Psico.
1 One-Shot
Notas iniciais
A casa estava escura e abandonada, a poeira e as traças eram a única coisa que deixava o lugar vivo. A luz da lua iluminava uma arma estendida no chão, uma arma pequena totalmente negra.
Ele estava parado nesse cenário, envolto pela escuridão, bebericando em sua taça de vinho, os olhos fechados e a respiração calma. Os dedos apertavam nervosamente o estofado onde ele se encontrava, estava com o coração palpitando na garganta, mas não deixaria isso transparecer para ela.
Ela estava encostada na parede oposta, a seda do vestido se dobrando junto com a perna apoiada na parede, as botas de salto e couro davam a ela um ar ameaçador, junto com o negro dos seus olhos. A ela passaria despercebida em qualquer lugar, se não fosse o chamativo cabelo vermelho. Suas mãos com luvas negras de couro escondiam os anéis de rubis, dos quais ela tanto se orgulhava.
Roubados.
Ele deixou a taça de lado no criado mudo e a encarou. Abriu os olhos devagar, revelando petrificantes olhos azuis. Passou os dedos nos cabelos negros e caíam sobre seus ombros e se levantou.
O terno amassado revelava que estava sentado ali há bastante tempo, e com movimentos rápidos o retirou, ficando apenas com a camisa social branca.
E ela acompanhava tudo, paralisada, com o sorrido sádico no rosto perfeito. Pousou os dedos na parede e ali ficou, sem comentar nada. Somente sentindo a dor.
A dor, que coisa patética para alguém como ele sentir. Não sentia dor, assim como não sentia a solidão que ele sabia que se instalaria em seu coração assim que saísse dali. Se saísse.
- Feliz agora? – Perguntou ele, enrolando o terno na mão e pegando a arma com ele. – Se sente melhor?
Ela não respondeu, não iria abrir a boca se abrisse iria gritar. Continuou parada, os olhos fixos nele. “Criatura estranha.” Pensou notando o frio que arrebatara seu corpo.
Ele guardou a arma no bolso e jogou o terno no ombro, pegando outro pano e andando devagar até ela.
Seus dedos cravaram no concreto e ela pensou em correr. Mas não conseguia sair do lugar. Ele pegou sua mão devagar retirando a luva de couro e olhando fixamente para as pedras.
-Sinto em lhe dizer, Catherine, mas isso fica comigo. – Falou ele retirando os rubis dos dedos frios. Os guardou no bolso e então levantou a mão com o pano, o passando pelos braços nus dela.
E ela continuava parada, sorrindo sem saber porque.
Estava feliz por acaso?
-Que forma patética de morrer...
-Jack... -Sussurrou ela devagar levantando os dedos e passando pelo rosto dele, os olhos dele saltaram em repulsa e Jack deu um tapa em sua mão.
-Você é incrível sabe? Tudo em você é incrível, desde sua coragem a sua falta de vergonha na cara. – Ralhou ele. Largando ela e andando de costas. – Quando você me ameaçou, antes de me roubar, eu lhe disse... Eu lhe avisei que sou duro na queda. E que eu iria voltar.
Ela encarou as costas dele, e seu peito se apertou quando o viu caminhar em direção a porta, suas pernas fraquejaram e ela caiu devagar, sentindo o frio do piso em suas pernas. Ele tinha razão, que forma patética de morrer.
E então alguns segundos ela se deu ao luxo de gritar e agarrar o ventre, sentindo como o sangue vertia como caía quente de suas mãos e manchava suas roupas negras. Achava que estaria segura. Achava que ele nunca a encontraria, achava que ele estava morto!
E então ela sentiu a morte vindo, os últimos sopros de vida que restavam ela pensou que não deveria ter ido embora, que não deveria ter-lhe roubado, mas ele não queria o que ela carregava, e então ela fugiu, levando o que seria necessário.
E então sentiu morrer.
Não ela.
Mas o filho que carregava no ventre.
E ao longe.
Apenas uma risada.
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