P.s:eu Te Amo

1 Capitulo Único - P.S: Eu te amo


22 de setembro de 2008.

Estávamos sentados na beira da piscina da minha casa que ficava no litoral de São Paulo. Nossos olhos jamais se desgrudavam, pareciam um imã feito sob medida para impedir que outras coisas chamassem a nossa atenção, minhas mãos tremulas tocavam a sua, meus lábios rubros após o recente beijo, estavam úmidos, e um sorriso doce se formava lentamente, revelando a fileira de dentes brancos e perfeitos, se eu soubesse que eles seriam mostrados a um homem tão belo, eu não teria choramingado tanto para ir ao dentista e ficado quatro meses com aquela porcaria de aparelho, contudo, estava sendo tudo perfeito.

Meu nome é Fernanda Francyne Hubert da Silva, nasci e cresci em Praia Grande, hoje tenho 17 anos e estou apaixonada por um homem que conheci na porta do colégio, ele é irmão do meu melhor amigo. Alex Eduardo Franco da Rocha, me dá até arrepios de lembrar dele, e seu irmão caçula, meu melhor amigo, Dash Franco da Rocha, é meu amigo desde que tínhamos 5 anos, sempre brigavam conosco por estarmos sempre juntos, mas não podíamos evitar, nos adoramos e agora eu estava paquerando o amigo dele de 22 anos! UAU! De fato isso foi um susto para meus pais, mas Alex é um bom rapaz, faz faculdade de Veterinária, algo que eu e ele adoramos animais, ele também pretende fazer uma de Biologia, eu acho maravilhoso, ele se mostrou muito educado e gentil, conquistou minha mãe de primeira e meu pai ele conquistou aos poucos, hoje estamos sentados um na frente do outro, sem encarando com paixão, e a pouco estávamos nos beijando e agarrando, ele sempre me respeitou por demais, mas nunca passou dos limites, mas sim me trata com carinho, respeita meu espaço e meu tempo, sem dizer que ele é lindo e super carinhoso, Tem olhos verdes, cabelos castanhos, é alto e branco, não deixa barba, pois sabe que eu não gosto, ele é perfeito, eu sou uma menina simples mais ele vive dizendo que sou a menina mais linda da vida dele, com meus olhos castanhos, pele morena e cabelos castanhos e enrolados, diz que eu o seduzia e eu apenas ria. A noite estava próxima e resolvi entrar para me trocar.

-Vamos? Está frio e eu preciso de um banho. -Digo com carinho, fazendo bico para ele, e isso o fez rir e se erguer, me pegando no colo, ele era forte e me aguentava com facilidade.

-Vamos sim, quando seus pais chegam? Eu me sinto errado em ficar com você em casa sem que eles estejam. –Ele disse, olhando para a casa que estava começando a ficar escura pela noite que se aproximava.

-Eles voltam apenas semana que vem, mas você não vai me deixar não é? Eu tenho medo de ficar sozinha. –Digo me encolhendo nos braços dele, o sentindo caminhar para dentro da sala, e ao entrar aquele frio de casa fechada me faz agarra-lo fazendo sorrir.

-Não irei te deixar, linda. –Disse subindo as escadas que davam para o meu quarto, entrando pedindo licença, ele ainda não havia aprendido que já era de casa e não precisava disso, mas ele era educado demais, e logo seguiu até a suíte que havia dentro do meu quarto, ligando a banheira recém-ganha por ele, e me colocou na beira, para logo beijar carinhosamente meus lábios.

-Acha que pode acontecer nesses dias? –Perguntei ficando corada, esse era um assunto que eu não falo muito.

-Você é muito nova, espere mais um pouco. –Disse, dando um beijo em minha testa, sorrindo de modo gentil ao ver minha face corada, desligou a banheira e me colocou lá, dando-me um ultimo beijo antes de sair do cômodo.
-Quando terminar me chama. –Disse, saindo e fechando a porta, tomei um banho rápido e logo desci, encontrando-o sentado no sofá e este me olhou e sorriu, colocando as mãos na cintura.

-Eu disse que era pra me chamar! –Disse se permitindo rir, olhando a roupa simples que eu havia escolhido para usar, uma calça jeans azul meio desbotada e uma camiseta branca, seguidos de um chinelo branco, meus cabelos estavam soltos e cheios de creme, é a única forma de mantê-los para baixo, impedir que se armem.

-Desculpe-me, posso me sentar com você? –Indaguei, vendo-o estender a mão, e isso me fez sorrir, indo para perto dele e me sentando no sofá de couro branco, sendo acompanhada com ele, e assim ficamos, até ele decidir me abraçar e eu coloquei minha cabeça em seu peito e ligamos em um filme qualquer, ficamos assistindo no escuro, pois a noite chegou e as luzes tinham permanecido apagadas, ele volte e meia me beijava nas horas chatas do filme e nas horas de nudez ou sexo cobria meus olhos, e eu praguejava e empurrava a mão dele de meus olhos, em vão, ele era forte demais e sempre que eu fazia isso ele caia na gargalhada, no final o filme de romance, violência e terror, se tornou uma comédia para nós.

-Estou pensando em fazer uma viagem. –Comento, me fazendo erguer a cabeça e encara-lo.

-Quando? Pra onde? Só você? –Comecei a indagar, e ele colocou o dedo indicador na frente dos meus lábios, me calando para logo depois voltar a beijar meus lábios e quando parou respondeu.

-Quando seus pais voltarem, eu vou para Londres, sim eu vou sozinho, você não tem passaporte ainda. –Respondeu a todas as minhas perguntas, fiquei um pouco entristecida, mas ele logo me acalmou e nesse ritmo, jantamos, tomamos um café e logo fomos dormir, e ele muito bom como sempre, dormia apenas abraçado comigo, não se atrevia a passar a mão por nenhum lugar do meu corpo, em algumas noites ele fazia comigo o que se faz com uma criança de cinco anos, me balançava ou dava leves tapas na minha bunda, cantarolando algo ou até contava histórias.

A Semana se passou e meus pais voltaram, e ele finalmente foi para sua viagem, mas vivia me mandando cartas com palavras doces e me explicando sobre o clima, sobre o que ele fazia lá, e ao final de cada carta assinalava com o nome “Blue Butterfly”, eu quando respondia, contava sobre mim, sobre o que eu fazia o dia inteiro, sobre o irmão dele e tudo mais, e no final eu assinalava com o nome “Rosa Cor de Carmesim”, meus pais sorriam a cada resposta, outras cartas eu nem mostrava, Dash me ajudava há passar o tempo, e eu apreciava cada uma das ideias dele. Depois de duas semanas, finalmente decidi escrever uma carta mostrando-me enciumada pelas amigas dele que viviam fazendo comentários sobre ele.

Querido Alex

Não aguento mais essas suas amigas, ela vivem falando sobre seus namoros antigos e isso me deixa nervosa. Meu aniversário é daqui um mês, quando você volta? Estou com saudades. Na escola eu ganhei um prêmio por causa de uma redação sobre o meio ambiente que eu fiz de ultima hora, não é demais? Eu estou tão feliz, Dash tem pegado seus livros, mas não é por maldade, ele anda estudando muito e seus livros o tem ajudado muito. Daqui a duas semanas irei a um baile de máscaras, com que vestido eu vou? Eu te mando os que eu mais gostei por E-mail e você me diz o seu preferido! Não demore meu amor! Eu estou cansada aqui e fico entediada todos os dias esperando seus beijos molhados!

P.S: Eu Te amo

Rosa Cor de Carmesim.

Enviei e fiquei a esperar, mandei as fotos de dois vestidos lindos, um era preto rodado com listras vermelhas na borda das mangas e na barra do vestido, o outro imitava um kimono florido, preto e azul, ambos os vestidos iriam ser usado com um broche de ouro branco que eu havia ganhado em forma de uma rosa vermelha e uma borboleta azul que pousava nas folhas tingidas de verde, era perfeito, e em menos de alguns dias veio à resposta.

Querida Fernanda

Você ficará linda com qualquer coisa, e eu adorei o seu broche! Pensou na gente quando o viu? Eu também sinto sua falta meu anjo, mas logo eu estarei ai, daqui seis dias eu estarei ai meu amor, e te levarei a essa festa e lhe darei uma grande festa, Ops! Era para ser segredo, mas agora já foi. Aqui nevou alguns dias, mas depois fez sol apenas, diga a meu irmão que deixe tudo como eu tinha deixado e para ele não fazer bagunça no meu quarto, pois ele não arruma o dele quem dirá arrumar o meu! Estou indo agora, preciso descansar e me preparar para ir á alguns lugares para depois voltar correndo para seus braços, minha eterna princesa.

P.S: Eu te amo

Blue Butterfly.

Quando acabei de ler, corri pela casa e mostrei a meus pais, que sorriram de alegria e logo eles me abraçaram, ele estava voltando! E eu não poderia estar mais alegre.

Os dias passaram e eu acabei por comprar o vestido que imitava o Kimono, preparei uma máscara em casa mesmo, enfeitada com cola colorida e purpurina colorida, onde a minha inicial e a dele estavam gravadas junto a uma rosa e uma borboleta. Estava tudo pronto e então fiquei no meu quarto com o celular ao meu lado, esperando alguma ligação, deixei a porta do quarto aberta para se por acaso ele viesse me visse e me abraçasse, esperei por horas e nada, acabei adormecendo, olhando para a foto tirada em um de nossos passeios em um parque.

-Querida. –A Voz da minha mãe me despertou e eu acordei sorrindo, olhe em volta, mas vi ela e meu pai no quarto, junto com Dash, que chorava descontroladamente e quando despertei, me abraçou de modo apertado sussurrando “Ele se foi, ele se foi”.

-O que houve? –Indaguei sem intender, mas o olhar da minha mãe me fez arrepiar, desci as escadas correndo e ao chegar ao pé da escada, escutei a televisão ligada, algo sobre um acidente, corri até a sala e parei, congelada, com espanto, o avião no qual Alex estava tinha acabado de cair, escorreguei até o chão e chorei em desespero, não poderia acabar assim! Não poderia! Eu gritava o nome dele e minha mãe vinha me abraçar, meu pai me erguia e Dash me dava um beijo no rosto, mas as lágrimas não paravam de escorrer.

Os dias passavam como minutos, eu tinha ido ao enterro de Alex e no túmulo coloquei lindas rosas vermelhas e quando a lágrima tocou uma das pétalas eu sorri e disse.

-Um beijo eterno amor! P.S: Eu te amo, Rosa Cor de Carmesim — Disse e logo me virei, me retirando do cemitério.

Depois de alguns meses, comecei a ver borboletas azuis todas às noites em minha janela e elas sempre deixavam uma mensagem clara e que me assustava e eu pensava que era Dash fazendo alguma brincadeira de mau gosto, mas com todas as letras estavam.

“Nos veremos outra vez. P.S: Eu te amo, Blue Butterfly." –Aquilo me fazia chorar por hora e horas, até um dia eu jurar ter sentido ele passando a mão nos meus cabelos enrolados, e secando minhas lágrimas, eu podia jurar ter ouvido sua voz dizendo “Não chore” aos meus ouvidos.

Alguns anos se passaram e eu fazia faculdade, encontrei um rapaz com quem me casei, eu fazia faculdade de Veterinária, a mesma que Alex fazia, e tal homem tinha um rosto parecido, quando meu primeiro garoto veio ao mundo, lhe dei o nome de meu eterno amor, e no dia de seu batizado, uma coisa me deixou perturbada, vi meu amor parado perto da pilastra da igreja, me chamando pelo dedo, quando me aproximei, ele foi a outro lugar, quando me dei conta estava afastada dos demais, e ele começou a falar.

-Que bom que está tudo bem, logo estaremos juntos, minha princesa, ou você agora o ama? –Ele indagou olhando em direção ao meu marido, e eu neguei com a cabeça, ainda espantada por tal aparição, mas ao receber um toque em minha face eu pude saber, era ele, chorei e o abracei.

-Eu sinto a sua falta! –Gritei e ele me deu um beijo no rosto.

-Eu sempre estarei com você. –Disse e logo desapareceu, quando olhei em volta vi uma borboleta com as asas azuis e nos desenhos da asa se formava o nome “Alex” isso me emocionou, voltei e dei um beijo no meu filho.

27 de abriu de 2012

Eu estava dormindo, e sentia um vazio dentro de mim, acordei e fui até a varanda que dava para o quintal dos fundos, e de lá vi a piscina, eu herdei a casa na praia de minha mãe, e fiquei a observar o mar que aparecia no horizonte, a lua cheia daquela noite estrelada, e toda vez que olhava para a piscina me lembrava daquele dia que eu e Alex ficamos juntos lá, a borboleta que levava o nome dele nas asas pousou em meus ombros, eu subi no murinho feito de pedras e fiquei de pé, observando do alto, abri os braços e sorri, a borboleta voou e eu a toquei, indo para frente, caído do alto na piscina, para ser encontrada morta por meus pais no outro dia.

Meu corpo foi cremado e minhas cinzas foram jogadas em um jardim de rosas vermelhas, onde agora se tornou morada de uma borboleta azul que escrevia na terra no pé de uma rosa que estava mais aberta e parecia nunca morrer.

“P.S: Eu te amo, Blue Butterfly.”

Notas finais
Vocês choraram? eu chorei. hahahah
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!