Psichopathic Mind
5 Capítulo 5 - Motel
Notas iniciais
Nossa, nunca demorei tanto pra postar um capítulo, tenho até vergonha de aparecer por aq :x mil desculpas pela demora, espero que goste.
O mundo girava em torno de Susan, sua visão falhava levemente e o coração batia tão forte que ela tinha certeza que se houvesse alguém a sua volta, acharia que a menina estava tendo um ataque cardíaco.
O que era aquilo? Medo? Há quanto tempo ela não sentia isso... Desde a manhã de seu aniversário de 7 anos ela não sentia medo, pois, afinal, a partir daquele dia, ela se tornara o que as pessoas tanto temiam; uma assassina. Não há muito o que temer quando você é o motivo do medo. Mas então por que suas mãos suavam frio, por que seu coração batia acelerado como se quisesse fugir de seu peito e ir para bem longe, por que ela sentia a pele mais pálida do que o normal? Ela tinha seu machado, poderia se proteger. Porém Susan sabia que não estava lidando com um simples grupo de assassinos amadores, e sim com assassinos profissionais, contrabandistas, terroristas; o tipo de gente que ninguém quer ter como inimigo.Nos nove anos que ela teve que conviver com aquela "família" no mínimo desequilibrada, para não falar de psicopatas malucos, aprendeu que eles tinham contatos poderosos, os quais ela mesma gostaria de conhecer, porém não na situação que estava. Ela matara Lavi, eles iriam querer vingança. Eles viriam matá-la.Ela parou em frente ao motel velho, a fonte de luz que vira da estrada. Era um pequeno prédio antigo, meio caindo aos pedaços. Tinha portas grandes, porém pequenas e poucas janelas mal distribuídas. Letras gordas e brilhantes acendiam: "Motel-sweet-love", porém todas as letras "e" do nome estavam queimados, portanto não brilhavam. Susan poderia imaginar facilmente a cena do prédio vindo abaixo, parecia que iria se destruir a qualquer momento.Mesmo contra todos os seus instintos, ignorando todas as suas células que gritavam "não entre ai!", apertou a mala com força em sua mão e entrou.O prédio por dentro era tão decadente quanto por fora. Era até mesmo frustrante ver as paredes antigas com a tinta verde desgastada, alguns quadros especialmente feios, tortos nas paredes; os sofás empoeirados e no canto da sala, o elevador a moda antiga, com grades enferrujadas. Um pequeno balcão de recepção estava ocupado por uma mulher que roncava serenamente. O local tinha cheiro de mofo e um ar entediante.Com todo o cuidado, Susan passou para dentro do balcão, sem fazer barulho para não acordar a mulher, e pegou uma chave de um quarto qualquer. Subiu o prédio pelas escadas, com medo que o elevador fizesse barulho ou caísse... até o quarto 22.Entrou rapidamente no quarto trancando a porta atrás de si, ansiando para sair daqueles corredores escuros nos quais parecia que de repente alguém pularia das sombras e a prensaria na parede para fazer sabe Deus o que.O quarto era simples, velho e mofado, como todo o resto do motel, algumas teias de aranhas foram tecidas no canto da pequena janela e os travesseiros da cama estavam encardidos e os lençois ainda sujos. No chão, levemente apagado, havia a marca em fita durex avisando que alguém havia morrido naquele exato lugar. Um calafrio atravessou a espinha de Susan.O pequeno aposento passava à Susan uma leve desesperadora sensação de claustrofobia. Era tudo pequeno, abafado e nojento.Colocou a mala que carregava em cima da cama de casal, onde provavelmente muitos executivos e suas secretárias vinham trair seus maridos e esposas. Respirou fundo, tudo ali era asqueroso.Queria descansar; queria tomar um banho demorado, comer algo quente e depois dormir até o dia amanhecer; mas sabia que mesmo que tentasse, não conseguiria desfrutar de um momento de paz, e tampouco deitaria naquela cama, se recusava quanto a isso.Se lembrou de Átila do lado de fora do motel, não constumava se preocupar muito com o cachorro, sempre o deixar solto para sair em seus habituais passeios noturnos, pois no dia seguinte ele sempre voltava. Mas não deixava de se perguntar onde ele estava e o que estaria fazendo naquele momento. Teve que se segurar para não sair pela estrada em busca do pastor branco; ela tinha uma ligação mais do que especial com aquele cachorro.Voltando sua atenção para a mala em cima da cama, abriu-a devagar, com receio do que encontraria.Seus olhos brilharam ao avistar as diversas notas verdes, estava rica! Mecheu as notas de cima, certificando se havia mais algo ali.Embaixo do dinheiro, ainda encontrou uma arma carregada com seis balas e alguns pacotes marrons em formato de paralelepípedos.Pegou os pacotes, cheirou-os e sentiu sua textura. Maconha. Sem sombra de dúvida.Susan já conseguia suspirar aliviada, as coisas começavam a melhorar. Agora ela não estava mais no fundo do poço; tinha dinheiro, tinha uma arma de fogo e tinha quase 1 kg de maconha.Jogou-se em uma poltrona perto da janela, sem saber ao certo o que fazer a seguir. Queria sair da cidade, até do país se possível, caso contrário mais cedo ou mais tarde iriam encontrá-la e castigá-la de formas tão cruéis e desumanas que nem ela conseguia imaginar.Começou a pensar em diversos lugares para os quais poderia fugir, o quanto mais distante fossem, melhor. Chegou até mesmo a considerar em ir para o Alasca, ninguém a encontraria lá, além do mais, ela gostava do frio. Mas o que diabos faria no Alasca?! Acabaria morrendo na neve afinal...
De qualquer forma, precisaria de RG, passaporte e todo tipo de documento falso. Nem mesmo tinha certidão de nascimento, uma vez que a havia perdido no dia em que seu pai fora assassinado.Os anos de convivência com todo o tipo de gente perigosa fornecera a Susan alguns contatos valiosos. Para ela, conseguir documentos falsos era brincadeira de criança, bastaria uma rápida visita a um certo britânico tarado. Iria assim que o relógio marcasse 7 horas.Aquela altura o sol começava a nascer, o relógio andava tranquilamente em seu monótono TIC TAC, praticamente se arrastando, marcava 6:30. Susan fechou os olhos e começou a meditar.Aquela meia hora demorou um século para se passar, com certeza os minutos mais longos da vida da garota.***–Merle, eu preciso te encontrar, é uma emergência.–Bem, minha queridinha, espere um instante, você não é o centro do universo, eu estou ocupado no momento.No outro lado da linha Susan podia ouvir barulhos de tiros, mas a voz de Merle estava calma e pacífica, como se estivesse em um chá das cinco com a rainha. Maldito britânico.–Mate seja lá quem for logo e venha me encontrar, já falei que é urgente.–Ora ora, parece que nossa doce Susi se meteu em encrencas e precisa de nossa ajuda...–Não fale como se você fosse mais de uma pessoa. Me encontre no motel sweet love em dez minutos, quarto 22. Passe despercebido pela recepção.. Falou fria e dura, desligando o telefone logo em seguida, porém não sem antes ouvir Merle reclamando algo sobre garotinhas mimadas e um último gemido de dor de sua vítima.Exatos dez minutos depois Susan foi surpreendida por uma figura encapuzado que apareceu em sua janela, batendo a com um típico TOC TOC em pedido para abrí-la.–Por que diabos está entrando pela janela?! E como chegou até o segundo andar?–Você disse para passar despercebido pela recepção, foi o que fiz. — disse Merle dando de ombros, jogando a capa negra longe e acendendo um cigarro.Merle era uma rara combinação de "inocente" com "tramando um assassinato". Era alto, magro e sempre vestia ternos finos e elegantes, o cabelo preto cacheado sempre devidamente arrumado colocado para trás com gel e um chapéu de veludo sobre si, os olhos negros passavam segurança. Em contraste, a boca estava sempre retraída em um sorrisinho irônico e sádico, com um cigarro estrategicamente posicionado para que conseguisse falar normalmente sem tirá-lo da boca, no cinto da calça carregava uma pistola muito cara feita por encomenda, e seus bolsos estavam sempre cheios de dinheiro e maços de cigarros, vez ou outra encontrando ali pequenos pacotes de erva; o cheiro de tabaco era sua marca registrada. O homem era filho de uma prostituta com um político extremamente rico e corrupto, aprendera a matar e roubar sem perder a classe e compostura desde sempre. Também conhecido como o britânico mais pervertido de toda a Inglaterra.–Linda como sempre. — comentou ele se aproximando perigosamente de Susan, com o polegar em seu queixo levantando-lhe o rosto, fazendo com que olhasse para ele.–Vamos direto ao que interessa, seu porco hipócrita.–Hmm...eu não falaria assim comigo se realmente quer alguma ajuda minha. — murmurou ele rindo baixinho enquanto deitava na cama e a chamava para sentar em seu colo.Susan se limitou em observá-lo com um olhar inexpressivo.–Quero documentos falsos. Rg, passaporte, carteirinha de estudante, certidão de nascimento. Tudo o que conseguir pensar.–O preço será alto.A garota abriu a mala na frente de Merle, permitindo-o que visse as centenas de notas e a maconha.–Isso não será problema algum. O homem deu uma alta risada psicótica e se voltou para ela com o olhar cheio de sarcasmo.–Eu tenho drogas e dinheiro, isso para mim não é nada. Eu te proponho um acordo.–Não vou ser mais uma prostituta sua se é isso que está pensando.–Garota, garota, garota, realmente, é só isso que pensas que sou? Sexo? Luxúria é um pecado, sabia? — repreendeu ele com um toque divertido na expressão.–E você certamente é um grande pecador que queimará no inferno.–Assim como você, a diferença é que ao menos irei com classe para lá, e até minha ida, mandarei o máximo de pessoas possíveis para o mesmo destino.–Diga logo o acordo que tem a me oferecer.–Agora se interessou, não é mesmo? -riu de leve — pois bem, seja lá o porque e o para onde pretende fugir, eu quero ir junto. Preciso sair do país imediatamente.–Veja só, pelo jeito não fui a única que me meti em confusão.Os dois se olharam e sorriram. Um sorriso cruel.
Notas finais
O nome Merle significa Pássaro Negro, e esse nome foi escolhido exatamente porque o personagem se parece (na minha imaginação) com um pássaro negro, tipo um corvo.
Bem, espero q tenham gostado, vou escrever logo o próximo capítulo. Mereço Reviews? ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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