Porque tudo não pode ser como eu quero? Minha vida seria melhor, quase perfeita. Mas como você sabe as coisas não são assim.

Quem antes me conhecia, nunca imaginária que eu poderia me tornar, o que agora sou… Uma louca, simplesmente uma louca. Minha loucura é tanta que me torna lúcida, o que é pior porque crio consentimento do que eu fiz, das coisas malucas, que ocorrem-me na cabeça. Poucos sabem o que penso sobre mim, não acho que sou louca, sou um monstro, uma psicopata, só isso pode explicar o que fiz.

Não era uma manhã normal, era um dia especial, acordei, tomei banho, troquei-me e desci para o café da manhã, não era a recepção que esperava, não era só meu pai e meu irmão me esperando, a família inteira esperava-me, melhor, minha família me esperava.

–SURPRESA!!!!!! — essa foi minha recepção.

Cumprimentei a todos, mas não estavam muito felizes, na verdade não estavam nem um pouco felizes, minha irmã e eu, fazíamos aniversário no mesmo dia, ela era um ano mais velha, mas, há apenas 20 dias ela havia falecido, não uma morte natural, foi um “acidente”.

Era noite eu havia fugido de casa, pois, via coisas perseguindo-me, tudo e todos. Sai correndo passando por ruas movimentadas sem prestar atenção, naquele momento, para mim, morrer parecia a melhor opção, mas ela me viu e correu atrás de mim, desesperada corri pela ponte, pouco tempo depois, aproximadamente na metade da ponte, parei, eu estava muito cansada, ela me alcançou, foi se aproximando calmamente, mas, em minha cabeça, ela queria me matar, mais eu fui mais rápida, sai de onde estava, ela tropeçou e caiu da ponte, morreu na hora. Neste momento tomei consciência do que havia feito, mas não chorei, na verdade ri, gargalhei, e sai de lá mais feliz do que nunca.

Cheguei em casa, contei que ela estava morta, que a Eliza, a perfeitinha da família estava morta, inventei uma história qualquer, porque sou louca, não idiota, sou uma psicopata. Como eu não havia tocado no corpo saí ilesa de punição, pensaram que a louca era ela, minha irmã, o que deu força a minha história de que ela havia pulado da ponte, e que eu, tentei salvá-la, mas, os idiotas da minha família nunca suspeitariam, sempre fui uma pessoa calma e controlada, o meu distúrbio psicológico seria uma novidade.

O meu aniversário foi uma grande porcaria, eu fingindo que estava triste, por relembrar da morte da minha irmã, e minha família chorando, como se estivessem vendo alguém ser morto, toda vez que o nome de Eliza era mencionado, e para piorar as coisas nem presente bom ganhei, minha irmã morreu, não eu, flores se colocam no túmulo, não se dá flores para uma adolescente viva de 14 anos.

Meus parentes foram embora, mesmo eles não estando felizes, a presença deles confortava-me, eles tiravam-me de meu mundo sombrio e vazio, mesmo com a infelicidade clara em seus rostos, deixavam-me feliz, não sei se era porque pelo menos as crianças estavam felizes, saltitantes, sem saber o que ocorria, ou se a minha felicidade era por ver todos tristes, apreciar o que fiz.

Agora mais uma crise de bipolaridade, pois estou triste, minha irmã morreu, acho que entendi minha irmã está morta e por minha culpa, eu sou uma louca, ou talvez não seja, se ela morreu havia um motivo. Isso! Não vou me sentir culpada, ela não tinha a obrigação de correr atrás de mim, azar o dela.

- Flores idiotas, flores estúpidas. Odeio vocês, vou queimar todas -.Fui para meu quintal, em minhas mãos estavam as flores, álcool e fósforos. Percebi que no quintal, sentiriam o cheiro e meus pais viriam me procurar. Então fiz a maior idiotice da minha vida; fui para a garagem, onde meus pais guardavam tudo que havia de tóxico e perigoso, em nossa casa, joguei as flores no chão, e joguei o álcool sobre elas, porém, aquele cheiro de álcool nunca me fez bem, abri o portão da garagem e acendi o fósforo, nesse momento ocorreu uma sequência de fatos, eu desmaiando, o fogo vindo como uma grande bomba, se eu não soubesse exatamente o que era aquilo, minha ignorância diria ser um meteoro, logo depois a casa tremendo em um grande estrondo e então meus pais gritando:

- Nicole… – Então desmaiei...