Psicose

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Olha meus capítulos aqui não serão tão longos, mas pretendo postar com a regularidade que o tempo permitir. Por enquanto a história está com humor e sem mistério algum. Mas aguardem, tem muito o que mostrar ainda.

Às vezes eu penso que um dia morrerei por uma overdose de satisfação.
― Salvador Dali ―

Segurei a bolsa sobre os meus ombros e arrumei os óculos escuros sobre os olhos. Daria tudo certo. Era só o Samson, não podia ser tão ruim. O tilintar das minhas pulseiras batendo e o burburinho dos outros policiais era a única coisa que incomodava ali, mas tinha aquele aconchegante cheiro de café que invadia o Departamento de Polícia de Nova York e a confiança que todos depositavam uns nos outros. Uma família...

― Olha só quem sentiu minha falta. ― Alguém falou as minhas costas e curiosamente fiquei doida para praticar meus novos golpes.

Me virei devagar, bem devagar para não quebrar a cara do imbecil, mais conhecido como Noah Baker, meu parceiro de trabalho. Meu incosto de cabelos cacheados castanhos e um par de olhos azuis encaixados em uma face até bonita.

Grunhi um som esquisito.

Meu melhor amigo, de uma forma bem esquisita.

― Pelo amor de D...

Ele foi rápido e tapou minha boca.

― Não fique blasfemando por aí. ― Resmungou sorrindo de canto. Eu ainda ia acabar com esse sorrisinho. Mordi sua mão e ele soltou praguejando.

Não consegui arrancar um pedacinho.

Que pena.

― Podia até jurar que é um puritano.

― E eu sou. ― Confirmou com veemência.

Franzi o nariz desgostosa.

― Ouvi dizer que no dia que você entrou na igreja o padre perguntou se por acaso você estava querendo se exorcisar?

Ele sorriu colocando as mãos no bolso.

― E o que mais Ashara?

― Ouvi dizer também que nesse dia um raio caiu perto da igreja.

― Providência divina com certeza.

Cerrei os olhos.

― Não entendi.

O seu sorriso se alargou de ponta a ponta.

― Você estava passando por lá querida Ashara. Quem sabe Deus não quisesse vir te buscar mais cedo. Para a glória da humanidade.

Corra Noah, por que se eu encostar em você...

― Foi péssimo da minha parte colocar vocês como dupla. Quando estão juntos se reduzem a bebês da quarta série. ― Samson falou surgindo entre nós com sua habitual paz interior.

Um fato sobre Samson Winter: ele nunca se extressava. Era sempre calmo. Às vezes eu preferia que reagisse mais, ele se tornaria mais humano.

Aos dezesseis anos estava com tanto ódio dos meus pais que achei que seria bom pichar muros. Bem educativo. Estava me decidindo entre Foda-se mundo ou Foda-se os McWood quando uma voz masculina me parou. Era Samson. Sim eu fui detida, mas antes ele me levou para comer hambúrguer no McDonald's, e demos uma passadinha numa livraria. Ele ligou para os meus pais, mas eu não fui surrada pela minha mãe, Samson entendeu de cara com suas deduções malucas e me protegeu desde então, inclusive no meu estupendo trabalho.

Alguns queriam ser médicos ao crescer.

Outros um astronauta.

Mas eu queria ser Samson Winter.

E com Noah ao meu lado quase implorando para socar seu rosto perfeito me fez ter a triste confirmação, que meus sonhos não se tornariam realidade.

― Ashara venha comigo.

― Sim, capitão.

Ele colocou as mãos nas minhas costas e me conduziu até a sua sala. E antes de entrar olhei uma última vez para o incosto e ele estava ali com Morgan Ocean, mandando um beijo pra mim.

Ocean era íntimo.

Para o inferno com as normas.

Estendi o dedo do meio e gesticulei com a boca sem emitir um som Enfia naquele lugar.

Noah e Ocean gargalharam e eu me permitir rir também.

― Ashara. ― Era Samson com o mesmo tom de voz para quem diz, que manhã linda, mas reparei em sua repreensão velada.

― Desculpe capitão.

― Está de férias.

― Oh é mesmo. ― Afundei na poltrona acolhedora a sua frente e abandonei a postura. ― Foi mal Sam.

Ele também abandonou a postura e ali era só um homem estéril com exatos cinquenta anos que tinha tomado pra si a oportunidade de cirar uma garota que nem sequer conhecia. E na frente dele eu podia ser rebelde.

Samson era parecido comigo as vezes em gostos e até em opiniões. E todas as vezes que via seus olhos negros como o café do departamento e sua pele escura e o sorriso paciente me sentia calma como ele.

― Vou viajar pra Seattle. Sabe, passar um tempo com a família.

― Pensei que eu estava incluso. ― Disse um pouco magoado.

Respirei fundo.

Era melhor que ele não soubesse.

― E está, mas Sam essa viagem pode reparar alguns erros e também vou ver uma amiga que não vejo a muito tempo.

Ele ergueu uma sobrancelha.

― Amiga?

Revirei os olhos.

― Sim, qual o problema?

Ele...

Estava rindo de mim.

― Meu doce, é que você não é sociável e o único amigo que você tem é o Noah e o Ocean, se é que podem ser chamados de amigos.

― Tem o George, ele é um amorzinho comigo.

― Ele quer transar com você.

― Credo Sam, vira essa boca pra lá.

Sua gargalhada retumbou em seu peito e a cadeira inteira chacoalhou com ele.

― Tinha esquecido... Ele já transou com você.

Eu estava corando.

Maldição.

― Esqueça o fato que ele é meu ex namorado. ― Resmunguei.

― Tudo bem.

― Vim aqui me despedir.

― Vai demorar?

― Provavelmente.

― Prometa me ligar todos os dias.

Sorri levantando da cadeira e sentando em seu colo dando um abraço apertado aproveitando as persianas fechadas.

― Prometo.

Samson apoiou o queixo na minha cabeça e balançou o corpo como se estivesse cuidando de um bebê, de uma forma paternal. Amava esse homem. Amava com ardor.

Relutante me separei dele e beijei sua cabeça enquanto ele segurava minha mão me mandando ter cautela e não explodir.

Eu sabia ser controlada.

O problema era conseguir.

Fechei a porta vitoriosa, ele nem sonhava sobre Rose. Olhei para os lados e vi Noah sentado em sua mesa de controle parecendo um moleque na puberdade mexendo no computador em velocidade ultrassonica, nem se dando o trabalho de piscar em minha presença.

― E como foi com o papai portiço?

― Muito bem Noah.

― Vai para Seattle certo?

― Sim. ― Respondi evasiva.

Ele parou de digitar e girou sob a cadeira me encarando com uma intensidade desconcertante, clássica dele quando queria dizer: Não arruma confusão.

― Boa viagem Ashara e qualquer coisa conte com o bonitão aqui.

― Ridículo. ― Murmurei revirando os olhos. ― Vou ligar pra você e pro Ocean. Tenho...afeição por vocês também.

― Somos seus melhores amigos otária.

Andei mais até ele e um soquinho em seu ombro. Não satisfeita dei outro mais forte.

― Pode mandar pra valer.

Dei um golpe com toda a força que eu tinha e ele nem de mexeu, parecia feito de mármore. Eu ia sentir falta dele...ou melhor, eu ia sentir falta de bater nele.

― Vocês dois são estranhos. ― Ocean resmungou tomando o seu café.

Dei dois longos passos em sua direção e o abracei. O gesto o pegou totalmente desprevenido e até Noah abriu os olhos como pratos com a cena.

― Quero um abraço também.

― Vou te decepcionar.

Ocean sorriu segurando minha cintura com um sorriso brilhante.

― Ela sempre me amou mais, cara só aceita.

Enquanto Noah tinha era apenas um ano mais velho que eu, Ocean tinha uns quarenta e cinco anos e amava trabalhar comigo e com o Noah. Às vezes me pergunto se é por que somos mais divertidos que o rosto dos amigos de equipe.

Se você está se perguntando, Mas Ashara se Samson é seu "pai" então todos beijam o chão que você anda.
Sinto lhe informar que estamos na vida real e não em um romance pitoresco onde a principal é rica de rasgar dinheiro e tem um papai que faz tudo o que ela quer.

Oou. Parou aí.

Na verdade eu fazia parte da escória do departamento, fazíamos rondas mas no resto ficávamos fazendo exércicios ou ajundando nas rondas. Noah estava nessa comigo junto com a Lucy, uma nova... esquece não vai querer saber dela. A única coisa que ela tinha era uma enorme bunda e só. Talento lhe faltava, uma pena.

Me despedi dos meus amigos e caminhei segura até a saída, ao passo que meu celular tocou, atendi sem nem olhar para o número.

― Finalmente. ― Exclamei exasperada colocando a mão na cintura como se Rose Martinez pudesse ver qualquer coisa que eu fazia.

― Sinto muito Ashara estive muito ocupada. ― Desculpou-se e percebi que ela estava no meio de um trânsito caótica e barulhento.

― Para sua informação vou chegar daqui a dois dias, mais precisamente no sábado. Com meus pais e minha irmã, eles não sabem o que eu vou fazer. ― Murmurei olhando para os lados.

Acredite os policiais são fofoqueiros.

― Isso é muito bom. ― Sua alegria quase me contaminou. Eca. Estava muito emotiva esses dias.

― Sim. ― Concordei. ― A minha médica preferida já sabe como eu vou me infiltrar?

― Como? ― Ela gritou em meio a um engasgo.

Andei até meu carro e o destravei rapidamente.

― Não acha que eu vou chegar com o meu distintivo e sair fazendo perguntas no seu hospital, onde supostamente está acontecendo bizarrices né?

― Não, tenho uma vaga de faxina irá no turno da tarde e noite. ― Balbuciou. ― Se está sem o concentimento do seu chefe como vai se infiltrar?

Estalei a língua sorrindo maldosa.

― Posso não ter amigos, mas tenho pessoas que me devem favores.

Rose soltou um som que supus ser uma risada.

― Se tem uma coisa que eu sei sobre você é que quando alguém te deve algo, você cobra, mais cedo ou mais tarde.

Sorri de volta ligando o carro e me olhando pelo retrovisor.

― Sabe Rose, acho que você e eu vamos nos dar melhor do que eu imaginava.

Não esperei uma resposta dela e desliguei o telefone jogando no banco do lado.

Hora do Rush meus amores. Estava oficialmente em busca do Tubarão, o maior falsificador de identidades de Nova York.

Notas finais
Deixem os comentários e favoritem, é um incentivo à mais.