Ps: I Love You

23 Capítulo 22 - Confess, this is a lot like love


A campainha tocou estridente e sem parar. Jimmy enfim acordou.
O CD já havia terminado e a casa voltara ao silêncio de antes, dando agora para ouvir a campainha lá de baixo.
Consultou o relógio em cima da cabeceira. 7:30.
Bom, certamente eram os pais.
Ele desceu correndo, mas quando finalmente abriu a porta, deu de cara com Matt.
- Matt? O que você esta fazendo aqui?
- Jimmy! Que bom te ver também. Claro, ta tudo certo comigo, obrigado por perguntar. – disse o amigo, abraçando-o fingidamente.
- Ah, bom, desculpa. Você quer entrar?
- Seria ótimo.
Jimmy abriu espaço para o amigo passar e depois fechou novamente a porta.
- Não tem ninguém?
- Não, meus pais saíram e a Win... Digo, a Winter... Ela... Bom, eu não sei onde ela ta.

- Ah, que ótimo! – disse Matt, irônico.
- Então, a que devo sua presença?
- Bom, os meninos marcaram um ensaio no sábado, já que o dia das semi-finais esta chegando.
- Estamos a mais de um mês delas mês dele.
- Sim, mas não importa. Isso não muda o fato de que vamos ensaiar.
Jimmy riu do amigo.
- Esta bem, Sanders, diga logo o que veio fazer aqui.
Matt então sorriu maldosamente, como se dissesse “já que você insiste...”.
- Vim apenas saber se meu grande e xenofóbico amigo resolveu passar por cima dos seus preconceitos e aceitar que adora a brasileirinha linda que esta morando com ele. – disse sorrindo.
- O que? Como assim?
- Como assim, assim, oras! Eu, Matt Sanders, vi você, James Sullivan, agarrado no chão com ela, Winter, hoje na escola.
Jimmy empalideceu-se quase que na mesma hora.
- Ela caiu em cima de mim.
- Mas eu não disse que não caiu. – Matt brincou, provocando. – Só sugeri que você tivesse gostado da queda.
- Nada a ver. – disse um Jimmy irritado, sentando-se no sofá. – Eu...

- Você tem namorada. Eu sei. – disse Matt, tirando o tênis e fazendo o mesmo que Jimmy. – Mas parece que você não se lembrou disso hoje de manha. Digo, ela viu você com a Win e você nem fez nada e, como se isso não bastasse, no final das aulas ela te deu tchau, mas você não viu porque estava ocupado demais abrindo a porta do carro do seu pai pra Win, né?
O olhar de Jimmy arregalou-se para o amigo.
- A Leana! Gosh, eu tinha esquecido dela!
- Ahá! – Matt pulou no sofá e apontou o dedo para o nariz do amigo. – Então você confessa que se sente muito melhor com a Win e gosta dela?
- Claro que não, isso é completamente ilógico, irreal, ilusório e imaginário!
Matt contraiu o lábio, decepcionado e voltou a se sentar.
- Confesse logo Sullivan, você idolatra aquela menina!
- Não idolatro.
- Não mesmo, você louva, ama, venera!
- Mentira! Mentira! Não me calunie, Sanders, Você bem sabe que isso não é verdade!
Matt lançou um sorriso malicioso ao melhor amigo.
- Ah é? Então me diga, porque o senhor “lindos olhos azuis” ficou bobinho, bobinho perto dela?
Jimmy remexeu-se no sofá, sentindo-se incomodado.
- Bem... – ele ponderou. – Ela tem olhos lindos. – admitiu, mas não deixando de manear a cabeça para evidenciar que não era o que Matt pensava. Ele pareceu novamente pensar. – Ela também é bem bonitinha, simpática...
- Legal, amável, linda, companheira, inteligente, maravilhosa, organizada, gostosinha. Era isso que você ia dizer, não é mesmo? – disse Matt, com um fingido desinteresse.
- Bom, eu ia dizer... – Jimmy parou de imediato a fala, o que chamou a atenção do amigo ao lado.
- VOCÊ IA DIZER ISSO! – gritou um Matt anormalmente animado, pulando no sofá como uma criança gorda. – Você ama Winter! Confesse que o que sente é, pelo menos, muito parecido com amor!

- Eu não amo! – o primeiro tom não era tão determinado quanto há minutos atrás. – Eu amo? – ele perguntou-se a si mesmo, repetindo a sentença varias vezes e fazendo cada vez mais a pergunta parecer uma afirmação.
Matt sorriu, vitorioso.
Jimmy levou as mãos à cabeça e levantou-se, desesperado.
- EU AMO! – exclamou finalmente no tom mais afirmativo possível. – Eu amo Winter.
- Viu! Viu! Viu! – disse Matt, rindo alegremente.
Estava mais do que na cara que ele apoiava mais do que “demais” um possível relacionamento entre o amigo e a brasileirinha, mas, pensando bem, quem não apoiava? Ela era simplesmente o oposto de Leana, que por acaso, era odiada por todos os amigos de Jimmy.
- Mas, eu não posso gostar dela!
Matt olhou para o amigo mudando subitamente a expressão de animada para incrédula.
- Como assim? – perguntou se irritando.
- Eu não posso me apaixonar por ela. E a Leana?
- Termine com ela, oras!
Os olhos azuis de Jimmy tornaram-se confusos. Era uma descoberta recente demais para já saber o que fazer com ela. Precisava se acostumar com isso, ou pelo menos ele achava que precisava.
- Eu não posso terminar com ela... – disse vagamente, com a voz fraca. – Eu... Eu não vou terminar com ela...

- Jimmy, acorda dude, você esta apaixonado por outra menina, você não pode continuar com a Leana.
O rapaz levou novamente as mãos à cabeça.
- Eu vou enlouquecer. – dizia, andando de um lado ao outro.
- Cala a boca, James! – exclamou Matt, muito irritado. – Ficar andando de um lado pro outro não vai adiantar nada...
- Isso não podia ter acontecido...
- Isso TINHA que acontecer. Essas coisas são destinos e não é todo mundo que consegue mudar o próprio destino... – disse veemente, sem saber o quanto o próprio destino seria irônico.
- Ah, destino, que mane destino Matt, larga de ser tonto! – retrucou Jimmy, Finalmente parando de andar e desabando no sofá.
- Eu não estou sendo tonto! – Matt exclamou indignado. – Destino existe sim, isso é obvio.
- Não, não é!
- É!
- Não é!
- É
- Não é!
- É SIM PORRA! – o moreno mais alto gritou, pegando os tênis e começando a calça-los. – Olha, tudo bem, se você não acredita, ainda vai acreditar.
Jimmy olhou para o amigo, agora mais calmo.
- Onde você vai?
- Embora, ué. Já são quase oito e meia, minha mãe deve estar servindo o jantar e eu não ousaria arriscar minha vida me atrasando...
Jimmy riu do amigo, sentia-se profundamente mais calmo.

- Desculpa por ter gritado.
Matt riu da cara preocupada do amigo.
- Ta bom... Você vai descobrir que eu estou certo mais cedo ou mais tarde mesmo. – disse dando os ombros.
Jimmy acompanhou o amigo até a porta e, depois de vê-lo sumir ao longe, voltou para dentro da casa, jogando-se cansado no sofá.
Como seria encarar Winter de novo, depois de tantas conclusões?