Notas iniciais
Espero que gostem

Acabo de acordar, minha cabeça doí, não consigo enxergar nada, meus pensamentos não são claros, por isso, não sei onde estou.

Após cinco minutos, já consigo pensar e enxergar mais claramente, estou em um quarto esquisito e em uma cama esquisita, mais especificamente uma maca; espero que isso seja um hospital.

A porta é aberta, entra uma enfermeira alta, de pele morena, os cabelos, claramente pintados em um tom de louro escuro já desbotado, pesos em um coque alto, no seu crachá mostrava: Hospital Particular **********, enfermeira Fernanda.

-Bom dia, Nicole! Meu nome é Fernanda e serei sua enfermeira enquanto se recupera. – apresentou-se.

-Bom dia. – eu realmente não estava a fim de conversar com ninguém.

-A senhorita deve estar com sede, certo?

-Sim, muita. O que aconteceu?

-A senhorita provocou uma pequena explosão na sua casa, e apesar de pequena, a senhorita se machucou muito. Agora, vou buscar sua água e chamar o médico.

A enfermeira Fernanda estava realmente incomodada por me chamar tanto de senhorita, com toda a certeza ela estava a pensar que eu pediria para ela não se referir a mim com tanto formalismo, isso foi facilmente percebido, pela maneira com ela saiu do quarto: totalmente insatisfeita. Mesmo com esse pequeno ato de “maldade”, que neste caso é mais uma formalidade, eu realmente me senti bem, um estado de felicidade tomou conta do meu corpo, isso foi realmente reconfortante.

Minutos se passaram e entrou o tal médico, Doutor Lucas e foi a mesma conversa de sempre, a repreensão pelo que fiz o aviso de que eu poderia sofrer consequências bem piores do que apenas algumas queimaduras e a partir daí eu pareceu de escutar e pensei novamente na morte de minha irmã, eu realmente não conseguia ficar triste, nem por um momento eu me repreendo por isso, as pessoas não conseguem realmente ficar tristes por muito tempo e mesmo que eu me arrependesse nada mudaria o que aconteceu, Eliza continuaria morta, ponto final.

Cinco minutos se passaram, e o Doutor Lucas, não havia parado de falar, mas já era o momento de eu prestar atenção, maus pai já estavam no quarto com aquelas feições nauseante de preocupação, agora, era com eles que o Doutor falava, mas eu sabia que em algum momento as atenções voltariam a mim.

-Nicole então resumindo, você precisa de repouso, muita água, calma e usar essa medicação nas queimaduras. –disse gesticulando para mim e para os meus pais. – Você teve realmente muita sorte de tão ter se queimado mais, qualquer um que te visse agora, diria que foi um acidente bobo, com água não tão quente.

-Então, porque tenho que permanecer neste hospital. – perguntei da forma menos rude possível, mas numa frase como essa isso é quase impossível.

-Por que você bateu a cabeça e necessita de cuidados médicos, mas não se preocupe em duas horas você terá alta.– Foi isso o que ele disse, mas para mim, eu estava ali porque eles queriam era DINHEIRO.

Após nossa simpática conversa, o doutor e a enfermeira saíram, ainda bem, pois os olhares furtivos que um lançava para o outro, era de enjoar qualquer um, duvido muito que tenham ido atender outro paciente.

Duas longas e entediantes horas se passaram e eu finalmente recebi alta, tomei banho me troquei e fui procurar os meus pais, que deveriam estar me esperando no lado de fora do quarto, mas não, o que aumentou muito as minhas suspeitas, até agora ninguém me perguntou por que fiz o que fiz, só falaram nas consequências daquilo, é como se todos tivessem ignorado esse grande detalhe, mas meus pais não me enganam, não mesmo, eles são do tipo que mandam a filha para a urgência do hospital por causa de uma farpa, eles não ignorariam esse detalhe.

Procurei-os durante cinco minutos e quando finalmente os encontrei, não foi nenhuma surpresa ver que eles estavam falando com um dos psicólogos do hospital.

-Nicole o que faz aqui? – Sério, realmente meu pai achou que eu não procura-los?

-Pai, eu só estavam a procura de vocês. Quem é este?

-Querida, este é o doutor Marcus, ele também estava te acompanhando, nós ficamos realmente preocupados com o que você fez. – disse minha mãe.

-Olá Nicole. – disse o doutor Marcus – como sua mãe disse, eles ficaram muito preocupados com você e eu disse que sua reação foi até que esperada, você é adolescente, está confusa com o que aconteceu, sua irmã era importante para você, e no momento você não sabia o que fazer, tinha que extravasar suas angustias.

Depois de nossa pequena conversa fomos embora, claro antes o tal Marcus disse para meus pais que qualquer coisa era só marcar uma consulta com ele. Ele não disse de mais para que eu não simpatizasse, mas não foi isso que aconteceu ao mesmo tempo em que ele falava comigo, lançava-me olhares furtivos, eu não o recriminei, isso realmente inflou o meu ego e... Nunca é bom desperdiçarmos um aliado.

Cheguei em casa e como sempre o clima estava pesado, a depressão bateu em meus pais, lembraram-se que Eliza não estava mais entre nós, fui para o meu quarto e comecei a ler um livro qualquer, olhei sua capa, chamava-se “ O Pacto”, comprei pensando que seria um livro de terror, mas, após ler apenas 20 páginas percebi o meu erro, mesmo assim, o livro não deixava a desejar, uma história interessante e bizarra, sobre um cara que vira o diabo e tenta se vingar do assassino de sua namorada.

Senti o cheiro da comida e com o tempo que havia passado presumi que já estava pronta, desci as escadas e me deparei com meus pais brigando, olhei para a mesa e logo já soube o porquê.

Já faz quase um mês que Eliza morreu e minha mãe ainda não consegue aceitar isso, ela tem 45 anos, não está velha, mas também, não está nova, a morte de Eliza ,mexeu com sua cabeça e desde então ela coloca sempre um prato extra na mesa e como se Eliza ainda estivesse viva, vai até a escada e grita por ele, isso deixa meu pai possesso.

A briga entre os meus é sobre uma única coisa, minha mãe defende que não devemos esquecer Eliza, que isso é errado e outras coisas mais, já meu pai defende que não devemos viver no passado, que as lembranças não a farão voltar, eu concordo com ele, mas na frente de todos, defendo a minha mãe.

Jantamos em completo silêncio e, ao terminar, voltei ao meu quarto. Desta vez não tentei me distrair com livros, computador ou televisão, deitei-me na cama e pensei mais uma vez no que aconteceu naquela noite.

“...”

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.