rei, não aceitou a filha desonrada pelo marido e amaldiçoada

Psiquê, mesmo arrependida, a vagar pelo reino foi condenada

Antes tão disputada, agora as ruas largada

Afrodite no Olimpo se regogizava

E vendo como a pobre mortal, triste e faminta, se arrastava

Viu mais uma oportunidade para pisá-la

A nascida do mar desceu do Olimpo, exuberante

E bem diante de Psiquê fez uma proposta irrecusável

"Tenho quatro tarefas dificeis para você fazer de agora em diante"

"Se sobreviver e cumprir, faço Eros voltar para você, sem rancores e amável"

Psiquê sabia que era um jogo que estava condenada a perder, um truque divino

Esperança, o último male preso na caixa de Pandora, acomete a humanidade

E assim, a princesa aceitou, sabendo que era seu declínio

Com um portal foi levada da cidade

Os deuses são cruéis, se não por natureza

O são por passar milênios em tédio profundo, imutáveis na beleza

A moça acordou em uma pilha de grãos

No templo de Deméter foi jogada e a separar os grãos foi condenada.

Demorou duas semanas para tal feito repetitivo, Psique ficou extenuada

Os poetas mentem, não havia nenhuma formiga ajudando, apenas suas mãos

Depois, Afrodite exige fios do Velocino de ouro, antes mesmo de Jasão nascer.

Uma jornada exaustiva e por fim o carneiro estava cercado por lobos

Se encostasse nele, certamente os lobos atacariam e iria perecer

Mas era esperta, colheu a lá presa em espinhos de arbustos

Sendo honesta, Afrodite não esperava grande coisa

Era uma surpresa que a moça tivesse durado ao primeiro

Então, ela fez pior, mais castigo inflinge

Condenou Psiquê pegar água da nascente do Estige

A moça escalou a montanha mais alta da Grécia para isso

Não houve águias auxiliares, só mãos empapadas em sangue

Quase morre, mas conseguiu, fazendo Afrodite ver que teria que piorar

Até no mundo inferior teve que andar, para a beleza da rainha pegar

Perséfone, esposa sequestrada por seu marido, se compadeceu

Que existisse alguém que fizesse algo tão voluntariamente

Por fim, as quatro tarefas foram cumpridas.

Um terço das tarefa de Hércules praticamente, Psiquê estava exaurida.

Afrodite teve que ceder e Eros também

Por um tempo, Eros e Psiquê viveram bem, mas os deuses só fazem o que convém

Quando as rugas começaram a aparecer, Eros se foi com outras amantes

E Psique percebeu que todo aquele tempo, tudo o que fez por ele

Não fora borboleta nenhuma

Apenas uma lagarta rastejante.



Notas finais
Bom, eu fui desafiada a fazer um poema sobre mitologia grega Escolhi o mito de Psiquê porque recentemente li um livro inspirado nele (A Dança com o príncipe fae) que foi péssimo. Tudo bem, pelo título dava para deduzir isso mesmo, mas enfim, resolvi fazer a versão mais realista
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!