Psi - Heróis De Guerra
1 PSI 1 - Feridos da guerra
Notas iniciais
Boa leitura!!!
€Feridos na guerra €
Sttuthof, Polônia, Julho de 1943.
Sabe o que é mais intrigante? Ninguém que se prece conhece o horror de uma guerra, nos campos de concentração na Alemanha a inteligência Nazista estudava o potencial das pessoas, analisando suas mentes, eu estava lá, um garoto pequeno e fraco, sendo empurrado por soldados que um dia iria me trazer raiva, naquele lugar enlameado, onde minhas pernas e juntas doíam de tanto andar, eu não podia parar, senão eles perceberiam que eu era inútil e iriam me executar naquele instante.
Ao chegar a uma muralha imensa, notei uma fila de garotos e garotos, com idades entre sete a quinze anos, e alguns de minha idade, que era doze, a fila estendia por toda a parede, podiam-se ouvir gritos e o barulho de materiais metálicos se batendo, era um local de tortura, eu era o ultimo da fila, mas torcia que acontecesse alguma coisa antes de chegar a minha vez, como talvez um ataque dos países inimigos, aquilo me alegraria muito, mesmo que eu morresse pelas armas de ingleses, ou americanos, eu morreria feliz, pois saberia que os nazistas haviam perdido.
- Um passo pra frente – gritava um dos soldados em alemão, e a fila começou a andar lentamente.
- O que você acha de fugirmos daqui? – sussurrou um garoto tão esfarrapado quanto eu.
- Você enlouqueceu? Seremos mortos – eu retruquei em resposta.
- O que adianta? Morreremos do mesmo jeito, além do mais poderemos causar uma grande confusão – concluiu o menino esfarrapado.
Olhei para os pontos de fuga, e também pelos olheiros, que estavam concentrados em cada ponto cego, era impossível escapar.
- O mínimo que conseguiremos será uma bala na cabeça se tentarmos escapar – eu sussurrei com ar de reprovação.
- Prefere morrer como um rato de laboratório ou morrer tentando escapar? – indagou o menino esfarrapado.
- Eu prefiro viver – eu retruquei.
- Já estamos no corredor da morte, é impossível sair daqui vivo, porque não morrer com estilo, cuspindo na cara desses babacas – retrucou o menino.
- Um passo a frente – gritou o soldado novamente, e novamente a fila andou.
- Vamos fazer o seguinte, eu chamo a atenção dos soldados enquanto você foge – sussurrou o menino.
- O que? Não! Você vai condenar todos não – eu disse indignado.
- Veja só – disse o menino que piscou, assim ele saiu da fila, chamando a atenção dos guardas.
- Volta para fila – gritou o soldado.
- Você não manda em mim seu pedaço de merda imunda – disse o menino esfarrapado que cuspiu no sapato do soldado.
O soldado logo perdeu a paciência, pegou sua espingarda e deu uma coronhada contra o menino que caiu sobre a lama, assim os soldados se amontoaram ao redor do menino e começaram a linchar ele.
- Mais respeito com os oficiais seu lixo – gritou os soldados enquanto batiam nele.
O garoto apenas protegia a sua cabeça enquanto levava chutes no estomago, nas costas e nas pernas, ao terminar o linchamento todos os guardas cuspiram nele.
- Quem será o próximo que irá retomar o motim desse idiota? – gritou o guarda enfurecido, as crianças se encolheram temendo o pior.
- Mais respeito? Não me faça rir! Pessoas que tratam a vida dos outros como lixo não merece o respeito de ninguém – gritou o menino indignado após se levantar do linchamento.
De repente um dos guardas puxou o revolver e atirou na cabeça do garoto. Sangue se misturava com lama e água, ás lágrimas das crianças desesperadas que presenciavam o destino cruel do menino apenas encaravam aquilo como seu próprio destino.
Na real, aquele garoto tinha fibra, um perfeito revolucionário, eu nem sequer soube o nome dele.
- Calados – gritou o guarda que havia matado o menino, ele deu dois disparos no céu para assustar todos que estavam na parede – Quem chorar será executado.
Os soldados nem sequer respeitaram o corpo do garoto, pois ele começou a ser enxotado de tiros, no termino os guardas se afastaram do corpo, misteriosamente eu senti a respiração ofegante dele, mesmo de longe um milagre havia acontecido.
- Ele está vivo – eu gritei ao apontar para ele.
Os guardas logo miraram contra o garoto.
- Droga seu idiota – disse o menino se levantando – Você estragou minha tentativa de fuga, que era se fingir de morto.
O garoto se levantou e logo se limpou, os soldados atônitos com o que tinha acontecido começaram a atirar contra ele, no término das balas, o garoto sorriu e piscou para mim.
- Eu disse que iria causar uma confusão – disse o menino.
O garoto correu contra o primeiro guarda, pulou até sua cabeça, e com suas duas mãos quebrou o pescoço do primeiro soldado, o outro soldado que corria para recarregar sua arma foi surpreendido pela velocidade do menino que cravou suas unhas na jugular do soldado e o rasgou assim o sangue do soldado jorrou para todo lado até no rosto no menino com um sorriso diabólico, toda aquela confusão chamou atenção de todos os guardas, até dos olheiros, aproveitei a chance para fugir, junto com as crianças que se espalhavam para não serem pegos facilmente.
Olhei para trás em um instante, vi a gargalhada do menino que rasgava e quebrava os pescoços dos soldados como se eles fossem de brinquedo, era como se ele tivesse acostumado com tudo aquilo.
Aquele incidente foi conhecido como o incidente do ataque do menino zumbi.
O sinal ecoou por todo o campo de concentração, confusão, tiroteio, aquele garoto conseguiu cumprir o que ele disse que era causar uma confusão plausível, assim eu consegui escapar, enquanto todos os guardas apenas focavam sua atenção ao garoto zumbi, eu escapava nos fundos.
Por sorte passei despercebido, e assim me escondi por entre as árvores, podia-se ouvir gritos de nazistas procurando ajuda ou marchando desesperadamente até o laboratório, aproveitei a chance para fugir longe dali, por sorte eu encontrei um caminho que ligava a estrada, acabei tropeçando e caindo no meio da rua, um carro logo parou a minha frente.
- Por Deus! O que pensa que está fazendo – reclamou um sujeito de bigode e boina, torci para que ele não fosse algum general ou algo parecido.
- Me desculpe senhor – eu disse, ao tentar andar senti uma fisgada, percebi que na queda eu havia torcido o pé.
- Pois bem – suspirou o sujeito – Acho que não tenho escolha.
O rapaz me levantou e me levou até dentro do carro, não tinha escolha, se eu tentasse escapar eu poderia acabar estragando tudo, no caminho ele começou a puxar assunto para me conhecer.
- Pois bem garoto! O que faz aqui nessa estrada deserta? – perguntou o sujeito de bigode enquanto encarava o retrovisor.
- Eu não sei – eu respondi secamente.
- Por ora acredito que você seja um órfão de guerra — comentou o rapaz de bigode – Bom noticias, eu também sou – o sujeito tentava amenizar aquele clima pesado, mas eu apenas virei o rosto com certo desdém.
- Você por um acaso é Judeu? – perguntou o sujeito de bigode.
- Não acredito em Deus, e mesmo que eu fosse isso não me faria diferente – respondi secamente.
- Você tem razão! Sabe, uma vez eu conheci o atual Füher da Alemanha, Adolf Hitler, ele tinha um papo de louco, me dizia que a Alemanha apenas havia perdido a guerra por culpa dos judeus e que temia que a crise econômica era por culpa deles também – A historia daquele cara de bigode me deu no sono, apesar que um trecho claro chamou minha atenção.
- No começo da sua vida politica, achava que ele seria preso por dizer tantas bobagens, pelo contrario, isso chamou a atenção de todos, e com o tempo todos o idolatravam, como se uma politica totalitária pudesse resolver todos os problemas da Alemanha, ele queria que todos agissem como ele, pensasse como ele, tivesse uma mesma opinião, foi que percebi que ele era o próprio demônio, um demônio que lutava a nos tirar a arbitrariedade, foi então que percebi que o dia que o conheci, eu me arrependi por não ter tirado a vida dele.
- O que você quer dizer com isso? – eu perguntei curioso.
- Eu era um assassino em um sanatório, e ele me veio visitar, graças a Deus eu recebi alta, mas havia um homem no qual Adolf consultou no sanatório, um homem que foi taxado como louco após dizer que era profeta.
- E porque ele consultaria um louco? – eu indaguei confuso.
- Vá entender! Talvez porque Adolf era bem supersticioso – comentou o sujeito de bigode.
- O que o louco disse para ele? – eu perguntei confuso.
- Mate os opositores – comentou o cara de bigode.
- Acabar com os opositores? Como assim? – eu indaguei confuso, logo eu engoli em seco quando percebi que aproximávamos de uma blitz policial.
O carro logo parou e fiz de tudo para me esconder.
- Por favor, saia do veiculo senhor – pediu o policial, e logo o cara de bigode fez o que ele pediu.
Essa não, iram me pegar, me mandar para aquele inferno do campo de concentração, com certeza seria enforcado ou metralhado por tentar escapar, o sujeito me encarou brevemente e logo fechou a porta.
- Pode passar senhor, desculpa pelo incomodo.
- Não se preocupe, é o seu trabalho – disse o sujeito pondo o cinto de segurança.
- Dirija com cuidado – disse o policial.
Assim o carro passou pela blitz, eu não podia acreditar que aquele policial não me reconheceu.
- Algum problema garoto? Até parece que você viu um fantasma.
- Aquele policial não me reconheceu – eu sussurrei.
- Como é? – indagou o sujeito confuso.
- Nada não! — eu respondi rapidamente.
- Entendo, antes de tudo, me diga qual seu nome – pediu o sujeito de bigode.
- Marcelo – eu respondi.
- Que nome mais estranho para um polonês.
- Meu pai era brasileiro e botou meu nome assim, minha mãe que mora aqui, eu herdei apenas seu sobrenome.
- Entendi – concluiu o cara de bigode.
Eu olhava para trás e percebi como o campo de concentração estava tão longe, o carro começou a perder velocidade e eu percebi que havia chegado até onde aquele senhor me trouxe.
- Você espera aqui – pediu o cara de bigode, ele desceu do carro para conversar com uma freira a quilômetros dali.
Depois de observar por algum tempo a conversa dos dois pensei em escapar, mas ao por o pé que eu havia torcido no chão percebi que era impossível correr, fiquei imaginando o que aqueles dois estavam conversando entusiasmadamente.
Não demorou muito para que aquele senhor pedisse para eu descer do carro, apenas fiz o que ele pediu assim me apoiei no carro, logo outra freira trouxe uma cadeira de rodas.
- Antes de tudo, irei leva-lo a enfermaria – disse uma freira que me ajudou a sentar na cadeira de rodas.
- está bem Margareth, obrigado por tudo – disse o senhor de bigode que logo entrou no carro – Ei! Garoto.
Eu logo me virei para ele.
- Tente criar um novo futuro daqui pra frente – pediu o senhor de bigode, apenas assenti com a cabeça e assim a freira empurrou a cadeira de rodas até a enfermaria.
No dia seguinte o jornal reportava o incidente no campo de concentração de Stutthof, e que os oficiais analisavam todas as rotas de fuga, e procuravam em todos os vilarejos próximos do campo, infelizmente eu estava na lista.
O tempo se passou e eu nem notei, por ora achei que eles nunca tentariam procurar por aqui, e por sorte as pessoas do orfanato decidiram não me entregar, mesmo que no jornal houvesse um retrato falado meu oferecendo recompensa para quem entrega-lo, fiquei aliviado e fiquei um bom tempo sem sair nas ruas, quando saia eu utilizava uma mascara, quando as pessoas me perguntavam do porque da mascara, apenas dizia para esconder minhas queimaduras.
Eu menti até para um senhor que um dia o encarei no campo de concentração, um tipo de olhar que me dava ânsia, medo, pavor, ódio, e agora era apenas um olhar de algo calmo.
O garoto zumbi nem apareceu nos noticiários mais, alguns diziam que os soldados conteve a agitação do garoto e o executaram, outros diziam que ele escapou, por enquanto não confiava em nenhuma fonte.
Julho de 1945, um novo dia chegou, Alemanha foi invadida pelos soviéticos e assim a Rússia tomou metade dela, era o fim da guerra, o fim do nazismo, a vizinhança garantiu que todos os campos de concentração na Polônia fossem desativados, segundo noticias, corpos carbonizados foram encontrados debaixo das terras, pelo menos os nazistas respeitavam os corpos dos falecidos, o enterrando, mesmo assim não diminuía a culpa de tanta atrocidade.
Minha vida correu normalmente, consegui independência, dessa maneira pude sair do orfanato, me perguntava como porque eu tinha parado naquele campo de concentração já que eu era normal, no fim aquilo só passava de mágoas do passado.
O único que não aceitou muito bem a derrota dos Nazistas foi o mesmo garoto que causou um alvoroço em Sttuthof no qual eu pude escapar.
Em uma das mansões na Itália morava Benedith, um nazista que traiu o próprio exercito ao denunciar as tropas inimigas os esconderijos dos restos das tropas alemãs no qual tentava um ataque surpresa no momento que os soviéticos invadissem Berlim, de um jeito ou de outro esse vazamento de informação resultou em uma vitória fácil dos russos.
Benedith havia se disfarçado e se aproveitou com os lucros do armamento bélico após investir em armas de destruição em massa, com constantes ameaças dos liberais, sua mansão foi fortemente protegida por seguranças vinte quatro horas.
Uma mansão onde havia um jardim de trezentos metros de circunferência, onde a casa em si tinha retoques góticos por toda a estrutura, mas invadir aquela mansão foi simples para um senhor que usava uma mascara.
Benedith logo ouviu um barulho na sala, assim ele correu até o interfone.
- Por favor, verifiquem a sala de estar, ouve uma falha de segurança – pediu Benedith, mas do outro lado da linha ninguém respondeu – Por favor, alguém me responda.
- Mortos não falam – disse um sujeito de mascara, o rapaz que segurava o interfone assustado deu um salto para trás.
- Quem é você? Como entrou aqui? Como passou pela segurança.
- Um sistema falho que não é a prova de Psy´s – disse um moço de mascara.
- Psy´s? Do que diabos você está falando? – perguntou Benedith.
- É o nome que eu dou para explicar nossas habilidades – disse o sujeito de máscara.
O sujeito de Máscara a tirou, os olhos de Benedith arregalaram quando viu o seu rosto.
- Você é o garoto do incidente de Sttuthof! – disse Benedith abismado.
- Ora! Fico lisonjeado por você ter se lembrado – disse o rapaz com um sorriso no rosto.
- Não nos levem a mal, tudo isso foi pelo bem da Alemanha, considere o fato dos sacrifícios como um ato de proteger o país – choramingou Benedith enquanto dava passos lentos para trás até alcançar a espada que estava usando como decoração na parede.
Quando Benedith foi pegar a espada, ela simplesmente sumiu.
- O que você quer? – perguntou Benedith.
- Sabe, nos campos de concentração eu entendi meu papel no mundo – disse o sujeito que se aproximava lentamente – Não tenho poderes, eu apenas fui escolhido por Deus para dominar os humanos.
De repente a espada que havia sumido surgiu flutuando atrás de Benedith e encravou nas suas costas, a ponta da espada estava pelo outro lado do corpo.
- Então esse é seu poder – disse Benedith entre tosses de sangue.
- Na verdade esse poder é dela – disse o sujeito apontando para a empregada que se encontrava na porta.
- Você é outra aberração – disse Benedith abismado, de repente a espada se moveu e rasgou as costas dele, encharcando todo o tapete de seu sangue.
- Que jeito mais desrespeitoso que você se dirigiu ao seu superior – disse o sujeito com um tom de desaprovação.
- por... Favor... Não. ..Ma.... – a voz de Benedith sumiu e seus olhos se tornaram morto.
- Bem vindo à revolução – disse o sujeito que fechou os olhos de Benedith
Notas finais
Se você tivesse um poder especial, que tipo de poder seria?
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