Ps I Love You
7 Weekend
Notas iniciais
Final de Semana
O relógio bateu às oito e meia naquele sábado. Na casa de Seb, todos se encontravam a mesa, conversando alegremente sobre as diferenças culturais entre Brasil e Canadá. Contudo, alguém ali estava calado desde a hora em que chegara.
O rapaz, sentado na ponta da mesa, apesar de ter conseguido passar toda a tarde com a namorada, sem nenhum tipo de conflito com os pais, continuava com a cara fechada.
- Bom, mas pelo que vejo, você não terá problemas em se adaptar aqui. – disse a Sra. Lefebvre, sorridente. – E agora que já sabe como essa casa funciona, só precisará se adaptar na escola.
- É – Ju concordou. – Confesso que estou nervosa para as aulas.
- Não fique, tenho certeza que fará muitas amizades por lá.
“É, realmente, muitas”, pensou Seb de maneira irônica.
- E o Seb também vai te ajudar com as coisas por lá. – disse seu pai.
Quase imediatamente, os olhos do rapaz se arregalaram, sendo repreendidos pelo olhar silencioso e severo de sua mãe. Ju apenas sorriu nervosamente.
- Eu? – Seb deixou escapar.
- Claro, você... Sem problemas, né filho? – sua mãe perguntou, dando uma reforçada no tom de voz no fim.
- Ah, claro, eu vou... – respondeu sem animação, voltando os olhos pro prato.
O clima ali pesou no silêncio que se seguiu. O Sr. e a Sra. Lefebvre, olhavam curiosamente os dois jovens, que apenas baixaram a cabeça a voltaram a comer.
Minutos depois, o barulho do talher se fez audível no lugar.
- Eu vou subir, provavelmente ainda vou passar o domingo arrumando minhas coisas, e quero que tudo esteja organizado o quanto antes. – disse Ju, limpando a boca com o guardanapo e se levantando.
- Certo, querida – consentiu a mulher. – Lembre-se que amanha nós vamos a um shopping aqui pertinho, assim você pode comprar o que precisa e não pode trazer.
- Não vou esquecer. – Juliana afirmou sorridente, antes de subir para o quarto.
Os pais esperaram a menina desaparecer no topo da escada, para então voltarem a comer.
- Filho, amanha você terá o domingo para fazer o que quiser. – disse sua mãe. – Mas durante o resto da semana, quero que ajude a Juliana a se adaptar na escola.
- Mas...
- Se você não quiser. – ela continuou. – Ao menos quero que peça à diretora, para colocar algum aluno para fazer isso.
O rapaz suspirou aliviado, também se levantando da mesa.
- Ta bom. – respondeu satisfeito, sorrindo pela primeira vez desde que recebera a tal noticia. – Eu falo com o diretor, juro que peço pra ele escolher a melhor pessoa para fazer isso.
- Seb, me diga, porque você não gosta dessa menina? Ela é tão simpática. Tão educada. – disse seu pai, curioso.
- Não é que eu não goste dela, mas não me agrada a idéia de dividir a mesma casa com ela... Ela é completamente diferente de mim, entendem?
- Não. – disse sua mãe. – Isso não faz o menor sentido, mas se é o que você acha, contanto que você não seja grosso com ela, não vou pedir que fique grudado nela.
- Obrigado, mãe.
A mulher, sem responder, foi até a cozinha, levar o jantar, junto ao marido, enquanto Seb subia ao seu quarto.
Na cozinha, o pai de Seb não demorou a perceber uma certa inquietação da parte da esposa.
- Miriam, esta tudo bem?
- Esta, eu só... – ela parou e suspirou pesadamente.
- Só?
- Só estou como uma sensação estranha em relação a essa menina.
- Acha que ela não é o que aparenta? – o marido perguntou, envolvendo-a com os braços.
- Não, magina. – ela respondeu, abrindo um pequeno sorriso. – É que sinto uma coisa diferente em relação a ela, como se fosse capaz de mudar muita coisa, sabe? Mudar nossas vidas.
- E por um ano ela vai.
- Não é disso que estou falando, é como se alguma coisa me dissesse que essa garota veio para mudar muita coisa por aqui.
O Sr. Lefebvre não respondeu, apenas sorriu, confortando a esposa. Ela sabia que ele, cheio de ceticismo, não acreditava nessas coisas.
Fale com o autor