Psiquiatria
1 Capítulo Único
PSIQUIATRIA
– Por Nefertare
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Alice caminhava lentamente pelos corredores do lugar. Agarrada a seu ursinho de peluche, observava as portas de metal do local. Nenhuma tinha a mesma coloração de alguma outra, nenhuma tinha o mesmo nome na plaquinha ao lado dela. Ela via as diferenças deles por fora, mas sabia que, por dentro, eles todos eram iguais: sem cores, com apenas uma cama de molas e um colchão fino. Uma janelinha com grades de metal para evitar possíveis fugas, uma mesinha, uma cadeira vagabunda e um copo de água velha e suja.
“Nada de bom”, pensou ela. E, realmente, não havia nada de bom naquele lugar além de seu ursinho Mike e os horários em que ela podia ver TV. Aquele lugar cheirava a hospital, café vencido e tinha uma pitada de nicotina. Acredite, meu amigo, não era um cheiro muito bom.
Rumo? Alice não tinha um. Só caminhava, agarrada ao seu ursinho de pelúcia às 23:45 da noite, rezando para que nenhum dos filhos da puta que trabalham no manicómio aparecesse e a mandasse de volta para a cela, onde eles diziam ser o lugar dela. Ela não achava isso, não mesmo.
Alice parou em frente ao quarto de Angeliza. Seus olhos azuis observaram a porta. Haviam escondido sua melhor amiga atrás de uma porta rosa. Uma maldita porta cor-de-rosa. Uma porta cor-de-rosa que fazia-te pensar que ali vivia uma menininha que acreditava em unicórnios e fadas, passa o dia a brincar com bonecas e ouvia historias e cantigas de embalar à noite, antes de dormir. Mas não era uma menininha assim que repousava ali. Era mais uma menininha que estava no manicómio por motivos desconhecidos por si mesma, tal como Alice.
A única semelhança entre elas era que nenhuma delas queria estar ali. Elas queriam estar com suas famílias, vivendo vidas normais, mas sabiam que, em uma época em que ter uma filha esquizofrénica ou bipolar é praticamente um crime, ninguém gostaria de vê-las a caminhar manicómio afora. Era como ver uma barata no teu prato de comida.
O frio do corredor A Oeste finalmente pegou a rapariga, que tremeu levemente. Era como se, em questão de segundos, ela tivesse virado uma rapariguinha de gelo.
Retornou lentamente até seu quarto. O sono havia finalmente chegado nela, que dormiu como uma pedra aquela noite, pensando no dia seguinte, quando brincaria mais uma vez com Carlos e Angeliza, seria entupida de drogas que ela não sabia se eram para ser dadas a ela e veria TV até as 22h, quando seria novamente trancada para uma “boa” noite de sono.
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