Ps: I Love You
58 Capítulo 57 - Together
Ainda com um sentimento diferente pesando sobre as pessoas ali, os jurados abaixaram a cabeça e se puseram a tomar nota da apresentação.
Jimmy, diferente dos outros rapazes, não parecia interessado nisso. Ele chegou ao backstage ofegante e largou o violão, antes em suas mãos, em um canto qualquer.
Seus olhos buscavam a menina com certo desespero, uma brutal ansiedade. Ela precisava estar ali. A sua menina.
Contudo, embora tivesse certeza do impacto daquela música sobre a garota, os técnicos que passavam por ali sem demonstrar aparente preocupação com suas vidas quase lhe provavam que não acharia ali quem ele mais esperava.
O sorriso no seu rosto desapareceu.
Ele se virou, e deparou-se com um ainda maior. Um sorriso feliz, estampado no mais lindo rosto que já vira, sob olhos brilhantes como duas pedras de diamantes. E então sorriu também.
- Er... Oi. – ele disse.
Não era nenhuma das várias coisas e intemináveis textos que ele jamais encenara para aquele momento, mas era a primeira coisa que viera a sua cabeça de maneira tão repentina quanto o aparecimento de Winter.
- Diz pra mim... – ela disse, com simplicidade.
Quem visse os dois, ficaria confuso pelo rapaz. Ele mesmo não estava. De alguma forma sabia do que ela estava falando. Pela primeira vez parecia conseguir entender e falar a mesma língua que ela.
- Eu só preciso disso, Jimmy. Só preciso ouvir da sua boca. – ela tornou a dizer num tom calmo e doce.
O menino sorriu para ela, mas naquele momento não conseguiu abrir a boca. Eram apenas tres palavras.
- Eu achei que já tivesse dito. – ele riu. – No meio daquele monte de pessoas.
Ela abaixou-se, levando as mãos à barra da calça.
Sem dizer nada, foi dobrando a calça até que esta chegasse acima do joelho. Winter levantou a cabeça e pôde ver um olhar de espanto do rosto de Jimmy.
- A propósito, isso é seu. – ela disse, ainda abaixada, tirando um trapo velho e rasgado do bolso.
A marca em forma de pássaro quase refletia em um brilho feliz nos olhos de Jimmy.
- Você... É...
- Eu acho que não foi por acaso que aos cinco anos de idade você foi ao Brasil, e depois eu vim pra cá. – ela riu. – Pelo menos eu acho coincidência demais nós termos tanta coisa em comum, inclusive uma cicatriz em forma de pássaro.
- Eu não acredito. – Jimmy sorriu. – Win... Eu nunca iria imaginar...
As palavras de sua mãe lhe invadiram a cabeça exclarecedoras. A minha avó costumava dizer que quando quebramos um espelho, ao invez de azar, ele nos mostra a pessoa que mudara nossas vidas para sempre.
Ele a vira... Ela a vira no espelho. Agora sabia disso, agora podia entender.
- Eu também não, até descobrir que você tinha uma marca de pássaro causada por um caco de espelho... Sabe como é, dizem que... Eles nos mostram aquele quem mudará nossas vidas para sempre – eles completaram em uníssono.
- Win... Você tem noção? — Jimmy riu de si mesmo, ainda meio bobo. – Isso é... É destino.
O sorriso dela tornou-se ainda maior ao ver a ótima reação do rapaz.
Ela abriu a mão dele e colocou o pedaço rasgado de pano com delicadeza, fechando a mão do rapaz com força logo em seguida.
- Pede pra sua mãe costurar sua camisa depois, se você ainda a tiver. – ela piscou.
- Você acha que eu jogaria fora a única forma que eu tinha de me lembrar da brasileirinha mais perfeita?
Os olhos da morena brilharam no tom castanho mais bonito que Jimmy já vira.
- Aliás, promessa cumprida, né? – ele disse.
- Se eu me lembro bem dela, falta uma coisa ainda. – ela respondeu, fazendo charme.
O rapaz aproximou-se dela, que já havia se levantado, e pousou suas mãos na cintura da menina. Ela passou o braço por detrás do pescoço dele, começando um carinho na nuca do rapaz, que o fez arrepiar-se completamente.
- Não por isso... – ele disse. – Eu...
Ele enrolou um pouco, roçando de leve seus lábios nos de Winter. Ela mesma já estava ficando irritada com essa atitude. Queria aquilo tanto quanto ele, e agora ambos sabiam que a espera havia sido de muitos anos, ao invés de meses.
- Fala vai... – ela pediu quase suplicante.
Ele sorriu, gostando da tortura e se perguntando que tipo de atitude masoquista era aquela.
- O que?
- Vai logo, James. – ela engoliu em seco, sabendo o que viria em seguida. – Eu não cruzei o equador pra ouvir você enrolar.
- Enrolando pra quê? – ele riu, ainda com os lábios rentes aos dela. Podia sentira a respiraçao da menina e seu hálito fresco no próprio rosto.
- James Sullivan, se você estragar tudo denovo, eu...
- Está bem, está bem...- ele disse, rindo. – Eu... Winter Pricolo, eu... Eu te amo... Te amo mais do que você pode imaginar... Mais do que você pensa que eu te amo, porque você me deixa louco. Você é a primeira pessoa que me faz sentir calor e frio ao mesmo tempo.
Ela sorriu.
- Promessa cumprida. – disse ela, segundos antes de sentir o menino investir os lábios nos seus.
Agora aquilo era um beijo. Um beijo intenso e apaixonado da maneira mais clichê possível.
Winter sentia uma sensação quente e forte possir-lhe todo o corpo. Era a simples, mas maravilhosa sensação de consiguir o que ansiava a tanto tempo. E é por isso que os dois compartilhavam desse calor, pois ambos desejavam aquele momento como nunca haviam desejado nenhum outro.
Ela soltou os lábios dele, fazendo um barulho de estalo, sorriu, e voltou a baijá-lo, dessa vez ainda mais intensamente. Suas mãos puxaram com força os poucos cabelos da nuca do rapaz, enquanto as mãos dele percorriam suas costas lentamente, sentindo cada centimetro do corpo da menina.
Ela escorregou as mãos para os ombros dele e, já sem fôlego, afastou-o.
Ele tinha um sorriso bobo no rosto.
- Quer namorar comigo? – ele perguntou, dando pequenos beijinhos no pescoço da morena.
Ela riu.
- Eu já estou namorando, meu bem. – disse de bom humor, e depois segurou o rosto do rapaz, voltando a beijá-lo.
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