Psicopata

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Olá, aparecendo aqui somente para avisar que este capítulo está meio picante, rs. Aproveitem. ☻

Eram três horas de uma alta madrugada. A noite do lado de fora era negra e gelada, os postes com suas luzes fracas não iluminavam nada por conta da forte tempestade de neve que caia já fazia algumas horas, atolando os bueiros com gelo e lixo, transformando os asfaltos em pistas de patinação e decorando tudo com um frio cobertor branco, esfreguei os olhos, sentindo o peso do cansaço, da fome, da negação e da raiva em meus ombros, forçando-os para baixo, querendo que eu desabasse, despedaçasse e jamais conseguisse recolher meus pedaços e me erguer novamente, estalei a língua, olhando para a cama que estava tomada por muitos papeis, fotos e um grande mapa de Magnólia.

O inferno havia se instalado na Delegacia assim que um mandado de prisão foi expedido contra Gray Fullbuster.

Colegas do moreno chocados demais para se moverem foram empurrados por outros que começavam a ir para suas viaturas e cumprir o que lhes foram ordenados, passado o choque, veio a negação, muitos se recusaram veemente de caçar um companheiro, anos de trabalho em conjunto mostraram à eles que Gray jamais poderia ser um assassino sangue frio, outros menos confiantes, tentaram encontrar comportamentos estranhos que perceberam no moreno de um mês até o dia de hoje, e se firmando em conjecturas frouxas, suposições fracas demais, saíram para revistar o apartamento do assassino que até poucos minutos atrás, era um colega de farda.

Como ordenado pela Inspetora-Chefe Erza Scarlet, nada das ordens que foram dadas seriam compartilhadas com a imprensa ou qualquer um fora da investigação, no entanto, horas mais tarde, os noticiários começaram a passar reportagens sobre a polícia ter finalmente identificado o Assassino das Cartas e que agora equipes de buscam varriam toda Magnólia atrás do policial Gray Fullbuster, nos primeiros minutos que aquilo foi noticiado, na maior parte dos canais, os telefones da Delegacia não pararam de tocar, dezenas de pessoas loucas para descobrirem que o que estava passando era realmente verdade, e em poucos minutos, a frente dela estava lotada de repórteres com seus cameramens, curiosos com suas bocas venenosas, suas mãos nervosas e seus celulares.

Eu me neguei a aceitar aquilo. Não acompanhei as medidas que estavam sendo tomadas, como o fechamento das estradas que davam acesso as cidadezinhas vizinhas de Magnólia e o fechamento temporário do pequeno, mas movimentado, Porto. Não fiz parte das equipes de buscas que foram lacrar e revistar o apartamento de Gray. E nem das que foram atrás de seus parentes. Não cheguei perto dos repórteres que queriam saber sobre tudo: como não descobriam antes o assassino? Ele é um de vocês! Apesar de ter recebido ordens para auxiliar, as desobedeci e não me preocupei em ser demitida ou até mesmo minha recusa ser considerada uma obstrução da Justiça.

A Inspetora Erza porém não me obrigou a cumprir nenhuma de suas ordens. Somente alertou-me a não tentar atrapalhar a busca por Gray senão seria algemada e presa em uma das celas vazias que a Delegacia possuía até segunda ordem.

Puxei os cabelos soltos e os prendi em um coque frouxo no topo da cabeça. Andei em frente a cama, ignorando as dores nos pés e no pescoço, estudando o mapa por mais uma incontável vez, segui as linhas feitas de caneta vermelha, ligando os locais onde foram encontrados os corpos das vítimas e meu apartamento, concentrei-me no espaço que formavam, lendo os nomes das ruas com atenção e tentando descobrir o que elas poderiam significar para o assassino, para mim.

As equipes de buscas que haviam sido montadas para vasculhar toda a metade do centro de Magnólia tinham sido transferidas para a procura de Gray.

— Você devia descansar. — a voz veio da direção da porta.

Olhei somente para encontrar Natsu encostado no batente, de braços cruzados e um sorrisinho cauteloso nos lábios.

— Descansarei quando achar pistas que provem a inocência de Gray. — falei, minha voz saindo rouca por conta da garganta seca.

Natsu entrou no quarto e veio se postar ao meu lado, usava apenas um jeans velhos, apesar do frio do quarto.

— Porquê acha que ele é inocente? — perguntou, passando os olhos rapidamente pelo mapa e depois concentrando-os em mim. — Sua digital foi encontrada na cena do crime, ele está desaparecido desde que os corpos de Kevin e Alex foram encontrados, isso não são provas o bastante para incriminá-lo?

— Eu o conheço a quase dez anos, agente Dragneel. — falei, lenta e raivosa. — Você acha que eu não saberia que o meu melhor amigo era um assassino? Que não perceberia?

Natsu sorriu, frio.

— Talvez você tenha percebido mas nunca quis acreditar.

Trinquei os dentes e me afastei do agente, seguindo para a janela e encarando a noite tempestuosa.

Eu não queria levar em consideração as palavras de Natsu. Não mesmo. Eu conhecia bem Gray, ele foi quem me amparou quando perdi Loki e meu filho, que ficou ao meu lado nos primeiros dias depois da perda, que não passavam de lembranças turvas em minha mente por conta da dor e da culpa, fora os momentos ruins da minha vida, o moreno esteve presente nos momentos bons também, sempre lá ao meu lado, compartilhando minha felicidade e minha tristeza.

Soquei a janela. Mordi os lábios com violência por conta da dor que assaltou minha mão queimada. Idiota.

Senti o calor do corpo de Natsu em minhas costas. Suas mãos pousaram de leve em minha cintura, quase como se estivessem temerosas em serem afastadas com brutalidade. Fiquei quieta e encarei seu reflexo no vidro da janela.

— Ás vezes nos enganamos, sabe? — começou, a voz baixa, seu hálito fez cócegas em minha orelha. — Pensamos que conhecemos uma pessoa muito bem apenas para descobrir que não sabemos nada sobre ela de verdade.

— Cale a boca. — chiei por meio dos dentes trincados. — Gray não é um assassino!

— Quem garante que não? — disparou em um tom mordaz, seus dedos me apertaram. — Você? Seu julgamento não é imparcial, então ele não valerá nada em frente ao júri quando seu amigo for preso e levado a julgamento pela morte de cincos pessoas.

Tentei me virar e dar-lhe um soco com força e ódio. Mas seus braços haviam envolvido meu corpo sem que eu notasse e agora eles prendiam os meus com firmeza.

— Ele jamais brincaria assim comigo, a imprensa pode dizer o que quiser, os policiais e a Inspetora, você, mas nada me fará acreditar nisso. — falei, engasgada, tentando me libertar, parei de lutar quando percebi que Natsu não cederia e que eu somente me cansaria, respirei fundo, fuzilando os olhos escuros do agente por meio do vidro. — O assassino quer culpar Gray apenas para ter seu caminho livre.

O silêncio pesou sobre o ar.

— E se isso for o quê ele quer que você pense? — disse depois de alguns momentos.

— O quê? — indaguei, confusa.

Natsu me virou com rapidez, sem me dar tempo para tentar afastar-me, segurou meus braços e os prendeu as minhas costas. Ele me encarou de perto, os olhos negros intensos.

— Gray talvez queira que somente você pense que ele é inocente. — ditou cada palavra de forma vagarosa, predatória. — Qual seria a melhor forma de te machucar? Fazer você acreditar na inocência dele apenas para que ele revelasse o quanto você está enganada, escute-me, Lucy, isso é exatamente o que um psicopata faria, enganaria sua vítima até o último segundo para no final vê-la se desfazer em pedaços.

Parecia haver algo preso em minha garganta, demorei a encontrar minha voz.

— Ele... Não é um psicopata. — soei fraca.

Natsu crispou os lábios em impaciência.

— Me responda uma coisa: como é possível distinguir um psicopata de uma pessoa normal?

Era complicado. Pois quem sofria de psicopatia era ótimo em fingir sentimentos que seriam vistos como genuínos para qualquer um. Inclusive para pessoas que sabiam como identificá-los.

Abri a boca mas tornei a fechá-la. Não conseguia pensar direito. Tentei me afastar novamente, buscar um espaço para respirar, mas Natsu não me largou, ele me encarava com uma seriedade assustadora.

— Você nunca poderia saber que todos os gestos e palavras de Gray foram extremamente calculados. — continuou o agente, sem pausa. — Ele lhe enganou perfeitamente, fingindo ser a pessoa que mais lhe entende em todo o mundo.

Minhas mãos tremiam. Meu corpo todo tremia. Eu queria sair daquele quarto, ir pra longe de Natsu, esconder-me em algum lugar que demorariam a me encontrar e pensar sem toda aquela pressão sobre mim.

— Não... — murmurei. — Não fale mais nada, agente Dragneel, eu tenho anos de trabalho na polícia, sei reconhecer um ladrão, um assassino, somente olhando em seus olhos, e pode ter certeza disso, os olhos de Gray Fullbuster não são os de um monstro.

A expressão no rosto do agente era indecifrável. Segundos depois, um sorriso maldoso se infiltrou em seus lábios e ele se inclinou para mim.

— Para uma investigadora tão inteligente, você está falando coisas que somente um tolo falaria, Lucy.

Uma faísca de raiva inflamou meu sangue.

— Tenho a nítida impressão que você quer um bom chute meu, Natsu.

O sorriso desapareceu quando roçou seus lábios nos meus.

— Eu quero muito mais do que isso.

E pressionou sua boca na minha. O desejo lascivo pulsou entre nossos corpos. Procurei alguma força para negá-lo, afastar as mãos que se infiltravam por baixo da minha blusa e os dedos que se enganchavam no sutiã, puxando-o com força pra baixo, fazendo os costuras estalarem e se arrebentarem uma a uma.

Eu não achei. Estava cansada de tentar negar a profunda atração que sentia pelo agente, carente demais para repudiar o calor quente de seus dedos finalmente rasgando meu sutiã e tomando meus seios em carícias.

Abri a boca e a língua quente de Natsu vasculhou todo o interior dela, sugando a minha própria e mordiscando meus lábios.

Senti-o entre minhas pernas. Duro. Não tive espaço para corar de vergonha quando algo lá embaixo se torceu em resposta, meus dedos se prenderam no cós de seu jeans e deram pequenas puxadas para baixo, uma risada borbulhou em seu peito e ele me arrastou para cama, jogando-me entre os papeis e fotos, fazendo-os voarem para o chão e se amassarem por baixo de nossos corpos ardentes, sua boca sugou a pele do meu pescoço enquanto suas mãos brincavam com os bicos enrijecidos dos meus seios, ofeguei quando pressionou sua intimidade na minha, esfregando lentamente para cima e para baixo, a fricção de sua calça na minha.

— Espere... — tentei dizer, minha voz saiu ofegante e quase baixa demais para ser escutada, meus dedos afundaram em seus ombros quando uma de suas mãos escorregou por minha barriga e desceu o zíper de meus jeans. — Espere...

— Eu não vou esperar. — rosnou, seus dentes deslizando sobre a pele sensível do pescoço. — Eu estou queimando por você, Lucy.

E rasgou a parte de cima de minha blusa com os dentes. Arregalei os olhos mas qualquer coisa que eu fosse dizer naquele momento se perdeu em um gemido quando seus dedos acariciaram minha intimidade por cima do pano fino da calcinha.

O barulho de papeis sendo amassados me disse que aquilo era errado. Eu não devia estar recebendo prazer em cima de tudo aquilo, no meio de uma confusão tão enorme, não quando o meu melhor amigo era suspeito de ser um assassino psicopata. No entanto, havia se passado muito tempo desde que havia sido tocada com tanto desejo.

A boca de Natsu encostou de leve em meu seio esquerdo antes dele quase o tomar inteiro dentro dela, ofeguei, arqueando as costas. Fitei o teto por alguns segundos antes de baixar os olhos e encontrar os do agente me devorando, ele sugou com força e seus lábios se torceram em um sorriso pervertido quando estremeci, ele continuou a sugar com mais e mais força até eu estar praticamente delirando de prazer.

Virei o rosto para o lado e pensei ter visto uma sombra no corredor, antes porém de dizer qualquer coisa, a mão de Natsu deslizou minha calcinha para baixo e um de seus dedos entrou em contato com umidade da minha intimidade. Ofeguei. Ele não me deu tempo de recuperar antes de escorregar outro dedo para dentro, sua boca largou meu seio enquanto sua outra mão ainda massageava o outro, sua língua fez um caminho por minha barriga até chegar ao final de meu ventre, encarei-o com lágrimas a me embaçar a visão, incrédula, ele devolveu o olhar e sorriu, indecente, antes de mergulhar a boca no prazer de toda a mulher.

Tentei afastá-lo, trêmula, os olhos se desviando para a porta, mas eu sabia que estávamos muito avançados para que o agente desistisse agora, eu podia sentir o quão ardente era seu desejo. Ele me queimava.

Perdida entre a enxurrada de sensações, percebi só tarde demais o que Natsu estava fazendo, soltei um grito de dor quando ele se conectou à mim, minhas unhas curtas afundaram na pele macia de suas costas.

— Seu estúpido. — cuspi entre uma arfada e outra. — Custava... Avisar?

Natsu envolveu minha cintura com braços fortes e afundou sua boca em meu pescoço.

— Você iria me dizer para esperar. — ronronou sem fôlego.

E começou a se mover lentamente. Grunhi e mordi seu ombro com força, sentindo pontadas de dor e prazer, logo, a dor se foi e o prazer dobrou de intensidade ao mesmo tempo que Natsu aumentou a velocidade, cada estocada fazia minha cabeça girar e grunhidos animalescos escaparem de nossos lábios.

Chegamos ao ápice juntos. O corpo de Natsu desabou sobre o meu, remexi-me e prendi um gemido ao sentir seu membro ainda dentro de mim, estava sem fôlego e quase sem respiração por causa de seu peso.

— Saia... De cima. — resmunguei, apertando sua cintura, respirei em arquejos curtos. — E tire isso de mim.

A risada gutural do agente me arrepiou. Ele se apoiou nos cotovelos e me encarou com um sorriso lascivo.

— E... Quem disse que terminei... Com você?

E o restante da minha noite foi totalmente monopolizada por Natsu.