Ps I Love You
24 Suspect
Notas iniciais
SUSPECT
"Suspeito"
Capítulo 24 – “Suspect”
- AH! – gritou Karol, pulando pela calçada em direção á escola, ao lado de Ju. – Você ama Sebastien Lefebvre! Ama! Você A-MA!
- Nossa, porque você não anuncia em rede nacional? – retrucou a amiga, irônica, fazendo com que Karol falasse mais baixo.
Ju realmente não queria que ninguém soubesse daquilo... Nem ele e nem, principalmente, Annie. Ela podia ser uma vadia, sim, mas ainda era namorada dele. E isso, pela primeira vez, incomodava Ju... Demais.
- Desculpa, eu vou tentar ficar quieta. – ela disse, abaixando o tom de voz.
A menina, contudo, deu apenas alguns passos caladas, depois voltou a pular, rindo.
- Cara, é tão lindo saber que você ama alguém!
- Eu pensei que você abominasse a idéia de me ver com o Seb.
- Eu abomino, pelo menos enquanto ele não mudar o jeito dele. Mas a questão não é essa, até porque com a Annie na cola, você não fica com ele nem nos sonhos.
- Grande consolo.
- Magina... Mas então, eu gosto do fato de você gostar dele justamente porque se tem alguém que pode mudá-lo esse alguém é você!
- Eu?
- Claro, quem sabe estando com você, o Seb volta a ser o que era.
- Mas como assim, “o que era”? – Ju parou de andar, já na frente do colégio, e olhou confusa para Karol.
- Ué, você acha que ele sempre foi assim? O Seb ficou chato assim depois que ele começou a namorar a Annie, alias pra ser sincera, ele era muito tímido e excluído antes de namorá-la. Mas daí, ela “atacou” ele, e ele virou o que é hoje.
Ju suspirou, calada. Ela realmente preferia um namorado excluído e tímido ao extremo que um pop chatinho e metido.
Namorado? Quem falou em namorado? O fato de eu gostar dele com todas as forças do meu ser, não quer dizer que eu realmente acredito em uma hipotética relação alem de uma singela amizade.
- Ju! – chamou Chuck, de longe, tirando a menina daqueles devaneios. – A diretora esta te chamando.
- Me chamando? Por que?
- Sei lá, eu acabei de chegar e fui pegar umas coisas no meu armário, daí como tinha um grande amontoado de gente lá no corredor, eu fui ver o que era, e a diretora, bufando de ódio, mandou eu te chamar.
Ju e Karol se entreolharam e depois saíram correndo com Chuck, indo ao encontro da diretora do colégio Eileen Dork.
Elas não demoraram a chegar no corredor, que realmente estava completamente lotado de gente.
Todos os alunos ali formavam uma roda e, bem no meio, estavam a diretora, Pierre, David, Jeff, Pat, Seb, Tony, e, depois daquele momento, Ju, Karol e Chuck também.
- Srta. Fletcher! – urrou a mulher. – Abra seu armário, agora!
- Como? – a garota perguntou confusa.
- Eu recebi uma informação bem perturbadora essa manha. – explicou a diretora. – Quero que abra seu armário, para confirmar essa informação.
- Mas que informação? – perguntou Karol.
- Não se meta nos assuntos que não lhe convêm, Srta. Folkins.
- Mas diretora, ela tem razão, eu quero saber que informação que é essa. – retrucou Juliana.
- Apenas obedeça, abrindo o seu armário, de preferência.
Ju olhou ao redor, vendo os olhares curiosos de todos ali parados em si. Ela tremeu de leve ao imaginar o escândalo do qual estava sendo vítima. Já era odiada naquela escola, aquilo a faria ser ainda mais e ela realmente não queria isso, ainda que não se importasse muito com popularidade ou coisas tão fúteis como.
Jeff percebeu o olhar perdido da menina e, com gritos severos, expulsou todos os alunos de lá, mandando-os para suas respectivas classes. Ainda que não fosse do feitio daqueles “pops” acatarem pedidos de um segundanista, todos seguiram calados, desmanchando rapidamente aquele circulo.
Ju sorriu, em agradecimento e olhou para o lado, só então notando que já estava em frente ao seu armário. Ela caminhou até ele e, mesmo ouvindo o sinal soar pelo colégio, continuou montando o segredo do cadeado.
Quando este se abriu, a portinha de metal pintada de azul escuro do armário abriu-se também, permitindo que vários papéis caíssem e se esparramassem pelo chão.
Estranhamente, ela não se lembrava de ter alguma folha separada que fosse no seu armário.
A diretora recolheu os papeis e os folheou para, olhar para Ju, com um severo olhar vitorioso.
- Aqui esta, Srta. Fletcher. – disse a mulher. – O gabarito da prova de matemática na qual a senhorita, por acaso, tirou nota máxima.
Espantada, a menina puxou os papeis bruscamente das mãos da enorme montanha humana a sua frente.
Impossível! Aqui tem gabaritos até das provas da semana que vem.
- Eu não colei na prova.
- Ora, querida, não colar com o gabarito completo seria burrice! E mais burrice seria eu acreditar que a senhorita é uma santa.
- Não se trata de ser santa. – ela replicou, incrédula. – A questão é que eu não coloquei isso no meu armário. Nem sei como foi parar lá.
- Oh, e eu devo deduzir que alguém saiba sua senha?
- Talvez... Eu... Oras diretora, eu sei que consigo tirar notas boas o suficiente sem nenhuma cola.
A mulher sorriu, sarcástica.
- Mas eu não, querida.
O queixo de todos ali caiu. Ser educada não era um costume da diretora, nem isso e nem algo que ela fizesse, sequer, raramente. Mas agora ela havia, simplesmente, chamado Ju de burra. E aquilo não tinha sido uma indireta!
- Eu quero que você venha até a minha sala. Eu vou ligar para o Sr. e a Sra. Lefebvre e chama-los aqui imediatamente.
- Diretora. – disse Pierre, tentando amenizar a situação, enquanto David parecia estar a pouco de um ataque de nervos. – Eu acho que...
- Seu pai não paga a escola pra você achar, Bouvier. Cale-se e suma daqui!
Jeff quase caiu nas gargalhadas. Pat murmurou alguma coisa como “crazy fat bitch”. E Tony e Seb apenas tiveram tempo de segurar David discretamente pelos braços, para que ele não voasse no pescoço gordo e flácido da diretora.
- Eu vou lá. – disse Ju, abaixando a cabeça.
- Não se preocupe. – disse Karol, lançando um olhar, no mínimo, assassino à diretora. – Os Lefebvre sabem que você nunca faria isso.
A diretora tossiu, cheia de ironia.
- Whatever... – disse Ju. – Eu me viro por lá e...
Ela não chegou a terminar a fala. Ao invés disso fora impedida pela mulher a sua frente, que a pegou e a puxou bruscamente pela manga da camisa.
O silêncio pairou no lugar por alguns segundos.
- Certo. – disse Karol, virando-se para os rapazes. – Vamos para a aula e depois vemos isso.
David bufou, irritado.
- Não se preocupe, Dave. – a menina tornou a dizer. – Se descobrimos quem fez isso eu deixo você linchar a pessoa até a morte.
O menino abriu um sorriso infantil completamente satisfeito e, junto aos amigos, seguiu para a aula.
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